sábado, 23 de janeiro de 2016

Orunmila explica.




Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola.

 Hoje um de meus leitores me perguntou sobre Orí méjì em yoruba à palavra Orí que dizer cabeça e a palavra méjì quer dizer dois, em português uma tradução que deixaria muita gente feliz seria “aquele que tem duas cabeças,” mais na realidade essa forma de traduzir não se aplica ao fato descrito por muitos na religião afro brasileira.

Partindo do pressuposto que nossa religião foi trazida do território yoruba, os yorubas deveriam conhecer esse fato a não ser que seja algo que foi criado por outras circunstâncias.

Ao longo de anos atendendo pessoas iniciadas conclui que é uma grande casualidade que as mesmas pessoas que se dizem Orí méjì tenham uma enorme insegurança sobre qual seria o seu verdadeiro Òrìșà, também pudera, quase sempre que esse termo é usado é em razão da falta de certeza do oficiante dos atos que com medo de errar mata dois coelhos com um só tiro.

A verdade é que todas as pessoas podem ser iniciadas para inúmeros Òrìșàs, mas somente um irá lhe conectar com a sua verdadeira realidade ancestral.

No ifá aprendemos que em um odu respondem varios Òrìșàs sendo assim a partir do odu de nascimento iniciações múltiplas são costumeiras, mas nada que implique em incorporações múltiplas e múltiplas personalidades, se fosse assim uma pessoa poderia acordar com a coragem típicas dos filhos de Ògún, passar o dia com senso maternal dos filhos de Yemonja e a noite viver um conflito de bipolaridade se desculpando que esta tendo uma influência de Ibejì.

Se isso acontecesse os iniciados em Òrìșà seriam retratados como doentes mentais ou coisa semelhante.

Quando uma pessoa sem caráter não sabe a resposta a uma pergunta a falta de humildade o proibi de perguntar e ele termina inventando uma resposta que desculpe a sua ignorância, isso tem acontecido ao longo da historia com pessoas que não estão preparadas para exercer a função de sacerdote na religião dos Òrìșàs.

Graças a facilidade criada pelos mecanismos de comunicação nos dias de hoje esse povo criativo termina sendo desmentido com muita facilidade.

Se em todos os odus respondem Èsu, Òrúnmìlà e ìyá mi, além de outros Òrìșàs, imaginem administrar a vida religiosa baseada na tradução de duas palavras, teríamos em nosso território muitas pessoas incorporadas com ìyá mi Osoronga e Òrúnmìlà.

Me custa crer que as pessoas ainda não tenham entendido a necessidade do estudo permanente de um bom sacerdote de Òrìșà, na Nigeria, em qualquer outro país e sobretudo no Brasil.




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