quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A mulher yoruba e o Ifá.




Autor:Babalawo Ifagbayin Agboola

A figura feminina é muito discutida ao longo da historia, houve quem as considerasse bruxas e até mesmo seres inferiores; é interessante  a  evolução do raciocínio humano,em todos os aspectos;no tocante a cultura e a religião yoruba sobre tudo em nosso país ainda é necessário muita informação.

Abordaremos um assunto no mínimo polêmico: a mulher pode  ser cultuada como antepassado de forma individual?

Então responderei aos incrédulos e desinformados com o seguinte texto.


Sango:
Certa vez decidiu realizar culto à sua mãe morta. Ele não lembrava o nome dela, pois quando ela morreu  ele era ainda um bebê. Sua mãe era filha de Elémpé, um Rei Nupe, aliado de Ò r ò nmíy ò n, que entregou-lhe  a filha como esposa, nascendo então Sango.

 Este designou dois escravos, um do povo Tapa e outro do povo Haussa, que fossem à terra Nupe oferecer uma vaca e um cavalo em sacrifício à sua mãe, e recomendou que os escravos prestassem muita atenção ao nome de sua mãe que seria citado durante o sacrifício.

 Os mensageiros foram recebidos com alegria e festejos por Elempe, avô de Sango.

 O escravo Haussa esqueceu-se da ordem recebida e durante o sacrifício, o escravo Tapa prestou atenção quando o praticante do ritual disse: "Tòròsí ìyá gbódó, estamos prestando culto oferecido por seu filho Sango".

 Assim o escravo Tapa gravou o nome Tòròsí. Retornando, o escravo Tapa foi homenageado e recompensado, enquanto que o Haussá foi punido com cento e vinte cortes de navalha espalhados por todo o corpo.

As esposas de Sango acharam as cicatrizes belíssimas  e consideraram que tais marcas deveriam ser feitas nos membros da família real, como sinal de nobreza. Sango aceitando a opinião das esposas determinou que Olówala Bàbájegbe Òs ó n e Òru viessem fazer incisões em seu corpo,mas não suportou nada além de dois cortes longitudinais feitos um em cada braço, desde os ombros até os punhos, recebendo assim o título de Ak è y ò .

Quando resolveu tomar Ò y ó - kórò enviou o escravo Haussá até o Rei O l ó y ó - kórò para que exibisse tão belas cicatrizes. O Rei e seu ministros quiseram que as cicatrizes fossem feitas neles, e chamaram Òs ó n e Òru para fazê-las. Três dias depois que as cicatrizes tinham sido feitas , enquanto o Rei e seus ministros tinham o corpo dolorido Sango atacou e venceu.

Texto retirado do livro: A mitologia dos orisas africanos

Síríkù Sàlámì


A resposta é bem clara, algumas mulheres,sim, recebem culto como antepassado de forma individual.

sábado, 23 de outubro de 2010

IFÁ,ORIXÁ FALA?






Autor: Babalawo Ifagbayin Agboola

Já faz muito tempo que eu desisti de visitar os barracões ,ver as festas as quais sou convidado,não por desconsiderar meus amigos que me convidam,mas na realidade porque quando volto à minha casa sinto um misto de tristeza e decepção ,porque em um passado não muito distante  os orisas falavam, e se comunicavam com as pessoas, deixavam recados que certamente contribuíam em  muito para a solução de nossos problemas .

O que teria acontecido com o passar dos anos ? Os orisas fecharam os olhos e ainda fecharam a boca .É natural que o orisa tenha um idioma de origem, o yoruba, mas  orisa é sabedoria  e o que  adiantaria um orisa falar somente yoruba em uma terra que se fala português?

Sempre os orisas se comunicaram com uma mistura das duas línguas para facilitar o entendimento. Por que agora deixaram de falar? Seria culpa dos sacerdotes que perderam como se faz o ritual da abertura de fala?Será  que esses novos sacerdotes já viram um tabuleiro repleto de comidas para tal ase?

Entrar em um barracão e ver um orisa de olhos fechados sendo conduzido para um lado e outro,saber que ele deixou de falar e que só vem ao mundo para dançar,me faz ficar em casa.Saber que os orisas em um passado não muito distante limpavam cozinhavam e orientavam como fazer ebós;saber que um orisa virava na rua e levava o filho para casa quando ele estava correndo algum perigo e, que nos dias de hoje ele só fica cuidando para não quebrar as plumas de sua roupa me deprimi.

Eu aprendi religião em uma casa que o orisa ia na rua buscar os cabritos do ritual,ajudava a segurar as galinhas e conversava com seus filhos por horas,com os olhos bem abertos como podemos comprovar com filmes e fotos ,coisa que ainda acontece na terra mãe.

Como sou muito jovem para me colocar como conhecedor,tento contribuir como testemunha da historia que está se transformando, e para que as pessoas não acreditem que tudo isso é fruto da minha imaginação segue anexo um texto do falecido professor Agenor Miranda,  um dos nomes mais respeitados da nação de ketu na historia moderna.

Palavras do professor Agenor:
Antigamente havia mais  humildade,mais fé e mais respeito ao orixá.Hoje não,quase só se vê vaidade e comércio.O axé está enfraquecendo.Talvez por essa razão os orixás do ketu não falem mais,em muitas casas,mas deveriam falar,se recebem o axé de fala.O erê  não fala? O próprio orixá não dá seu nome no barracão? Os santos dos antigos sempre falavam,ou em yoruba antigo ou para aqueles que não compreendessem  esta língua num português meio arrevesado. Só não falavam os orixás das pessoas que não eram feitas e que, por tanto ainda não tinham recebido o axé próprio.


Um vento sagrado: história de vida de um adivinho da tradição nagô-kêtu ... Pagina 58
 Por Muniz Sodré,Luís Filipe de Lima

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Obì, conversando com Ifá e orixa.




Autor:Bàbàláwo Ifagbaiyin Agboola

“Combatendo a venda de apostilas”

Muito dos ensinamentos trazidos pelos yorùbás no período da escravidão foram perdidos, será que temos condições de recuperar essa riquíssima herança?

A resposta é sim, estamos diante de um momento histórico.

Podemos mudar o rumo de tudo que está acontecendo, é chegada a hora da recuperação do que foi perdido, mas para isso temos que estar dispostos, aqueles que se dizem tradicionalistas devem observar que a raiz da nossa religião está no território yoruba.

Temos que preencher as lacunas que ficaram abertas, com informações verdadeiras só assim vamos reconquistar o respeito da sociedade que observa atenta as nossas atitudes.
O Obì é só um dos temas que devemos abordar com mais abertura entre os iniciados para que não se perca mais uma vez o legado de nossos antepassados.

O Obì também serve como Oráculo e ele não têm só cinco caídas, existem mais informações do que aquelas até hoje divulgadas. Poucos sabem que no Obì existem partes masculinas e partes femininas e que podemos consultar com um e dois Obì ao mesmo tempo.


Consultando com um Obì:


- 1 masculino: boa saúde, poder masculino, também trás o insucesso, caída negativa.

-1 Feminino: o poder das mulheres traz prosperidade, mas uma manifestação negativa feminina tem o poder de bloquear a prosperidade, caída negativa.

- 1 masculino e 1 feminino: harmonia entre o sexo masculino e feminino, sucesso em qualquer negócio, ótima caída.

-2 masculinos: determinação, manifestação negativa de disputas, conflitos, brigas, caída negativa.

-2 femininos: paz, tranquilidade e relaxamento, preguiça leva ao fracasso, tomar cuidado.

 - 2 masculinos 1 feminino: sucesso após dificuldades, mas a falta de entendimento pode levar ao insucesso, cautela.

- 2 femininos e 1 masculino: vitória e sucesso podem desaparecer fazer ebó para garantir o futuro.

- Todos os quatro abertos: harmonia em todos os aspectos, uma vitória completa, as medidas devem ser tomadas para atingir o sucesso.

- Todas as quatro partes estão fechadas obstáculos, quando questionado sobre inimigos vitória.

Consultando com dois Obì:


- 8 partes abertas, ogbe méjì, sucesso, felicidade e vida longa, agradar Orunmila.

- 6 partes abertas, Ògúndá méjì, obstáculos e muito trabalho para alcançar o sucesso, agradar Ògún.

- 4 partes abertas, Oyeku méjì, doença, dificuldade e até a morte, agradar Iya mi.

- 3 parte abertas, ogbe yonu a pessoa está perdendo muito tempo, ela fala demais, agradar Orí.

- 2 partes abertas, Òkànràn méjì, caminhos de sucesso com o apoio dos antepassados, o bom comportamento vai fazer a diferença, agradar egúngún.

Obs: Nesse trabalho colocamos apenas algumas caídas da consulta com Obì, o nosso objetivo é informar que existe outras formas de consultar, mas a internet não é lugar de ensinar.

Cada pessoa deve procurar informações com o sacerdote da casa que ela foi iniciado.




Búzios para iniciante.




Autor:Babalawo Ifagbayin Agboola


A intenção, quando da criação desse texto chamado búzio para iniciantes, em nenhum momento foi de ensinar as pessoas como jogar;a idéia é falar sobre a dualidade e o odu.

Fato esse ignorado por muitos em nosso país.

 O ire(sorte aspecto positivo), e o ibi (aspecto negativo) de um mesmo odu deve ser extraído com muito cuidado por que só assim teremos a capacidade de interpretar a verdadeira mensagem contida no jogo.

Esse texto apresenta algumas características do ire  e do ibi constante em todos os odus. A idéia é chamar a atenção que um único odu não pode,como querem alguns, reunir todas as características positivas ou negativas existentes,como na atual  obara mania.

1-okanran    Esu,Sango

IRE- Novo caminho, oportunidade material, progresso.
 IBI- Medo, insegurança, impulsividade.

2-Eji oko    Ibeji,Iya mi

IRE-Nascimento, dualidade, inicio.
IBI-Morte,escuridão,desordem.

3-Ogunda   Ogun Osanyin

IRE-Profissão, construção,força.
IBI-Violencia,desastre,doença,brigas

4- irosun Ogun egun yemonja

IRE-Caminhos abertos, realização,ambição
IBI-Intranqüilidade ,inquietação,arrependimento.

5-Ose  Osun

IRE-Suavidade, ingenuidade , amor,riqueza,riqueza.
IBI- Ilusão, falta de foco, fofoca,curiosidade

6-Obara  Osala osoosi Sango

IRE-Sorte, paciência,habilidade,potencial.
IBI- Inveja, roubo, perda,inquietação.

7-Odi   Oloogun Ede,Osoosi, Esu

IRE-Liderança, persistência, sensibilidade
IBI- Polêmicas, problemas, brigas,traições

8- Eji Ogbe  Obatala,Ifa,yemonja,Obaluwaiye

IRE-Alegria, encanto,felicidade,grandeza,sucesso.,inicio.
IBI- Nervosismo, preguiça, altos e baixos.
9-Osa    Iya mi,Oya,Yemonja
IRE-Viagens, Espiritualidade, Família,mudança.
IBI- Falta de coragem, duvidas, depressão.

10-Ofun  Osala

IRE-Vitória, determinação, realização, paciência.
IBI- Lentidão, desânimo, fraqueza, fragilidade.

11-Owarin Oya Egungun

IRE-Pressa, poder ,  força,Otimismo,realização.
IBI- Perigo ,  acidente, ,violência.

12-Ejila (Iwori),Sango.

IRE-Emprego, dinheiro, negócios, política.
IBI- Avareza processos, loucura.

13- ika  Soponnan,iya mi,Nanã

IRE-Espiritualidade
IBI-  Perigos, doenças,feitiços,morte.

14-Oturupon  iya mi Obalwaiye

IRE- Espiritualidade,  vidência,intuição.
IBI- Doenças, fase negativa miséria.

15- Otura,(Ofun Okanran) Esu,Olookun

IRE- A capacidade de recomeçar rapidamente.
IBI- A falta de Iniciativa,desilusão,decepção.

16-Irete     Ifa,Soponnan,sociedade Ogboni.

IRE-Ligação  com a espiritualidade,o renascimento
IBI-O fracasso ,a morte.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Tudo que foi perdido ou esquecido,Ifá explica.




Autor:Babalawo Ifagbayin Agboola


Durante a o processo de transferência dos orisas para o novo mundo,muito se perdeu,com o passar do tempo,a falta da escrita,e a intolerância cravaram fundo a faca da desinformação em nossa herança cultural,sorte nossa que homens e mulheres deram suas vidas para manter o que ainda restou.

Vejamos algumas transformações feitas pelo tempo:

1-Oduduwa,o patriarca do povo Yoruba (masculino) foi confundido com Iya Odu divindade( feminina) orisa cultuado pelos iniciados em Ifa (Babalawos,Oluwos) e outros.

2-Esu foi transformado em demônio, e as pessoas começaram a ter medo de iniciar seus filhos.

3-Orunmila foi esquecido, e os seus sacerdotes desapareceram, o culto a esse orisa quase se extinguiu no Brasil.

4-Ayán o orisa do tambor, desapareceu,e o ritual de consagração de um ilu (tambor,atabaque) foi perdido em muitas casas,o pior é que Alabe se tornou Ogá(Ogan mestre de cerimônias ou encarregado).

5-Yemonja deixou de receber peixe vivo,e muitos nunca nem viram tal ritual,ficando assim conservados somente os pratos oferecidos a grande mãe, com frutos do mar.

6- Oloogun-Éde orisa conhecido em território yoruba  por sua valentia e coragem nas batalhas ao lado de ogun passou a ser considerado um orisa criança(infantil) perdendo completamente sua essência de guerreiro.

7-Nanã passou a ser, a mãe de Soponnan (Obalwaiye) quando em verdade não tem nenhuma ligação entre eles.

8-Olugama (orisa masculino) encarregado da matéria prima para a confecção do primeiro ser humano , se tornou feminino.

Eu poderia ficar aqui escrevendo por muito tempo, a lista do que foi transformado ou perdido , é muito longa,mas prefiro pensar no que restou e no que podemos recuperar,até por que, quanto mais exemplos eu citar, mais aumentarei a ira dos desinformados contra mim, não que isso me preocupe, pois quando assumi a missão de escrever essas mensagens, já sabia o que se seguiria,em contra partida o numero de pessoas sérias e responsáveis me apoiando é enorme e a cada dia surpreendentemente aumenta.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A água a folha e a pedra no Ifá.


Autor:Babalawo Ifagbayin Agboola


Certamente que encontrar a essência do orisa,não é ir à áfrica,existem várias essências no ritual de culto aos  Orisas,nunca deveríamos confundir com ir até as origens.


Durante a  iniciação de uma pessoa de Osun , retiramos a água do rio que será usada nos rituais,essa é uma forma de extrair a essência,assim como quando preparamos as folhas maceradas ou calcinadas também estamos extraindo parte do conjunto necessário ao culto do orisa em seu Igba(vasilha de  assentamento),no momento que seguramos em nossas mãos um  minério de ferro e invocamos Ogun em seu igba sentimos a presença do orisa,mesmo quando uma pessoa retira das águas do rio um okuta(pedra) cor amarelada, que não tem nenhuma rachadura obtemos  uma das essências de Osun.


A brancura do okuta de formas delicadas representa certamente um dos princípios de Obatala,mas é com a inclusão de outras essências como o  efun e o chumbo e as folhas certas, que formam um conjunto de elementos que caracteriza o início do assentamento, mas o ofo(encantamento sagrado) certo,  e o ase(axé) de quem o pronuncia é que vai completar o ritual,a escolha do sacerdote  continua sendo o elemento que dá o equilíbrio.
Então a escolha do individuo permanece como o ponto fundamental  em todas a situações,o acerto, ou o erro vai caracterizar o sucesso ou o fracasso de uma iniciação.

domingo, 17 de outubro de 2010

Odu, Ifa 





Autor:Babalawo Ifagbayin Agboola


Eu tenho presenciado todos dias nas comunidades  os mais diversos comentários sobre Ifa.

Tem pessoas que por desconhecerem  os rituais acreditam em coisas que jamais poderiam acontecer ,tipo o meu odu de nascimento é tal,essa colocação é muito comum nos dias de hoje quando a maioria das pessoas querem falar sobre odu e Orunmila,sem ao menos serem iniciados em Ifa.

O orisa Orunmila também conhecido pelos outros nomes citados no titulo, é o orisa da sabedoria o maior conhecedor sobre o destino dos homens e seus odus.

Odu tem  uma representação gráfica de um conjunto de elementos representados na natureza que descrevem uma parte de um todo do universo ao qual assim como as pessoas e alguns elementos da natureza tem sua origem a partir da criação de Olodumare(Deus) sendo assim tudo nasce de um odu inclusive os orisas.

Cultuar Orunmila é cultuar a informação a sabedoria e a filosofia do povo Yoruba,é ter como regra de vida os sagrados versos de Ifa o orisa do oráculo ,e sua eterna orientação  como ensinamento que deve ser usado diariamente.

Oculto a Ifa se completa com os demais por que se você desconhece seu orisa como poderia    reverenciar o mesmo ,como pode cultuar seu antepassado tudo acontece simultaneamente e se completa.

O Brasil perdeu muito com a falta de Babalawos ,graça a Olodumare isso esta sendo resolvido aos poucos , teremos em um futuro não muito distante homens ocupando esses cargos com dignidade em todo o pais.


Orisa da riqueza e o Ifá.





Autor:Babalawo Ifagbayin Agboola


Nos dias de hoje cresce o numero de pessoa que pedem explicação sobre esse orisa ,não é para menos todos precisamos de dinheiro,embora a riqueza para o povo yoruba seja considerada de forma bem mais ampla que em nosso país, o yorubano considera a maior riqueza de um homem, a vida longa, é por isso que saúda (ogbo ato)desejando longa vida.

 Aje o orisa  da riqueza filha de Olokun,irmã de Yemonja  conhecida no território yoruba como o orisa dos negócios e do dinheiro,como também da longevidade .

Seu assentamento é feito  em uma vasilha que contem um grande numero de caramujos marinhos,embora  somente uma parte deles é fundamento .

A esta iya é oferecido Elédè (porco) como sua comida principal,alem de frutas e grande quantidade de comidas feitas a base de milho,e feijão.

Seu culto é também feito em conjunto com o culto de outros orisas como Osun ,Esu e Olokun,é quando olhamos o brilho do mar sobre as ondas  que avistamos Aje,é quando o mar que encanta seus adeptos,Aje, o Ogunguniso
Feminino,masculino e Ifá.




Autor:Babalawo Ifagbayin Agboola


Eu me surpreendo quando as  pessoas  iniciadas  ainda não conhecem algumas coisas básicas no culto aos orisas , feminino e masculino interagem buscando assim a fecundidade.

Olhando com calma o Igba de um Orisa (vasilha do assentamento) vamos perceber claramente os componentes femininos e masculinos ,tudo em um perfeito equuilibrio buscando assim a representação da fecundidade e a interação.

 Eu sei que nem todas as pessoas tiveram a oportunidade de aprender tudo isso mas se fazemos parte da religião dos orisas e entendemos os orisas  como parte da natureza é muito fácil concluir tais afirmações,em  todos os momentos vemos na natureza essa interação dos elementos femininos e masculinos.

Os iniciados na sociedade Ogboni quando saúdam a terra colocam de forma bem clara a mão esquerda com o punho serrado sobre a direita (também serrada) para só ai colocar a sua cabeça, caracterizando   assim o total respeito a Iya Alela (mãe terra) feminina  e a dedicação dos homens icicíados em Ifa                ( Orunmila masculino) assim como no culto  de Egungun a presença de Oya tem essa representação de interação assim como a presença do Oso no culto de Iya mi também tem o mesmo sentido, tudo se completa e jamais se separa.

A importância dos elementos femininos e masculinos,assim como mineral,vegetal e animal constituem o equlíbrio necessário para a realização do culto aos orisas.

Eu sei que essa visão ainda é muito nova em nosso país, mas a verdadeira origem em  alguns casos é o oposto do que foi ensinado aqui, mas também devemos considerar o quanto se perdeu de informação ao longo da história.
Esu um dos mais importante orixas e o Ifá.





Autor:Babalawo Ifagbayin Agboola


No território Yoruba o culto a Esu esta ligado a todos aos outros  orisas ,egungun e  Iya mi,e  o assentamento de Esu está sempre presente nos locais de culto.

Diferentemente do que acontece no Brasil, esse assentamento é feito em uma pedra conhecida como  Yangui , existe várias formas de assentamento, mas o mais comum, Yangui, uma pedra ferruginosa ( laterita )que é  acompanhada de uma estatueta em madeira , embora infelizmente no Brasil, ainda existem pessoas que assentam Esu com pedra de rio, contrariando a essência que deveria ser mantida conforme os versos de Ifa,(textos sagrados de nossa religião).

É bem verdade, que considerando tudo que nossos antepassados tiveram que enfrentar, diante das dificuldades da escravidão, muito foi conservado e pouco seriam os ajustes a ser feito,agora é responsabilidade nossa corrigir o curso da historia indo de encontro as nossas raízes e melhorando nossa relação com os nossa origem.

O grande problema com o culto a Esu, é a desinformação das  pessoas, que seguem confundindo Esu, com os chamados  Exus de Quimbanda ou da Umbanda,isso deixa uma confusão muito grande na cabeça das pessoas que desconhecem os orisas,é muito comum ver assentamentos com tridentes  e bonecos com chifre, ainda sendo cultuados e pessoas que continuam dizendo que tem um Esu chamado tranca rua e que ele seria o emissário de Osun,tal afirmação deixa qualquer pessoa informada de cabelo em pé .

Em grande parte as pessoas não sabem as verdadeiras atribuições de Esu ,ele é o orisa da articulação entre o aiye (terra) e o orun (ceu), o intermediário entre os homens e os orisas, o verdadeiro porta voz do ser humano junto as divindades.

Nunca devemos confundir  Esu, com o diabo como fizeram os colonizadores em terras yorubas,sobre tudo, hoje com tantas informações, a internet é o grande pesadelo dos desinformados donos do saber, que outrora se arvoravam como conhecedores, hoje basta acessar  todo tipo de informação, e as distâncias entre a África e o Brasil estão reduzidas a um simples  toque no teclado,o problema é como identifica, qual informação pode ser aproveitado.


Abiku ser indesejado, Ifá explica.




Autor:Babalawo Ifagbayin Agboola


Eu sempre digo para as pessoas que tudo vai depender por que  ângulo estamos olhando dizer que um abiku tem dificuldades na vida é verdade, mas quem não tem,eu já atendi algumas pessoas abiku muito bem de vida em todos os sentidos enquanto outros que não tem esse problema vivem um verdadeiro pesadelo.

Em yoruba bi significa (nascer ) e iku significa morrer então estamos falando de pessoas que deveriam  ter morrido  que nasceram para morrer e por alguma razão isso não aconteceu só isso já torna essas pessoas verdadeiros vencedores.

È claro que tudo é muito mais complicado que parece, tal situação requer muito conhecimento por parte do sacerdote que se arvore como conhecedor, ele pode  colocar muitas vidas em risco inclusive a sua, tratar dos espíritos infantis é um misto de conhecimento e coragem ,pois um espírito  de criança sempre pode surpreender .

O culto a o orisa Ibeje (  gêmeos)e o culto ao orisa Egbe orun(família do céu, espiritual)fazem parte de um  conjunto  que quando bem  trabalhado  trás a pessoa abiku uma vida de prazer e alegria.

Falar de algo que não se conhece ou nunca se viveu é um grande erro ,cabe a nós encontra uma forma de divulgar a mais pura verdade sobre esse assunto.

Iya mi Osoronga, bruxas, ignorância, e o Ifá.





Autor:Babalawo Ifagbayin Agboola


Eu sempre digo que sou uma pessoa calma ,mas diante de tantas asneiras sendo ditas sobre Iya mi na internet,minha paciência desapareceu,chamar a mãe da terra de bruxa, é no mínimo desinformação ,Iya (mãe)mi(minha) minha mãe não é bruxa ,e eu entendo o motivo da afirmação é claro que é falta de cultura,mas não concordo com a falta de informação nos dias de hoje, pois nunca na história da humanidade foi tão fácil se informar.

Dizer q Iya mi é um culto só de mulheres é mais um absurdo, o que dizer dos Osos?

Eu já ouvi de tudo até que Iya mi é cultuada para maldade,eu só  posso dizer que tudo isso é loucura ,a função de iya mi na filosofia yoruba, é a coordenação dos Ajoguns,Iku a morte,arun  a doença,ofo o prejuízo ou perda,e outras dificuldades que o homem encontra em sua existência,a liberação dos ajoguns ou não esta ligada a uma série de fatores,assim como  o próprio destino que conforme a cultura religiosa yoruba em parte é escolhido por nós mesmos.

Diante de tais informações,erradamente divulgada eu tenho a dizer que se você quiser agradar seus antepassados femininos e buscar uma existência em harmonia com  passado e o presente eo futuro certamente deve cultuar Iya mi.

A essência jamais deve ser esquecida  não existe figura mais respeitada  para os yorubas que a mãe ,é muito difícil aceitar que a mais importante das divindades se tornou uma bruxa no nosso país essa que representa todas as mães inclusive a mãe terra deve ser respeitada em todos momentos.
O culto a Iya mi faz parte da historia da humanidade e não é um grupo de desinformados que vai mudar a cultura trazida para o Brasil por nossos antepassados.


Egún, Òkú, Orunmila.



Autor: Bàbàláwo Ifágbaíyin Agboola

Os povos de origem yorùbá tem um nome especial de tratar seus antepassados, egún, esse termo identifica o antepassado masculino e espíritos divinizados através de rituais específicos, onde o morto passa a ser considerado de forma especial, ele recebe um novo nome e começa ser cultuado junto ao assentamento dos demais antepassados.

Os yorùbás acreditam que o culto a egún serve para harmonizar a pessoa com o passado, mas principalmente para reverenciar aqueles que contribuíram para a nossa existência, pois como todos sabemos sem passado não existe presente e muito menos futuro.

Os espíritos dos mortos na cultura yoruba recebem o nome de Òkú, não é todo Òkú que se torna egún, mas todo egún um dia foi um Òkú.

Obs: Não confundir com Baba Egúngún.

A diferença esta nos rituais próprios para tornar o Òkú um ser divinizado, esses rituais podem ser feitos somente para os espíritos de pessoas iniciadas no culto de òrìsà ou de egúngún, é claro que existe outros pré-requisitos para que esse processo de divinização seja efetuado, o homem quando vivo deve ter um comportamento exemplar se pretender um dia ser cultuado como egún.

No Brasil existe uma diferença em relação ao que é feito no território yorùbá, aqui se acredita que os egún jamais devem ter contato direto com as pessoas, isso para a tradição yorùbá não procede, os antepassados ficam felizes com esse contato, essa é uma das formas de harmonizar o espírito com seus descendentes.

Quase todo espírito (Òkú) cria problema para os seus descendentes se não for cuidado de forma adequada, normalmente a falta de rituais fúnebres próprios e o despreparo das pessoas para cumprirem algumas exigências básicas nessa relação homem espírito, terminam criando esse conflito.
Na cultura yorùbá existe uma sociedade secreta que se encarrega dos rituais fúnebres, esses sacerdotes cultuam uma divindade chamada Oro, que no Brasil ainda é um pouco desconhecida.

No tocante aos espíritos dos antepassados femininos, é muito raro que seja cultuado de forma individualizado, normalmente é cultuado de forma genérica na sociedade secreta das Iya mi, exemplo ìyá mi Osoronga.

Exemplos de culto:

1-      Egúngún, culto de espíritos masculino individual.
2-      Oro culto de espíritos masculino coletivo.
3-      Ìyá mi, culto de espírito feminino coletivo.

Observação: Não confundir com o culto aos Òrìsàs, espíritos divinizados, e com culto no Brasil relacionado às forças da natureza.

Para melhor entendimento, não confundir com caboclos cultuados na Umbanda religião de origem Brasileira, Que definiríamos como uma forma semelhante de cultuar egún, porém com diferenças, pois os espíritos da Umbanda tem ligação com a cultura Banto, indígena, ou oriental.

Obs: Toda a pessoa iniciada òrìsà ou ifá deveria cultuar seus antepassados.


O culto a egúngún propicia equilíbrio, confiança e segurança, além de um elo com inúmeras gerações de antepassados que tem em nós os seus representantes e divulgadores de seus feitos sendo assim nós temos a obrigação de referencia-los.