quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

O universo empresarial e os Òrìsàs.



Texto: Bàbáláwo Ifagbaiyin Agboola
Hoje conversando com alguns iniciados em uma tentativa de descrever a visão da religião tradicional yorubá sobre o universo, usei o exemplo de uma empresa para uma didática bastante simples, abordar a influencia dos òrìsàs em nosso dia a dia.

Se o universo fosse uma empresa: 

Olódùmarè seria o presidente.

Òrúnmìlá seria o Diretor Administrativo. 

Iya mi A Diretora Executiva.

E os Òrìsàs seriam os fornecedores de matéria prima. 

E nós seriamos dentro da empresa os representantes dos fornecedores de matéria prima, que tem a função de manter a empresa funcionando. 

Iya mi tem a sobre carga em sua biografia de ser quem ordena a execução do positivo e do negativo.
Em seu departamento tem vários chefes de setor que conhecemos pelo nome de Ajoguns. 

Iya mi para ocupar essa função assim como o próprio Òrúnmìlá tem ligação estreita com Olódùmarè.
Determinadas funções tem a exigência da confiança incondicional, assim deve ser a relação entre Òrúnmìlá, Iya mi e Olódùmarè. 

Se o fornecimento de matéria prima for cortado ou enviado de forma errada a função dos diretores deixa de existir porque não se justifica. 

Sendo assim existe um organograma pré-estabelecido e o fornecimento de matéria prima deve ser constante. 

Se a matéria prima vai para o setor que não veria ir a produção é alterada e a produção é modificada.
Assim sendo, a diretoria executiva influencia o todo.

Se a matéria prima for enviada corretamente para o departamento adequado a produção aguardada será facilitada, entenda- se:

O òrìsà feito não é errado, mas somente o òrìsà correto melhora o desenvolvimento.

Orí é o chefe do controle de qualidade que tem vários setores, um desses setores é Ìwà (caráter).
O caráter influencia o desempenho do Orí.

Dependendo do caráter o desempenho toda a produção da empresa pode ser alterada, o caráter do homem não para á natureza como um todo, mas prejudica a qualidade dela.

Nesse raciocínio Egúngún tem uma função importantíssima, ele representaria o Departamento de meio ambiente que fiscaliza a reintegração dos dejetos da produção e encaminha os restos da matéria prima usada reciclando e introduzindo novamente no local certo para um futuro reaproveitamento, entenda- se: ciclo de vida e morte.

Em meio à conversa um dos iniciados me perguntou, e Èsù como é descrito nessa sua visão?

Eu respondi, (Esu exerce a mesma função que os outros orisas, embora possamos compara-lo com um executivo que transita em vários seguimentos por conta da sua intimidade com o presidente.
Ele é o sujeito que substitui vários dos chefes de setor no período de férias, como um gerente em treinamento.

Ele entra na sala da presidência como aqueles filhos do patão que tem intimidade com o chefão.
 Ele está ali á trabalho mas, usa da prerrogativa de ser intimo em todos os setores).

Quando o departamento do controle de qualidade (orí) comete erros influenciados pelo chefe de setor Ìwà (caráter), toda a produção da empresa segue, embora algumas peças do processo sejam de baixa qualidade gerando problema a futuros.

Todo o processo segue em frente às vezes trazendo um comprometimento e prejuízo. 

Em um período de crise essas falhas se tornaram mais nítidas necessitando em um primeiro momento a recapacitar o chefe de controle de qualidade, já que é impossível a sua substituição.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Ifá e Òrìsà dúvidas frequentes (l)



Quando pensamos em criar esse texto foi com o objetivo de auxiliar as pessoas que ainda não fazem parte da nossa religião para que consigam diminuir as suas duvidas sobre a religião nativa Yoruba (Ẹ̀sìn ìbílẹ̀ yorùbá).

Autor: Ifagbaiyin Agboola.


1.       Qual a diferença de òrìsà e ifá?
Resp: Ifá é uma denominação dada ao oraculo do òrìsà Òrúnmìlá que em muitos lugares é aceita como um dos nomes de Òrúnmìlá.
Òrúnmìlá é um òrìsà como òrìsà Òkè ou òrìsà Olookun, etc.
2.       Quem é iniciado em ifá incorpora?
 Resp: Sim, o iniciado em ifá pode incorporar, não incorpora o Bàbáláwo e a Ìyánifá que são sacerdotes de Òrúnmìlá.
3.       Bàbáláwo e Ìyánifá consultam com búzios (mérindilògún)
Resp: Bàbáláwo e Ìyánifá consultam com opele e ikin.
4.       Para ser iniciado em Ifá necessita raspar a cabeça?
Resp: Se a pessoa num futuro vai exercer a função sacerdotal é necessário raspar a cabeça.
5.       Quem pode ser iniciado em ifá e òrìsà?
Resp: Qualquer pessoa pode ser iniciada em ifá e òrìsà.
6.       Quem pode ser iniciado em Egúngún?
Resp: Qualquer pessoa pode ser iniciada no culto de Egúngún.
7.       Qualquer pessoa pode fazer parte da sociedade secreta Ogboni?
Resp: Existe odus que proibi a iniciação na sociedade secreta Ogboni e também existem também odus que proíbem que a pessoa faça ebo com òrìsà Edan.
8.       Toda a folha usada nos rituais para os òrìsàs pode ser usada para fazer banhos?
Resp: Cada tipo de folha tem uma utilidade, existem folhas que não podem ser usadas em hipóteses alguma por pessoas de determinados odus.
9.       Toda a pessoa pode consultar com mérindilògún?
Resp: Somente pessoas iniciadas em òrìsà podem consultar com merindinlogun.
10.   É necessário à data de nascimento para fazer consulta em ifá ou merinlogun?
Resp: Consulta ao òrìsà não é numerologia, a data de nascimento não é necessária para a consulta.
11.   Qualquer pessoa iniciada em òrìsà pode fazer ritual fúnebre em nossa religião?
Resp: Não, é necessário ser iniciado no culto de Egúngún ou no culto de Oro para fazer rituais fúnebres.
12.   Mulher pode ser iniciada em Egúngún?
Resp: mulheres e até crianças podem ser iniciadas no culto de Egúngún.
13.   Homens podem ser iniciados no culto de Iya mi?
Resp: Homens, mulheres e inclusive crianças pode ser iniciadas no culto de Iya mi.
14.   Qualquer pessoa pode ser iniciada no culto de Oro?
Resp: As mulheres não podem ser iniciadas no culto de Oro.
15.   Qualquer pessoa pode ser iniciada no culto de Ègbé Òrùn?
Resp: Sim qualquer pessoa ser iniciada no culto de Ègbé Òrùn.
16.   Quanto tempo leva para que uma pessoa possa iniciar outras pessoas?
Resp: Cada pessoa necessita de um período que se ajuste a sua capacidade de aprendizado, embora seja exigido um tempo mínimo isso não quer dizer que após esse prazo a pessoa esteja capacitada.
17.   Qual a roupa indicada para cultuar òrìsà?
Resp: A roupa indicada é a roupa que se ajuste ao momento encontro com o sagrado.
18.   Qualquer pessoa pode sacrificar animais para os òrìsàs?
Resp: Não, somente as pessoas submetidas à iniciação em Ògún ou que sejam Bàbáláwos e Ìyánifá.
19.   Existe iniciação para ser Àràbà?
Não existe essa possibilidade, nenhuma pessoa pode ocupar Oye de Àràbà sem que tenha uma vasta experiência em ifá, um Àràbà é escolhido por aclamação dos outros Bàbáláwos de sua família.
20.   Existe iniciação para Oluwo?
Resp: Não existe iniciação para Oluwo.
Oluwo é um Oye que só pode ser ocupado por pessoas submetidas aos rituais de iniciação e que tenham notório saber.
21.   O ifá é uma outra religião separada da religião dos òrìsàs?
Resp: No território yorubá a religião dos òrìsàs tem somente um nome  Ẹ̀sìn ìbílẹ̀ yorùbá, não importa se pessoa iniciada em Osun, ifá, Ògún ou qualquer outro òrìsà é uma só religião com um único Deus, chamado Olódùmarè.
22.   Isefá é iniciação em ifá
Resp: Resp: Não, a iniciação em ifá se chama itefa.
23.   Quem fez bori é iniciado em òrìsà?
Resp: Não, só quem é submetido aos rituais de iniciação pode ser considerado iniciado.
24.   Uma pessoa que não é iniciada pode ter um òrìsà?
Resp: Sim, uma pessoa que não é iniciada pode necessitar de um assentamento de òrìsà para a sua proteção ou para uma outra finalidade que tenha sido orientada pelo oráculo.
25- Existe iniciação para Ìyá apetebi?
No ifá tradicional não existe iniciação para Ìyá apetebi, embora seja comum iniciar a esposa do Bàbáláwo Ìyá apetebi em ifá e Osun.
       

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

A bifurcação da estrada


Autor: Ifagbaiyin Agboola

Á historia da religião afro-brasileira em nosso país foi marcada ao longo do tempo por lutas, glorias e honras, situações que afastaram muitas pessoas de nossa fé.

O sexo, o dinheiro, a depravação e a falta de caráter de alguns sacerdotes prejudicaram muito a nossa religião, mas isso não foi suficiente para vencer a fé, o respeito e o amor á ancestralidade.

Os aspectos negativos que influenciaram a historia de nossa religião são insignificantes diante da vitória obtida por um grupo de homens e mulheres vitimadas pela escravidão que conseguiram conservar os rituais até os dias de hoje.

Muito foi perdido e parte dos ritos foram adulterados, mas a essência foi preservada, transmitindo um legado nunca antes visto na historia humana.

Da adversidade e da violência enfrentada por nossos antepassados a herança da fé no òrìsà foi transmitida de geração em geração.

Isso aumenta a nossa responsabilidade e nos obriga a transmitir para os nossos descendentes aquilo que nossos antepassados esperam de nós.

 Tudo que recebemos deles foi muito bom, porém vivemos em outra época, com mais recursos, desfrutando de tecnologias que nos permitem quase a perfeição, facilitando assim a transmissão de dados para nossos descendentes.

A conexão existente com o território yorubá nos dias de hoje facilita atestar a veracidade de muitas informações, mas por outro lado desmistifica dogmas esclarecendo equívocos históricos.

A bifurcação da historia, nos deixa a opção do alinhamento e da reconquista do elo que se perdeu com nossos antepassados ou a insegurança daquilo que parece tradição.

A escolha do caminho não é obrigatória ou inadiável, a necessidade de cada um é que vai descrever a urgência ou a indiferença á informação, mesmo que o final seja previsto, a verdade sobreviverá na fé ao òrìsà.






terça-feira, 1 de novembro de 2016

O sacerdote de um e noventa e nove.


Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola

A cultura de nosso país, aceita com tranquilidade, substituições e adaptações, grande parte de nosso povo até se exalta com esse tipo de situação, confundindo criatividade com improviso irresponsável, alimentando a linha invisível e paralela ao conhecimento.

Se uma pessoa lê cem livros de medicina não se torna um cirurgião, qual família permitiria que um de um de seus entes queridos fosse submetido a uma cirurgia se o suposto médico não fosse formado em medicina?

Partindo dessa interrogação, transferindo a mesma situação para a religião dos òrìsàs no Brasil, não vamos ter a mesma resposta, obvia da questão acima, então porque razão pessoas completamente despreparadas seguem recebendo credito por ações e declarações de um tema que elas não dominam.
Infelizmente as adaptações ao longo dos anos tem prejudicado muito nossa religião, o fato é que todos somos culpados, e coniventes, com esse equivoco.

Se uma pessoa que não é um engenheiro tentar construir uma grande ponte, certamente teremos um grande desastre.
O mesmo acontece no culto ao òrìsà, se a ponte que tenta ligar o ignorante a informação é a presunção do saber, evidentemente a decepção vai acontecer.

O enfermeiro que assiste vinte cirurgias do coração não é autorizado a fazer um transplante, por que então o nosso povo insiste em consultar com pessoas inexperientes e continua se baseando em textos e anúncios encontrados na internet, sobre nossa religião.

A resposta é obvia, a questão se resume a ignorância e quando muito a economia.

Pouquíssimas são as pessoas que sabem que os países desenvolvidos não tem lojas de um real e noventa e nove centavos, mas o brasileiro para economizar adapta as suas necessidades, a tais produtos, a mesmo nível de aceitação se vê com os sacerdotes.

Em todas as religiões em nosso país assistimos diariamente grandes desastres, quando não são padres que estupram as crianças são pastores que se elegem ligados ao narcotráfico ou pessoas que simulam receber espíritos.

O roubo da fé é permitido e muitas vezes avalizados pela ignorância, enquanto a desinformação der espaço para adaptações supostamente confortáveis do ponto de vista econômico as fileiras de decepcionados se multiplicarão.

A solução é a transformação da sociedade, o nível de exigência do nosso povo é muito baixo, consequentemente a prestação de serviço em quase todas as áreas é de péssima qualidade.

Temos que incentivar as pessoas á uma reflexão sobre tudo que estamos assistindo, se nosso povo for mais criterioso certamente a coragem dos inescrupulosos vai diminuir.

No território yoruba muitas pessoas que são iniciadas em ifá jamais diriam que são Bàbáláwos, mas chegando ao Brasil imediatamente se intitulam sacerdotes de Òrúnmìlá, o maior responsável por tudo isso é o nosso povo.

No território brasileiro produtos de origens duvidosas são vendidos abertamente em cada esquina e até materiais usados em cirurgias são falsificados, o que dizer então da nossa religião.

Em quanto isso em nome dos òrìsàs pessoas são iludidas, inocentes são roubados e crédulos são decepcionados.






sábado, 22 de outubro de 2016

Estudar, é preciso!



Autor: Bàbáláwo Ifagbaiyin Agboola.

No dia vinte e oito de outubro vou completar cinquenta e seis anos de religião, quando vejo a ansiedade de alguns dos meus iniciados em serem liberados para fazer iniciações, imagino que muitos não têm a dimensão exata da responsabilidade que a função de sacerdote exige.

Recordo-me que desde criança eu também tinha um grande desejo de ser um sacerdote, porém parece que tudo era diferente, não existia esse desespero pelo dinheiro, que existe hoje. Eu pensava em fazer religião por que eu sou fascinado pela cultura religiosa de òrìsà, não pensava em dinheiro porque durante toda a minha vida eu trabalhei.

Sei que a situação econômica do país deixa as pessoas muito inseguras e apreensivas e tento compreender o que gera essa pressa nos iniciados, tento me colocar no lugar deles, e sei que a situação é bastante complexa.

Porém a realidade é diferente, em quase a totalidade das profissões é exigida uma formação para habilitar  ao desempenho da função, na religião não é diferente, isso não pode ser mudado. É necessário paciência, determinação e dedicação além de muito estudo para que seja obtido um bom resultado na capacitação de um Bàbáláwo.

Na foto acima aparece o meu primeiro opon, feito de uma maneira simples e com pregos, nesse opon eu treinava como imprimir odus em areia, na mesma foto aparece o meu ifá da maneira que me foi entregue e que permaneceu por quase 18 anos, até o meu ingresso na família Agboola.

O Àràbà Awodiran declarou em uma entrevista no Brasil que o prazo mínimo para a formação de um Bàbáláwo varia de quatro a cinco anos e eu sigo essa orientação para os meus iniciados, é evidente que esse prazo mínimo é para quem estuda e se dedica muito aos estudos.

Não vejo com bons olhos as adaptações que estão acontecendo no Ifá em território brasileiro, mas acredito que com o tempo as pessoas vão entender melhor a responsabilidade que é ser um Bàbáláwo.


Ser um sacerdote de Ifá mais que tudo é honrar o nome de nossos antepassados que dignificaram essa função por centenas de anos, ser um Bàbáláwo é ter a consciência que somos eternos aprendizes de Ifá.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Os generais do Ifá.



Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola.

Desejar estabilidade no emprego e uma carreira confortável que o exército pode proporcionar, assim como alguns benefícios incluindo plano de saúde de ótima qualidade e assistência odontológica, todos gostariam de ter.

Por outro lado acordar cedo e seguir a hierarquia assim como  construir uma carreira ao longo dos anos, ninguém quer.

Como no exército, acontece no ifá, a grande maioria dos aspirantes a sacerdotes pretendem se engajar nas fileiras do culto a Òrúnmìlà já ingressando como generais.

A falta de paciência, de dedicação e de respeito à hierarquia implicam em um sistema que menospreza etapas fundamentais na construção da experiência e do conhecimento de um bom Bàbàláwo.

Esses fatos somados a total falta de critério na distribuição de cargos e títulos ofertados por alguns supostos sacerdotes nigerianos, nos levam a constatação que o conhecido, hábito de improvisar dos brasileiros está desenhando um tipo de culto a ifá no Brasil completamente diferente daquele que existe no território Yoruba.
A rede social em páginas patrocinadas atesta muitas vezes uma experiência que nunca existiu e em um quebra cabeça onde textos são montados com partes descritas por inúmeros autores o teoricamente pesquisador e internauta se disfarça de experiente conhecedor.

Pessoas sem escrúpulos impulsionados pela falta de conhecimento de seus contatos nas redes sociais terminam se passando por sacerdotes que nunca foram.

Eu denomino esses destacados, desconhecidos, como generais do ifá, embora a posturas de alguns se assemelhe a de palhaços em um picadeiro, é claro sem menosprezar aqueles que dominam a arte fazer rir.
Em qualquer profissão para que a pessoa seja reconhecida com credibilidade e prestigio existe uma composição de exigências que se ajusta de uma situação para outra, embora mantenham a essência composta por conhecimento, seriedade, dedicação, experiência e aptidão.

A queima de etapas e o embuste criado com adjetivos nas entrelinhas, somados a velha tática de dizer o que as pessoas querem ouvir seguirão dando destaque a grandes sacerdotes reconhecidos no espelho por eles mesmos.

E com eufemismo eu descrevo que os filhos dos desprovidos serão constituídos da ausência do que outrora fez parte de uma ilusão resguardada fortemente por uma inverdade com um  respaldo do imaginário.



terça-feira, 30 de agosto de 2016

IFÁ É PARA TODOS!


Babalawo Ifagbaiyin Agboola.


Não precisa ser um grande conhecedor de psiquiatria ou de psicologia para entender a versão de alguns opositores do projeto ifá é para todos.

Essas pessoas dizem que o ifá não é para todos para chamar a atenção para elas mesmas, dando a entender, que só elas são as escolhidas.

Ifá é para todos, sim, não poderia deixar de ser, pois que sentindo teria uma religião para somente uma suposta elite.

Ifá é para todos, sim e o nosso projeto está ai para justificar a nossa fé.

Acreditar que somos escolhidos contraria a teologia yoruba, somos nós que escolhemos antes de nascer ser adepto da religião tradicional e cultuar Òrúnmìlà.

Não somos especiais porque ifá teria nos escolhidos, termos escolhidos ifá é que nos torna especiais.
Mas somente Òrúnmìlà pode responder só ele testemunhou só ele sabe a verdade, sendo assim:

 IFÁ É PARA TODOS!

Essa pretensa elite que acredita ser superior por estar no ifá não conhece a verdade de Òrúnmìlà, que esta descrita no verso abaixo.


ÒTÚRÀ ÓGBÈ

Oluko Ifá gbodo ní á mu mò rá
Ati afori ti ole je omodé tabi agba
Yiò gbà tokan tokan
A d` ifá fun òtúrà
Nigba to di Babalawo làì si eya meya
Obirin tabi okunrin
Ifá nipè kó rùbo
Ko tole wole Orunmilá gegebi awo
Okunrin tabi obìnrin Ifá gbe ni
Òtúrà rùbo ebo rè gbà
Won di oju ati ara ó je eni to lokan
Oná rè sì lá ó sÌ di awo Orunmilá
Awo tolokan
Ifá kó bere
Boya omodé tabi agba
Nitorí pè ogbon ori rè ju ojo ori lo
Orunmilá jeri si
Nitorí pè Olorun gbagbo pe
Ogbon ju agbara
A d ifá fún Otura
Ni igba ti odi awo Orunmilá
Làì so pè omode tabi agba
Okunrin tabi obinrin

 TRADUÇÃO:

O aprendiz de ifá estuada com dedicação e sofrimento
Pode ser criança ou velho, o importante é ter vocação
Ele deve ser escolhido no céu.
Fizeram adivinhação de ifá para Otura quando ele aspirou ser sacerdote de ifá
Sem dizer se era homem ou se era mulher
Ifá lhe disse:
Que deveria fazer sacrifico para que  sua aspiração fosse aceita
Para que ele entrasse na casa de Orunmilá, homem ou mulher
As benções do céu não tem preferencia de sexo
Quando Otura fez o sacrifício foi concedida a sua iniciação
Seu rosto e seu corpo ficaram encobertos porque,
 o que se iniciava era a sua alma
Não se iniciava nem seu corpo e nem seu rosto
E assim teve êxito
Otura foi sacerdote de Orunmilá
O awo sem corpo!
O Awo é a alma consagrada
Ifá não perguntou se Otura era jovem ou era velho
Porque a idade a sua alma conhecia e a alma não era velha nem jovem
Porque o que deus cria somente Orunmilá testemunha e só ele sabe a idade da alma.
E só  eles sabem a idade da alma
Só eles sabem a identidade da alma
Foram às palavras de ifá para Otura, quando aspirou ser sacerdote de Orunmilá, sem dizer ser era jovem ou velho.
homem ou mulher




segunda-feira, 25 de julho de 2016

Qualidade de òrìsà não existe II

Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola
Quando escrevi o primeiro texto sobre esse assunto imaginei que seria muito fácil entender o que estava sendo postado.
Mas nesse caso acredito que no tocante a conhecida qualidades dos òrìsàs ainda existem algumas pessoas que não entenderam o que parece obvio.
Em todas as culturas, em todos os tempos, existiram inúmeras designações para uma mesma pessoa, seria o que em nosso país denominamos como apelido.
Jesus Cristo foi chamado de Messias, Nazareno, profeta, filho de Deus e Salvador, se as pessoas conseguem entender isso.
Por que as não conseguem entender quando o assunto é Òrìsà?
Trazendo o dialogo para exemplos que podemos adotar com uma didática de fácil assimilação, porém em hipótese alguma comparando os personagens.
Edson Arantes do Nascimento é conhecido como Pelé, O rei do Futebol e o atleta do século, isso é de muito fácil compreensão.
Em outro exemplo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para os metalúrgicos ele era conhecido como somente Lula. Porém na imprensa internacional a denominação para o mesmo personagem era Luiz Inácio.
Já no cenário politico é chamado de presidente, esse mesmo personagem também foi chamado por Leonel Brizola de “Sapo barbudo,” já os militares o chamavam de comunista e a igreja o denominava como “Líder Sindical”.
Essas tantas denominações pertencem a umas únicas pessoas, Luiz Inácio da Silva, qual a dificuldade em entender isso?
Se todos entendem quem é Luiz Inácio da Silva!
Por que não entendem os Òrìsàs com vários nomes?
Seria o problema do idioma?
Ou seria a acomodação dando sequência a um equivoco histórico?
De qualquer forma os inventores de qualidades de òrìsàs estão desaparecendo, ou porque as pessoas estão ficando mais cultas, ou porque a criatividades esta terminando.
Peço desculpa aos meus leitores por ter que usar esse tipo de linguagem e citando o personagem do ex-presidente e Pelé como exemplo em um texto religioso, mas a grande maioria da população do nosso país precisa desses exemplos para entender que um único òrìsà possa ser citado com vários nomes, em diversos lugares.
Na Religião tradicional Yoruba todo Orixá tem varios nomes, é muito fácil entender.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Oxum a dona do jogo de búzios (Èrìndílógún)


Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola
Dando continuidade á série de postagens denominadas ( textos para iniciantes) postada por nós em nossa página e no nosso blog, reafirmamos o compromisso com a divulgação da religião tradicional yoruba conforme praticada na Nigéria.

O conhecido jogo de búzios foi trazido para o Brasil do da Nigéria, como todos sabem existem alguma variáveis referentes às praticas religiosas no território yoruba, mas o principio é único.

O conhecido com jogo de búzios (ẹẹ́rìndínlógún), é uma entre as varias formas existentes de oraculo na religião yoruba.

O ẹẹ́rìndínlógún é usado na pratica da religião dos òrìsàs em varias localidades na Nigéria, porém para o mesmo sistema de oraculo existem pequenas diferenças nos rituais de um estado para outro.

O que ninguém pode negar é que a origem do jogo de búzios esta descrita nos versos de ifá, no odu Ogbe Sa fica evidente que esse oraculo foi dado para Osun por Orúnmìlà.

Isso não quer dizer que pessoas de outros òrìsàs sejam proibidos de usar esse sistema.

Na verdade quase todos os iniciados em òrìsà deveriam ter a oportunidade de estudar os versos, próprios, para o jogo de búzios.

Para aqueles que não tiveram oportunidades de acessar uma boa literatura sobre o assunto, indico o mais completo de todos os trabalhos escritos até hoje Sixteen Cowries.

Outros autores assim como William Bascon também escreveram sobreo ẹẹ́rìndínlógún, mas o trabalho mais completo e mais respeitado é o livro Sixteen Cowries.

Os rituais de consagração do eèrìndílógún envolvem sacrifício para Èṣù e Osun, embora existam outras formas de consagração, o oraculo também pode ser alimentado com o òrìsà correspondente à iniciação do olóòrìsà.

A variável de rituais é extensa passando por métodos que usam o ibo para identificar se o odu da consulta está negativo ou positivo, até outros métodos que utilizam uma quantidade superior ao conhecido sistema com dezesseis caracóis.

Nenhum desses métodos esta errado, mas para um iniciado em ifá o importante é o que esta descrito em seus versos.

Com respeito ao texto postado por nós sobre o eérìndílógún seguem os seguintes esclarecimentos.
Sobre a Bibliografia consultada:

O maior e mais completo livro sobre o jogo de búzios escrito em toda a história, Sixteen Cowries.
* Ler na página (18).

Sixteen Cowries

According to Yoruba myths, sixteen cowry divination was introduced
by the river goddess, Qshun. She learned it from Qrunrnila (Ifa)...
(De acordo com mitos iorubás , o método de dezesseis búzios para adivinhação foi introduzido
pela deusa do rio, Oxun, ela aprendeu com Orunmilá ( Ifa )
while she was...
living with him, although some Qshun worshipers deny this. In one version,
while she was still learning Ifa, Qshun began divining for Qrunmila's clients
when he was not at home, and when he learned of this he drove her away;
this is why Qshun did not fully learn If a divination (Bascom 1969B: 90). This
incident does not occur in the following myth about how Qrunmila and
Qshun learned divination, as recorded by Salak9. His version also differs from
the widely held belief that it was Olodumare, the Sky God, who assigned the
deities their powers; here this function is attributed to Salakq 's own deity,
identified as Orishala Qshyrygbo, with Apodihqr9 as another of his praise...

William Bascom

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Quem Foi Bascon?
William Russel Bascom (nasceu Princeton, Illinois, 23 de Maio, 1912 - faleceu 11 de Setembro, 1981) foi um folclorista, antropólogo, e diretor de museu dos Estados Unidos.
Bascom completou a sua B.A. na Universidade de Wisconsin-Madison, e obteve seu Ph.D. em antropologia na Universidade Northwestern por Melville J. Herskovits em 1939. Ele ensinou na Northwestern, Universidade de Cambridge, e a Universidade da Califórnia em Berkeley, onde também foi Diretor do Lowie Museum of Anthropology. Durante a Segunda Guerra Mundial, juntou-se ao O.S.S. e, juntamente com Ralph Bunche co-autor de um volume não assinado, A Pocket Guide to West Africa em 1943.

Bascom era um especialista na arte e na cultura da África Ocidental e da diáspora africana, especialmente a Yoruba da Nigéria. Vários de seus artigos sobre Folkloristics (Folkloristics é o estudo acadêmico formal do folclore) servem como textos nos cursos de pós-graduação em folclore.

Em um artigo importante publicado em 1954, Bascom argumentou que o folclore pode servir quatro funções principais em uma cultura:

Folclore permite às pessoas escapar da repressão que lhes são impostas pela sociedade.
Folclore valida cultura, justificando seus rituais e instituições para aqueles que executam e observa-os.
Folclore é um dispositivo pedagógico que reforça a moral e os valores e constrói sagacidade.
Folclore é um meio de aplicação de pressão social e exercendo controle social.
Obras mais importantes[editar | editar código-fonte]

"The Relationship of Yoruba Folklore to Divining," Journal of American Folklore (1943).

The Sociological Role of the Yoruba Cult-Group (1944)

Ponape: A Pacific Economy in Transition (1947)

"Four Functions of Folklore," Journal of American Folklore (1954)

"Urbanization Among the Yoruba," American Journal of Sociology (1955)
A Obra de Bascon:

"Verbal Art," Journal of American Folklore (1955)

co-editor, with Melville J. Herskovits, Continuity and Change in African Culture (1959)

"Folklore Research in Africa," Journal of American Folklore (1964)

"The Forms of Folklore: Prose Narratives," Journal of American Folklore (1965)

The Yoruba of Southwestern Nigeria (1969)

Ifa Divination: Communication Between Gods and Men in West Africa (1969, recipient Pitrè 
International Folklore Prize)

African Art in Cultural Perspective: An Introduction (1973)

"Folklore, Verbal Art, and Culture," Journal of American Folklore (1973)

editor, African Dilemma Tales (1975)

editor, Frontiers of Folklore (1977)

Sixteen Cowries: Yoruba Divination from Africa to the New World (1980).

Sobre a Bibliografia consultada:

Osun across the Waters

(Osun and the Origins of the Ifa´ Divination)
Ler página (141).

Osun across the Waters

Let us begin with the popular view that Osun

was introduced to Ifa´ divination

by Orunmila

Several verses of Ifa´ tell us about this.

For example, a verse of Ogbe Osa
states that 

Orunmıla created the sixteen-cowry divination system and gave it
to ...
(Orunmıla criou o sistema de adivinhação de dezesseis búzios e deu
para Osun como uma recompensa por ter salvado sua vida).

Quem é Wande Abimbola?

Wande Abimbola (nascido em 24 de dezembro de 1932) [1] é um nigeriano acadêmico , professor de língua iorubá e da literatura, e ex-Vice-Chanceler da Universidade de Ifé (agora Obafemi Awolowo University ), e também serviu como o líder da maioria o Senado da República Federal da Nigéria .
Ele foi instalado como aWise Awo Àgbàyé em 1981 pelo Ooni de Ife sobre a recomendação de um conclave de Babalawos de Yorubaland .

Abimbola recebeu seu primeiro diploma em História pela University College, Ibadan , em 1963, quando que a faculdade era filiado à Universidade de Londres . Ele recebeu seu Mestrado em Linguística da Universidade Northwestern , em Evanston, Illinois , em 1966, e seu Doutorado em Filosofia em iorubá Literatura pela Universidade de Lagos em 1971. Abimbola foi o primeiro graduado do PhD da Universidade de Lagos. Ele se tornou um professor catedrático em 1976. [1].

Abimbola ministrado em três universidades nigerianas, nomeadamente a Universidade de Ibadan 1963-5, Universidade de Lagos 1966-72, e da Universidade de Ife 1972-91. [1] Ele também ensinou em diversas universidades norte-americanas, incluindo a Universidade de Indiana , Amherst College , Universidade de Harvard [ carece de fontes? ] , da Universidade de Boston , Universidade de Colgate , e, mais recentemente, a Universidade de Louisville . Abimbola tem escrito livros sobre a cultura Ifá e Yoruba. Em 1977, de Abimbola Ifá Adivinhação Poesia foi publicado pela editora NOK.

A Obra de Abimbola:
Administração da universidade:
1982-1990 Vice-Chanceler da Universidade de Ile-Ife (agora Universidade Obafemi Awolowo).
1977-1979 Dean, Faculdade de Letras da Universidade Obafemi Awolowo, Ile-Ife.
1975-1977; 1979-1980; 1981-1982 Chefe do Departamento de Línguas e Literaturas Africanas, Universidade Obafemi Awolowo, Ile-Ife. (Wande Abimbola foi o fundador deste departamento.)
Experiência acadêmica
2004-2005 Distinguished Visiting Scholar no Departamento de Estudos Liberais, Universidade de Louisville, Louisville, KY.
1999 Professor de Ciências Humanas do Departamento de Inglês da Universidade Colgate, Hamilton, Nova Iorque.
1998-2003 Professor no Departamento de Religião, da Universidade de Boston, Boston, MA.
1997 Professor de Humanidades em Africana e Estudos Latino-Americanos da Universidade Colgate, Hamilton, Nova Iorque.
1996-1997 Fellow, WEB Du Bois Instituto e Departamento de Estudos Afro-Americanos, Universidade de Harvard, Cambridge.
1990-1991 Scholar-in-Residence e professor visitante de Estudos Negros, Amherst College, Amherst, Massachusetts.
1980-1981 Visiting Henry R. Luce Professor of Comparative ética religiosa, Amherst College, Amherst, Massachusetts.
1976-1990 Professor de Línguas e Literaturas Africanas, Universidade Obafemi Awolowo, Ile-Ife, Nigéria.
1973 Professor Associado de Folclore, da Universidade de Indiana, Bloomington, Indiana.
1971 Visiting Professor Assistente de Folclore, da Universidade de Indiana, Bloomington, Indiana.
1966-1972 Docente, Escola de Africano e Estudos Asiáticos da Universidade de Lagos, Lagos, na Nigéria.
1963-1965 Júnior Research Fellow, Instituto de Estudos Africanos da Universidade de Ibadan, Ibadan, Nigéria.
Compromissos de serviço política, cultural e pública
2005-to Director data, UNESCO Proclamação da adjudicação do Património Cultural Imaterial para a Nigéria, Matérias: Ifa.
2003-2005 Conselheiro do Presidente nigeriano em Assuntos Tradicionais e Assuntos Culturais, Gabinete da Presidência,
República Federal da Nigéria, Abuja, Nigéria.
1995-1998 Membro do Conselho de Religiões do Mundo.
1992-1993 Senado Majority Leader, Senado da República Federal da Nigéria, Abuja, Nigéria.
1992 Assessor Especial do Governador do Estado de Oyo, na Nigéria.
1990 to-date Instalado como Asiwaju Awo de Remo, Nigéria.
1988-1989 Membro do Comité Executivo da Associação das Universidades do Commonwealth.
1986 to-date Instalado como Elemoso de Ketu, República do Benin.
1981-até à data Presidente, Congresso Internacional de Orisa Tradição e Cultura.
1981 to-date Instalado como aWise Awo Ni Agbaye (literalmente porta-voz Mundial para Ifa e Yoruba Religião ).
1981-1989 presidente, Conselho de Administração, Oyo State College of Arts and Science, Ile-Ife.
1979-1982 presidente, Comitê Estadual Turístico Oyo.
1978-1984 presidente, conselho de administração, da Universidade de Ife Pensões Limited.
1976-1978 presidente, Oyo State Broadcasting Corporation.
1974-1984 presidente, Conselho de Governadores, Oliver Batista da High School, Oyo.
1974-1976 presidente, Oyo Health Board Zonal e Membro do Conselho Estadual de Saúde.
1971-até à data consagrada como Babalawo (Ifa Priest).
Outra experiência profissional [ editar ]
1972-1979 Editor, Yoruba , Jornal da Associação de Estudos Yoruba da Nigéria.
1970-1972 Editor, Lagos Notas e Registros , Boletim do Instituto de Estudos Africanos e Asiáticos, Universidade de Lagos, Lagos, na Nigéria
.
*Qualquer pessoa que acreditar que tenha um currículo para contestar esses grandes homens deve fazer um trabalho semelhante e tentar provar o contrario!

O ato de ter razão limita a visão dos seres, poucos de fato, se dão ao direito de observar com outro ponto de vista, isso é o imediatismo da razão.

O que é a razão se não, muitas vezes, apenas, a sensação temporária de estar certo.
Mais esclarecimentos: