terça-feira, 23 de março de 2021

Curso Filosofia e Teologia Yoruba - Módulo Intermediário

 



Escola Superior de Ifá (Èsì)

 Curso de Filosofia e Teologia Yorùbá

 Módulo Intermediário


Aula (1) - A Água, a Folha e a Pedra

 

“Certamente que encontrar a essência do Òrìṣà, não é ir à África, existem várias essências no ritual de culto aos Òrìṣàs, nunca deveríamos confundir com ir até as origens...”

Ifagbaiyin Agboola.

 Durante a iniciação de uma pessoa de Ọ̀ṣun, retiramos a água do rio que será usada nos rituais, essa é uma das várias formas de extrair a essência do Òrìṣà, assim como, quando preparamos as folhas maceradas ou calcinadas estamos extraindo também parte do conjunto necessário ao culto do Òrìṣà.

Em seu igbá, no momento em que seguramos em nossas mãos um minério de ferro e invocamos o Òrìṣà, poderemos sentir a presença de Ògún, do mesmo modo, quando retiramos das águas do rio um belo òkúta (pedra) da cor amarelada, que não possui nenhuma rachadura obteremos também uma das essências de Ọ̀ṣun.

O branco do òkúta de formas delicadas representa certamente um dos princípios de Ọbàtálá, que associado a outras essências como: as folhas corretas, o ẹfun e o chumbo, formam um conjunto de elementos que caracteriza o início do assentamento, porém, o ọfọ̀ (encantamento sagrado) pronunciado simultaneamente com o àṣẹ de quem o pronuncia é que irá concluir o ritual.

O acerto ou o erro na escolha do sacerdote vai caracterizar o sucesso ou o fracasso de uma iniciação.

Aula (2) - Colcha de Retalhos e o Ifá

 

Constantemente sou procurado por pessoas que alegam que suas vidas estão paradas e que os resultados esperados por elas com a religião, não aconteceram...”

Ifagbaiyin Agboola.
 
É muito importante compreendermos que a casa de Òrìṣà não é agência de emprego e muito menos consultório ou clínica especializada no tratamento de disfunções sentimentais e psicológicas.
Podemos observar pessoas que se dizem com problemas espirituais e nos surpreendermos quando uma pessoa que cultua Òrìṣà, possui um assentamento de èṣù tranca rua, outro de pomba gira, o famoso assentamento de caboclo, como se o caboclo pudesse ser assentado, além de uma bandeira branca hasteada para tempo, sendo assim, essa mesma pessoa ainda incorpora com um baiano, um èṣù catiço, um caboclo, um preto velho, um cigano e ainda entra em transe com seu primeiro, segundo, terceiro, quarto Òrìṣà e etc., formando-se assim, uma verdadeira colcha de retalhos e causando espanto de ainda se encontrarem lúcidos.
Seguindo a linha de raciocínio, levanto as seguintes indagações. Se a casa é de culto a Òrìṣà, é necessário ter èṣù de Òrìṣà? Por que a bandeira branca hasteada, sendo que ela pertence ao culto de Inkices?
Sendo o caboclo pertencente à religião conhecida como umbanda, como poderá existir um assentamento de caboclo? A imaginação e a criatividade de alguns gerou regras inquebrantáveis para outros.
E agora a bola da vez é Ifá, o último pedaço de retalho que faltava para terminar a colcha da ignorância. E ainda pessoas exigem que tudo isso funcione em seus benefícios, desconhecendo as regras básicas que aplicamos quando temos discernimento e coerência.
A situação se complica mais ainda diante de tais absurdos quando nos deparamos com o comodismo de supostos espiritualistas, que incorporam as mais variadas entidades e nenhuma delas intervém diante a conduta e o comportamento do indivíduo. Fica a pergunta: Será que essa pessoa recebe algum espírito mesmo?
A mistura de cultos afro-brasileiros, com superstições europeias misturados com o afro-ameríndio baseado na doutrina católica, gerou muita decepção além da perda de tempo e muito dinheiro. Mas como dizia o velho sábio: cada um é rei em sua casa e pode fazer a colcha com os retalhos coloridos que quiser.
É lamentável, mas grande parte do nosso povo gosta e ainda idolatram esses indivíduos que praticam esse misto de religião, cada um acredita no que quiser, só não vale culpar aos Òrìṣàs pelo seu comodismo e incoerência, mas sim à sua ignorância.

 
 

 Infelizmente já não me surpreende mais o grande número de pessoas que se afastam do culto a Òrìṣà, a grande maioria delas tentam de toda forma encontrar uma solução para os seus problemas, porém, depois de muito tentar, terminam se afastando de seus sacerdotes e muitas vezes até mesmo da religião...”

Ifagbaiyin Agboola.

 Na maioria dos casos, podemos observar dois fatores específicos que contribuem para que o fato citado anteriormente aconteça. O primeiro é a carência de conhecimento da verdadeira proposta religiosa do culto a Òrìṣà e o segundo é o despreparo e a falta de critério de muitos sacerdotes.

Conforme estudado em aulas anteriores na tentativa de explicar muitas das falhas ocorridas ao longo do tempo em nossa religião, ficou claro para nós que existem regras dentro do culto de Òrìṣà.

Nessa aula iremos seguir um raciocínio paralelo na tentativa de evidenciar as falhas que constatamos no dia a dia, e também considerando as experiências adquiridas no atendimento de ex-praticantes da religião em diversos estados do nosso país.

A grande maioria das pessoas entram para a religião buscando solução para problemas que muitas vezes estão incluídos em uma demanda ansiosa por respostas que jamais serão encontradas. O sagrado pode ser acessado, porém, jamais vai ser desmistificado sem estudo e dedicação. A falta de conhecimento implica diretamente na exacerbação do inimaginável como solução. 

A máxima de que, se não há uma resposta, se inventa uma, contribui para o descrédito de muitos sacerdotes, ocasionando diretamente o afastamento de milhares de adeptos.

Com relação aos dois elementos citados como desencadeadores dos fatos em andamento abordaremos a partir de agora os fatos que comprometem o desenvolvimento da relação iniciado e iniciador e pelo iniciado ou adepto.

Embora não tenhamos a intenção de nos intitular como donos da verdade. A nossa opinião é fundamentada naquilo que acreditamos, sempre dispostos a ouvir outras opiniões.

Iniciado ou adepto: A expectativa criada em nossa religião para as soluções divinas não é sentida no catolicismo, nem no judaísmo e nas demais religiões, seria por que o nosso Deus é mais poderoso? Ou por que se criou uma ilusão sobre a temática da influência divina em nosso dia a dia na mente de nossos adeptos?

Compreende-se que Deus é único e devido à escassez de informação gera a incapacidade de raciocínio de nossos adeptos, resultando diretamente na decepção e no afastamento da religião. Se Olódùmarè e os Òrìṣàs estivessem à nossa disposição para solucionar todas as nossas dificuldades, sejam elas na área sentimental, financeira, profissional, enfim, a pergunta que faço a você é a seguinte: qual seria o motivo para estarmos vivos?

Quando você sabe o que esperar da sua fé a decepção com o divino não existe, a felicidade se acentua e o destino é visto com a certeza que, a maioria dos acontecimentos em nossas vidas foram resultados das nossas próprias escolhas.

A força superior existe e pode ser invocada por nós, ela nos ouve e nos responde, mas, infelizmente na maioria das vezes não escutamos a sua voz devido as nossas imperfeições.

O iniciador, ou seja, o sacerdote: Abordaremos a questão do sacerdócio nessa aula exclusivamente ao que se diz respeito ao conhecimento, e do preparo do oficiante dos rituais, considerando que a ética já foi abordada por nós em outras aulas. Vamos analisar a iniciação como fato isolado do elemento gerador do afastamento dos adeptos de nossa religião considerando o relato dos mesmos, embora em nossa opinião, tais fatos se originem em uma gama bastante variada de implicações.

Tomaremos como exemplo uma iniciação no Òrìṣà Ògún. Partindo do princípio que a teologia Yorùbá explica que os Òrìṣàs se originam através dos odùs. Suponhamos que o iniciador esteja se orientando pelos versos sagrados de Ifá, sendo assim, haveriam inúmeras formas de acesso ao mesmo Òrìṣà, devido à variedade de odus com conteúdos diferenciados.

Assim sendo, se o iniciador acessar o Òrìṣà Ògún no odù Ìwòrì Méjì, o conflito armado envolvendo a vida do iniciado poderá se tornar uma constante em seu dia a dia. Bem como, se acessado pelo odù Ògúndá Òfún, implicará em situações que poderão atrair o ilícito para o caminho do iniciado. Por outro lado, uma iniciação do Òrìṣà Ògún, realizada através do odù Ògúndá Ìròsùn, se bem aplicada, deverá resultar diretamente em prosperidade e ascensão do adepto.

A variedade de odùs que poderão ser aplicados para o culto do mesmo Òrìṣà é muito ampla, o que irá determinar qual o odù que será utilizado na iniciação será através de consultas prévias e as circunstâncias recorrentes na vida do iniciado, sejam elas positivas ou até mesmo negativas.

Imaginem que se em uma consulta o odù é fator determinante, o que dizer então de uma iniciação. Somente, com uma profunda qualificação e conhecimento sobre Ifá, é que o sacerdote poderá conduzir os rituais pelos melhores caminhos a serem seguidos.

Podemos afirmar que um dos fatores determinantes para o grande número de pessoas que se decepcionam e que até mesmo se afastam da religião seria a escassez de conhecimento sobre odù em nosso país por parte dos sacerdotes.

Tomamos como exemplo uma mesma iniciação aplicada em duas pessoas com diferentes resultados sem que tenhamos uma explicação lógica, onde, o que foi positivo para o Pedro, pode não ser para o João, as mesmas cerimônias que foram realizadas para o João, poderão ser insuficientes para o Pedro.

Imaginemos agora a mesma iniciação no Òrìṣà Ògún, que por despreparo do sacerdote se baseou no odù Ògúndá Ìwòrì, odù esse que fala da fúria desse Òrìṣà, por falta de conhecimento e despreparo do iniciador poderá levar à ruína a vida dos iniciados.

Na verdade, se diminuirmos os anseios dos iniciados oferecendo mais informações e capacitarmos mais os iniciadores, o fluxo de abandono da nossa religião será bastante reduzida. Através da divulgação da palavra de Ọ̀rúnmìlà por bons sacerdotes. Bàbáláwos bem preparados poderão reverter o processo de evasão das casas de Òrìṣà.

Para isso, é necessário o entrosamento entre os adeptos e os sacerdotes de Ifá e Òrìṣàs, caso contrário, jamais poderemos explicar para a população aquilo que elas anseiam dos Òrìṣàs, sem um estudo profundo dos versos de Ifá. Tentar justificar o que se desconhece, é menosprezar os anseios daqueles que tem fé.

  

Aula (4) - A Educação no Àṣẹ

 

Outro dia em uma conversa com um amigo que tenho grande consideração fui surpreendido por uma frase que ele me disse: “Você Ifágbaíyin é um sacerdote privilegiado, você tem uma ótima formação, a maioria dos sacerdotes não tem a sorte que você teve, você recebeu uma bela educação de àṣẹ.” Seguimos conversando e me lembrei imediatamente da mãe Stela de Ọ̀ṣọ́ọ̀sì do Opô  Afonjá, que escreveu um belo livro sobre isso que tem como título: “Meu tempo é agora", na mesma hora pensei em escrever na tentativa de contribuir para a formação de  nosso povo, embora pense que na verdade isso faça parte da educação que recebemos na infância...”

Ifagbaiyin Agboola.

Sempre que estamos na presença de um mais velho escutamos mais do que falamos. Sempre que vamos nos alimentar com um mais velho, ele é servido primeiro.

Quando vamos entrar em algum lugar o mais antigo entra primeiro. Jamais um mais jovem senta enquanto seu mais velho está de pé. Quando chegamos a uma casa de Òrìṣà saudamos os Òrìṣàs primeiro e não as pessoas.

A mulher se posiciona à esquerda do homem nos rituais. O mais velho se posiciona à esquerda do mais novo. O ìlẹ̀kẹ̀ identifica o iniciado, o fio mais longo identifica o principal Òrìṣà na feitura do awo ou olórìṣà.

Homens sempre devem cobrir suas cabeças com fìlà e mulheres jamais devem deixar o cabelo para fora do pano de cabeça. Sempre quem saúda é quem entra no ambiente. Quando vamos a uma casa de Òrìṣà levamos obì, orógbó, flores, mel, dendê etc. como presentes.

Jamais devemos dançar ou rezar para os Òrìṣàs sem tirar os sapatos. Se não queremos fazer ẹbọ ou ètùtù não devemos consultar. Se não vamos cumprir as indicações dos Òrìṣàs é preferível não consultar.

Um olórìṣà sabe sua posição na hierarquia por cargo ou por data de iniciação, um awo sabe sua posição na hierarquia pelo cargo ou pela ordem do odù de iniciação.

Como já abordado em aulas anteriores citamos aqui mais algumas maneiras de como se comportar dentro de uma casa de Òrìṣà para o aprendizado de uma boa educação de àṣẹ, onde, deveríamos aprender na infância, mas, não é difícil de entender a falta de educação do nosso povo é só observamos com atenção o salário de um professor comparado a um jogador de futebol.

 

Aula (5) - Iṣẹ́fá: Pré-Iniciação Em Ifá

 

O Ifá da segurança ao iniciado e isso faz com que ele desenvolva uma qualidade de vida jamais experimentada, a certeza que a pessoa está no caminho certo fortalece os planos para o futuro com a convicção que o sonho não é impossível...”

Ifagbaiyin Agboola.

Qual a influência de Ifá no dia a dia das pessoas iniciadas? Quando a pessoa identifica a sua origem, ele planeja o futuro com os olhos no presente e o coração cheio de elementos que o fortalecem vindos do passado.

Suponhamos que o Òrìṣà é o veículo na estrada da vida e Ọ̀rúnmìlà Ifá é o mapa que indica qual o caminho que deverá ser seguido. Para quem não foi iniciado em Ifá, isso que acabamos de supor pode parecer estranho, mas, imaginem como a vida será encarada de forma mais compreensível se soubermos em que momentos somos mais fortes e em que situações nos tornamos mais vulneráveis.

A decisão é livre, você escolhe o caminho, mas, se tivermos informações privilegiadas sobre o nosso destino, errar se tornará uma opção mais difícil, e a escolha correta será bem mais clara e visível para tomada de nossas próprias decisões.

A verdade é que Ifá, beneficia em muito todo aquele que foi iniciado, assim como, o pré-iniciado, ou seja, aquele que fez somente Iṣẹ́fá. No Iṣẹ́fá, o pré-iniciado receberá orientações do melhor caminho a ser seguido, assim como, o Òrìṣà mais indicado a ser cultuado, embora algumas famílias não dão nome para quem faz Iṣẹ́fá, ele também poderá receber um nome para ser identificado dentro da Ẹgbẹ́, além de outras questões.

Ifá é único, mas, as famílias e as interpretações de Ifá, podem ser diferentes, o bom sacerdote é aquele que respeita as diferenças, afirmar como verdade absoluta que no Isefá, não se recebe nome é se intitular o dono da verdade.

 

Aula (6) - Iṣẹ́fá e Ìtẹ̀fá


Abordaremos através dessa aula certos esclarecimentos sobre Iṣẹ́fá e Ìtẹ̀fá, ritos esses que estão se tornando cada vez mais populares no Brasil e consequentemente gerando bastante dúvidas para o nosso povo. Obviamente, respeitando as diferenças de cultos de cada família e região, porém, difundindo os procedimentos dentro do seguimento que professamos.

Em nossa família consideramos o Iṣẹ́fá uma pré-iniciação, onde, toda pessoa que é submetida a um Iṣẹ́fá, receberá um nome, além das orientações do Odù revelado. Se dentro dessas orientações ocorrer a indicação que a pessoa deverá se tornar um bàbáláwo ou uma ìyánífá, o Ifá será alimentado novamente em um novo ritual e um ọ̀pẹ̀lẹ̀ de cabaça será consagrado para o início de seus estudos, sendo assim, o pré-iniciado poderá ser reconhecido também como Awo Kékeré, esse tipo de situação poderá ocorrer quando o pré-iniciado recebe como orientação em seu Iṣẹ́fá, um odù méjì, assim como, diversos outros odus que indicam essa necessidade.

Para mais fácil compreensão das categorias dos devotos de Ifá, teremos os pré-iniciados, ou seja, aqueles que possuem Iṣẹ́fá, que são categorizados como Ọmọ Ifá, diferente daqueles que se submeteram ao Ìtẹ̀fá, que são categorizados como Awo Ifá, em nossa família utilizamos essas duas categorias e ainda Awo Kékeré, que literalmente significa pequeno segredo, que faz referência ao sacerdote em desenvolvimento, Awo Kékeré é uma categoria utlizada para aquelas pessoas que foram indicadas por Ọ̀rúnmìlà,  ao Ìtẹ̀fá e Ìtẹ̀lodù e que venham a ser futuros sacerdotes, onde, deram início aos estudos na pré-iniciação, ou seja, no Iṣẹ́fá, quando Ọ̀rúnmìlà orientou através do odù que aquela pessoa possuia caminho sacerdotal.

É importante esclarecermos que o Iṣẹ́fá, não é uma cerimônia obrigatória para realizar um Ìtẹ̀lodù, porém, não se realiza um Ìtẹ̀lodù, sem que tenha cumprido um Ìtẹ̀fá. Também vale ressaltar que Awo Ẹlẹ́gan é a categoria dos devotos de Ifá, onde a recomendação de Ọ̀rúnmìlà é apenas o Ìtẹ̀fá, e que os iniciados dessa categoria nunca poderão ver Ìyá Òdù, que automaticamente entende-se que são pessoas que não possuem caminho para o sacerdócio. O Ìtẹ̀fá é o momento mais importante na vida da pessoa que escolhe a religião tradicional yorùbá, onde, esse conjunto de cerimônias mudam ou redefinem o caminho a ser percorrido pelo iniciado. Uma pessoa iniciada em Ifá, tem acesso a informações confiáveis que orientam e norteiam que direção devemos seguir. Podemos dizer que é quase como um renascimento, a partir da iniciação seguimos as orientações de Ọ̀rúnmìlà Ifá, tornando assim, a nossa caminhada na Terra em busca da realização do nosso destino mais descomplicado, pois, muitas vezes estamos caminhando no sentindo oposto aquele escolhido por nós, antes do nascimento.

O ritual do Ìtẹ̀fá é facilmente identificado logo de início, pois, com a figura do Olúwo à frente, a Ìyá Apẹ̀tẹ̀bí com o yangí de Èṣù sobre a cabeça, o bàbáláwo à direita e uma ìyánífá à esquerda com um recipiente na mão, seguidos pelo iniciado com o carrego e o seu Ojúgbọ̀nà que muitas vezes pode ser o seu próprio bàbáláwo. Em um segundo momento vários rituais são processados desde a retirada do cabelo, banho com folhas, pinturas, dentre outros. Tais rituais tem como finalidade chegar ao momento mais importante do Ritual de Ìtẹ̀fá, quando o iniciado sentado atrás do seu Olúwo, coloca suas mãos sobre os ombros dele, para a obtenção do odù de nascimento do iniciado, que fique claro que somente no Ìtẹ̀fá isso é possível, esse odù servirá como referência e orientação, devendo ser estudado exaustivamente, pois dentro dele em suas histórias sagradas poderão ser encontradas as respostas para todas as dúvidas do iniciado.

Somente aquele que foi submetido a um Ìtẹ̀fá tem a informação definitiva sobre o seu odù, somente aquele que foi submetido a um Ìtẹ̀fá é conhecedor do seu destino. A iniciação em Ifá, pode ser comparada ao mapa que irá guiar o iniciado na viagem da vida, aquele que não possui o mapa, perde tempo e muitas vezes andam em círculos enfrentando inúmeras dificuldades, mas, a pior delas é a insegurança do caminho a ser seguido. O culto a Ọ̀rúnmìlà está descrito nos versos de Ifá, não existe improvisação ou criatividade, as cerimônias deverão ser realizadas fidedignamente pautadas na teologia yorùbá, o não alinhamento com a origem poderá comprometer a legitimidade dos atos.

 

Aula (7) - Égún e Òkú

 

Os povos de origem  Yorùbá utilizam um nome especial para tratar seus antepassados, Égún, esse termo identifica o antepassado masculino, espíritos divinizados através de rituais específicos, onde, o morto passa a ser tratado de maneira especial, ele recebe um novo nome e começa a ser cultuado junto ao assentamento dos demais antepassados...”

Ifagbaiyin Agboola.

 Os Yorùbás, acreditam que o culto a Égún serve para harmonizar a pessoa com o passado, mas, principalmente para reverenciar aqueles que contribuíram para a nossa existência, pois, como todos nós sabemos, sem passado não existe presente e muito menos futuro.

Os espíritos dos mortos na cultura Yorùbá, recebem o nome de Òkú, não é todo Òkú, que se torna Égún, mas todo Égún um dia foi um Òkú. A diferença está nos rituais próprios para tornar o Òkú, um ser divinizado, esses rituais podem ser feitos somente para os espíritos de pessoas iniciadas no culto de Òrìṣà ou de Egúngún, é claro que existem outros pré-requisitos para que esse processo de divinização seja efetuado, o homem quando vivo deve ter um comportamento exemplar para que um dia ele venha a ser cultuado como Égún.

No Brasil, existe uma diferença em relação ao que é feito no território  Yorùbá, aqui se acredita que os Égúns jamais devem ter contato direto com as pessoas, isso para a tradição  Yorùbá não procede, os antepassados ficam felizes com esse contato, essa é uma das formas de harmonizar o espírito com seus descendentes. Quase todo espírito causa problema para os seus descendentes se não for cuidado de forma adequada, normalmente a falta de rituais fúnebres próprios e o despreparo das pessoas para cumprirem algumas exigências básicas nessa relação homem espírito terminam gerando esse conflito.

Na cultura Yorùbá existe uma sociedade secreta que se encarrega dos rituais fúnebres, esses sacerdotes cultuam uma divindade chamada Orò, que no Brasil, ainda é muito pouco conhecida. No que se diz em relação aos espíritos dos antepassados femininos, é muito raro que sejam cultuadas de forma individualizadas, pois, normalmente são cultuadas nas sociedades secretas das Ìyá mi, podemos citar como por exemplo, Ìyá mi Òṣòròngà, Ìyá mi Àiyé , Ìyá mi Ajé, dentre várias outras.

Sendo assim teremos:

·      Egúngún, é o culto de espíritos masculinos individualizados;

·      Orò, é culto de espíritos masculinos generalizados;

·      Ìyá mi, que é o culto de espíritos femininos generalizados.

Para melhor entendimento é importante não confundirmos com o culto aos Òrìṣàs, espíritos divinizados, relacionado às forças da natureza cultuados no Brasil, e caboclos cultuados na Umbanda, religião de origem Brasileira, que definiríamos como uma forma semelhante de cultuar Égún, porém, diferente, pois, os espíritos da Umbanda estão associados com a cultura afro-ameríndia.

Aula (8) - Ẹbọ: Sacrifício e Transformação no Ifá.

  

Eu fico contrariado quando vejo na internet pessoas postarem textos de odù sem que conste a qual odù pertence, nenhuma pessoa pode se intitular dono dos versos de Ifá...”

Ifagbaiyin Agboola.

Mas a final de contas o que vem a ser o ẹbọ rírù? Primeiramente é importante compreendermos o significado literal da expressão ẹbọ rírù, onde teremos, ẹbọ: é uma oferenda ou sacrifício cujo objetivo é prevenir e remover episódios desagradáveis recorrentes na vida do consulente, assim como, atrair o bem estar para a vida do mesmo, caracterizando também atos litúrgicos.

Posteriormente teremos rírù: onde rí, significa ver e rù, significa carregar (transportar), sendo assim, poderemos interpretar essa expressão como uma oferenda ou sacrifício realizado no àiyé (mundo físico) visto e testemunhado por um grupo de pessoas antes de ser conduzido e entregue no ọ̀run (mundo espiritual).  O ẹbọ rírù, é um ritual recorrente no culto a Ifá e poderá ser oficializado somente por um bàbáláwo ou uma ìyánífá. 

Esse ritual consiste em oferecer sacrifícios a um determinado odù previamente extraído em consulta para o consulente, pois, entende-se que não existe odù bom ou odù ruim, o que de fato existe é a forma que a pessoa está sendo influenciada pelo odù naquele determinado período da sua vida. Se o consulente estiver sendo influenciado com aspectos positivos, configura-se que o odù está em ire, caso contrário, com aspectos negativos, configura-se que o odù está em ibi.

O ẹbọ rírù, é uma cerimônia bastante eficiente para lidar com essas influências, seja para transformar o ibi em ire ou até mesmo para assegurar o odù que já se encontra em ire para que a pessoa retorne ou permaneça no seu caminho predestinado.

Existem vários tipos de ẹbọ rírù, como por exemplo, ètùtù que é o ẹbọ destinado ao apaziguamento ou satisfação das divindades, àdàbò, que é o ẹbọ onde a pessoa oferece algo em agradecimento pela vitória alcançada, temos também ìkúnlẹbọ, que é o ebó destinado diretamente a um Òrìṣà previamente sentenciado por Ifá através da consulta, dentre vários outros.

Três estruturas básicas constituem o ẹbọ rírù, que são elas: erigi awo agbasa, que é o ritual propriamente dito, ou seja, é a estrutura técnica de como executar o ritual corretamente.

Depois teremos ìkìlọ̀ (recomendações), onde, é de vital importância, além de executar o ẹbọ, seguirmos as orientações e conselhos que Ifá nos revelou através da consulta.

E por último teremos os èèwọ̀s (interdições), que caso venhamos a violá-los poderemos colocar em risco todo o àṣẹ necessário para que o ẹbọ venha a se concretizar. Cada um desses aspectos é de fundametal importância para que o ẹbọ rírù se torne uma ferramenta infalível para remoção dos obstáculos e retomada ou até mesmo a permanência do nosso caminho em ire. Abordaremos a seguir a ordem que configura o ẹbọ rírù, praticado em nossa família, respeitando as diferenças das mais variadas formas de configuração do ẹbọ rírù praticado por outros grupos familiares.

Ordem esta: Primeiramente, Òtùrá Ìrẹtẹ̀, nesse verso é feito uma homenagem a Olódùmarè e o bàbáláwo se identifica como extensão do trabalho divino.

Segundo Ọ̀wọ́nrín Méjì, nesse verso o bàbáláwo homenageia o pai, a mãe, o olúwo, o ojúgbọ̀nà e a todos os ancestrais, reafirmando o respeito à família.

Terceiro, Idingbè, nesse verso é solicitado que o ebó seja aceito e que as maldições lançadas sobre o consulente sejam eliminadas.

Quarto, Òtùrá Ká, nesse verso é descrito todo o material que vai ser ofertado deixando explícito que o dinheiro também é um elemento que faz parte do ẹbọ. Nesse momento o bàbáláwo faz referência ao odù da consulta e ao seu odù inverso, fazendo a invocação de todos os ires.

Quinto, Ọ̀wọ́nrínṣogbè, nesse verso o babalawo faz uma homenagem a exú pedindo para que ele aceite o ẹbọ.

Sexto, Ọ̀bàràbogbè, nesse verso o bàbáláwo pede autorização à ìyá mi para estar realizando o ẹbọ, além de exaltar as mulheres.

Sétimo, Ògúndábèdé, nesse verso o bàbáláwo pede autorização e saúda Egúngún para a realização do ẹbọ.

Oitavo, Ògúndá Màsá, nesse verso o bàbáláwo se identifica como o oficiante do ritual dizendo o seu nome e pede para que a morte e a doença sejam afastadas da vida do consulente.

Nono, Ìká Méjì, nesse verso o bàbáláwo faz uma referência a Ìbéjì e invoca a abundância para a vida do consulente em forma de filhos duplos, na tradicional invocação da dupla abundância.

Décimo, Ìrẹtẹ̀ Méjì, nesse verso o bàbáláwo pede para que nunca falte dinheiro para o consulente e exalta que aquele que é iniciado não enfrentará dificuldades com as finanças.

Décimo primeiro, Ọ̀ṣẹ́bile, nesse odù o bàbáláwo invoca que a alegria e todas as coisas boas venham do céu para a vida do consulente.

Décimo segundo, Ọ̀ṣẹ́tùrá, nesse verso o bàbáláwo pede para que a morte se afaste e que o consulente tenha uma vida longa e saudável, também roga a Ọ̀ṣun para que o ẹbọ seja aceito e que ela permita que todas as outras divindades aceitem o sacrifício.

E por último, o décimo terceiro odù teremos Ọ̀kànràn Sá, onde, o bàbáláwo roga pela vida do consulente, e afirma através do odù que aquele que faz ẹbọ estará salvo, pronunciando o nome da pessoa.

Para finalizar, o bàbáláwo pergunta a Ifá quantos búzios deverão acompanhar o ẹbọ e identifica se o sacrifício está completo, posteriormente o consulente leva o ẹbọ até o ojúbọ de Èṣù para que seja encaminhado ao Ọ̀run (mundo espiritual).

A intenção através dessa aula é mostrar a complexidade do ẹbọ rírù, para que as pessoas que desconhecem o ritual, não se tornem vítimas de sacerdotes despreparados e oportunistas. Pois, quando isso acontece os prejuízos vão muito além do dinheiro, onde, a fé é abalada gerando decepção e um progressismo afastamento da religião.


Aula (9) - Àbíkú o ser Indesejado ou Não!

 

“Eu sempre digo para as pessoas que tudo vai depender por que ângulo estamos olhando dizer que um àbíkú tem dificuldades na vida é verdade, mas quem não tem? Eu já atendi algumas pessoas àbíkús muito bem de vida em todos os sentidos enquanto outros que não tem esse problema vivem um verdadeiro pesadelo...”

Ifagbaiyin Agboola.

 Em yorùbá significa (nascer) e ikú significa morrer então estamos falando de pessoas que deveriam ter morrido, que nasceram para morrer e por alguma razão isso não aconteceu tornando essas pessoas verdadeiros vencedores.

É claro que tudo é muito mais complicado do que parece, o bàbáláwo para tratar de tal situação será necessária muita sabedoria para que ele não coloque sua própria vida em risco, assim como, de outras pessoas.

Tratar dos espíritos infantis requer um misto de conhecimento e coragem, pois, um espírito de criança sempre pode nos surpreender. O culto ao Òrìṣà Ìbéjì (gêmeos) e o culto ao Òrìṣà Ẹgbẹ́ Ọ̀run (família espiritual do céu), fazem parte de um conjunto que quando bem trabalhado proporciona a pessoa àbíkú uma vida de prazer e alegria.

Falar de algo que se desconhece é um grande erro, cabe a nós encontrarmos através de estudos, pesquisas, vivência e prática as verdadeiras informações sobre o culto a àbíkú, assim como, de toda a religião tradicional yorùbá.

 

Aula (10) - Ìyá Mi, as Bruxas e a Desinformação

 

“Eu me considero uma pessoa calma, mas, diante de tantos absurdos sendo ditos sobre Ìyá mi na internet, minha paciência desapareceu, chamar a mãe da terra de bruxa, é no mínimo desinformação, Ìyá (mãe) mi (minha), minha mãe não é bruxa, e eu entendo o motivo da afirmação, falta de cultura, mas não concordo com a falta de informação nos dias de hoje, pois, nunca na história da humanidade foi tão fácil se informar...”

Ifagbaiyin Agboola.

Dizer que Ìyá mi é um culto somente de mulheres é mais um absurdo, o que dizer dos Oṣós? Assim como, também é um grande equívoco afirmar que Ìyá mi é cultuada para maldade.

A função de Ìyá mi na teologia yorùbá, é a coordenação dos Ajoguns, de Ikú, Àrùn, Òfò, e outras dificuldades que o homem encontra em sua existência, a liberação ou não dos ajoguns, está ligada a uma série de fatores, assim como, o próprio destino, que conforme a cultura religiosa yorùbá em parte é escolhido por nós mesmos.

Diante de tais informações, erroneamente divulgadas, poderemos afirmar que se você quiser agradar seus antepassados femininos e buscar uma existência em harmonia com passado, o presente e o futuro, certamente deverá cultuar Ìyá mi. A essência jamais deverá ser esquecida, não existe figura mais respeitada para os yorùbás do que a mãe, é muito difícil aceitar que a mais importante das divindades se tornou uma bruxa em nosso país, essa que representa todas as mães inclusive a mãe terra.

O culto à Ìyá mi faz parte da história da humanidade e não é um grupo de pessoas mal informadas que irá mudar a cultura trazida para o Brasil, por nossos antepassados.

 

Muito se tem falado sobre Ìyá mi, mas, pouco se tem divulgado dos detalhes do culto a esse Òrìṣà, na verdade pouco se pode divulgar e isso todos compreendem, quando alguém tenta falar um pouco mais, imediatamente, vira alvo de críticas quase sempre feitas por pessoas que nem são iniciadas...”

Ifagbaiyin Agboola.

 Nas famílias que cultuam Ìyá mi, ao contrário do que é divulgado no Brasil, muitos homens são iniciados e participam do culto naturalmente, a presença masculina é muito importante, homens e mulheres participam de forma harmoniosa dos rituais.

O que se pode divulgar é que as pessoas pactuadas a partir do primeiro ìmulẹ̀ terão acesso a mais informações e que isso acontece tanto para homens quanto para mulheres. Quando o ìmulẹ̀ é feito com Ìyá mi, a pessoa ao contrário do que se pensa desperta uma energia que ela já possui, que somente com um ritual adequado e conduzido por uma pessoa habilitada justificará essa relação entre homem-divindade, proporcionando assim, benefícios para o indivíduo.

Jamais esse ritual poderá ser chamado de iniciação e muito menos de feitura. Em uma iniciação o indivíduo recebe algo que está faltando e em uma feitura ele exalta o que já possui, mas, em um ìmulẹ̀ ele assume um compromisso com a sua origem o seu passado e o seu futuro, despertando assim, aquela energia já existente, porém, até então desconhecida.

Posteriormente, existirá um contato mais direto com as forças de Iyá mi, através de uma representação que será alterada conforme a evolução do indivíduo diante dos ìmulẹ̀s assumidos, seguindo rituais de compromissos até que em um desses é determinado o completo afastamento de algumas atividades.

É verdade que algumas pessoas falam em sete ou até em nove ìmulẹ̀s, não abordaremos aqui a quantidade nem a ordem dos mesmos, mas, em alguns  casos eles podem ser interrompidos por orientação de Ifá ou poderão ser feitos em uma ordem mais rápida sempre visando o bem estar do indivíduo e o cumprimento de regras previamente estipuladas, onde, fica bem claro que somente a orientação de Ifá poderá determinar o caminho a ser seguido, pois, em alguns casos até a ordem dos ìmulẹ̀s poderão ser alteradas.

Algumas pessoas desconhecem, mas, existem vários tipos de ìmulẹ̀s, inclusive com os outros Òrìṣàs, sempre buscando a proteção e o benefício do pactuado.

  

Aula(11) - Ìyá mi Òṣòròngà

 

“Escrever sobre Ìyá mi deveria ser um compromisso de todos os sacerdotes do culto ao Òrìṣà, é nossa obrigação tentar desmistificar e enaltecer as divindades do panteão Yorùbá...”

Ifagbaiyin Agboola.

Embora Ìyá mi se faça presente em todos os odus, falar sobre Ìyá mi é transitar pelos versos dos odus: Ọ̀sá Méjì, Ọ̀ṣẹ́ Óyéku, Ìrẹtẹ̀ Méjì, Ogbè Sá, Ìrẹtẹ̀ Ọ̀wọ́nrín e Ìrẹtẹ̀ Ogbè.

Èṣù, Ọ̀rúnmìlà e Ìyá mi respondem nos duzentos e cinquenta e seis odus, porém, em alguns é exaltada a necessidade de pactuar com Ìyá mi de forma a criar uma aproximação do indivíduo com a informação e a ritualística, considerando que a energia já o acompanha desde o seu nascimento.

Podemos observar constantemente supostos conhecedores falando mal de Òrìṣà e de determinados odùs e um desses é Ọ̀sá Méjì, famoso entre os incultos como sendo um odu negativo, é por essa razão que vamos começar falando do aspecto positivo contido nesse odù e no culto a Ìyá mi Òṣòròngà.

No odù Ọ̀sá Méjì, Ìyá mi Òdù quando chega a terra começa a agir sem limites, desrespeitando os Òrìṣàs, chegando ao ponto de vestir a roupa de Egúngún, encontrando dificuldades para dançar com a roupa, Ọbàtálá, introduz uma espécie de tela, através de um corte na roupa para que permita Iyá mi enxergar.

É evidente que posterior a essas confusões algo teria que ser feito e Ìyá mi deveria ser acalmada, então, após uma consulta a Ọ̀rúnmìlà, Ọbàtálá é aconselhado a dividir o seu alimento com Ìyá mi, através desse ato Ọbàtálá, conseguiu acalmá-la ofertando a água do Ìgbín (omi ẹ̀rọ̀), daí por diante, o ìgbín passou a ser o principal alimento de Iyá mi Òdù.

O trabalho de um Bàbáláwo é interpretar os versos de Ifá, considerando o citado acima, estamos falando de um convívio harmonioso entre um personagem masculino e outro feminino, a água do ìgbín é conhecida como a água que acalma, sendo assim, esse odù fala de um período de paz e prosperidade.

Já no odù Ìrẹtẹ̀ Ọ̀wọ́nrín, Ọbàtálá tenta ludibriar Ìyá mi se negando a pagar um tributo para a grande mãe ancestral, Ìyá mi com habilidade percebe a armação e se antecipa ao embuste criado.

Interpretando essa passagem do odù Ìrẹtẹ̀ Ọ̀wọ́nrín, percebemos que Ìyá mi, só quer o que é dela por direito deixando bem claro que ela não se antepõe aos Òrìṣàs ou aos seres humanos. Em uma linguagem popular se formos comparar o Ọ̀run a uma empresa, utilizaremos uma didática de fácil assimilação, onde, o processo seria composto da seguinte maneira:

Olódùmarè seria o equivalente ao presidente da empresa, que teria imediatamente dois diretores de total confiança.

Ọ̀rúnmìlà, que seria um diretor administrativo que identifica e orienta a questão e Ìyá mi, seria uma diretora executiva com a função de dar andamento as orientações fornecidas por Ọ̀rúnmìlà, sendo assim, o destino por nós escolhido diante de Àjàlá antes de virmos para terra é testemunhado por Ọ̀rúnmìlà e informado a Ìyá mi.

Ìyá mi não interfere na escolha do nosso destino, ela segue as orientações de Ọ̀rúnmìlà liberando os seus assistentes (ajogun), para executarem o trabalho.

Os ajoguns, Ikú (morte), Àrùn (doença), Ẹjọ́  (problemas), dentre outros, são liberados por Ìyá mi em quase a totalidade das situações correspondendo a uma escolha feita por nós mesmos, não é Ìyá mi que é ruim ou perversa ela exerce uma função assim como os demais Òrìṣàs.

As pessoas iniciadas em Òrìṣà não podem ser sepultadas em gavetas o ideal é que seus corpos sejam restituídos à terra, sendo assim o ajogun ikú (morte), não é ruim, ele exerce uma função determinada por Ìyá mi, porém, em data quase sempre escolhida por nós mesmos.

No odu Ogbè Yonu, Ọ̀rúnmìlà orienta os Òrìṣàs para oferecerem ẹfun e osùn, além de várias folhas para Ìyá mi Òṣòròngà, com isso, Ìyá mi se compromete a não atacar os filhos dos Òrìṣàs.

No odù Ogbè Sá, Ìyá mi se compromete com Ọ̀rúnmìlà em fazer o bem quando chega a terra, ela diz a Ọ̀rúnmìlà, que seus filhos vão ter prosperidade e felicidade. 

No odù Ìrẹtẹ̀ Méjì, Ọ̀rúnmìlà viaja para a cidade de Ota descobrindo assim o segredo de Ìyá mi, ele oferece o prato predileto dela e eles se tornam grandes amigos.

No odu Ìrẹtẹ̀ Ogbè, Ìyá mi Òdù se torna a esposa de Ọ̀rúnmìlà, que reconhece o poder de sua esposa quando ela invoca o pássaro Aragamágo como sendo muito superior ao poder de Ọ̀rúnmìlà.

No odu Ọ̀ṣẹ́ Ọ̀yẹ̀kú, Ọ̀rúnmìlà orienta Ògún, Ọbalúwayé, Odùduwà e Ọbàtálá para que façam oferendas para Ìyá mi, que reconhece os mesmos como filhos.

A figura materna de Ìyá mi é confirmada em vários versos de Ifá, uma mãe tem o dever de zelar pelos seus filhos, e não de agradá-los, pois, nem tudo que uma mãe faz é compreendido por seus descendentes.

Ìyá mi é uma mãe zelosa e poderosa que habita dentro de cada um de nós, em nossas vísceras ela pode se manifestar de maneira positiva ou negativa. Ìyá mi pode criar um mal-estar para impedir que a pessoa saia de casa e seja vítima de algo que não faça parte do seu destino, provavelmente, o problema intestinal será visto de forma negativa, porém, será necessário para manter a pessoa longe do perigo.

A igreja católica ao longo da história combateu a figura feminina por temer a capacidade que somente as mulheres possuem, que é o fato delas poderem abrigar uma nova vida dentro delas, as mulheres são muito superiores aos homens em vários sentidos, essa é a verdadeira razão do combate histórico a figura feminina. Ìyá mi foi uma das vítimas desse processo histórico.

Para cultuar Ìyá mi é necessário amar e respeitar a figura feminina, respeitar as mães, as irmãs, as filhas, respeitar a natureza e o poder da criação, Ìyá mi é a própria vida, é quem nos gerou, é quem nos abrigou no passado, é quem nos abriga no presente, e com certeza quem irá nos abrigar em um futuro quando passarmos dessa para uma outra. Algumas pessoas em seu odù de nascimento necessitam se aprofundar no culto a Ìyá mi mais do que outras, isso se deve a própria história de cada odù e ao destino escolhido pela pessoa, de qualquer forma o culto a Ìyá mi poderá ser praticado por qualquer um, agradar aos nossos antepassados femininos é muito mais fácil do que parece. Para agradar Ìyá mi temos que estar em harmonia com a natureza e com os nossos semelhantes, a essência do culto a Ìyá mi é a força feminina maternal que gera e mantém a vida, manter a vida é como amamentar o recém-nascido, é conservar a essência e estimular o desenvolvimento do que temos de melhor.

Ìyá mi é a força da vida é a capacidade de criar, é a capacidade de amar, é a manutenção da vida, é o leite que alimenta o recém-nascido é o desenvolvimento sadio, a evolução, é a capacidade de renovar como forma de perpetuar a vida.

Em uma árvore grande e sadia podemos observar centenas de galhos como extensão do tronco, podemos ver milhares de folhas e frutos como extensão dos galhos, os frutos dentro deles têm centenas de sementes que gerarão outras árvores.

É esse ciclo da vida que representa Ìyá mi a árvore é só um exemplo, quando estamos diante de uma mulher grávida esse mesmo ciclo poderá ser observado, assim é Iyá mi, onde, nada acontece sem essas senhoras.

 

Aula (12) - A Verdade Sobre Egúngún

 

“Na cultura Yorùbá a morte é encarada com naturalidade, os povos pertencentes a esse território têm uma forma bem clara para definir esse momento, a morte não representa o fim, ela representa sim o começo de um novo ciclo...”

Ifagbaiyin Agboola.

A morte não é o fim da vida, existem oito mundos paralelos ao àiyé, conhecidos como Ọ̀run (céu). Este local para o povo Yorùbá é a morada dos Òrìṣàs e dos antepassados, sendo assim, o contato entre o Ọ̀run (céu) e o Àiyé (terra) acontece de forma constante.

O fato de poder ir e vir é um privilégio, somente espíritos com um caráter exemplar serão escolhidos para serem cultuados como Egúngún.

Continuar voltando a terra para ver seus descendentes é um prazer, participar da vida da comunidade ou da família possibilita ao indivíduo eternizar-se, entrar para história e ser louvado por seus descendentes. A desinformação sobre esse assunto é muito grande, existe uma fama de mistério confundida com mentiras e interesses que distancia muito os iniciados da verdade e que atraem os leigos por desconhecerem a realidade.

Não existe Egúngún do Òrìṣà Ògún ou de Ọ̀ṣun ou de Ọbàtálá, esse é um erro bastante comum, o que existe é um espírito de um ancestral (egúngún) que um dia foi feito para um determinado Òrìṣà, ou não.

Não existe comida de Òrìṣà que se serve para um determinado Egúngún, existe sim, pratos tradicionais de um povo, que poderão ou não, serem servidos de acordo com a preferência do antepassado. Não existem interdições de Egúngún, como sal e cor vermelha, tais interdições deixam de existir a partir do momento da morte do indivíduo.

É possível sim que um espírito feminino seja homenageado após a sua morte em um ritual de Egúngún. É permitida sim a permanência de mulheres nos rituais para Egúngún, não dá para compreender quais seriam os objetivos de tais rituais que não fossem os de manter a família e a estrutura de um povo sem que a presença da mulher deixe de ser fundamental.

Todas as casas que cultuam Òrìṣà devem ter sim um assentamento de Egúngún, todos temos antepassados. Sim, é necessário o culto de Egúngún e Òrìṣà assim como de Ìyá mi no mesmo local, um ritual se completa com o outro, até por que estamos prestando homenagens a espíritos evoluídos e de grande compreensão, espírito desinformado não merece tais rituais e sim outros.

Uma pessoa com cargo de Bàbálórìṣà, pode sim ser um iniciado em Egúngún, e outros cultos como o de Ìyá mi e de Bàbá Orò, sem nenhum problema, como disse anteriormente os rituais se completam, pois, todos nós temos antepassados femininos e masculinos.

Uma pessoa deve sim cultuar Egúngún de sua família, assim como, o Egúngún da família de Òrìṣà a qual ela foi iniciada, cultuar um Egúngún de alguém que não tem nada em comum com você é no mínimo desperdício para não dizer total desinformação.

Assentamento de Egúngún pode sim ser feito em casa alugada, quando a pessoa vai mudar para um outro lugar tem um ritual que deve ser feito com uma parte da terra do local, e o assentamento jamais deverá ser desfeito e sim transferido.

Toda pessoa um dia poderá ser um Egúngún cultuado sim, o que vai diferenciar quem merece ou não ser cultuado é a finalidade do assentamento, para ser mais claro, se eu quero um amigo que vai me orientar, não assentarei o espírito de um qualquer.

Existe sim um odù que autoriza a abertura de um buraco no chão para o culto dos antepassados, não mencionaremos aqui por razões óbvias. Todos os rituais em nossa religião constam nos versos dos odùs de Ifá.

Sim, um Egúngún assim como um Òrìṣà, não necessita de um número exato de animais para ser assentado, acontece que o homem está tão pretensioso que administra os rituais sem mesmo questionar a divindade e suas preferências. Sobre a questão da roupa de Egúngún, não passa de truques mirabolantes destinados a interesses financeiros e outros, somente quem conhece os rituais de preparação de uma roupa de Egúngún sabe a importância da mesma na preservação dos membros ali envolvidos.

A respeito de usar Egúngún para fazer maldade, sabemos que faz parte da história humana lançar mão de tudo que é possível para atingir seus intentos, mas, é bem verdade que se amamos um Egúngún e o respeitamos, jamais pediremos para interferir em nosso benefício causando qualquer tipo de dificuldade ao outro, é claro que isso faz parte da formação da pessoa e não de uma religião específica, algumas pessoas não merecem ter o acesso a tais informações, mas, isso é uma outra história.

 

Bàbá Egúngún ọlọ́mọ kì nsùn o

Màá sùn kì o màá gbàgbé ilé

ma fi ọ̀wọ̀ d’igi igbàgbé mù lọ̀run”

 

“Um ancestral que possui filhos e devotos não dorme. Não dorme e não esquece sua casa no céu, meu pai, jamais abrace a árvore do esquecimento, jamais se esqueça das pessoas que te louvam”.

 

Aula (13) - Iba Olódùmarè (Deus)

 

Olódùmarè, mo ji loni. Mo wo'gun merin aye.

Igun'kini, igun'keji, igun'keta, igun'kerin Olojo oni.

Gbogbo ire gbaa tioba wa nile aye. Wa fun mi ni temi. T'aya-t'omo t'egbe - t'ogba.

Wa fi yiye wa. Ki o f'ona han wa. Wa f'eni - eleni se temi.

Alaye o alaye o. Afuyegegege meseegbe. Alujonu eniyan ti nf'owo ko le.

A ni kosi igi Méjì ninu igbo bi obi. Eyiti o ba ya'ko a ya abidun-dun-dun-dun.

Alaye o, alaye o.

Àse.

 

Tradução:

Criador, eu saúdo o novo dia. Eu saúdo as quatro direções que criam o mundo.

O primeiro canto, o segundo canto, o terceiro canto, o quarto canto são os donos do dia.

Eles trouxeram a boa sorte que nos sustenta na terra. Eles trazem todas as coisas que sustentam meu espírito.

Com você não há nenhum fracasso, nós louvamos a estrada que você criou, nada pode bloquear o poder do Espírito.

Nós louvamos a luz da terra, ela sustenta a abundância da criação.

Traz a comida da floresta para nós.

Aquele que nos traz as coisas doces em vida.

Nós louvamos a luz da terra, nós louvamos a luz da terra.

Assim seja.

Oríkìs Òrúnmìlá

Òrúnmìlá, ajomisanra, Àgbónmìrégún, ibìkéjì Olódùmarè.

Elérìí ìpín, Omo ope kan ti nsoro dogi dogi.

Ara Ado, ara Ewi, ara Igbajo ara Iresi, ara Ikole, ara Ìgetí, ara oke Itase.

Ara iwonran ibi ojumo ti nmo waiye akoko Olokun, oro ajo epo ma pon.

Olago lagi okunrin ti nmu ara ogidan le, o ba iku ja gba omo e si le.

Odudu ti ndu orí emere, o tun orí ti ko sunwon se.

Òrúnmìlá ajiki, Òrúnmìlá ajike, Òrúnmìlá aji fi oro rere lo.

Àse.

 

Tradução:

Espírito do destino, orvalho eterno e fonte de vida, a palavra e força ressonante próxima ao criador.

Testemunha da croso que dá vitalidade juvenil.

Ele que salva as crianças da ira de morte.

O Grande Salvador que salva a mocidade, ele que reivindica os que estão perdidos.

Espírito do destino, merecedor de súplicas matutinas.

Espírito do destino, merecedor de elogio matutino.

Espírito do destino, merecedor de orações para as coisas boas da vida.

Assim seja.


Oríkìs Àgbónmìrégún

(O principal sacerdote de Òrúnmìlá)

 Òrúnmìlá, Bàbá Àgbónmìrégún.

Adese omilese a-mo-ku-Ikuforiji Olijeni Oba-Olofa Asunlolanini-omo-Oloni Olubesan.

Erintunde Edu Ab'ikujigbo alajogun igbo-Oba-igede para petu òpìtàn-elufe amoranmowe da ara re Òrúnmìlá. Iwo li o ko oyinbo l'ona odudu pasa.

A ki igb'ogun l'ajule Orún da ara Òrúnmìlá. A ki if'agba Márìndínlógún sile k'a sina.

Ma ja, ma ro Elérìí ìpín ibìkéjì Edumare. F'onahan'ni Orúnmìlà.

Àború, Àboyè, Àbosíse.

Ase.

 

Tradução:

Espírito do Destino, a palavra e força repercutida.

Nós o chamamos por seus nomes de poder.

O Poder é renascido para defender contra os poderes da morte e destruição, o poder de transformação está com o espírito do destino, não há nenhum estranho na estrada do mistério.

Nós louvamos o medicamento da floresta que vem do reino invisível dos imortais pelo espírito do destino.

Nós louvamos os dezesseis princípios sagrados do criador.

Eu clamo pela testemunha da criação, segundo ao criador.

Minha estrada para a salvação é o espírito do destino.

Leve meu fardo da terra e oferece-o ao céu.

Ela (A Emanação de Òrúnmìlá)

Ifá lï l'òní, Ifá lï l'Ola, Ifá lï lotounla pelú e.

Orúnmìlà lo nijï máreerin òòsà dá'áyé.

Ifá ro wá o. Elà ro wá o o. Bi ò nbe lápá òkun.

Kó ro moo bo. Bi ò nbe ní wánrán oojúmï.

Ifá ji o Orúnmìlà, bí o lo l'oko, ki o wá lé o, bí o lo l'odo, dí o wá lé o.

Bi o lo l'ode kí o wá lé o. Mo júbà o. Mo júbà o. Mo júbà o.

Àse.

 

Tradução:

Ifá é o mestre de hoje, Ifá é o mestre de amanhã e é o mestre de depois de amanhã.

O Espírito de destino é o mestre dos quatro dias criados.

Ifá por favor desça. Espírito de pura paz esteja presente, se você está no oceano, por favor venha.

Se você está em meio a laguna, por favor venha. Até mesmo se você estiver em wanran no Leste, por favor venha.

Ifá desperte, espírito do destino se você vai a fazenda, você deveria passar em minha casa, se você vai ao rio, você deveria passar em minha casa.

Se você vai à caça, você deveria passar em minha casa, eu presto homenagem a ti, eu presto homenagem a ti, eu presto homenagem a ti.

 

Oríkìs Opon Ifá

Alafia opon

Iwaju opon o gbo o. Eyin opon o gbo.

Que a cabeça do tabuleiro ouça.

Que o círculo do tabuleiro ouça.

Olumu otun, Ol Okànràn osi, aarin opon ita Orun.

Espíritos do conhecimento da direita, espíritos da profecia da esquerda.

O meio do tabuleiro é a encruzilhada do céu.

Ase.

Oríkìs Ikín

Orúnmìlà o gbo o. Òrúnmìlá iwo'awo.

Espirito do destino ouça. Espirito do destino revele os mistérios.

Oun awo. Owo yi awo.

Ilumine os mistérios. Abençoa-nos com o mistério da abundância.

Emi nÌkánsoso l'Ogbèri. A ki'fa agba merindinlogun sile k'asina.

Espirito que cria a harmonia perfeita, mostre-nos a sabedoria dos dezesseis princípios que moldam a terra.

Eleri Ipin f'ona han mi.

Testemunha da criação revele-se a mim.

 Ase.

Oríkìs Ifá

Orúnmìlà Eleri-ipin ibikeji Olódùmarè.

Espirito do destino, testemunha da criação, segundo para o criador.

A-je-je- ogun obiriti-a-p'ijo-ihu sa.

Possuidor da medicina que sobrepuja a morte.

Olúwo mi amoimotan-a ko mo o tan ko se.

O Criador que conhece todas as coisas que conhecemos.

A ba mo o tan iba se ke.

Se conhecêssemos todas as coisas daqui não seria o suficiente.

Olúwo mi olósa aiyere omo elesin ile-oyin.

O criador das coisas boas na terra, filho do senhor da casa feita de mel.

Omo ol'ope kan t'o s'an an dogi-dogi.

Filho do senhor da arvore que sempre está firme.

Olúwo mi opoki a-mu-ide-s'oju ekan ko je k'ehun hora asaka-saka akun.

O criador Opoki que passa uma corrente de ouro de proteção em seus olhos de maneira que as garras do leão não dilacerem.

Omo Oso-ginni tapa ti ni-ewu nini.

Filho de Oso-ginni da Tibo Tapa onde todos se vestem em finos tecidos, o senhor do Egún que caminha com pernas-de-pau.

Omo Oso pa'de mowo pa'de mese o mbere ati epa oje.

Filho de Oso que coloca contas em seus pulsos e tornozelos, a corrente dourada de Oje.

Olúwo mi igbo omo iyan birikiti inu odo.

O Criador, Espirito do bosque, Filho do inhame pulverizado no pilão.

Omo igba ti ns'ope jiajia.

Filho da cabaça criador de vários dendezeiros. 

Ikú dudu ati ewo Oro aj'epo ma pon.

Ancestral experiente que come azeite-de-dendê não envelhecido.

Agiri ile-ilobon a-b'Olowu diwere ma ran.

Agiri da casa da sabedoria abundante de sementes de algodão que nunca se espalham.

Olúwo mi a-to-iba-jaiye Oro a-b'iku-j'igbo.

O Criador que vive bem mesmo com o espirito da morte se esgueirando pelo bosque.

Olúwo mi Ajiki ogege a-gb'aiye-gun.

Criador vamos para cumprimentá-lo pela manhã com Ogege que vive para fazer a paz na Terra.

Odudu ti idu ori emere o tun ori ti ko sain se.

A pessoa cujo espírito defende aqueles que morrem ao nascer.

Omo el'ejo ti nrin mirin-mirin lori ewe.

Filho da serpente, a que se move serenamente por cima das folhas.

Omo arin ti irin ode-owo saka-saka.

Filho do moedor, aquele que rege com as mãos limpas.

Òrúnmìlá Àbọrú, Òrúnmìlá Àbọyè, Òrúnmìlá Àbọṣíṣẹ.

Eu rogo ao espirito do destino para alivia-lo de seu fardo terreno e oferece-lo aos céus.

 

Aula (14) - Òrúnmìlá, Ògbóni, Edan, Ìtagbè.

 

Odu Ìwòrì Méjì

Apa nii gbokoo tan ina oso

Oruru nii wewu eje kanle

Ile ni mot e tee te

Ki ntoo topon

Ope teere ereke

Nii ya si ya buka merindinlogun

A dia fun Òrúnmìlá

Won ni baba o nii bimo sotu Ife yi

Mo gbo titi

Mo rin won, rin won

Igba ti o koo bi

O bi ómó-ni-mo-bi-tan-ni-mo-fi-nsara

Oun ni won fi joye Alara

Igba ti o tuun bi

O bi Oran-omo-tajoro

Oun ni won fi joye Ajero

Igba ti o tuun bi O bi omo-ni-mo-bi-tan-ni-mo-funfun-laragberugberu

Oun ni won fi joye Oloyemoyin

Igba ti o tuun bi

O bi omo-ni-mo-bi-tan-ni-mo-kegikegi

Oun ni won fi joye Alakegi

Igba ti o tuun bi

O bi omo-ni-mo-bi-tan-ni-mo-nsegii-ta-loja-ejigbomekun

Oun ni won fi joye Ontagi olele

Igba ti o tuun bi,

O bi omo-ni-mo-bi-tan-ni-mo-afeluu-ta-loja-ejigboamekun

Oun ni won fi joye Elejulumope

Igba ti o tuun bi

O bi igba-ti-mo-bimo-tan-ni-oran-mi-too-gungege

Oun ni won fi joye owarangun-aga

Igba ti o tuun bi

O bi igba-ti-mo-bimo-tan-ni-won-nfowo-omoo-mi, wo mi

Oun ni won fi joye olowo lotu Ife

 

Òrúnmìlá waa dajo odun

O so fun gbogbo awon omoo re mejeejo

Ojo odun waa pe

Òrúnmìlá sodun, o sodun ko

Olowo naaa sodun, o sodun ko

Òrúnmìlá fa osun ide lowo

Olowo naaa fa osun ide lowo

Orunmila bo salubata ide

Olowo naaa bo salubata ide

Òrúnmìlá dade

Olowo naaa de

Omo-ni-mo-bi-tan-ni-mo-fi-nsara

Ti won fi joye Alara de

O ni Àbọrú Àbọyè Àbọṣíṣẹ

Oran-omo-tajoro

Ti won fi joye Ajero de

O ni Àbọrú Àbọyè Àbọṣíṣẹ

Omo-ni-mo-bi-tan-ni-mo-funfun-lara-gberugberu

Ti won fi joye Oloyemoyin de

O ni Àbọrú Àbọyè Àbọṣíṣẹ

Omo-ni-mo-bi-tan-ni-mo-kegikegi

Ti won fi joye Alakegi de

O ni Àbọrú Àbọyè Àbọṣíṣẹ

Omo-ni-mo-bi-tan-ni-mo-nsegii-ta-loja-ejigbomekun

Ti won fi joye Ontagi-olele de

O ni aboruboye bo sise

Omo-ni-mo-bi-tan-ni-mo-nfeluu-ta-loja-ejigbomekun

Ti won fi joye Owarangun-aga de

O ni aboruboye bo sise

Igba-ti-mo-bimo-tan-ni-won-nfowo-omoo-mii-wo-mi

Ti won fi joye Olowo lotu Ife de

O duro

 

Orunmila ni iwo naa paboruboye bo sise

O ni oun o le paboruboye bo sise

Orunmila ni ee ti je?

Olowo ni Òrúnmìlá sodun, o sodun ko

Oun olowo naaa soodun oun sodun ko

Iwo Òrúnmìlá fosun ide lowo

Oun olowo naaa fosun ide lowo

Iwo Òrúnmìlá bo salubata ide

Oun olóro naaa bo salubata ide

Iwo Òrúnmìlá dade

Oun olowo naaa dade

Bee ni won sin i

Eniikan kii fori ade bale fenikan

Ni Orunmila ba binu

O fosun idee re tu

Ni Orunmila ba kori si idi ope agunka

Eyi to ya si ya buka merindinlogun

Lo ba di wi pe aboyun o bi mo

Agan o towo ala bosun

Okunrun o dide

Akeremodoo wewu irawe

Ato gbe mo omokunrin ni idi

Obinrin o ri asee re mo

Isu peyin o ta

Agbado tape o gbo

Eree yoju opolo

Oju paa paa paa kan sile

Adiee sa a mi

A pon abe sile

Ewure mu un je

Gbogbo aye waa nwi pe

Nigba ti Orunmila mbe laye

Bayii ko layer i

Ni awon omo Orunmila ba meeji keeta

Won lo oko alawo

Won ni ki won o reku Méjì oluwere

Ki won o reja Méjì abiwegbada

Ki won o ru obidie Méjì abedo lukeluke

Ewuee Méjì abamu rederede

Einla Méjì to fiwo sosuka

Igba ti won rubo tan

Won waa kori si idi ope agunka

Eyi to ya si ya buka merindinlogun

Won nse

Ifá ka rele o

Omo enire

Omo enire

Omo enikan saka bi agbon

Ifa ka rele o

Ewi nle Ado

Onsa n Deta

Erinmi lode owo

Ifa ka rele o

Mapo Elere

Moba Otun

Mapo Elejelu

Gbolajokoo, omo okinkin

Tii meriin fon

Ifa ka rele o

Okunrin kukuru oke Igeti

Gbolajokoo, omo okinkin

Tii meriin fon

Omo opolopo imo

Tii tu jiajia wodo

Omo asese yo ogomo

Tii fun ningin niigin

Omo ejo meji

Tii sare ganranganran lori erewe

Omo ina joko mo joorun

Omo ina joko mo jeeluju

Orunmila ni oun o tun rele mo

O ni ki won o tewo

O waa fun won ni ikin merindinlogun

O ni be e ba dele

Be e ba fowoo ni

 

Eni tee moo bi nu un

Be e ba dele

Be e ba fayaa ni

Eni tee moo bi nu un

Be e ba dele

Be e ba fomoo bi

Eni tee moo bi nu un

Ile le ba fee ko laye

Eni tee moo bi nu un

Aso le ba fee nil aye

Eni tee moo bi nu un

Ire gbogbo te e ba fee nil aye

Eni tee moo bi nu un

Igba ti won dele

Gbogbo ire naa ni won nri

Orunmila afedefeyo

Elaasode

Ifa ree olokun ko de mo

O leni te e bar i

E sa moo pe ni baba

 

Tradução:

 

Odu Ìwòrì Méjì

É a árvore de apa que floresce na floresta e produz flores que tem medo dos mágicos.

É a árvore oruru que usa uma roupa de sangue de cima para baixo.

Foi no chão que eu imprimi as marcas de Ifá antes de começar a usar a bandeja de madeira para adivinhação.

É a palmeira delgada no topo de uma colina que ramifica aqui e ali e tem dezesseis cabeças semelhantes a cabanas.

A adivinhação de Ifá foi feita para Òrúnmìlá, foi dito que o pai nunca teria um filho nesta cidade de Ifé.

Quando ele o ouviu riu e deles.

 

1 - E quando ele teve um filho pela primeira vez ele chamou de ómó-ni-bi-tan-ni-mo-fi-nsara para quem foi dado o título de Alara.

2 - E quando ele teve um filho novamente ele foi chamado Oran-omo-tajori quem recebeu o título de Ajero.

3 - E na próxima vez que ele teve um filho ele o chamou de ómó-ni-bi-tan-ni-mo-funfun-lara-gberu-gberu quem recebeu o título de Oloyemoyin.

4 - A próxima vez que ele teve um filho

ele o chamou de ómó-ni-bi-tan-ni-mo-kegi-kegi quem recebeu o título de Alakegi.

5 - E na próxima vez que ele teve um filho ele o chamou de ómó-ni-bi-tan-ni-mo-nsegii-ta-loja-Ejigbomekun quem recebeu o título de Ontagi-olele.

6 - Na próxima vez que ele teve um filho ele o chamou de ómó-ni-bi-tan-ni-mo-nfeluu-ta-loja-Ejigbomekun que recebeu o título de Elejelumope.

7 - E na próxima vez que ele teve um filho ele o chamou de igbá-thimo-bimo-tan-ni-oran-mi-too-gungege quem recebeu o título de Owarangun-aga.

8 - E na próxima vez que ele teve um filho ele o chamou de igba-thimo-bimo-tan-ni-won-nfowo-omoo-mi-wo-mi quem recebeu o título de Olúwo na cidade de Ifé.

Òrúnmìlá então escolheu uma data para fazer uma festa ele disse a seus oito filhos o dia da festa que ele queria ser envolvido em odun.

Òrúnmìlá se envolveu com odun.

*Então Olúwo foi embrulhado com odun.

Òrúnmìlá carregava na mão, um bastão de bronze Opa Osun.

*Então Olúwo também carregava na mão, um bastão de bronze Opa Osun.

Òrúnmìlá usa um par de sandálias de latão.

*Então Olúwo usou um par de sandálias de latão.

Òrúnmìlá usou uma coroa.

*Então Olúwo também usou uma coroa.

1 - O filho de Òrúnmìlá conhecido como ómó-ni-bi-tan-ni-mo-fi-nsara quem recebeu o título de Alara e ele disseque o sacrifício seja abençoado e aceito.

2 - O filho de Òrúnmìlá chamado Oran-omo-tajoro quem recebeu o título de Ajero chegou e ele disse que os sacrifícios fossem abençoados e aceitos.

3 - E o filho de Òrúnmìlá chamado ómó-ni-bi-tan-ni-mo-funfun-lara-gberu-gberu foi quem recebeu o título de Oloyemoyin e ele disse que os sacrifícios fossem abençoados e aceitos.

4 - O filho de Òrúnmìlá chamado ómó-ni-bi-tan-ni-mo-kegi-kegi foi quem recebeu o título de Alakegi e ele disse que os sacrifícios fossem abençoados e aceitos.

5 - O filho de Òrúnmìlá chamado ómó-ni-bi-tan-ni-mo-nsegii-ta-loja-Ejigbomekun

Foi quem   recebeu o título de

Ontahi-olele e ele disse que os sacrifícios fossem abençoados e aceitos.

6 - O filho de Òrúnmìlá chamado ómó-ni-bi-tan-ni-mo-nfeluu-ta-loja-Ejigbomekun foi quem recebeu o título de Elejelumope e ele disse que os sacrifícios fossem abençoados e aceitos!

 

7 - O Filho de Òrúnmìlá chamado ómó-ni-bi-tan-ni-oraan-mi-too-gun-gege foi quem recebeu o título de

Owarangun-aga e ele disse que os sacrifícios fossem abençoados e aceitos.

*8 - O filho de Òrúnmìlá chamado igba-ti-mo-bimo-tan-ni-ganhou-nfowo-omoo-mii-wo-mi foi quem recebeu o título de Olúwo na cidade de Ifé chegou e ficou parado.

Òrúnmìlá disse, você também quer que o sacrifício seja abençoado e aceito?

Ele disse que não poderia dizer que o sacrifício fosse abençoado e aceito.

 

Òrúnmìlá perguntou por que você fica parado?

 Olúwo disse você Òrúnmìlá envolveu-se com um Odun.

Eu, Olúwo, me envolvi com odun.

Você Òrúnmìlá carrega Opa osun feito de latão.

Eu Olúwo tenho Opa Osun feito de latão.

Você, Òrúnmìlá, usa um par de sandálias de latão.

Eu Olúwo, também uso um par de sandálias de latão.

Você, Òrúnmìlá usa uma coroa.

Eu Olúwo também uso uma coroa.

 

Geralmente é dito que ninguém usa uma cabeça coroada para se prostrar diante de outra pessoa.

*Então, Òrúnmìlá ficou bravo e ele pegou sua bengala de latão.

Òrúnmìlá então foi a um pé da palmeira que ramificou aqui e ali e teve dezesseis cabeças semelhantes a cabanas e desapareceu.

O resultado foi que as mulheres não engravidaram mais.

Os estéreis permaneceram estéreis.

Os pacientes permaneceram doentes.

Pequenos rios usaram roupas de folhas.

O sêmen secou nos testículos dos homens.

 

As mulheres não ficaram mais menstruação.

Novos tubérculos de inhame apareceram, mas não puderam crescer.

As espigas de milho saíram, mas não puderam amadurecer.

Os feijões floresceram, mas não puderam se transformar em sementes. Porque a chuva não cai no chão.

As galinhas as pegaram facas afiadas foram colocadas no chão.

E as cabras comiam.

Todas as pessoas da terra estavam perguntando quando Òrúnmìlá voltaria a terra?

A terra não era assim!

 

Os filhos de Òrúnmìlá acrescentaram dois búzios a três.

 E eles foram a um sacerdote de Ifá que os orientou a fazer sacrifícios com dois ratos em movimento rápido.

Dois peixes grandes nadando pacificamente.

Eles foram orientados a oferecer duas galinhas com fígados grandes.

Duas cabras com feto.

E duas vacas (Einla) com chifres em forma para carregar coisas na cabeça.

Quando eles terminaram de fazer os sacrifícios eles foram para o pé da palmeira.

 

A palmeira se ramificou aqui e ali e teve dezesseis cabeças semelhantes a cabanas.

Eles estavam dizendo Ifá, venha para sua casa.

Enire cachorrinho.

Enire cachorrinho.

Descendentes daqueles que atacam de repente com um objeto pontiagudo.

Ifá, venha para sua casa.

Ewi na cidade de Ado.

Onsa na cidade de Deta.

Erinmi na cidade Owo.

Ifa, venha para sua casa.

Mapo na cidade de Elere.

Moba na cidade de Otun.

 

Mapo na cidade de Elejelu

Gbolajokoo, descendente de presas

isso faz como a tromba do elefante.

Ifa, venha para sua casa.

O homem sob a colina Igeti.

Gbolajokoo, descendente de presas

isso faz como a tromba do elefante.

Cachorro o filho da palmeira nasce.

Que se movem graciosamente com um barulho profundo em direção ao rio.

Descendente de novas folhas de palmeira.

Que são geralmente brancas e tenras

Descendente de duas cobras.

 

Quem corre rapidamente no topo das árvores?

Descendente de fogo que queima a fazenda, mas não queima o céu.

Descendente do fogo que queima a fazenda, mas não queima a parte profunda da floresta.

Òrúnmìlá disse que não voltaria para casa.

Ele pediu para estender as mãos para a frente.

*E ele deu as dezesseis sementes sagradas da palmeira para adivinhação de Ifá.

Ele disse quando você chegar em casa

Se aparecer uma pessoa que tenha dinheiro é essa a pessoa que você deve consultar.

 

Quando você chegar em casa se aparecer uma pessoa que quer ter esposas é essa a pessoa que você deve consultar.

Quando você chegar em casa se aparecer uma pessoa que quer ter filhos é essa a pessoa que você deve consultar.

Se aparecer uma pessoa que quer ter uma casa na terra é essa a pessoa que você deve consultar.

Se aparecer uma pessoa que quer ter roupas na terra é essa a pessoa que você deve consultar.

Se as pessoas querem ter todas as coisas boas na terra é para essas pessoas que você deve consultar.

Quando eles voltaram para casa começaram a ter todas as coisas boas prometidas.

Òrúnmìlá orador de todos os dialetos

Cujo apelido é Elaasode.

Ifá foi para a casa de Olóòkún e nunca retornou ele disse que você deve lhe chamar de pai.

 

ODU OGBE-YONU

 Iyán di átúngún

Óbé di átu´nsè

Wón ni kó ebi ku ohun kóhun mó

Bikò se ohun àjogún bá won kan soso

Ti wón fi njo ba

Eyi kìíse ohun mìràn bikò se Sàkì

Ebi ni ki Sàkì ná di ti Rà `ndàwú

Rà `ndàwú gba Sàkì odi Aláse ilú

Ó joba lóri gbogbo won

Sàkì wá gba yì ó gb’éye

Ódi ohun olá odi ohun iyì

Bi akò bá n”Rà `ndàwú

Akó lè joyè baba eni

Ohun ti sùúrú seti

Ilè ní gbé

 

O odù Ogbèyọ́nú explica o uso do Ìtagbè ou Ṣàkì, (parte do vestuário Ògbóni, diz o ẹsẹ Ifá, que jamais deveremos desrespeitar aquele que cobre o ombro esquerdo com tal vestimenta).

O Ìtagbè representa a parte interna do estômago humano e caracteriza aquilo que tem de mais íntimo dentro de cada um de nós, indicando que o nosso interior está exposto, assim como, nossas intenções.

O homem que estiver usando essa peça do vestuário Ògbóni jamais poderá ter a sua palavra questionada ou colocada em dúvida, Ifá diz, que nada supera a força de Ẹdan plantado na terra, aquele que possui Ẹdan tem sua dignidade como marca registrada do seu viver.

No odù Ìròsùn Ọ̀ṣẹ́, fala da responsabilidade que o Ògbóni tem com a verdade. No odù Ìròsùn Ìwòrì fala da insatisfação de Ọ̀rúnmìlà com o comportamento dos homens e do pacto feito com Ẹdan para que se mantenha a verdade.

A confecção do Ìtagbè fica a cargo das mulheres que cultuam Ọbàlùfọ̀n, o processo é demorado e envolve inúmeras orações e oferendas no momento da confecção.

Ifá nos revela na história de Poroyen a mulher que salvou a vida de Ọ̀rúnmìlà com o Ìtagbè. Ọ̀rúnmìlà tinha caído durante a noite dentro de um buraco e ficou preso por sete dias e sete noites, sem conseguir sair, no sétimo dia começou a cantar e a sua voz foi ouvida por Poroyen, que se aproximou do buraco e olhando para Ọ̀rúnmìlà se apaixonou por ele, então ela resolve fazer uma proposta. Poroyen disse para Ọ̀rúnmìlà que o tiraria do buraco com auxílio do seu Ìtagbè, se ele casasse com ela, Ọ̀rúnmìlà aceitou, eles casaram e tiveram filhos. 

O Ìtagbè, é usado sobre a cabeça dos anciões no conselho Ògbóni quando eles expressam a suas opiniões em decisões dentro do conselho, todos os Ògbóni usam o Ìtagbè no  ombro esquerdo, salvo aqueles membros que não são iniciados no Ifá, governantes, políticos e pessoas influentes na sociedade que tenham a conduta ilibada reconhecida.

As pequenas divergências que presenciamos sobre esse tema não diminui em nada qualquer uma das partes, a interpretação diferente demonstra o plural e Ifá nos ensina que o singular é demonstração de falta de maturidade.

No território Yorùbá existem muitas faces para a mesma verdade.

A kì igbé Ṣàkì, lé iká ka puro

Que significa, não se deve usar de forma maldosa o Ṣàkì, para dar credibilidade a sua mentira.

 

Ògbóni Ẹkùn!

  

Aula (15) - Ìwà-Pẹ̀lẹ́: O Conceito de Bom Caráter e o Ifá.

 

Segundo Abimbola, o homem necessita oferecer sacrifício às forças benéficas para continuar gozando de apoio para obtenção de bênçãos, assim como, oferecer sacrifício aos ajogun e às àjẹ́ com o objetivo de não encontrar oposição quando estiver prestes a realizar algum projeto importante.

 

“Todo indivíduo deve empenhar-se para ter Ìwà-Pẹ̀lẹ́, com o objetivo de ter uma boa vida num sistema dominado por muitos poderes sobrenaturais e em sociedade controlada pela hierarquia nas autoridades. O homem que possui Ìwà-Pẹ̀lẹ́ não colidirá com nenhum dos poderes, sejam humanos ou sobrenaturais, sendo assim, poderá viver em completa harmonia com as forças que governam tal universo...”

Wander Abimbola

  Para Epega, no odù Ogbè Lara:


Consultaram Ifá para Ọ̀rúnmìlà quando ele estava vindo para o mundo. Ifá disse que Ọ̀rúnmìlà nunca cairia em desgraça. Um peixe deveria ser sacrificado. Ọ̀rúnmìlà ouviu e realizou o sacrifício. Então, desde a criação do mundo até os dias atuais, Ọ̀rúnmìlà nunca caiu em desgraça.

Ele foi o primeiro a pisar no mundo. Ele treinou os sacerdotes de Ifá e situou os odùs em suas respectivas posições. Apesar de todas essas coisas, Ọ̀rúnmìlà nunca negligenciaria os sacrifícios prescritos a ele, por demonstrar aos seres humanos que "não pode haver paz sem sacrifício".

Está claramente expresso em várias lições em Ifá que “os seres humanos não vivem em paz sem oferecer sacrifícios”. Além do mais, pequenos sacrifícios previnem a morte prematura. Qualquer pessoa que deseja ter boa sorte sempre oferecerá sacrifícios.

Qualquer um que cultiva o hábito de fazer o bem, especialmente aos necessitados, sempre será feliz.”

 

Observando essas duas citações, concluímos que o simples fato de fazer ẹbọ e manter os princípios éticos e morais, seria o bastante para nos livrar de todos os males.

Na verdade, tudo isso depende de um conjunto mais complexo, como Orí e o destino escolhido antes de virmos para a terra.

Não podemos assim dizer que se eu tiver um bom comportamento e realizar os sacrifícios isso irá mudar a minha situação, eu posso estar buscando algo que não faz parte do meu destino.

É bom lembrar que uma parte do destino pode ser mudado pelas nossas ações, podemos transformar uma grande parte dele, isso é verdade, porém, existe uma pequena parcela que jamais poderá ser alterada.

  

Aula (16) - Ìyá Òdù O Mais Importante De Todos Os Òrìṣàs

 

Ìyá mi Òdùlógbòjé ou Ìyá Òdù, é o mais importante assentamento no culto aos Òrìṣàs, onde, representa o útero materno gerador dos odùs que dão origem a tudo que existe no universo. Ela também representa a capacidade adquirida pelo bàbáláwo de assentar qualquer Òrìṣà inclusive àqueles que ele não foi iniciado.

Se todo Òrìṣà nasce em um odù e o bàbáláwo tem o assentamento de Ìyá Òdù ele poderá invocar o odù de origem de qualquer Òrìṣà. Para ser feito uma cerimônia de Ìtélodú existe a necessidade de ter o assentamento de Ìyá Odù que deverá ser alimentada, já no Ìtẹ̀fá de uma outra forma sem a necessidade do assentamento.

No território Yorùbá é comum encontrar bàbáláwos antigos que tem somente três assentamentos, Èṣù, Ọ̀rúnmìlà e Ìyá Òdù. Uma das diferenças entre um bàbáláwo e um bàbálórìṣà, é que um bàbálórìṣà, poderá assentar somente Òrìṣàs no qual ele foi iniciado, um bàbáláwo pode assentar qualquer Òrìṣà, para isso ele tem que ter conhecimento e ser portador do assentamento de Ìyá Òdù.

Em território Yorùbá as famílias do culto a Ifá consideram que um awo que não tenha sido apresentado para Ìyá Òdù durante o seu Ìtẹ̀lodù, não é reconhecido como bàbáláwo.

O assentamento de Ìyá Òdù é aberto somente em situações muito especiais como nos Ìtẹ̀lodùs e no ọ̀dún Ifá.

Os homens que não foram submetidos ao Ìtẹ̀lodù não poderão ser apresentados para Ìyá Òdù sob o risco da responsabilidade de tal ato cair sobre o portador desse assentamento.

Em razão de existir um juramento feito pelos bàbáláwos diante de Ìyá Òdù de jamais divulgar o conteúdo do assentamento não entraremos em mais detalhes, esse assentamento é o maior segredo do culto aos Òrìṣàs.

 

BIBLIOGRAFIA

 

AWODIRAN; A. Ifá, Ohun enu Olódùmarè

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EPEGA; A. A. Oráculo Sagrado de Ifa

BASCON; W. Ifá Divination

BALOGUN IFASE; A. O. DAFA – Um Poderoso Sistema Para Ouvir A Voz Do Criador.

POPOOLA: S. Ifá Dida an Invitation to Ifá Divination, vole 1

POPOOLA; S. Practical Ifá: For the Beginner and Professional

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DOS SANTOS; E. Os Nagô e a Morte: Pàdé, Àsèsè e o Culto Egún na Bahia Juana

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SALAMY; A. Ifá a complete divination

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JUNIOR; E. F. Dicionário Yorùbá (Nagô) Português

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(Bibliografia Citada)

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*ORÁCULO SAGRADO DE IFA

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* IFÁ DIVINATION –

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* DAFA

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* Practical Ifa: For the Beginner and Professional

Solagbade Popoola

* Ewé: o uso das plantas na sociedade ioruba

* Orixás, Deuses iorubas na África e no Novo Mundo

* Notas Sobre O Culto Aos Orixás E Voduns

* Saída de Ìyàwó

Pierre Verger

* OS NAGÔ E A MORTE Pàdé, Àsèsè e o Culto Egún na Bahia

Juana Elbein dos Santos.

*Oríkì - Òrúnmìlá

Falokun Fatumbi

*Ifá a complete divination

Ayò Salamy

*Mitologia dos Orixás Africanos 1

*Ogum – Dor e Júbilo (nos rituais de morte)

SIKIRU SALAMI

*Dicionário Yorùbá (Nagô) Português

Eduardo Fonseca Júnior

*A Enxada e a Lança

Alberto da Costa e Silva

 

“Não me pergunte o que Ifá está fazendo por você sem que você saiba me dizer, o que você está fazendo pelo Ifá!”

Olúwo Ifábaíyin Awolola Agboola

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