segunda-feira, 16 de dezembro de 2013


Ifá tem regras.


Autor; Babalawo Ifagbaiyin Agboola
Um babalawo não usa drogas, não é alcoólatra, ele não quebra a sua palavra, ele não trai.
Um babalawo não desperdiça o seu dinheiro, um babalawo não rouba, um babalawo age com moderação.
Um babalawo é um trabalhador, um babalawo não pode ser um desocupado, um babalawo tem que ser honesto.

ÒTÚRÁ-RETE
Òtúrá-Rete controla você.
Se você nascer, tente se produzir novamente.
Òtúrá-Rete, Amuwon, Amuwon, ele que sabe que a moderação nunca entrará em desgraça.
Eu digo: Quem sabe a moderação?
Orúnmìlà diz: Ele que está trabalhando.
Eu digo: Quem sabe a moderação?
Orúnmìlà diz: Ele que não desperdiçará o dinheiro dele.
Eu digo: Quem sabe a moderação?
Orúnmìlà diz: Ele que não roubará.
Eu digo: Quem sabe a moderação?
Orúnmìlà diz: Ele que não tem dívidas.
Eu digo: Quem sabe a moderação?
Orúnmìlà diz: Aquele que nunca bebe álcool,
aquele que nunca quebra um juramento com os amigos.
Òtúrá-Rete, aquele que acorda muito cedo e medita dentro dele por causa das atividades!
Entre os espinhos e cardos,
a folha do dendezeiro se projetará para fora.
Jowóro nunca gastará todo o seu dinheiro,
Jokoje nunca será um devedor.
Se Eesan dever muito dinheiro, ele pagará a dívida.
Amuwon é o ameso, (aquele que tem um bom senso do que é certo).
“Afolabi Epega”

domingo, 15 de dezembro de 2013

iniciação em Ifa, Itefá.


Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola

Hoje me lembrei de uma pessoa que eu conheci esse senhor que se chamava Antônio cursou seis meses direito, um ano engenharia e seis meses de administração de empresa.

Essa situação onde se percebe a dificuldade de algumas pessoas para identificar a carreira a seguir é bastante complicada, algumas pessoas enfrentam algumas criticas que podem ser consideradas como indecisão.
 em 
Outras pessoas conseguem concluir os cursos que nunca vão ser usados, porque na realidade a não tem nenhuma identificação com a carreira anteriormente escolhida.
Estamos aqui analisando um aspecto isolado no caso a carreira profissional, mas essas dúvidas podem ser encontradas diariamente por todos nós, a diferença que uma pessoa iniciada em ifá, tem acesso a informações confiáveis que orientam que direção seguir.
Eu costumo dizer que é quase como um renascimento, ser iniciado em ifá, (fazer um itefa), a partir da iniciação seguimos as orientações de Orunmila e a caminhada se torna mais fácil, muitas vezes estamos caminhando no sentindo oposto há aquele escolhido por nós, antes do nascimento.

O itefá é um momento mais importante na vida da pessoa que escolhe a religião tradicional yoruba, esses conjuntos de cerimônias mudam ou redefinem o caminho a ser percorrido.

Um itefá pode durar de 3 a 17 dias, mas em média leva 7 dias para babalorisas e iyalorisas, já os awos tem um período de recolhimento diferenciado.

As cerimônias que envolvem a iniciação em ifá começam com a preparação do igbodu, cabe aqui uma explicação que esclareça definitivamente a questão do igbodu, o espaço destinado à iniciação de babalawo onde são feitos os rituais, não tem nada haver com floresta ou mata, o termo igbó em yoruba quer dizer floresta, mas para o igbodu não se usa essa expressão dessa forma literal.

A floresta sagrada por nós conhecido como igbodu é um espaço que pode ser descrito como o local onde a mais importante de todas as árvores fica plantada durante os rituais, o assentamento de Osun (antepassados), representa o tronco da arvore genealógica do Egbe Ifá, as raízes fincadas na terra são espíritos de arabas, oluwos e babalawos que estão agregados em uma só divindade, cada awo representa um galho que brota dessa árvore que une gerações de fé e amor a Orunmila.

O caminho que leva ao igbodu onde está Osun (antepassados), tem nove buracos do lado direito e sete buracos do lado esquerdo, dentro desses pequenos buracos na terra alguns elementos são depositados.

O ritual do itefá é facilmente identificado em seu inicio com a figura do oluwo à frente, a iya apetebi com o yangui de Esu sobre a cabeça, o babalawo à direita e uma iyanifa à esquerda com um recipiente na mão, seguidos pelo iniciado com o carrego e o seu ojugbonan que muitas vezes pode ser o seu próprio babalawo.

Em um segundo momento vários rituais são processados desde a retirada do cabelo, banho com folhas e pintura, não necessariamente nessa ordem, é evidente que nesse texto não vou descrever em detalhes a sequência de um itefá.
Quando o iniciado sentado atrás do seu oluwo coloca suas mãos sobre os ombros dele, o odu é obtido pelo sacerdote.

Esses rituais tem como finalidade chegar ao momento mais importante que é a obtenção do odu de nascimento do iniciado, só no itefá isso é possível, esse odu serve como referência e orientação, devendo ser estudado exaustivamente, pois dentro dele em suas histórias poderão ser encontradas as respostas para todas as dúvidas.
Só aquele que foi submetido a um itefá tem a informação definitiva sobre o seu odu, só aquele que foi submetido a um itefá conhece o seu destino.

Para mim a iniciação em ifá é comparada ao mapa que vai guiar o iniciado na viagem da vida, aquele que não tem o mapa perde tempo e muitas vezes andam em círculos enfrentando inúmeras dificuldades, mas a pior delas é a insegurança do caminho a ser seguido.

Obs:  Na tentativa de manter em segredo alguns rituais o numero de buracos no chão citado acima diferem daqueles usados na realidade, que servem somente como exemplo.



quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Orunmila me ajude a ter calma.


Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola

Na tentativa de contribuir com as pessoas que não tiveram oportunidades de aprender estou postando esse texto.

O grande número de postagens de fotos com pinturas bastante criativas na internet nos faz pensar sobre o que deve estar acontecendo, será falta de informação ou espirito carnavalesco do qual tanto se fala no nosso país.

Vi algumas fotos com pinturas bastantes estranhas no facebook, awos com a cabeça pintada de wagi, a única explicação que encontrei para isso que deve ser uma iniciação para Smurf.

Na religião tradicional yoruba alguns princípios caracterizam o que esse povo acredita ser de suma importância em suas vidas, à pintura é uma dessas expressões, quando um awo é pintado com osun e efun, elemento que representa o aspecto feminino e masculino, a intenção é buscar fecundidade para os atos.
O osun elemento feminino de cor vermelha representa com sua intensidade as grandes mães ancestrais e os orisás femininos.

O efun elemento masculino representa Obatala e os orisás funfuns.

O wagi que não é usado na iniciação de ifá representa o terceiro elemento, o elemento procriado, e a interação resultando os orisás filhos.

A pintura que usa em parte o elemento mineral e vegetal é antecedida pelos rituais de banho elemento vegetal que preparam para o oferecimento do alimento animal.

As iniciações assim como os ebós buscam o equilibro entre esses elementos, trazendo assim para a vida do iniciado um resultado de bastante equilíbrio.

Esses rituais todos os sacerdotes dos cultos de orisá deveriam saber, mas como é comum ver iyawo com as pinturas do grupo Timbalada da Bahia, concluo que ou as pessoas não sabem ou elas estão brincando com a vida dos iniciados.

Cruzes e símbolos cabalísticos devem ser deixados para os católicos e os que cultuam a religião judaica. Na cultura yoruba cada desenho tem um significado nos tecidos ou nas paredes das casas, assim como a pintura dos iniciados, as figuras desenhadas buscam atrair energias que representam a fecundidade, a prosperidade e a longevidade.

A cor vermelha do osun é encontrada em pinturas nos assentamentos dos orisás femininos, se harmonizam com a cor branca do efun, encontrado nos assentamentos de Obatala, orisa Oke e orisa Olookun.

É comum ver o uso do wagi nos assentamentos de orisás que chamamos de orisás filhos como Ogun e Ososi e outros orisás.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

O estudante de ifá.



Autor: Babalawo Ifagbaiyin  Agboola.

Em um isefa quando aparece como odu regente naquele momento servindo de referencia e orientação para o pré-iniciado o odu ogbe Méjì e alguns outros odus específicos o babalawo orienta a pessoa que ela tem que ser submetido há outra pequena cerimônia e se ela concorda inicia-se o seguinte processo:

- No período indicado por ifá que pode ser até o terceiro dia ou logo após a apuração do odu o ifá é alimentado novamente incluindo agora um opele para praticar.

- Primeiramente se aparecer esse odu o pré-iniciado ficará em um espaço reservado esperando o babalawo alimentar iya odu imediatamente.

- Após segue o ritual de alimentar o ifá e o opele, porém a partir desse momento o pré-iniciado passa por mais uma cerimônia onde babalawo entrega o opele e orienta a pratica.

- Na Nigéria em território yoruba é costume pintar com efun a impressão dos odus em folhas de ewe eko, essas folhas são penduradas na casa do estudante que inicialmente deve gravar em sua memória a impressão dos 16 odus, mais antigos.

- Em território yoruba esse primeiro opele quase sempre é confeccionado com pequenos pedaços de cabaça.

- Existe uma grande diferença entre os isefas comuns e o citado acima, o odu ejiogbe indica o sacerdócio, sendo assim um babalawo que não tem iya odu deve levar imediatamente o pré-iniciado para a casa de seu oluwo, então o ritual para iya odu é feito no assentamento do oluwo.

- Depois de algum tempo o pré-iniciado que foi orientado no isefá fará o Ìtélodú, é importante explicar que se no isefa Orunmila indicar o sacerdócio não é feita a cerimônia do itefa como a iniciação de um babalorisa, os rituais necessários devem ser feitos para consagrar o babalawo.

- Passado algum tempo o agora awo passará por outro ritual onde demonstrará o seu conhecimento sobre os odus e nesse momento será confeccionado os novos opeles.

- Só após o Ìtélodú será orientado o estudo dos 240 Omo odus.

- Com o opele alimentado e conhecendo os odus que inviabilizam o uso do opele os estudos se aprofundam.

- A partir desse momento começa uma longa história, de dedicação fé e carinho entre o estudante e o seu instrutor, só com muita dedicação o estudante passará para um novo estágio em seus estudos.

- A consulta aos ikins, e os odus que inviabilizam o uso do opele, só são divulgados após o juramento dentro do igbodu.

- Obs: Cada pessoa reage diferente ao processo de estudo, algumas têm uma inteligência comparativa outros não, por essa razão o Ojugbona (instrutor), necessita ter uma didática bem apurada.
Algumas pessoas conseguem decorar e gravar as orientações em um prazo bem menor que outras.

 Então pode acontecer que todo o processo acima citado evolua em um período de tempo bem pequeno, mas desse ponto até iniciar outras pessoas o processo é bem demorado.

Um babalawo que não tem conhecimento quando faz rituais que não esta preparado  compromete o nome da família, a saúde dele e das pessoas que ele atende.

Pior que isso o babalawo que não tem conhecimento entra em conflito com os orisás e seus antepassados.


sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Orunmila e Ifá, dúvidas frequentes.




Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola.

1 - A pessoa que faz itefá deixa de incorporar as entidades que ela cultua anteriormente?
Resp. Não, somete quem faz Ìtélodú não incorpora mais, o itefa é muito indicado para babalorisas e iyalorisas e isso não prejudica, pelo contrário favorece a ligação com o orisa.

2 - O assentamento de Orunmila tem okuta?
Resp. Não, o assentamento de Orunmila só tem ikins de quatro olhos ou mais.

3 - A mulher pode ser iniciada em ifá?
Resp. Sim, existem dois tipos de iniciações para mulheres, uma que ela se torna omo ifá e outra que ela se torna iyanifa, as duas partem do itefa.

4 - Um iniciado em ifá pode ser pintado com waji?
Resp. Não, o iniciado é pintado com efun, (masculino) e osun ( feminino), essa interação representa a fecundidade e a prosperidade, assim como a transcendência e a evolução espiritual.

5 - Quem faz isefá recebe nome?
Resp. Sim, quem faz isefa recebe nome e é considerado um membro da família do babalawo que iniciou, sendo caracterizado um elo de ligação que responsabilidade o sacerdote pelo pré iniciado, considerando a verdadeira iniciação é o itefa.

6 - Para fazer isefa raspa a cabeça?
Resp. Não, somente no itefa raspa a cabeça.

7 - Existe iniciação para iya apetebi?
Resp. Não necessariamente a iya apetebi é a mulher do babalawo que deve ser submetida a um isefa ou itefa, mas isso não é iniciação de iya apetebi.

8 - Existe algum cargo acima de babalawo na religião tradicional yoruba?
Resp. Não, Araba e Oluwo são funções exercidas por babalawos embora isso não caracterize que todo o babalawo possa um dia ser um Oluwo ou um Araba.

9 - Existe a possibilidade que exista um Araba ou Oluwo que não seja Ogboni?
Resp. Não, se isso acontecer certamente esse sacerdote não vai ter acesso há muitas informações fundamentais.

10 - Um Babalawo pode ter mais de uma mulher?
Resp. No Odu ogbe Meji diz que um Babalawo deve ser um exemplo e que ele deve cumprir as leis, sendo assim um Babalawo brasileiro que reside no Brasil não pode ter mais de uma mulher. Odu osa iroso, o adultério não faz parte da vida daquele que segue ifá.

11 - Um Babalawo pode trabalhar em outra atividade fora da religião?
Resp. Um babalawo pode sim trabalhar em outra atividade, diz Orunmila que um babalawo não deve comercializar as coisas de Ifá.

12 - Um Babalawo pode jogar búzios?
Resp. Um Babalawo consulta ifá com Opele.

13 - Uma mulher pode consultar Ifá com Opele?
Resp. sim se ela for iniciada como Iyanifa.

14 - Qual a roupa usada na iniciação de ifá (itefa)?
Resp. Só existe um tipo de roupa na iniciação, tanto para homens como para mulheres a roupa é um tecido branco que deve envolver o corpo, finalizando com um nó sobre o ombro esquerdo.

15 - Quanto dia dura uma iniciação em ifá?
Resp. de três a dezessete dias.

16 - Depois de quanto um iniciado em ifá submetido ao Ìtélodú pode iniciar outras pessoas.
Resp. Cada caso é um caso, mas em media depois de quatro a cinco anos.

Obs: esse tempo pode ser considerado a partir do momento que o iniciado é submetido a um segundo ritual após o isefa, onde ele recebe um opele, para praticar.

17 - Existe algum ritual que envolve a liberação do uso do opele para consultas de clientes?

Resp. primeiramente que existe mais de um tipo de opele, a consagração do opele para estudo envolve o ritual onde o opele é alimentado junto com ifa do iniciado, já o opele para consulta de clientes é submetido a um ritual completamente diferente que não deve ser divulgado, o awo para praticar recebe um único opele que pode ser de cabaça ou fava, já para consultas de clientes os opeles recebido pelo babalawo são no mínimo dois, considerando que alguns odus queimam o opele, a necessidade de mais de um é caracterizado após o período de estudos.

18 - Mulher pode ver o assentamento de iya odu se ela for uma iyanifa?
Resp. Não nem mesmo sendo uma iyanifa a mulher pode ver iya odu.

19 - A pessoa que é Umbandista ou Candomblecista pode ser iniciada em ifá?
Resp. Sim, ela deve  por varias razões, mas umas das principais razões além de conhecer os ewos, é identificar claramente os orisás que devem ser cultuados.

Obs: No Brasil é comum que as pessoas tenham inúmeros orisás assentados, isso implica diretamente em mais trabalho, mais culto, e não necessariamente em resultados positivos, muitas vezes as orações feitas para um único orisá, podem render um resultado melhor do que as feitas para vários orisás, explico em nosso país temos o habito de rezar para cada orisás de acordo com o problema que enfrentamos, já no território yoruba essa prática não existe, é comum ver pessoas que são iniciadas para um ou dois orisás.

20 - Uma pessoa que não é feita para um orisa pode ser iniciada e receber um assentamento?
Resp. Sim, não é comum mas acontece de pessoas que não são feitas serem iniciadas para um orisa especifico, exemplo o isefa onde a pessoa não é feita e recebe o assentamento de Orunmila.

21 - Em um isefa é assentado esu para o pré-iniciado?
Resp. Sim dependendo do odu.

22 - Orunmila se alimenta de animais masculinos?
Resp. Sim, dos 256 odus, em  8 Orunmila se alimenta de animais masculinos.

23 - Iniciado em ifá no ritual de itefa coloca na cabeça pena de Agbe ou Aluko?
Resp. Não, um iniciado em ifá é apresentado com uma pena de  ekodide, (ofun Meji ou orangun).
Obs: Apena de ekodide não deve ser usado sobre pano de cabeça ou kete, para o uso do ekodide existem várias normas, exemplo: no momento que o iniciado esta com a pena colocada em sua cabeça, ele não toca o solo com o ekodide, (odu ogbe Meji), (aquele que usa o ekodide deve ser respeitado).

24 - Quantos ikins são necessários no assentamento de Orunmila?
Resp. Um mínimo de 18 ikins.

25 - Quanto tempo demora a cerimonia do isefa?
Resp. De uma hora a três dias, depende da orientação de Orunmila.

26 - Quem faz uma pré-iniciação, isefa recebe opele?
Resp. Sim, em um Caso especifico quando o odu indica a necessidade de Ìtélodú, em um segundo ritual o opele para praticar é consagrado para o uso de estudo, até a preparação para o Ìtélodú.

27 - Quem faz itefa recebe opon e iroke?
Resp. normalmente não, somente quem faz Ìtélodú recebe esse instrumento que são usados por babalawos e iyanifas.

28 - A pessoa pré-iniciada segue o sistema de ose no assentamento de Orunmila semanal?
Resp. Não a orientação do ose semanal, é indicada para alguns odus, em outros ifá alerta que o assentamento não deve ser limpo, enquanto o compromisso assumido de um itefa subsequente não seja realizado.

29 – quem é submetido ao isefa recebe ide ifá?
Resp. Sim, Okanran ogbe.

30 – Os ebós feitos no opon seguem alguma regra? E quem pode fazer esses ebós?

Resp. Os babalawos e iyanifas podem fazer ebó riru seguindo uma regra básica, que consiste em seguir uma ordem pré-estabelecida dentro do egbe louvando Olodumare, Orunmila, os orisás e  os antepassados da família.
Cada família segue uma sequencia, o babalawo recebe diretamente dos seus iniciadores os nomes e os odus a serem louvados dentro da sequencia do egbe, assim como os odus de esu que devem ser usados e os odus transformadores de negativos em positivos.






terça-feira, 3 de dezembro de 2013


A responsabilidade do Babalawo Brasileiro



Autor: Babalawo Ifagbaiyin  Agboola.

Durante a viagem de retorno de São Paulo para Porto Alegre eu estava conversando com a minha Iya apetebi sobre um assunto que gostaria de compartilhar com os amigos, o babalawo brasileiro.

As pessoas que praticam a religião de orisá no Brasil devem analisar com calma a responsabilidade do Babalawo brasileiro, ela é muito maior que a responsabilidade de um Babalawo (Yorubano),explicarei as razões:

Primeiro, porque o Brasil é o país que mais cultua orisa no mundo.

Segundo porque precisamos preencher a lacuna deixada em aberto na historia do Ifá no período da escravidão.

Terceiro a necessidade de corrigir alguns equívocos no culto de orisa no Brasil é fundamentada no conhecimento sobre ifá, só quem conhece profundamente poderá orientar e esclarecer.

A figura do babalawo é historicamente respeitada o conhecimento, a ética e o caráter avalizam a postura do sacerdote, um babalawo deve ser uma reverência e um exemplo para a comunidade.

O babalawo brasileiro na atualidade tem uma missão bastante difícil, ele necessita iniciar muito mais pessoas que os babalawos nigerianos, a pessoa sendo indicada por ifá a um caminho de sacerdócio deve ser iniciada imediatamente.

A falta de babalawos no Brasil é muito grande precisamos iniciar bons sacerdotes para que em um futuro o culto a ifá seja restabelecido em proporção ao culto de orisa em nosso país.

Algumas pessoas me criticam porque cobro menos da metade que alguns babalawos, explico o porquê :

Entendo ifá em minha vida não como uma escolha minha e sim como uma missão a ser cumprida se eu cobrar muito vou dificultar as iniciações e a minha missão é facilitar o contato com ifá.

Compreendo que faz parte do meu destino assim como de outros babalawos iniciar sacerdotes sérios para que em um futuro o Brasil seja reconhecido pelo bom nível dos sacerdotes de ifá.

Se eu estivesse buscando lucro financeiro não seria sacerdote, acredito que um babalawo deve facilitar o acesso aos orisás e acredito que se um sacerdote cobrar o que o iniciado não pode pagar ele esta dificultando a iniciação, consequentemente ele se opõe com esse gesto ao culto de orisa e ifá.

Vejo com bons olhos o futuro do ifá em nosso país à internet permite um contato com os yorubanos e fica muito fácil saber quem é quem.

Ilusionistas que engolem folgo mágicos que enfiam facas nos olhos em bem pouco tempo vão deixar de existir, o povo brasileiro já deixou de acreditar em contos de fada faz bastante tempo, somente alguns desavisados acreditam em ebós que resolvem todos os problemas e magias que curam de unha encravada a impotência.

Chegou a hora da verdade somente homens sérios poderão iniciar sacerdotes dignos que em um futuro representarão o ifá no Brasil.

Os bons sacerdotes yorubanos se sentem orgulhosos com o saber dos babalawos brasileiros, nós fizemos parte de um povo alegre, inteligente e temos todos os pré-requisitos para ter grandes babalawos em nosso país.

Ser um babalawo no Brasil e muito difícil, enfrentamos todo dia olhares desconfiados, vivemos em um país que ainda esta aprendendo a valorizar seu povo, é responsabilidade dos bons sacerdotes orientar esse povo para o aumento da auto estima e a valorização dos que aqui nascem. Não somos superiores, mas também não somos inferiores precisamos entender a historia de nosso país para valorizar a gente que aqui vive.

Eu sempre digo que se Olodumare não quisesse o culto de orisá no Brasil a vinda de um contingente enorme de escravos não teria acontecido, situações ruins, dolorosas muitas vezes carregam em seu intimo ações que nós somos incapazes de julgar.

A luz do saber não é privilegio dos que seguem com os olhos fechados, temos que levantar a cabeça, abrir bem os olhos e com a pureza no coração tentar construir um futuro melhor, onde a barbárie não tem lugar onde o respeito ao próximo seja tido como obrigação, onde a riqueza do homem seja medida por seus atos e não pelo que ele tem no bolso.

Não consigo entender algumas pessoas que sabem que temos excelentes cientistas, médicos, engenheiros, professores, artistas e atletas em nosso país, mas que não conseguem ver com bons olhos os babalawos brasileiros.

A verdade é que ifá é para todos e  que nem todos são babalawos, mas não quer dizer que no Brasil não temos pessoas capacitadas.


segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Consultando opele Ifá.


Autor: Babalawo Ifagbaiyin  Agboola.


Há vinte e dois anos atrás conversando com um amigo yorubano (Adileke), desenvolvi um método para gravar as impressões dos odus, baseado em um sistema usando algarismo arábico.

O método Ifagbaiyin, consiste em considerar a figura côncavo do opele como número um e a convexa como número dois, sendo assim a impressão de um odu seria representada por um milhar, usado duas vezes quando o odu é meji, o sistema de uso do opele e das impressões de odu é fundamental para o inicio da manipulação do opele, todo babalawo quando inicia seus estudos dedica muito tempo para gravar essas figuras, esse método visa facilitar a memorização.

 Ogbè méjì           = 1111/ 1111
Òyèkú méjì          = 2222/ 2222
Ìwòrì-méjì            = 2112/2112
Òdí méjì               = 1221/1221
Ìròsùn meji           = 1122/1122
Òwónrín méjì       = 2211/2211
Òbàrà méjì           =1222/1222
Òkànràn méjì       = 2221/2221
Ògúndá méjì        = 1112/1112
Òsá méjì              = 2111/2111
Ìká méjì               = 2122/2122
Òtúrúpòn méjì      = 2212/2212
Òtúrá méjì            = 1211/1211
Ìretè méjì              =1121/1121
Òsé méjì              = 1212/1212
Òfún méjì             = 2121/2121
A didática adequada favorece a memorização e facilita o estudo, todo awo deve ter como base as impressões dos odus tanto na hora da consulta a opele como ikin.




Segue abaixo exemplos:
 Ìrosùn méjì
               
*             *            1              1
*             *            1               1
* *         * *         2               2
* *         * *         2               2

Outros exemplos:

Òsé Òtúrá
1             1
2             2
1             1
2             1
Igual a 1212/ 1211

Ogbè Òbàrà = 1111/1222

Dentro de quinze dias esse método vai ser divulgado inúmeras pessoas e com certeza vai aparecer um grande número de pessoas se dizendo o autor do sistema, o importante não é isso, e sim a divulgação de métodos que facilitem os estudos para os novos iniciados em ifá, os tempo mudaram e a tecnologia esta ai para facilitar os estudos.







segunda-feira, 28 de outubro de 2013


Orunmila eu só tenho que agradecer.


Autor: Babalawo Ifagbaiyin  Agboola.

Hoje é um dia muito especial meu pai esta comemorando 83 anos, sendo que 52 anos de feitura para Obatalá.

No dia da feitura dele eu fui iniciado no culto de orisá, mais precisamente em Obatalá, cultuo de forma especial Obatalá, Soponnan e Osun, assim como Òsáyin.

Quando cheguei à casa do falecido pai Romário de Osaalá em 03/06/1981, trazia comigo esses quatro orisás, e um Bará, conversei com ele e ele me incentivou a abandonar a minha carreira profissional e me dedicar exclusivamente aos orisás, segui os conselhos dele.

No dia 13 de junho deste ano comemoramos 30 anos do Ile Ifá, Obatalá assim como vários orisás estão presentes em nossas vidas, o conselho de meu pai foi acatado e a vida religiosa passou para o primeiro plano, graças à lucidez de meu sacerdote, encontrei meu destino.

Meu pai é de Osalá, meu antigo sacerdote era de Osaalá, minha iyalorisa (Edelzuita) é de Osaala, tenho dois filhos feitos para Osaala e iniciei muitas pessoas para esse orisa, só Osun tem mais iniciações em minha casa, que Obatala foram 70 iniciações, mas Obatala e Soponnan estão muito presentes em meu dia a dia.

É difícil falar dos orisás estabelecendo uma ordem de preferência, cultuo vários orisás com o mesmo carinho, alguns orisás parecem que nos acompanham a tanto tempo, que fazem parte de nós mesmo antes de temos nascido.

Em um período onde esta sendo fornecidos os certificados de formação de babalawos e babalorisas me parece que falar de amor e afinidade com as divindades esta fora de moda.

O dinheiro pode tudo até comprar certificados, com o dinheiro você chega perto do cara pode até ouvir o cara, sentar perto do cara e com muito dinheiro você pode até ser o cara.

No certificado vem à assinatura do cara, o carimbo do cara, e o símbolo do cara, você paga e recebe um documento que só você acredita um documento que a sua vaidade ambicionou e que a sua ignorância conquistou, um documento que a sua prepotência vai manter.

Nos dias de hoje vejo roupas importadas, festas luxuosas, joias feitas sobre encomendas e comparo com o que eu vi quando eu era criança, tudo era muito simples, uma peça de tecido de segunda e todos se vestiam uma roupa igual, o que importava era o amor pelo orisá.

A festa era simples algumas comidas feitas em casa, um doce e umas frutas, nada que se compare a cascata de chocolate, o garçom com gravata borboleta, o clube caro e as luvas brancas.
Hoje o certificado substitui as centenas de noites acordado limpando galinhas e cabritos.

O dinheiro é o passaporte, ele substitui o tempo e o trabalho, a dedicação e a fé, ele abre os caminhos da vaidade e da ambição, minimiza o tempo do aprendizado e justifica conhecimento não obtido, avaliza a incapacidade e certifica a incompetência, mas enfim, os tempos mudaram novos tempos.


sábado, 12 de outubro de 2013

A filosofia de Ifá.



Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola.


Outro dia um amigo me perguntou sobre Ifá, ele me disse:

_ Será que ifá condena quem é homossexual?

 Conversei com ele por quase uma hora, acredito que ele entendeu a minha opinião sobre o assunto, respondi para ele ifá é sabedoria.

Depois de algum tempo refleti sobre nossa conversa, resolvi escrever esse texto.

Ifá para mim é equilíbrio, Ifá está dentro de nós e serve como bússola, é o ponto de referencia para que possamos nos manter no caminho.

Ifá está para o homem como a agua está para a vida, aquele que se afasta da fonte termina morrendo sedento.

Um homem tem que olhar para dentro dele para encontrar Ifá, não é lendo um livro ou indo na Nigéria que você encontra ifá, o encontro com ifá faz parte de uma reflexão sobre o seu comportamento diante da sociedade, o respeito ao próximo e a aceitação de você mesmo.

Se você é homossexual e esta feliz, porque ifá vai interferir em sua preferência sexual?
Acredito que alguns homens que são casados e deixam suas mulheres em casa, e vão se deitar com outros homens ou com outras mulheres estão com mais dificuldades em encontrar ifá, que eles mesmos não imaginam.

A traição afasta você de ifá, o roubo e a maldade com o seu semelhante afasta você de ifá, o homem quando ataca seu semelhante o faz em um momento de desequilíbrio, ifá busca estabelecer o equilíbrio dentro de nós, nos orienta para que possamos cumprir o nosso destino.

Na maioria das vezes a voz interna que ouvimos é a voz de ifá, ela quer nos orientar, mas nos negamos a ouvir.

O equilíbrio, a felicidade são expressões de ifá, talvez por isso seja tão difícil para as pessoas atingirem a realização plena dentro de nossa religião.

 A felicidade é como um vento fresco que sopra em nosso rosto, o vento muda de direção constantemente, fica em nossa memória gravado a sensação da brisa em nossa face, temos que aprender a manter na memória a sensação de felicidade. Nos momentos difíceis devemos buscar as lembranças positivas para que estejamos abastecidos de uma energia que nos mantenha no caminho certo.

A felicidade e o equilíbrio são como a agua que mata a nossa sede, constantemente a sensação de falta de liquido em nosso corpo nos desequilibra, temos que nos mantemos próximos da fonte do bom caráter para seguirmos em harmonia.

A filosofia de ifá não está em decorar versos de odu, conheço pessoas que sabem recitar belos textos, mas seus comportamentos os distanciam de ifá, são pessoas insatisfeitas com a vida e com elas mesmos, ifá nos ensina que cumprir nosso destino é estar feliz.

A verdade anda de mãos dadas com a aceitação e a aceitação é o combustível para o equilíbrio e a felicidade, se você se aceita, e aceita a vida que você tem você é feliz, estando feliz ifá lhe assegura que você esta cumprindo seu destino, Olodumare colocou o homem na terra para viver em felicidade.

O dinheiro não trás felicidade para ninguém, um dos maiores problemas que existem na não aceitação é a procura desesperada pela riqueza, esquecem os menos avisados que os seus destinos estão traçados, que você antes de nascer já fez a sua escolha.

 A parte de nosso destino que pode ser mudada não fala de posses, fala de comportamento, é na melhora e na evolução do caráter que o homem muda o seu destino, não é juntando moedas.

Se você quer ser feliz e ter equilíbrio seja fiel a sua fé, seja fiel as pessoas que você convive, seja fiel a você mesmo, haja sempre com bom caráter.

O conforto não quer dizer riqueza, ifá provém para os seus adeptos, não existe um iniciado em ifá que esteja feliz que passe por necessidade, a alegria de estar bem consigo mesmo alimenta a chama do progresso pessoal.

A caridade propicia a alegria, auxiliar ao próximo faz parte do bom viver, o equilíbrio interno é ajustado pela sensação que estamos no caminho, o homem nasceu para viver em sociedade.

Caridade é magnética e atrai a felicidade e o equilíbrio, ifá nos garante que quando ajudamos nossos semelhantes nos aproximamos do nosso destino.


sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Orunmila isso é religião?


Autor: Babalawo Ifagbaiyin  Agboola.

Iniciações de quarenta mil reais no sul, iniciações de vinte mil reais em São Paulo, iniciações de vinte cinco mil reais no Rio de Janeiro.

Não me venham com a história que temos que ter ética e respeitar os preços de cada um, eu não respeito isso e vou seguir atacando essa loucura.

Um ebó para um empresário famoso foi cobrado sessenta mil reais, detalhe o material não custou cinquenta reais, isso quer dizer que o vigarista ganhou livre cinquenta e nove mil, novecentos e cinquenta reais.
A pergunta que gostaria de fazer, isso é religião?

Não somos seguidores de Jesus Cristo e não fizemos caridade o tempo todo, todos sabem que manter uma casa de religião custa muito dinheiro, agua, luz, impostos e a manutenção da estrutura tem um custo muito alto, mas usar isso como desculpa para roubar as pessoas é muita cara de pau.

Com o passar dos anos estamos assistindo um espetáculo dantesco às mulheres estão se vestindo com roupas de bailarinas que lembram muito as bonequinhas das antigas caixas de musicas e os homens seguem a linha do Aladim e o tapete mágico, esse vestuário estranho quase sempre tem um custo muito alto, e é financiado pelos menos avisados.

A loucura chega ao ponto de um sujeito levar vários anos para construir um imóvel e no dia da inauguração exigir que todos os seus filhos usem rechilieu, detalhe ele indica a loja e ganha comissão sobre isso, não satisfeito ele empresta dinheiro a juros altíssimos para que seus iniciados comprem a roupa para a bendita festa.
As pessoas chegam a tal ponto de delírio que distribuem entre os seus filhos a lista de presentes que o seu orisa quer ganhar no aniversário com ênfase anel de brilhante, corrente de ouro, pulseira em ouro branco, maquina de lavar de dez quilos e refrigerador duplex.

Eu até os dias de hoje não consegui entender essa patifaria, não sei o que acontece com as pessoas que se submetem a essa loucura, o desejo de ostentar que é iniciado em uma casa de alguém famoso tem um alto preço a ser pago.

Quase todos os famosos cobram muito caro, manter a fama tem um custo alto, um guarda roupa de uma estrela é mantido por altas quantias e algumas vaidades são sustentadas por pessoas que muitas vezes se privam de quase tudo para agradar os seus sacerdotes.

Pedir vinte, trinta, quarenta mil reais para uma pessoa para fazer uma cerimônia e conseguir dormir é fruto de uma história de golpes, contos, ludíbrios que traduzem o malfeitor, o individuo age com tanta naturalidade que enganar as pessoas faz parte da sua formação.

Estou acostumado há ser criticado por meus textos e esse certamente não vai agradar um grande número de espertos, essas figuras que recebem como pagamento de seus trabalhos, camionetas importadas, e até viagens para a Europa são os mesmos que usam as roupas extravagantes, recebem todo o tipo de espírito e criam um teatro ao seu redor.

Tem babalorisas que são acompanhados por um secretário com a função de cuidar de suas jóias quando dá incorporação do orisá me espanta que o orisá espere tranquilamente que cada um dos anéis e correntes feitos sobre encomenda sejam retirados com todo cuidado, antes de abençoar os pobres infelizes.

Olhar essas pessoas fingirem que estão incorporados me provoca, me agride, me incomoda, essa é a razão porque escrevo esse texto, minha paciência assim como a de muitas pessoas esta se esgotando, o roubo e a sacanagem ganha espaço dentro de nossa religião.

Não vou me calar diante de tanta patifaria, acredito que existe muita gente seria, religiosos exemplares que estão sendo prejudicados por esse bando de cafajestes, alguém tem que denunciar, calar é consentir, mais ainda é contribuir com esses bandidos.






Orunmila é a verdade.



Autor: Babalawo Ifagbaiyin  Agboola.

Em agosto de 2010 participei de dois Itefás na cidade de Lagos na Nigéria, entre várias coisas que observei uma situação em particular me chamou a atenção.

Quando fomos levar o carrego dos itefás em uma propriedade próximo ao rio, meu Oluwo levou dinheiro, gin e obi para presentear o proprietário das terras.

 Antes mesmo de nosso pessoal começar os rituais, meu Oluwo e um grupo de babalawos foi visitar o líder de uma comunidade que administravam aquela propriedade, levou com ele uns presentes, mas, mais do que isso ele foi educado.

A falta de educação dos religiosos em nosso país é caracterizada em uma situação que é bastante comum nos dias de hoje, você convida as pessoas para vir a sua casa elas comem, bebem, dançam e ainda recebem espíritos, mas não perdem o hábito de falar mal de você, com naturalidade elas fazem comentários pejorativos.

Como é que alguém que se diz um religioso vem na sua casa e sai falando mal de você, muitas vezes essas pessoas precisaram de você, você as ajudou e até contribuiu com materiais e o seu trabalho para ajuda-las, porque isso acontece, porque as pessoas cospem no prato que comeram?

Alguns historiadores atribuem essa postura de nosso povo alegando que descendemos do pior tipo de gente que fizeram parte da tripulação das caravelas dos colonizadores.

Eu não concordo com isso, acredito que a influência da mídia nessas questões é a explicação para o problema, na vida moderna os pais trabalham fora e as crianças passam grande parte do tempo diante de um aparelho televisor.

Vamos analisar o seguinte, nas novelas todas as mulheres são apaixonadas e mantém um relacionamento com mais de um homem, os homens sabem que suas mulheres são apaixonadas por outro homem, ou por uma mulher e mesmo assim juram amor eterno, enquanto algumas mulheres se dizem apaixonadas visando o lucro financeiro.

A cada quadro que se apresenta demonstrações de falta de caráter e respeito se perpetuam de capítulo em capítulo de novela em novela, os jovens aprendem como fingir, como roubar e como iludir.

Não é raro ver meninas com cinco, seis anos dançando na boquinha da garrafa, isso gera o que nós estamos assistindo, me chama atenção que as autoridades não consigam controlar tal fato, jovens, crianças fazem sexo oral dentro dos carros por cinco reais, esse dinheiro serve para alimentar o vicio e a cada ato mais uma pedra é consumida.

Qualquer dia desses vamos sentir vergonha de ser honestos, já tivemos médicos famosos, estupradores, presidentes ladrões e policiais que erram o tiro e acertam a vitima, nossa história esta sendo escrita com mais erro que acertos, estranho que alguns religiosos não se pronunciem contra essa aberração.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Ifá é para todos.

Autor: Babalawo Ifagbaiyin  Agboola.

Com o objetivo de tentar esclarecer mais uma vez as dúvidas das pessoas que entram em contato conosco, vamos de forma clara e direta abordar alguns rituais da religião tradicional yoruba e do culto a ifá.

Isefá:

 Esse ritual que algumas pessoas tem nos questionado bastante sobre se é uma iniciação ou não, acredito que se você recebe o seu assentamento de Orunmila e através dele tem uma orientação de um odu, e recebe um nome de acordo com o mesmo, não existe como negar que é uma pré-iniciação, se é que podemos dizer assim.

Não podemos dizer que é uma iniciação, porque a pessoa não raspa e não é pintada, com efun (pó branco) e osun (pó vermelho), não recebe opele, nem opon e muito menos irukere.
Exemplo: Ose/ Ogbe.

A pessoa que faz isefá segue, com os seus princípios religiosos, sem alterar o fato da incorporação, no caso de quem se incorporava antes do ritual, esse ritual é muito indicado para pessoas que tem problemas para identificar os orisás mais adequados a serem cultuados.

O itefá é uma iniciação no culto de Orunmila, durante o ritual a cabeça é raspada e o corpo pintado com efun e osun, no itefá poderá ou não ser incluído opele, opon, o irukere é indispensável.
 A pessoa que faz itefá segue com seus princípios religiosos sem alterar o fato da incorporação, no caso de quem se incorporava antes do ritual.

Quanto a incorporação no caso de uma iyanifa existem alguns rituais que impede que ela incorpore, entre os rituais podemos citar aqui, a apresentação a Osun (antepassado), quando os antepassados do Egbe ifá reconhecem a sacerdotisa.

No caso dos babalawos, uma das diferenças é o reconhecimento do mesmo por Iya odu após essa cerimônia ninguém incorpora JAMAIS, isso defini uma das diferenças, de um itefá e um Ìtélodú (cerimônia que Iya odu reconhece o babalawo).
Exemplo: Irete/Iwori, Ogbe/Ate.

Raramente em um isefá a pessoa recebe o assentamento de Èsù, já no itefa é obrigatório o assentamento de ÈSÙ, em alinhamento com o odu do iniciado.

Existem exceções, em um isefá quando aparece à indicação de odus que falam de sacerdócio, tem sequencia o ritual e ifá é alimentado novamente, quando é incluindo um opele para estudo, dando inicio a preparação do futuro sacerdote, babalawo ou iyanifa.

O isefá pode orientar da necessidade de culto a orisás específicos, mas a identificação precisa dos orisá Ori ou orisá ire acontece no itefá.

O bori é indicado em alguns odus mesmo com a orientação do isefá, mas o assentamento de Ori só pode ser feito depois do itefá, onde Ori, odu e Èsù devem ser alinhados para que se cumpram as orientações de Orunmila.

Após o itefá pode ser indicado à iniciação do orisá Ori ou orisa ire, muitas vezes acontece do orisa Ori ser o mesmo orisa ire.

Orisá ire: É um dos orisás que faz parte do odu da pessoa, normalmente no encerramento do itefá, é consultado ifá sobre qual orisa esta trazendo benefícios e indicações positivas para o iniciado.

Exemplo:
Odu Irete/Ogbe: esse odu fala de problemas para a concepção, nesse odu fala muito Osun, Olósa e Olokun, esses podem ser os Orisás (ires), aqueles que vão beneficiar a pessoa, isso não quer dizer que o orisa Ori seja um deles, embora seja muito comum nesse caso orisa Ori Osun.

Orisa Ori:

 Essa é uma designação comumente usada para identificar o orisá da feitura, de um oloorisa ou um futuro babalorisa, é muito comum que a pessoa receba inúmeros benefícios dos orisás ires, mas pode acontecer que os aspectos positivos para a vida do iniciado, venha através do orisa Ori.

Ori:

No itefá é comum após identificar o odu à preparação do Ile Ori, não existe iniciação em Ori, existe sim etutu no iba previamente preparado em alinhamento com o odu de nascimento.
 Quem não passou por itefá oferece etutu em uma vasilha simples em sua cabeça, mas não tem Ile Ori.
Exemplo: Ogbe meji, Ogbe irosun, iwori meji, Oturupon meji.

Aje:

 Vejo muitas pessoas falando sobre iniciação em Aje, existem varias formas de iniciar no culto desse orisa, mas o ideal é após o itefa, Aje deve ser assentado com o odu de nascimento em alinhamento com o Ori e o Èsù pessoal ou Alajé. A iniciação correta proporciona resultados surpreendentes.
Exemplo: Ogbe meji, Ogbe/Obara, Ogbe/ ate.

Iya mi em algumas cerimonias de isefá ou itefá é comum identificar a necessidade do iniciado em ifá, pactuar com Iya mi, o certo é que a palavra iniciação não deve ser usado no culto de Iya mi, ninguém inicia em Iya mi!

Exemplo: Osa meji, Ogbe/Osa.

Baba Oro, após o itefá algumas pessoas do sexo masculino necessitam da iniciação no culto dessa divindade, o número de odus que indica iniciação em Oro é bastante reduzido.

Exemplo: Ate pa iwori .

Baba Egungun:

Algumas pessoas necessitam ser iniciadas no culto de Egungun após a cerimônia do isefá ou o Itefá é comum a iniciação nesse orisa.

Exemplo: odu Oturupon meji, Ika meji, Irete meji.

Algumas iniciações podem surgir de indicações durante consulta a Orunmila com opele.

O babalawo assim como a iyanifa pode orientar os iniciados a partir de uma consulta aos ikins do iniciado, mas também é muito comum que ele consulte com os seus ikins, existem situações que dispensa iniciações e ebós.

Exemplo: odu Irete/Oyeku

Para algumas pessoas o entendimento desse texto pode ser prejudicado principalmente quando abordamos os pactos com Iya mi mas existe a necessidade de manter algumas coisas entre as linhas e a abordagem com eufemismo se faz necessário.









domingo, 29 de setembro de 2013

BRASIL MOSTRA A TUA CARA.


Autor: Babalawo Ifagbaiyin  Agboola.


A história politica recente do Brasil é tão vergonhosa que parece que a mãe pátria deu a luz a inúmeros filhos sem nenhuma vergonha.

Em meio a escândalos, desvios de verbas e acidentes fatais envolvendo pessoas que denunciaram os corruptos, as páginas da história da nossa politica estão sendo escritas.

Partes de nossa população não escondem o instinto corrupto.

 A lei que se faz presente é a lei da vantagem, onde o que mais se vê é o uso do comportamento politicamente incorreto.

Nas religiões não é muito diferente da politica, acontece de tudo um pouco.
Constantemente atendo pessoas que se dizem iniciados, mas o relato delas me deixa bastante preocupado com o futuro de nossa religião no Brasil.

A ordem que essas pessoas descrevem de suas iniciações, não existe, assim como não existe iniciação em òrìsà, pelo correio.

Nos últimos meses tenho recebido relatos de pessoas que são iniciadas sem estar presente nos rituais, isso é impossível.

A falta de vergonha de supostos sacerdotes me faz pensar sobre a capacidade humana, me parece que tudo pode ser negociado, que tudo tem um preço e isso me envergonha.

Já denunciei várias vezes à venda de òrìsàs pelo correio!

 Você recebe em casa Egbe Orun, Obalúwàiyé, Èṣù Awure, Ṣàngó e outros òrìsàs, sem ter tido qualquer contato com os sacerdotes que preparam esses òrìsàs.

Como é que um òrìsà é preparado na Nigéria para uma pessoa sem a sua presença?

Essas loucuras necessitam ser combatidas.

 Hoje um sujeito me ofereceu na rede social, segredos do culto de Iya mi, me parece que as pessoas estão sem nenhum escrúpulo.

Alguns awos de hoje, desconhecem que existem várias formas de alimentar um opele.

 O opele que passa por rituais junto com ifá na iniciação passa por outros rituais bem diferentes, para atender clientes, existem vários tipo de opele e várias consagrações diferentes.

No caso do opon, assim como opele, cada tipo de consagração tem uma finalidade, o opon do awo ifá, é consagrado diferente, do opon do Bàbàláwo.

O processo que envolve a formação de um Bàbàláwo é fundamentado em muita dedicação e paciência, além de muita seriedade e responsabilidade.
Está sendo criada uma nova versão do que é a religião tradicional yoruba, distorcendo o que ela tem de mais bonito e mais puro.

Será que as pessoas acreditam que o dinheiro compra tudo?
Existem pessoas em nosso meio prejudicando a imagem daquilo que mais respeitamos, que é o òrìsà.

Quando isso tudo vai ter uma solução?

A questão é histórica, o culpado é aquele que aceita o dinheiro, ou o que paga por algo que não tem direito?

 A vergonha maior é saber que tanto um como outro sempre vão procurar justificar os seus atos com boas intenções.









quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Iniciação em ifá sem mistérios




Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola

Quando se ouve falar de um itefá algumas pessoas menos avisadas imaginam algo impossível de ser feito no Brasil.

Na verdade o itefá já é feito no Brasil há muitos anos, vejo falar de tudo, leio coisas que parecem um conto de fadas, já li desde plantas especiais, até tipo de terra especial em um Igbodu, em meio a tudo isso fico imaginando o que o leigo consegue entender sobre a iniciação em ifá e as suas implicações.

É evidente que entre esses grandes números de informações destorcidos, existem duas ou três razões, a primeira delas é a falta de informações das pessoas que divulgam, a segunda eu considero pior, que é o interesse em dificultar para que se sinta a implicação direta de que quanto mais difícil mais caro deva ser cobrado.

Então seguindo os versos de ifá, vou tentar afastar os mistérios de uma iniciação, pretendo aqui descrever alguns rituais sem ofender os segredos contidos dentro do Igbodu.

Todos sabem que para que um itefa seja realizado, é necessário mais de um Bàbàláwo, na Nigéria é comum se ver, vinte Bàbàláwos para fazer um itefa, lá tudo é bem diferente daqui e os Bàbàláwos são muito unidos, todos respeitam as diferenças familiares em rituais e convivem em harmonia, o fato de necessitar várias pessoas para um itefá, poderá ser percebido conforme segue a orientação de Orunmila nesse ifá.

O trabalho que envolve uma iniciação pode ser visto de duas formas, existem dois tipos de Igbodu, o que é construído só com folhas ou aquele que já é pré-construído e abriga ìyá odu, durante todo o ano, esse segundo é mais comum, haja visto que todos sabem que mulheres não podem ter acesso a esse assentamento, então na Nigéria é comum que ìyá odu seja mantida em uma pequena construção de alvenaria ou madeira.

Outro erro que é visto no nosso país e a referência ao Igbodu, (floresta sagrada), tradução essa que é vista por leigos como a necessidade de iniciar uma pessoa em ifá no meio das matas, é verdade que em algumas aldeias retiradas, ainda tem bastante árvores, mais ninguém fica no meio do mato abandonado por três dias e três noites, me divirto quando ouço esses relatos.

Após a consulta a ifá que identifica o momento exato da iniciação e é constatada a autorização de ifá, para que aquele sacerdote dirija a cerimonia após a chegada da pessoa a ser iniciada, com todos os matérias que foram previamente comprados de acordo com a orientação do Bàbàláwo, se inicia as cerimônias, que depende da família, são em torno de 50 rituais diferentes.

Um ou dois Bàbàláwos são encarregados de preparar o Igbodu com folhas, dividindo a entrada e o espaço a ser utilizado em duas partes, um dos Bàbàláwos após a preparação do ambiente, alimenta a terra e pede permissão para construir o caminho que eleva ao ambiente sagrado, depositando na terra, búzios e dois ou três elementos a mais em número impar de um lado e par do outro lado da estrada, que dá acesso ao local, previamente preparado.

O grupo que vai participar da iniciação se divide em tarefas, enquanto a ìyá apetebi cuida dos pertences do iniciado, a Iyanifa prepara o carrego para a entrada no Igbodu, em meio a isso, o Oluwo e o Bàbàláwo amarram simultaneamente em um dos braços e uma das pernas um pedaço de tecido virgem branco que contém uma parte de um dinheiro que representam o pagamento para o inicio dos rituais.

Começa então um cortejo que se desenvolve em direção ao Igbodu, com o Oluwo na frente conduzindo Osun (antepassado), que representa o reconhecimento dos antepassados para o ritual que se inicia, seguido pelo Bàbàláwo e a ìyá apetebi, com o yangui de Èṣù, sobre a cabeça, esse ritual que apresenta o iniciado aos antepassados dos familiares retrata o esforço que ele faz para agradar as divindades, em um carrego bastante amplo, amostras de cada um dos elementos a serem usados na iniciação, são conduzidas sobre a cabeça do iniciado, acompanhado dos membros do egbe ifá, amparado pelo Iyanifa que agrada com dendê, gim, algumas divindades aos pés do cortejo.

Na entrada do Igbodu o iniciado vai estar vendado, pois até que sejam formalizados os rituais para que ele entre na parte que antecede o Igbodu, muitas coisa acontece, ele é envolvido em um clima de expectativa sentado segurando os animais e o material, enquanto o Oluwo e o Bàbàláwo oferecem Obì e orógbó para Èṣù Odara e Orunmila.

Após a autorização a venda é retirada todo material é colocado dentro do Igbodu e se inicia a raspagem do iniciado, é claro que todos entendem a razão de omitir alguns detalhes aqui, vamos seguir a descrição, deixando pequenos espaços, mas desmistificando o grosso dos rituais. Os rituais prosseguem simultaneamente, os mesmos Bàbàláwos que preparam Osun (antepassados), previamente para a cerimônia reservam uma parte das folhas que vai ser usada junto com um elemento especifico para lavar os olhos das pessoas que vão começar os rituais dentro do Igbodu.

O primeiro grupo trabalha na preparação da parte interna do Igbodu, e o segundo grupo prepara o iniciado, pode acontecer nesse espaço de tempo que um terceiro grupo busque fora elementos que caracterizam o ritual que jamais podem ser mencionados ou vistos por quem não tenha participado de tal ritual antes.
O numero de cerimônias da uma dimensão da quantidade de trabalho, esse número grande de pessoas precisa usar os banheiros que devem estar limpos e evidentemente precisa estar bem alimentados, o que implica em muito trabalho nos bastidores.

Após a entrada o Oluwo e Bàbàláwo agradam ifá, Iya odu, Osun (antepassados) e Èṣù, não necessariamente nessa ordem mais em ordem que não vamos divulgar aqui, o iniciado que antes da entrada passou por uma consulta a ifá, e por um ebó riru, agora com a cabeça raspada, vai conhecer o seu odu, que em seguida vai ser alimentado é evidente que antes disso são feitos alguns imules e antes que o awo coloque os olhos no seu ifá, da terra vai brotar o segredo.

Depois disso alguns rituais envolvendo banhos, pinturas e a preparação da nova roupa do awo, devem ser feitos de forma reservada, por pessoas do mesmo sexo, considerando o fato de que para colocar uma roupa é necessário tirar outra que vai ser despachado junto com o cabelo, em um local que não vamos definir aqui, posteriormente a isso e só posteriormente a isso, o Èṣù do iniciado vai ser alimentado, em alinhamento com o odu ifá do awo.

Após essa parte, todos os participantes fazem um intervalo onde se alimentam e planeja a segunda etapa, na segunda etapa o Èṣù da casa é alimentado, e abençoa o caminho do novo iniciado como membro do egbe.
Seguimos descrevendo evidentemente em uma ordem que não deixe nítido o teor e a sequencia dos rituais, o grupo desenvolve várias atribuições ao mesmo tempo, em um dado momento ifá do iniciado sai do Igbodu para ser alimentado fora, porque o awo deve presenciar esses rituais, e nem sempre quem participa de um itefa, em um futuro pode ter acesso a um Igbodu.

Após esses rituais pequenos rituais, mas de grande importância confirmam o awo, como membro do egbe, o awo que fez vários imules e compactuou com o segredo e assumiu a responsabilidade com a verdade, é parabenizado por todos os membros do egbe, agora montado por Orunmila em um momento único, abençoa todos os membros que participaram do itefa.

Em algumas famílias esses rituais são divididos em três partes, que podem ser feitos em três ou sete dias, a grande maioria das famílias faz em três dias, quando o awo vai ao rio em outro ritual que não podemos descrever aqui, ele se desfaz de sua vida pregressa, portador agora de um novo nome, que o identifica com uma nova vida.

Quando me propus a escrever esse texto foi sabendo que os palpiteiros de plantão vão comentar a minha ousadia, não vejo que eu esteja revelando algum segredo, esse texto tenta contribuir para o esclarecimento visando afastar, definitivamente as histórias mirabolantes do que é ser iniciado em ifá.

Do itefa ao Ìtélodú muito pouco pode ser descrito aqui, por razões bem claras, não vamos explicar as três cerimonias que diferem um itefa de um Ìtélodú.
Que fique claro:

Só um Bàbàláwo passa por um Ìtélodú.

Só um Bàbàláwo faz imules com Iya odu.

 Só um Bàbàláwo vê Iya odu

 Aquele que vê Iya odu, não incorpora.

Que um Bàbàláwo, não consulta mérìndilogun, consulta opele e ikin.

 Aquele que é submetido a um itefa pode incorporar ou não o seu òrìsà.

 Aquele que é submetido a um itefa pode ser um Babalórisá, Ìyálóòrìsà, ou Olóòrìsà, e que essas pessoas não veem Iya odu.

 Que uma Iyanifa ou Iyaonifa consulta opele e ikin, mas não vê Iya odu.

Que babalorisa não consulta mérìndilogun em cima de opon.

Que opon ifá, é um instrumento usado por Bàbàláwos e awos com permissão de seus Oluwo.

Que opele ifá, é um instrumento usado por Bàbàláwos, Iyanifas, awos, com permissão do seu Oluwo.

O itefa é uma cerimônia de iniciação em ifá.

O Ìtélodú é o reconhecimento do sacerdote por Iya odu.

O Igbodu é o local que identifica áreas com diferentes funções parte do Igbodu, só acessada pelo Bàbàláwos, a área que antecede o local onde fica Iya odu que geralmente também chamada Igbodu, é acessada por pessoas que só tem a cerimônia de itefa, ou Iyanifas. A designação de Igbodu é muito diferente da descrita em literaturas criadas por pessoas que não foram submetidas ao Itelodu.

Awo Elegan é a pessoa que é submetida ao itefa, mas que jamais vai ver Iya odu.