sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Obrigação de ano para òrìsà.


Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola.

Quando eu ouço falar em obrigação de um ano ou de sete anos algumas associações me ocorrem, minha mente automaticamente por ser associativa dispara inúmeros questionamentos:

Você se alimenta uma vez por ano?

Você coloca credito no seu celular uma vez por ano?

Você coloca gasolina no seu carro uma vez a cada sete anos?

É estranho pensar que algumas pessoas imaginam que o òrìsà fica lá no assentamento a disposição delas e que eles respondem todos os dias para proteger as pessoas como retribuição a uma suposta obrigação anual.

O individuo que raciocina assim é o mesmo que tem em sua mente uma receita de bolo para ebó e para as iniciações e as chamadas obrigações anuais, como pode alguém ser tão pretencioso que supõe mesmo até um ano antes imaginar a data e aquilo que o òrìsà vai aceitar?

Será que esse povo pensa que o òrìsà esta ali a disposição deles e que ele é um prestador de serviço?

É comum chegar pessoas minha casa para consultar dizendo que na obrigação de um ano vai ser oferecido um determinado presente para o òrìsà, é difícil para mim que vivo o òrìsà todo dia entender essa forma de pensar. Imaginem você em uma relação afetiva buscar contato com a pessoa amada uma vez por ano, imagine você beijar os seus filhos uma vez por ano, tente imaginar você recebendo carinho somente uma vez por ano!

Se você precisar do atendimento médico e o plantonista do hospital informar a você que só daqui um ano você vai ter direito ao atendimento, como você vai se sentir?

Se a relação entre os homens ficar prejudicada em um contato único anual imaginem com as divindades considerando o nível de exigência de alguns indivíduos que querem resolver a vida sentimental, profissional e espiritual em um único contato com o òrìsà.

A inocência ou a ignorância não desculparia tal raciocínio por questão óbvia, se o òrìsà nos abastece da mesma forma que a água mata nossa sede, como é possível imaginar uma relação tão fria e sem afeto.

Alguns iniciados rezam para os orixás todos os dias e fazem seus pedidos diariamente, mas tem o habito de agradecer uma vez por ano.

O que será que esse povo imagina que é o òrìsà?

Algumas pessoas quando vão namorar no motel ou abusam um pouco mais da bebida, ficam bem à vontade porque imaginam que o òrìsà está na casa de asé, esquecem elas que o òrìsà tudo vê e tudo sabe.

 Talvez essa forma de pensar complemente o raciocínio acima descrito, pois se o òrìsà esta a minha disposição ele vai aceitar ficar esperando que o efeito da bebida passe ou que eu saia do motel para que ele se aproxime.

 Se o òrìsà é na mente desse pessoal somente um servidor que vai responder quando eles chamarem, então ele vai aceitar aquilo que eles oferecerem e quando eles quiserem, pensam os idiotas!

Esse tipo de òrìsà imaginado por esses desavisados, totalmente sem vida e sem vontade, quando invocado nas comumente descritas obrigações de ano, respondera da mesma forma que foi tratado durante o ano.  

Será que alguém acredita que ser iniciado para òrìsà é isso?






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