terça-feira, 27 de dezembro de 2011


Feriado festivo e Ifá.





Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola

No natal vejo que existe uma tendência quase que natural das pessoas parecerem e se comportarem de uma forma estranha, muitas vezes forçando uma situação que na maioria das vezes não beneficia ninguém, todos parecem muito generosos.

Gostaria falar um pouco mais sobre essas ocasiões ( FESTIVAS ) que estamos acostumados como o Natal, o fim de ano, dia dos pais e o dia das mães, e outras datas comemorativas; é tanta coisa estranha que acontece, bandido vira santo, e ladrão vira sabido, perdão é efetuado e um dia após é retomado.

Existe ate aquelas pessoas, que acreditam que ao subir a favela e distribuir uma dúzia de cestas básicas poderão  diante do Orisa se tornar uma pessoa melhor.

Alguns membros de nossa religião que durante o ano parecem grandes raposas, havidos por dinheiro, conseguem com um esforço sobre natural fazerem gestos, se não ridículos, pelo menos de mau gosto;se você tem uma camisa rasgada que não usa mais ao invés de doar para uma pessoa pobre de para o seu cachorro dormir em cima, e trate de comprar um presente descente para a pessoa menos favorecida, elas tem menos dinheiro que você, mas merece assim como você ser tratada com dignidade.

Eu já vi de tudo, existe até aqueles que são capazes de doar comida vencida, o interessante é que essa mesma comida na casa deles não é aproveitada.

No ano passado na véspera do dia das mães, eu vi uma propaganda que dizia, se você realmente ama sua mãe de um diamante para ela,isso quer dizer que uma pessoa com baixo poder aquisitivo não teria condições de amar sua mãe?

E assim vai, são tantos feriados interessantes para o comércio, que a impressão que eu tenho que o presidente do sindicato dos lojistas que inventou o calendário, o mais triste é que algumas pessoas se deixam levar por tais apelos.

As pessoas que conhecem um mínimo de cultura Yoruba, sabem que em nossa religião  devemos começar ajudando os nossos familiares, o sentido de família na cultura yoruba é muito forte, temos o compromisso assumido com nossos antepassados e evidentemente com nosso descentes, isso quer dizer familiares e também membros da casa na qual fomos iniciados, então devemos olhar para o lado e não buscar o brilho das luzes da imprensa.

Já presenciei muitas pessoas que não conseguem entregar um donativo sem que uma foto seja feita, antes do doador praticando aquele gesto carinhoso com seu semelhante, você acredita nesse tipo de gente?

Bem é natal, e em nome de uma crença muita gente vai se beneficiar, alguns com um só natal conseguem garantir o futuro de muitos de seus descentes, um pequeno desvio de verbas e a alegria da família, será preservada por varias gerações.

Eu já conheci tanta gente boa que jamais precisaram de uma foto para fazer uma doação.

 Que diante desses falsos Mecenas que incentivam grupos infantis para dançar enquanto a metade da verba do show serve para a reforma da piscina ou até mesmo para aquela viagem tão esperada para Europa, existe mil maneiras de tornar de forma quase magica um canalha em um benfeitor, digno de aparecer no horário nobre na televisão.

Na realidade a criatividade para tomar o dinheiro do povo em cada feriado, seja ele de natal ou não, se multiplica, e em nome de uma religião ou de um falso objetivo, muitos se beneficiam.

Um dia quem sabe poderemos de fato festejar datas significativas sem ser induzidos ao consumo, vamos nos unir pelo prazer do amor, ou da amizade, ou pelo simples dever de ajudar  os nossos semelhantes; longe da promoção e dos benefícios de parecer um bom sujeito, para quem sabe na eleição futura buscar espaço no palanque, lembrando os beneficiados do seu dever de votar.

As pessoas esquecem que o Orisa tudo vê e tudo sabe, aquela proposta ilícita feita na sala dos fundos, ou aquela pequena mentira que lhe beneficiou no dia de ontem, em um futuro não muito distante pode lhe atrapalhar, alguns recebem moedas, outros recebem favores, mas na verdade, tudo  sempre é do conhecimento de Ifá.

Você pode esconder por algum tempo a verdade, se promover por alguns instantes, e até usar artifícios para enganar as pessoas de bom coração, mas na realidade sempre vai existir, o Orisa, ele  vai se encarregar para que que você nunca esqueça; sua lembrança vai ser o seu maior pesadelo.
Então meu irmão, seja verdadeiro, seja honesto, seja digno, seja o que o seu Orisa espera de você.

Respeite os Orisas e as pessoas como você gostaria de ser respeitado, trate bem seu semelhante independente da data ou do apelo comercial da mídia, não espere o fim de ano para ser generoso.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011


Do norte a o Sul com Orunmila.



Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola

Graças a todos Orisas e ao meu  ori, sou uma pessoa de muita sorte, digo isso porque considero-me uma pessoa feliz com o que  eu faço; através do meu trabalho,conheço pessoas, e viajo muito do norte ao  sul de nosso país.
Mas como tudo não é um mar de rosas, tive a oportunidade de ver coisas que seriam capaz de deixar qualquer pessoa de cabelo em pé.
Imaginem, recentemente, recebi uma foto de um Babalawo de família tradicional africana incorporado com um tal de exu tiriri dando consulta e tudo mais.
Me parece que quanto mais viajo, mais loucuras eu vejo, faz alguns meses que conheci um famoso Babalorisa no centro do país, que é de Osun, e seu exu é a pomba gira rainha, porque ele disse que todo Orisa tem um escravo.
Bem, vi pessoas me oferecerem uma faca da cozinha, para sacrificar para os Orisas, vi gente jogando com obi de duas bandas, e até Esu assentado em cimento.
Confess,imaginava, já ter visto de tudo, mas na minha ultima viagem,fiquei sabendo de um ebó de troca de energias, que deve acontecer entre a pessoa incorporada e a consulente, o resto deixo na imaginação dos leitores.
Às vezes  não sei definir com precisão o sentimento que toma conta de mim, não sei se é raiva ,desprezo ou vergonha, mas o importante é que a indignação não me deixa ficar calado.
Espero que esse tipo de coisa, um dia, leve esse pessoal direto para prisão, ou para um hospício que imagino ser o lugar deles.
Graças aos Orisas,eu não me cruzo no meu dia a dia com esse tipo de gente, porque na verdade não sei exatamente o que eu seria capaz de dizer a essas pessoas.
Espero do fundo do meu coração, que um dia tudo isso mude, mas na verdade não acredito que isso possa acontecer por bem, teria que ser na marra porque esse tipo de pessoa deve mesmo é ser julgado e  condenado, se os homens não fazem isso, que os Orisas o façam.

sábado, 3 de setembro de 2011


Oxun e eu, obrigado Orunmila.

Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola

  Na véspera na minha viagem para Nigéria, alguns amigos me perguntaram qual seria a razão da minha ida ao território Yoruba, respondi que a única razão naquele momento era ver Osun.

Quando cheguei à casa da minha família, na cidade de Lagos, alguns dos meus irmãos,babalawos,me perguntaram qual a razão da minha viagem, e eu respondi,viagei do Brasil para ver Osun.

Depois dessa conversa com meus irmãos,me foi dado carinhosamente,um apelido,"Baba Osun".
Em principio achei um pouco diferente a brincadeira, e não entendi a razão do apelido.

Alguns dias se passaram, e viajamos para Osogbo, eu não sabia o que me esperava, mas sempre que alguém me perguntava, qual a razão da minha viagem  à Nigeria,eu respondia, ver Osun.

No dia da festa, de Osun, tirei varias fotos, fiz vários filmes, e vivi momentos inesquecíveis, consegui em meio a milhares de pessoas chegar à beira do rio, e lavar a minha cabeça, enquanto fazia meus pedidos para Osun.

Depois de varias horas, participando das festividades, decidimos voltar, pretendíamos fazer algumas compras em Ibadan.

Na caminhada de volta, saindo do santuário de Osun,me perdi dos meus companheiros, e nosso grupo foi dividido, por uma estranha situação, vários homens armados,que faziam a segurança de um politico importante, geraram uma certa inquietação, em meio às comemorações,(eu desconhecia o fato de ter acontecido naquela semana um atentado terrorista na capital)me afastei do grupo sem perceber em meio a confusão.  

 Caminhando de cabeça baixa, olhando em minha máquina, as fotos que já tinha tirado,distraido,fui levado pelo destino,ao encontro dela.

Levantei a cabeça, e ela estava diante de mim!

A emoção,não impediu, que eu tirasse uma bela sequência de fotos.

Tudo que eu disse, aconteceu, como por milagre, em meio à confusão, tomei o caminho errado, e fui em direção a um lugar privado,me deparando com a razão da minha viagem. Nesse momento a segurança dela se perdeu,eu também estava perdido, mas ela me encontrou.

Sei que em pouco tempo as fotos aqui postadas, vão correr o mundo, e muitos serão aqueles que vão se dizer, proprietários das mesmas, as fotos podem ser levadas, mas a emoção que vivi jamais alguém vai me tirar.


terça-feira, 28 de junho de 2011



Tem mais caciques que índios, Ifá e orixa.



Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola

Quem já não ouviu essa  expressão em meio a nossa religião,em São Paulo,com uma pessoa iniciada ifá,tive a oportunidade de conversar sobre isso,e ela me disse que acreditava que qualquer pessoa pode ser um sacerdote de ifá,que é só ter dinheiro e ser iniciado.

Bem esse mesmo equívoco aconteceu durante anos nos cultos a Orisá no Brasil, muitas pessoas por vaidade, ambição ou ignorância, também acreditaram que todos nascem para ser sacerdote.

Então gostaria de perguntar, nas outras religiões não existe adeptos, somente existe a figura do líder religioso?

Se você for a uma igreja, de qualquer outra religião, você vai ver um líder e vários seguidores, na nossa religião, você vai ver um líder e um grupo enorme de pretensos lideres, gravitando à volta, aguardando uma oportunidade de ascender ao poder.

Porque isso se tornou muito comum com o passar do tempo (ter mais caciques do que índios), seria ambição, desinformação ou ganância?

 Existe uma grande parte de pessoas que foram instruídos errados e que acreditam que tudo pode ser assim, como esse meu amigo de São Paulo, que o dinheiro compra o cargo.
Texto: Babalawo Ifagbaiyin Agboola

Na verdade no caso dos iniciados em Ifá, isso é bem diferente do que é propagado, alguns odus indicam a possibilidade que aquela pessoa iniciada se torne um sacerdote no futuro.

Um exemplo clássico, seria alguns odus mejis, que quando de em  uma primeira consulta  em opelé ifá com um Babalawo, certamente confirmam a necessidade de uma iniciação ao sacerdócio.

No culto aos Orisás é exatamente isso, existe alguns odus que identificam claramente a necessidade de uma iniciação, como é o caso de Ofun meji e outros que trazem essa característica, é bem verdade, que a grande maioria não sabe disso e lança mão da chamada intuição para identificar o futuro iniciado como um escolhido dos Orisas.

Todos sabemos que com a geladeira vazia e com a conta da luz atrasada, alguns indivíduos vendem títulos  e recebem mensagens diretas dos Orisas  gerando assim uma falsa expectativa.

O que me deixa triste, não é só o comportamento de tais elementos, mas a falta de informação, se o dinheiro não compra o amor de uma mulher digna, não compra a amizade e um homem de caráter, porque  compraria um destino ligado à religiosidade?

 Existe uma máxima na religião tradicional yoruba, que diz o seguinte:  
   “Quem escolhe o iniciado é o Orisá, e não o é iniciado que escolhe o Orisá.”                                      Se essa regra fosse obedecida em nosso país não haveria mais caciques do que índios. 

sexta-feira, 27 de maio de 2011

 Fé,  Dinheiro, ou  ambição Ifá?

Autor:Babalawo Ifagbaiyin Agboola

Em contato com meus amigos na internet que me procuram buscando orientação religiosa, sinto a dificuldade que algumas pessoas têm para entender a questão da fé e do  dinheiro.

Estão vendo a religião, não apenas como alimento para a sua fé, mas com um caminho para seus ganhos materiais.

Um assentamento de orisá,virou um investimento.
Os menos avisados rezam hoje pensando em acordar ricos amanhã; dentro de pouco   tempo provavelmente será criado um contrato,aonde devera constar o valor aplicado e a pretensão de retorno, juros e lucros de forma bem clara,com possíveis clausulas que gerem uma provável indenização; só nos resta saber quem vai assinar em nome do orisa esse contrato maluco,é verdade que as promessas em nome dos orisas  todos já sabemos quem faz,a desinformação e a ignorância.

Precisamos parar, e analisar melhor a definição do que é ter fé,e como se coloca essa fé dentro de uma religião.

Vejo tantas pessoas diante de um orisá, reivindicar as suas necessidades financeiras, e me pergunto por que isso acontece dentro de nossa religião?

Alguém já viu isso acontecendo em outras religiões?

É raro alguém pedir ao orisá que lhe dê um caminho, que lhe de compreensão e paciência diante dos obstáculos.

Em um momento de dificuldade as pessoas que não forem orientados corretamente podem encontrar  na sua caminhada religiosa obstáculos e  em muitas situações podem terminar fazendo uma interpretação de maneira  errada, outrora crédulo, agora culpa a religião, por acreditar que os orisás não lhe deram o bem material necessário.

Não é errado pedir ajuda ao orisa ,mas a grande maioria das pessoas também deveriam trabalhar bastante e se capacitar para enfrentar as dificuldades da vida moderna, nos dias de hoje mais do que nunca rezar,faz bem.mas trabalhar é fundamental.

Fico me perguntando,até quando poderemos manter essa religião tão linda, com tanta falta de cultura,será que  em um futuro, ainda veremos uma mulher em sua gravidez rezando a Osun por um bom parto, um enfermo clamando a Obaluaiyê   por sua saúde?

Enfim esta sendo difícil, para mim, um praticante da religião, há mais de 50 anos entender o que está acontecendo,me pergunto se as pessoas não deveriam assumir uma postura diferente diante dos orisa.

Algumas pessoas estão se sentindo verdadeiros proprietários dos orisás, chegamos ao ponto de achar que o orisá tem o dever de nos deixar ricos, ou dar caminho para isso,caso contrario,ele não esta mais servindo.

Nós  precisamos  da força dos orisas, para prosseguir diante as dificuldades, mas tornar isso um negocio é inconcebível.

quinta-feira, 5 de maio de 2011


A descoberta do ORISÁ




Autor: Iya apetebi Ifakemi Agboola

No nosso privilegiado Brasil, com sua natureza exuberante,e um povo acolhedor somos  capazes de  receber pessoas de vários países e com  praticas religiosas diferentes,sendo assim, é muito comum, pessoas mudarem de religião depois de adultas, começarem a praticar outra  crença por curiosidade,ou até mesmo influenciadas por alguns amigos ou familiares.

 É exatamente nesse momento dessa busca,que os maiores erros são cometidos.

E, em um  primeiro contato com a religião dos Orisas tudo é muito bonito.

A “Religião Afro Brasileira”,é belíssima  com suas cores e seus sabores e com seus ritmos;a pessoa se encanta com o conjunto  mas, muitas vezes desconhece algumas coisas importantes, exemplo:uma consulta implica em um ebó naturalmente,quem não quer fazer  ebó que não consulte.

 Feito o jogo de búzios, começa sua caminhada,que na maioria das vezes, podem o levar,não ao encontro e sim ao desencontro,isso vai depender da seriedade e do conhecimento do sacerdote.

Aquele que deveria ser o seu maior achado,o encontro com a sua “Religião”,e o seu orisá,pode virar um grande problema.

O primeiro erro acontece por pressa de quem faz o jogo na tentativa de impressionar e segurar o futuro filho em sua casa. Quantos de vocês, na primeira vez, que foram consultar o jogo lhes foi dito que o orisá deve ser feito ,e, você iniciado?
Isso explica tudo que estou tentando descrever aqui.
Eu acredito que a maioria saiu com a certeza que deveria ser feita para determinado orisá,após a primeira consulta.

O que podemos concluir de tudo isso?

 Depois de uma vida inteira,de buscas pela sua religião,aquela capaz de suprir, o vazio do nosso intimo, vem a descoberta de um mundo de magias,que já vem coroado,com o orisá do seu ori,tudo em muitas vezes revelado em minutos, como mágica.

Não é difícil de imaginar o porquê,dos desencontros,depois de todo esse achado,a pessoa vai buscar tudo sobre o seu orisá,e ela vai se transformando,para “incorporar”,aquele que seria o seu tudo.

 Então,quando dá tempo,para a preparação,porque muitas vezes,essa pessoa mal tem tempo de assimilar,o que é orisá,ele é feito em seu ori.

Será que vocês concordam com isso?

 No decorrer do tempo,alguns problemas vão se tornando maiores,o que antes era uma solução,acaba sendo o maior problema,a pessoa se vincula a uma religião que não conhece e com pessoas muitas vezes despreparadas.

Vários fatores podem contribuir para essa seqüência de erros, mas os mais comuns são a pressa e a desinformação.

Essa é a razão porque insisto na melhor preparação de nossos representantes, de nossos sacerdotes,
todos esses problemas podem ser identificados antecipadamente por um sacerdote com um real conhecimento,evitando assim sofrimento e desilusão.


quarta-feira, 27 de abril de 2011

Fé ou alienação Orunmila?




Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola

Hoje diante,de tantos desabafos,que recebo em minhas correspondências, fico me perguntando,ate  onde pode ir nossa fé;o porquê de tantas pessoas que tem abandonado a crença nos orisas, e ido buscar novas crenças;será que a fé tem sido pequena,ou as desilusões grandes demais?

Onde podemos buscar a razão para tudo isso?
Será que é o orisá que esta errando?

Ou será que esse erro está sendo cometido, pelo pouco conhecimento de nossos sacerdotes?

Tantas coisas vêm sendo criadas,outras tantas misturadas,que  a verdadeira essência,a do orisa,esta  cada dia mais longe da sua real origem.

 Vamos tentar enxergar de uma forma simples, se eu pegar uma receita,e ao invés do sal,colocar o açúcar, todo seu sabor será mudado,e a receita original,perderá completamente o sabor, quem errou?

Como que algumas pessoas conseguem cultuar inkices,voduns,orisas,caboclos e tantos outros espíritos juntos?

Já conheci pessoas feitas para Osun tendo como Esu pessoal tranca rua das almas;como isso pode acontecer?

Então, se não tivermos sacerdotes bem preparados e com uma linha de formação bem definida como vamos esperar um resultado satisfatório.

Onde esta sendo depositada toda a fé de uma pessoa?
Para quem ela deve fazer suas orações?

Em qual cultura ela deve se aprofundar e aprender;na cultura do misturando que funciona?

É através de um bom sacerdote que teremos o conhecimento e a formação necessária para entender uma religião.

Com o passar do tempo, os erros vão sendo cometidos,vamos tendo perdas,e com elas os sofrimentos gerados, por tudo isso,seguem aumentando.

 Quem suporta perdas e os sofrimentos que tudo isso gera?

 Tudo na vida está interligado,não vamos esperar milagres,mas vamos buscar sacerdotes melhor preparados,que possam nos orientar,não queremos mágica,queremos coerência.

 Quando temos fé,sentimos que não estamos sozinhos,que uma força existe dentro de nós,mas às vezes não podemos dar um nome a ela, sentimos sua presença, precisamos desenvolver um maior conhecimento,sobre tudo que está acontecendo.

 Sabemos que muitas vezes ela partiu de um determinado orisa,e  as vezes de um assentamento feito por um sacerdote,que  detêm o verdadeiro conhecimento e através dele,nos transmite  a força necessária para o momento ou situação que estamos passando;tudo fica mais fácil.

É quando existe esse conjunto que teremos o resultado necessário,para o problema daquele momento.

 A crença é necessária em todos os momentos, precisamos acreditar,mas também conhecer o que acreditamos,fé sem conhecimento é alienação.

A vaidade e o troféu



Autor: Iya apetebi Ifakemi Agboola


Outro dia estava me lembrando de uma historia que presenciei  há muito tempo...

Uma senhora que hoje é uma iyalorisa conhecida,emprestava algumas de suas roupas para os funcionários de sua casa irem com ela nas festas de religião,na condição que eles dissessem que eram filhos de santo dela.

Essa loucura explica a que ponto uma pessoa pode chegar para demonstrar que tem um grande número de filhos.

Vamos falar de um assunto que  todos conhecem bem, os  filhos troféus,iniciados que  servem de adorno na coroa de sua majestade (a vaidade de ser sacerdote) coisa muito comum nos dias de hoje.

Vocês acham estranha a minha afirmação?

Em um mundo,onde quase tudo é aceitável,onde status e beleza viraram  religião e o número de filhos,é sinônimo de asé,
 acredito que algo  aqui deve ser mudado,porque  eu não concordo que um número grande de filhos é sinal de asé,só não consegui encontrar a palavra certa,para definir isso,não sei se é vaidade ou ignorância.

 Nada mais poderia ser estranho, que colecionar seguidores,e não formar iniciados,isso parece até brincadeira.

Bem amigos, vamos ser sinceros,tudo começa com a iniciação do troféu, primeiramente a roupa da sua saída,deverá ser digna de um rei ou rainha,ou será que o dono da casa vai querer mostrar a simplicidade de um orisá?
Não,ali, é seu momento, e através daquela situação  que ele vai encantar o público.

Fora da realidade,com todo o seu orgulho,divulgará aos olhos da ilusão,a continuação de um ritual,onde  a preocupação é o luxo e a necessidade de apresentar para aquela casa, mais um membro, ou seria apenas mais um número,ou mais um troféu?

Hoje,o que vemos,por ai, não são casas preparadas,preocupadas em colocar os filhos em sintonia com o orixá, mas o iniciado em sintonia com as necessidades da casa,ou a vaidade do sacerdote,
 buscando ali apenas elevar os números de filhos,onde a satisfação não esta no orisa,mais sim na quantidade de pessoas iniciadas ,ou no número de pessoas dançando no barracão.

Essas coisas se tornaram hábito em muitos lugares, graças ao Orisa não virou uma regra,ainda temos sacerdotes honestos.

Em alguns lugares chega ao ponto que isso é tão importante,que ao chegar na casa,é sempre enfatizado a “necessidade de ser iniciado no orisa”, e à medida que o tempo passa, a pessoa que ainda não se submeteu ao ritual,começa a ser vista com um certo desprezo.

 Por que?
 É amigos,precisamos mudar alguns conceitos dentro do culto aos Orisas; Orisa é pé no chão,é simplicidade,não é números, e sim a qualidade e não a quantidade.

É a capacidade de transformar,é a força da fé, é a verdade nua e crua,é a realidade;não aceito mais a ilusão, não vou compactuar com a mentira a mediocridade e a ignorância  que se instalou.



sexta-feira, 8 de abril de 2011

Entre a cruz e a espada, Ifá.




Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola

Um sacerdote para desenvolver um trabalho digno,deve obedecer alguns princípios fundamentais como representante das divindades,sendo porta voz do oráculo.

Deve considerar a verdade sua maior aliada no desenvolver de seu trabalho.

A mentira não deve ser vista como o inverso da verdade e sim como a intenção maldosa de enganar e envolver em nome do divino.

No odu Ògúndábèdé Orunmila orienta sobre a necessidade de manter sempre a verdade.
O mentiroso viajou por vinte anos e não foi capaz de retornar.
O mentiroso viajou por mais seis meses e não foi capaz de retornar.
A Honestidade é a melhor diretriz consultou Ifá para Baba Ìmàle,que estava trajado em roupões. Foi dito para ele que ele seria um mentiroso por toda sua vida.
O não conhecimento da filosofia empregada na religião dos Orisas,criou automaticamente uma lacuna que foi ocupada pela criatividade e por vários interesses que somente beneficiam os inescrupulosos os supersticiosos e ignorantes.

A filosofia é o estudo de problemas fundamentais relacionados à existência, ao conhecimento, à verdade, aos valores morais e estéticos.

A teologia é o estudo das manifestações sociais de grupos em relação às divindades.

A ética significa modo de ser, caráter, comportamento é o ramo da filosofia que busca estudar e indicar o melhor modo de viver no cotidiano e na sociedade.
O vasto legado deixado em terras brasileiras pelos escravos trazidos do território yoruba, contribuíram para a formação do conhecimento necessário para alguns rituais,mas o comportamento do oficiante deve ser seguido com base em valores não só teológicos mas também filosóficos,ético,e moral.

A mentira pode surgir por várias razões, receio das conseqüências da verdade e que traga conseqüências negativas.

O medo e a insegurança por falta de conhecimento geram uma grande confusão entre ignorantes vitimas de preconceito e maldosos sedentos de benefícios, colocando assim aqueles que buscam uma orientação muitas vezes entre a cruz e a espada.
Sendo assim a melhor opção para quem busca um atendimento é usar de cautela e prudência ao eleger a pessoa em quem confiar sua fé.



Bibliografia consultada : Oráculo sagrado de Ifa,Afolabi Epega,Neimark ,tradução para português Ósunlékè.
Wikipédia.

terça-feira, 29 de março de 2011


A ética e o sacerdote no Ifá e orixa.




Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola

Quando vemos uma criança apontar um coleguinha como sendo o culpado por uma de suas travessuras, já podemos imaginar como vai ser o futuro dessa pessoa se não houver a interferência dos pais.

Nas diversas áreas podemos sentir as distorções de personalidade,e a falta de caráter,de um indivíduo,que muitas vezes começa lá na infância; quando isso é notado em um sacerdote,me faz lembrar uma conhecida frase Yorubana( En ti ase loore ti ko Du pé buru ju olósa Ti ó kò ní léru ló)aquele a quem concedemos bondades que não expressa gratidão,é pior que o ladrão que rouba nossas coisas.

Quando confiamos em alguém, nossa fé, isso nos torna vulneráveis, abrimos nosso coração e expomos nossas feridas, assim como as mais profundas angústias de nossa alma e, muitas vezes, reconhecemos naquela pessoa um elo de ligação com o sonho e a esperança da realização,e isso nos conduz a conceder bondades a esse suposto confiável,amigo,e orientador.

Quando uma consulta a um sacerdote acontece,nos desnudamos e assumimos nossas falhas,e nossa real condição de impotência para lidar com o desconhecido ou com o inesperado.

Isso coloca,o então, senhor da resposta,como solução as nossas angústias e lhe concede o direito de colocar na solução,custos,mesmo que algumas coisas jamais possam ser pagas, quando de fato acontecem.

A condição de solucionador de problemas do corpo e do espírito,não é verdadeira,na realidade o sacerdote,é somente um elo de ligação,entre a solução e o problema, isso não justifica algumas vaidades exteriorizadas,quando do sucesso do tratamento,até porque a solução partiu do Orisa e não do sacerdote.

Quando analisamos do ponto de vista ético,um orientador,jamais deve afastar uma pessoa de sua religião,e sim fortalecer nela aquilo que naturalmente se desenvolveu: confiança, credibilidade e esperança; jamais tal comportamento deve unir o adepto ao emissário e sim a divindade.


Nada mais justo que por esse caminho não trafegue a ilusão, o dever de quem orienta é ajudar a sonhar e jamais iludir.

Quando buscamos em uma consulta aos Orisas,orientação, evidentemente que os interesses do sacerdote,devem ser omitidos,assim como a opinião pessoal do mesmo.

Tal fato transfere a responsabilidade ao Orisa que orientou,mas em nenhum momento isenta o sacerdote da interpretação.

Acredito de fato que quando alguma coisa deixa de acontecer é um erro de interpretação e nunca um equivoco divino.

Assumir tais erros,é um ato de coragem,e sem dúvida, é uma questão ética, considerando o fato que, além dos interesses envolvidos,houve uma expectativa gerada,nada mais justo que um resultado positivo seja sentido, e a resposta aos questionamentos venha como solução ao problema.
Assumir responsabilidades é um atributo de quem oferece soluções.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Mitos, ritos e Orunmila I 


Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola
    Ao longo dos anos alguns mitos foram criados, nessa oportunidade tentaremos aqui auxiliar para que tais equívocos sejam esclarecidos.

1-Deve dar azeite de oliva para Obatala?
Obatala come comidas temperadas com banha de ori,entre algumas coisas; não se usa azeite de oliva conhecido como azeite doce para nenhum orisa.

2-Sango tem medo de Egungun?
Sango convive em perfeita harmonia com Egungun.

3-Existe vários orisas que não aceitam dendê?
Somente Obatala não aceita dendê.

4-Obatala não aceita bebidas de álcool.
Obatala não deve consumir vinho de palma.

5-Se deve colocar obé em vários Orisas?
Somente Ogun é o dono do obé,que serve para os outros orisas.

6-Vai quartinha com água em todos Orisas?
Em poucos orisas vai quartinha com água, os principais é Osun,Yemonja e Obatala.

7-Ogun pode ser arrumado em vasilha de barro?
Jamais, Ogun pode ser arrumado em vasilha de barro, somente em vasilha de ferro,Ogun pode ser assentado.

8-Olooogun Ede pode ser arrumado em vasilha de louça?
Olooogun deve ser arrumado em vasilha de barro.

9-Os búzios das vasilhas dos orisas devem ser abertos?
Os búzios abertos servem somente para jogo, os búzios das vasilhas sempre devem ser fechados.

10-Osun não aceita pombo?
Os únicos impedimentos de Osun seriam os igbin e a banha de Ori.


11-Esu pode ser assentado com pedra de rio?
Jamais Esu deve ser assentado com pedra de rio.

12- Sango deve ser assentado com pedra de rio?
Sango somente pode ser assentado em edun ara.

13-Agamju é assentado em edun ara?
Não, somente dois orisas levam em seu assentamento edun ara e não é Aganju.

14-Iya mi só deve ser cultuada por mulheres?
O culto a Iya mi está ligado a fecundidade, então não poderia haver fecundidade sem a presença de ambos os sexos.

15-O culto de Egungun é somente praticado por homens.
Toda mulher tem antepassados masculinos que devem ser homenageados.

16-Iya petebi é um cargo que todas as mulheres de Osun podem ocupar.
Iya petebi é uma função da mulher do Babalawo ,independente do orisa que ela cultue.

17-Existe qualidade de orisa?
Não existe qualidades de orisa,o que existe são nomes diferentes, em lugares diferentes dados ao mesmo orisa.

18-Sango não aceita obi?
Sango prefere orogbo,mas aceita obi.

19-O orogbo deve ser aberto com faca e descascado para oferecer ao orisa?
O orogbo não deve ser aberto com faca e não deve ser descascado para oferecer ao orisa.

20-O sacerdote não deve iniciar seus filhos carnais?
O sacerdote não só pode como deve iniciar seus filhos carnais existe um odu de Ifa que fala sobre a iniciação dos próprios filhos.


Em outra oportunidade seguiremos com essa forma de abordagem por entendermos ser de fácil compreensão para todos que estão se iniciando na religião tradicional yoruba,ou até mesmo para as pessoas que ainda não conhecem nossa religião.

sexta-feira, 11 de março de 2011


O Bàbàláwo brasileiro,sacerdote de Ifá.

Autor: Babalawo Ifagbaiyin 

Outro dia me foi perguntado se pode haver um Babalawo brasileiro, e isso me fez pensar, que trauma de inferioridade nosso povo vive ao longo da história, que só o que é estrangeiro é que é considerado bom.

Aprendemos primeiro que o que os Portugueses faziam era melhor, depois aprendemos que os franceses eram melhores e por último no governo militar nos foi ensinado que os americanos que eram os bons em tudo.
Que fato estranho é esse que nosso povo se comporta com tal dificuldade de aceitar os seus compatriotas como pessoas comuns, porque sempre somos vistos, por nossos irmãos como sendo inferiores.

Vivemos em um país rico com pessoas inteligentíssimas que ensinam em faculdades no mundo inteiro os mais diversos temas, porque não poderia um brasileiro ser Babalawo?

Bem essa questão da ótica do comportamento humano eu não sou capacitado para examinar deixo isso para os especialistas em tratamento das pessoas mentalmente perturbadas, ou com transtornos de comportamento.

Com respeito ao aspecto religioso examinarei aqui algumas questões de grande importância: se um brasileiro passa por todos os rituais que um yorubano o que o tornaria menos capaz diante dos olhos de Orunmila?Nada.


O ritual que demora inúmeros dias conhecido como Itefa qualifica a pessoa para ser um sacerdote e dar início a uma caminhada que, dependendo da pessoa, pode ou não levar mais ou menos tempo,antigamente se falava de quinze anos,hoje isso tudo é coisa do passado um sacerdote usa elementos como a informática, áudios,e vídeos para melhorar seus conhecimentos,isso comparado com a forma de estudar de cem anos atrás reduz bastante o tempo de aprendizado.

Se a pessoa for iniciada seguindo os princípios da tradição yoruba existem várias formas de conduzir os rituais; o primeiro odu extraído para o iniciado antecede a entrada dele ao igbodu,e pode ou não orientar a necessidade de alguns diferenciais como ebós distintos ao então possível sacerdote.


Se o mesmo foi submetido no igbodu ao ritual do itefa presumimos que tais rituais foram feitos seguindo a orientação de Ifa,e a partir do momento que é extraído o odu do então agora iniciado segue-se os rituais até a conclusão da feitura,com a extração do terceiro odu que orienta sobre o futuro do sacerdote.

Quando um médico sai da faculdade formado nós o chamamos de enfermeiro? Não, nós o chamamos de médico; quando um aluno se forma na faculdade de engenharia nós o chamamos de mestre de obras ou de engenheiro? O sacerdote que passa por todos os rituais de iniciação deve ser reconhecido pelo titulo que recebeu. Se ele vai ou não corresponder é uma outra coisa que pode acontecer em qualquer profissão escolhida.

O dedo médio do sacerdote brasileiro é diferente do dedo médio do sacerdote yoruba?Esse dedo que passa por tantos rituais para que possa imprimir os odus não é reconhecido porque é branco, ou a mente dos nossos irmãos que permanece na escuridão.


O que me deixa triste é saber que pessoas pensem assim,o fato do sacerdote passar por rituais não o habilita a realizar os mesmos, mas o torna reconhecido como tal,os anos podem transformar esse Babalawo em um bom sacerdote,mas um bom sacerdote com os anos não se transforma em um Babalawo.Sem a feitura não existe o titulo.

Até mesmo quando vamos construir uma casa o alicerce deve ser construído primeiro; porque devemos ser diferentes em nossas carreiras? É claro que todo sacerdote deve ser reconhecido por seu conhecimento, mas os rituais o credenciam ao titulo.
Dizer que todo brasileiro não pode ser um Babalawo,é no mínimo imprudência porque ifa ensina que generalizar não é inteligente.

Devemos estar abertos ao diálogo, as mudanças e as transformações estão acontecendo na natureza a todo momento, porque não aconteceria na nossa religião? Uma das missões que Ifa deu aos Babalawos é que ele ande pelo mundo e inicie novos sacerdotes. Por que deveria iniciar novos sacerdotes, para não serem reconhecidos?
Que uma pessoa que fala yoruba fluentemente tem mais chance de aprender Ifa do que uma que não fala a língua isso eu não discuto, que uma pessoa morando em território yoruba tem mais acesso a informação que uma aqui no Brasil isso eu não discuto,mas não estamos discutindo geografia,ou lingüística,estamos falando os desígnios de Ifa,e eu pergunto quem entre nós sabe mais que o Orisa testemunha da criação?

Bí o se rere yó yọ sí ọ lára; bí o kò se rere yó yọ sílẹ̀.

Se suas ações são boas que os benefícios voltem a você; se suas ações não são boas logo aparecerá claramente.

domingo, 6 de março de 2011

Iniciação o milagre da vida, Ifá e orixa.

Iniciação o milagre da vida, Ifá e orixa.



Autor: Babalawo Ifagbaiyin.

Ao longo da história da humanidade o homem vem desenvolvendo uma série de atividades, criando assim uma maior condição de sobrevivência, e desenvolvendo uma capacidade de adaptação aonde o principio básico é a manutenção da vida.

Essa condição (natural) é sentida desde o primeiro momento após o nascimento quando instintivamente buscamos alimento no seio da mãe.
O desenvolvimento de armas e elementos facilitadores como máquinas e implementos contribuíram para um menor desgaste físico, mas paralelamente a isso houve um desenvolvimento mental habilitando esse mesmo elemento a viver com suas dúvidas e decepções.

Nesse período a crença em uma força superior auxiliou muito na manutenção da esperança e na compreensão das perdas assim como, estimulou a capacitação moral e ética.

Com o surgimento dos rituais de iniciação essa capacidade passou a ser aprimorada em território Yoruba.


As pessoas que são iniciadas para determinados Òrìșàs seguem uma orientação de Ifá baseada em um principio da complementação.

Quando um sacerdote de Ifá é iniciado cumpre uma série de rituais e cultua os Òrìșàs indicados nos odus relativos à sua iniciação, já no caso da pessoa não iniciada em Ifá o processo pode seguir uma orientação um pouco diferente.

A pessoa nascida gêmea já trás abundância e a alegria em seu nascimento; sua vida vai ser de fartura naturalmente, e sua forma alegre de ver as coisas com um pouco de infantilidade jamais vai deixar de existir. Considerando esse fato pode ser que Ifá oriente a mesma a ser iniciada em um Òrìsà que tenha um senso prático mais apurado, facilitando assim a vida da pessoa, trazendo para ela uma capacidade que em muitas vezes é deficiente no dia a dia da mesma.

É verdade que estamos aqui examinando uma iniciação, e não uma feitura; então falamos de necessidades apontadas para complemento, suprindo assim uma deficiência que só não é encontrada em Olodumare.

Então se uma pessoa feita para Osun com uma capacidade enorme de amar, em algum momento de sua vida vier a ter um problema em sua vida afetiva, não vai ser considerado o fato de ela amar demais e sim o fato de amar a pessoa errada, sendo assim lhe falta discernimento na hora de eleger o parceiro.


Nesse caso poderá ser indicada a iniciação ao Òrìșa Ọbàtálá, criando assim uma forma de pensar e agir mais equilibrada na vida sentimental dessa pessoa, se isso não for feito seguirá por toda vida se unindo a pessoa errada trazendo assim uma decepção em sua vida afetiva, gerando uma forma de agir involuntária aonde a mesma termina desenvolvendo um comportamento em desalinho com seu destino.

A pessoa com tal problema poderá se unir por interesse, considerando que houveram inúmeras decepções, ou até mesmo desenvolver um comportamento narcisista e individualista gerado pelo medo de amar a pessoa para de se doar, e assume um comportamento egoísta.

Esse tipo de situação pode ser resolvido com uma iniciação ou com outras formas de tratamento, sempre seguindo a orientação de Ifá, é bem verdade que iniciar uma pessoa não feita não é comum, mas é aceitável; muitas vezes a necessidade de uma iniciação antecede a feitura e em muitos casos substitui.

Vejamos então outro exemplo, uma pessoa nascida com problemas de saúde, por orientação de Ifá poderá ser iniciada no culto de vários Òrìșàs; mas o ideal é que primeiramente seja iniciada em Soponnan ou até mesmo em Olókun, Òrìșàs mais diretamente ligados a essas questões, trazendo assim uma melhor qualidade de vida a essa pessoa que poderá ser feita ou não em um futuro. A diferença entre a feitura que exalta as qualidades já existentes no momento do nascimento, e a iniciação que justifica a reposição do que falta em nossa essência é muito forte: feitura e iniciação se diferem e as mesmas só podem ser indicadas por Ifá.


Assim como a iniciação, deixamos bem claro que a orientação pode ser um ebó, ou algum outro tipo de tratamento, e até mesmo uma feitura em caso extremo.

Voltando as iniciações, no caso de algumas pessoas feitas para Ògún poderá ser indicado iniciação em Yèmojà. O filho de Ògún com toda sua vitalidade para o trabalho e os esportes, com sua valentia e coragem muitas vezes sem perceber se afasta um pouco da família e a iniciação em Yèmojà o ajudará nesse relacionamento com filhos e parentes.

Pode acontecer também que essa mesma pessoa feita de Ògún com toda essa vitalidade necessite da iniciação em Ọbàtálá para que tenha mais calma e enfrente os obstáculos com menos desgaste.

Quando analisamos o milagre da iniciação, depois de algum tempo comparando o comportamento do iniciado, fica claro a mudança; a influência do Òrìșa iniciado na vida da pessoa mesmo que ela já seja feita há muito tempo ou que ainda não tenha seu Òrìșà pessoal, é visível e fica evidenciada em seu comportamento.
A iniciação realmente pode ser descrita como um milagre quando bem feita seguindo as indicações corretas.


Poderia descrever aqui os efeitos das mais diversas iniciações no dia a dia do indivíduo, mas não devemos esquecer que em território Yoruba o número de Òrìșàs assentado para uma pessoa que não vai ser um sacerdote é muito reduzido e não raramente excede a três ou quatro, também pode acontecer que a necessidade de culto a um Òrìșà familiar ou antepassado seja indicada por Ifá, ou que a pessoa jamais seja iniciada ou feita.

A iniciação aqui em nosso país passou a ser tratada como um complemento necessário e não como uma solução indicada; quando nascemos somos imperfeitos e assim seremos por toda a vida, o milagre da iniciação só vai amenizar os efeitos de tais imperfeições.


É muito comum ver pessoas feitas para Òrìșàs, mas que na verdade deveria ser iniciada, criando assim inúmeras dificuldades, essa confusão entre iniciação e feitura limita as realizações pessoais e o não cumprimento do destino, implica em sofrimento e desgosto, esse problema se torna cada dia mais comum por falta de conhecimento dos sacerdotes.


sábado, 5 de março de 2011



A roupa não faz o homem, Ifá?





Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola

Em um país  colonizado por um outro, de  religião católica, é evidente a influência religiosa e cultural,percebemos esses traços a cada minuto.

Quando andamos nas ruas sentimos os hábitos dos colonizadores presentes na cozinha em nossa língua e na cultura, com influência arquitetônica e comportamental, moramos e vivemos como europeus,com raras  exceções.

Até ai estaria tudo correto é a história do vencedor sobre o vencido, natural e em  todos lugares podemos sentir isso,porém é natural que com o tempo as pessoas consigam cortar tais influências,e terminem valorizando grande parte da essência original de uma cultura.

Quando falamos das religiões, podemos citar claramente uma tendência, cada vez maior, dos católicos visitarem Roma na tentativa de se aproximar de sua raiz, o mesmo acontece com os Judaicos,e também com os muçulmanos que constantemente viajam para suas terras de origem buscando informação e aumentando o conhecimento religioso e filosófico.

Para as pessoas que tem como religião o Orisa  a própria palavra em língua Yoruba mostra  o caminho a ser seguido,nossas raízes estão na Nigéria nos estados Yorubas que fazem parte desse país.

O natural seria com o tempo nos aproximarmos cada vez mais desse povo e tentar transformar a religião afro brasileira, em religião Yorubana,se falamos Yoruba nos rituais,e se cultuamos os Orisas divindades Yorubanas,isso é perfeitamente normal.


Em território Yoruba,as mulheres não costumam usar saia de armação,não usam sapatos para dançar para os Orisas entre tantas outras  coisas,todos rituais são praticados com roupas muito simples e tanto homens como mulheres permanecem de pés descalços nos rituais.

Isso é só um detalhe, em nossa terra ainda existe quem leva o iyawo na igreja para rezar.
A minha pergunta é: será que nossos irmãos ignoram  suas raízes ou admiram a origem de outras culturas;ou, seria pior ainda, tem vergonha da real condição de nossa essência?

A roupa não faz o homem, em muitos casos podemos ver um comportamento padrão como se tudo seguisse a famosa receita de bolo da roupa branca, não sabem nossos irmãos que em muitos  rituais o que menos importa é a roupa.

É comum ver um sacerdote Yoruba praticando um ritual sem camisa, isso é natural, praticamos uma religião que  é muito fácil de entender, o Orisa nos conhece desde antes de nascermos e dele não escondemos nada muito menos nosso corpo haja visto que em algumas iniciações o uso da roupa é desnecessário e a divindade se é que podemos chamar assim o Orisa não reconhece o indivíduo vestido.

As informações estão a disposição das pessoas, mas a boa vontade em aprender tem que partir delas,e o esforço para retirar de suas vidas o preconceito, vai exigir muito; temos que estar preparados para o encontro com nossas raízes que certamente não é em Roma,e muito menos em Salvador.

Não tenho nada contra o povo baiano, bem pelo contrário admiro muito esse povo alegre e lutador,mas nossa raiz não está na Bahia e sim na Nigéria.

Na Bahia,Pernambuco,Rio de Janeiro,e no Rio Grande do Sul,assim como em outros estados que receberam grande número de escravos,  foi e continua sendo vivenciada parte de uma história que começa em território Yoruba.