quarta-feira, 3 de setembro de 2014

O Babalawo e a aranhazinha paulista.


Autor: Babalawo Ifagbaiyin  Agboola.

No fim do mês de maio eu estava na cidade de São Paulo fazendo algumas iniciações e comecei a me sentir um pouco estranho, senti a alteração da temperatura do meu corpo dois dias seguidos.

Estava me sentindo como se estivesse com febre, mas não dei importância, como sempre a minha vida é muito corrida e cheia de afazeres, eu tinha terminado um itefa e ia começar mais dois quando vi em meu corpo uma pequena marca que identificou o ocorrido.

Eu tinha sido picado por um inseto, procurei no quarto e descobri uma pequena aranha morta, sabe lá como ela morreu, devo ter matado a sem sentir.

A verdade é que fui atingido e aprendi uma lição com a historia, devemos olhar a cama antes de deitar, a confiança em demasia complica a situação, devemos ficar atentos para as armadilhas da natureza.

Quando me senti estranho minha iya apetebi preocupada pediu para o Araba consultar Ifá e o Odu que apareceu foi Osa Irete ire, tranquilizando a todos, pois é um odu de muita fartura e sucesso, sem falar que é o odu de nascimento do Araba que naquele momento vinha nos tranquilizar.

O Babalawo dono da casa que eu estava hospedado se preocupou com o fato e insistiu em me levar até o hospital, mas depois de alguns exames nada foi encontrado, na verdade o fato era menos importante do que eu imaginava.

Da historia ficou na minha pele uma pequena marca escurecida de aproximadamente um centímetro e considerando que tenho aproximadamente um metro e oitenta centímetros de altura e oitenta quilos, a pequena marca praticamente é insignificante.

Um Babalawo deve estar preparado para lidar com todo tipo de situação, mas eu não imaginava que um aracnídeo me causasse tal problema.

A experiência nos ensina que um fato deve contribuir para a nossa formação nos afastando do problema em uma situação futura e nos capacitando para lidar com o mesmo.

 Um pequeno animal pode te incomodar por algum tempo, mas o corpo humano desenvolve uma defesa independente do seu querer, tudo é automático e com o passar do tempo você se sente vacinado e essas coisas não te incomodam mais.

A natureza é muito seletiva e aqueles que não contribuem terminam sucumbindo na caminhada, o processo da evolução humana é determinante e não perdoa os fracos.

No escuro da noite fui vitima, na escuridão fui atingido e enquanto dormia, o veneno estava sendo liberado. Um ataque covarde mas é a natureza do bichinho, ele nasceu e morreu covarde. 

Como dizem os antigos, quem tem advogado não briga, o meu advogado é um cara que sabe tudo de saúde humana, ele está fazendo o seu trabalho  e eu estou muito tranquilo.

Iba Baba mi Orisa Soponnan.
                                                                       



terça-feira, 2 de setembro de 2014

A filosofia de ifá


A filosofia de ifá
Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola


Aproximadamente dois anos atrás em uma tarde de domingo após ter tomado um café enquanto minha mulher assistia à televisão entrei na internet e fui surpreendido pelo convite para fazer parte do facebook de uma jovem iyanifa.

Se não estou enganado fui uma das primeiras pessoas que ela convidou para o seu facebook, olhei as fotos e percebi que o ritual do itefa tinha terminado naquele mesmo dia, observei com bastante cuidado as fotos da jovem iyanifa por saber se tratar da iya apetebi de um jovem Babalawo, que há um mês ou dois antes também havia me adicionado.

Como sempre quando entro na internet converso com um ou dois membros de minha família porque o facebook não me atrai, as pessoas quem conhecem sabem que não morro de paixão pela rede social.

No dia seguinte bem cedo minha iya apetebi me mostrou um texto que a jovem iyanifa tinha postado fui surpreendido pela quantidade de absurdos contido nesse texto, foi olhando a internet hoje vendo a foto do jovem casal que resolvi escreve sobre a filosofia de Orunmila.

Surpreende-me que algumas pessoas que ainda não conhece sobre seu próprio odu se arrisquem escrevendo sobre ifá, fico ainda mais espantado quando vejo pessoas que são pré-iniciadas escreverem sobre ética na religião tradicional yoruba.

Como alguém que ainda não passou por um itefá ou que recentemente foi submetido a essa cerimônia pode falar sobre um tema tão extenso e complexo, isso para mim é uma falta de respeito com as pessoas que leem e uma total falta de consideração com as divindades, pois ifá adverte que (1) não devemos falar do que não conhecemos.

A falta de textos para as pessoas iniciadas dá espaço para que aventureiros se intitulem conhecedores, normalmente os autores que escrevem sobre a filosofia de ifá publicam seus textos em inglês e yoruba, criando um grande problema para as pessoas que não tem conhecimento sobre esses idiomas.
Buscando elucidar muitas das questões formuladas a nós na rede social resolvi abordar mais profundamente a questão da filosofia, começarei abordando alguns fatos:

- Se a pessoa tem o hábito de mentir e dissimular seria possível que ela estivesse alinhada com algum orisá, eu particularmente não acredito a mentira, a inveja e a desonestidade afastam as pessoas dos orisás, principalmente Orunmila.

 A própria consulta a ifá determina que o uso do ibo identifique com clareza o sim ou o não, no ifá não existe meio honesto, meio invejoso, meio mentiroso e se isso acontece à pessoa esta desalinhada com o orisá.

A falta de caráter é motivo de orientação na consulta de orisá, implicando em ebó, aconselhamento e esclarecimento, visando à mudança de postura, isso não acontecendo o afastamento da divindade é progressivo.

Imaginemos que um homem que levanta a mão para uma mulher possa imaginar que um dia será beneficiado por Osun ou Iya mi, isso é um absurdo.

Um homem ou a mulher adúltero teria condições de jurar dentro do igbodu fidelidade ao seu Oluwo e ao seu ifá assim como ao seu egbe, isso é impossível, não existe nível de traição, existe sim uma falta cometida que não é dimensionada por se tratar de pessoas ou divindades, traição é traição.
No igbodu o juramento é feito sobre a terra (2) e não importa por onde andemos a terra vai testemunhar os nossos atos.

Um Babalawo jamais pode (3) trair, roubar e mentir, sendo assim me surpreende que algumas pessoas que ganham a vida mentindo publiquem em suas páginas pessoais fotos de assentamentos de Orunmila e fotos de aves com hábitos noturnos, será que acreditam esses desavisados que em seus assentamentos respondem Orunmila e Iya mi.

Na verdade a energia que responde nesses assentamentos é mobilizada pela exteriorização do aspecto energético do individuo e propulsionam situações de aspectos negativos, a filosofia de ifá é clara quando diz no odu Ogbe Otura (4) aquele que tem maus hábitos é incapaz de invocar forças curadoras ou prosperas.

Existe uma grande confusão com a filosofia dominante em nosso país, católico, e o que é pregado por Orunmila, um exemplo que posso citar é que na bíblia diz que devemos dar a outra face, já no odu ogunda meji fala que devemos estar sempre preparados para a guerra e que é nossa obrigação reagir contra uma agressão com a mesma intensidade. Então pensar com uma formação católica cultuando orisá é o primeiro passo para o erro.

Imaginemos uma mulher que faz um aborto rezar para Osun algum tempo depois pedindo fertilidade é no mínimo incoerente, porém a pratica da teologia somada à filosofia vai instruir essa mesma pessoa criando novos hábitos, aprimorando o pensar, refinando o sentir, purificando o agir.

Se não houvesse uma possiblidade de uma nova chance qual seria a razão de reeducar, (5) sendo assim a revolução do comportamento e do sentir deverão ser retratados no dia a dia na forma de agir.

A filosofia é uma ciência dividida em três períodos específicos quando estudada, a impressão que temos que os sacerdotes do culto ao orisá da atualidade se deixaram influenciar por hábitos católicos oriundos do período filosófico Helenístico que tem influência cristã.

O importante para o culto ao orisá quando estabelecemos um paralelo do pensar seria o período Pré- Socrático sem influência católica com base na relação do homem com o mundo ao seu redor.

Alguns desses sacerdotes da atualidade são capazes de copiar textos, roubar ideias e plagiar descrições com o objetivo de abordar o tema filosofia, não me espanta se em breve surgir uma fase nova da filosofia descrita como a mediocridade.

Algum tempo atrás um conhecido me chamou ao telefone e abordou esse tema, dizia ele, “Baba Ifagbaiyin o senhor pode me explicar algumas coisas sobre filosofia e ifá”. Conversamos aproximadamente uma hora e meia, ele se despediu muito feliz com a minhas explicações, para a minha surpresa no outro dia postou um texto com a nossa conversa que ele certamente gravou.

Desconhece o pretenso sacerdote a essência do Ifá que visa (6) lapidar o homem, aprimorando o raciocínio objetivando um convívio harmonioso com tudo ao seu redor.

É impossível que pessoas com esse comportamento pretendam divulgar ideias considerando o fato que Orunmila é aquele que tudo sabe, partindo desse principio toda a energia gasta na tentativa do convencimento pode estar atingindo única e exclusivamente o seu autor, gerando em um primeiro estagio uma sensação de prazer que leva o mesmo a pensar que esta fazendo sucesso. 

O problema é o segundo estagio quando o individuo se vê envolvido em um período depressivo por conta da consciência da realidade, na verdade ele termina concluindo que a única pessoa prejudicada é ele mesmo.

Na ecologia o primeiro período na escala de evolução de um povo é a destruição o segundo é a conscientização e o terceiro a reconstrução, já na evolução do pensar medíocre a três fazes são descritas da seguinte forma, a primeira é a inveja que desperta o desejo de ter o que o outro tem, a segunda fase é a elaboração do projeto destrutivo, sim destrutivo não que destrua a o invejado e sim que destrói a verdadeira personalidade do invejoso, dando espaço ao duble do invejado.

O pior de tudo é a terceira fase após prejudicar a vitima o invejoso percebe que também se prejudicou.

Se um iniciado em ifá tem como proibição (7) maior trair e mentir, é evidente que a confiança é o alicerce para a relação dos indivíduos, por essa razão somente algumas pessoas pertencentes há alguns seguimentos dentro da estrutura religiosa tradicional tem acesso a algumas informações. 

Aquele que foi iniciado necessita ter paciência para evoluir dentro de sua família visando assim atingir um nível que deixa de existir segredos entre seus membros.

É verdade que um Oluwo não é uma espécie de pai, ele é sim um iniciador e um mestre, o afastamento dele pelo jovem iniciado não é bem visto em território yoruba, as pessoas iniciadas em ifá permanecem na mesma família por toda a vida, esse fato facilita a compreensão da teologia e da filosofia.
As relações entre os membros no ifá são pautadas (8) na visão que o tempo fortalece os laços, abre as portas da convivência.

 Diminuindo as dúvidas, fortalecendo assim confiança e a segurança, objetivando a elevação espiritual e moral.



   O projeto Ifá é para todos.


                                                                                                                                                                

O projeto Ifá é para todos, durante esse mês recebeu o apoio dos quatros principais Babalawos da família (Araba) Agboola Awodiran, Babalawo Oyeyefa Kolawole Agboola, Babalawo Ifatokun Alamun Fashina (principal sacerdote do culto de Egungun, Baba Alagbaa, Oluwo Apena) Tifase Agboola(Babalawo Oyeniyi). Agradeço o apoio de nossa família, adupe o.

Autor:Babalawo Ifagbaiyin Agboola.

 A aceitação no Ifá.




Autor:Babalawo Ifagbaiyin Agboola

A diferença entre o querer e o poder esta implícita na essência escolhida antes de nascer, a ganância e o desejo de ser o que não esta escrito, afasta do caminho, e cria um abismo intransponível condenando a completa mentira.

A inverdade construída na ambição perpetua a insatisfação exacerbada, ela alimenta a ilusão, o querer se exterioriza de forma imperfeita e retrata a verdade do inatingível.



A não conformidade com o destino escolhido antecipadamente, amarga, envelhece por dentro, tempera em excesso, marca com o irretocável e sentencia a insatisfação.

Ao contrario a beleza no viver esta na certeza de estar no caminho certo é viajar com o mapa do passado para escrever o futuro é construir aquilo que previamente foi acertado é manter o acordado.
A vida é breve para provocar um equivoco mergulhar no engano, negar o destino e querer aquilo que não lhe pertence.

A distância entre a verdade e a mentira depende da sua ambição, depende da falta de aceitação, depende de quanto você quer pagar para se iludir. A mentira machuca no presente, ofende o passado, e destrói o futuro, caminhar de mãos dadas com falta da verdade é a certeza do tropeço.

Se você quer ser feliz escute a natureza, entenda os sinais, observe seu interior ele vai falar com você, se você insisti em mentir diante das pessoas vai acontecer o óbvio, você não vai conseguir ficar sozinha com você mesmo, o silencio do dialogo interior vai roubar o seu sossego.

A felicidade pode existir no ser, ela não é fruto exclusivo do querer, existe também o merecimento, existe a aceitação, a verdade e a fidelidade.

A ilha da fantasia e a verdade no Ifá.



Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola

Na terra do faz de conta porteiro é proprietário do prédio, enfermeiro é cirurgião, soldado é coronel e comerciante é sacerdote.

No tempo não conjugado, o verbo, se articula como arma afiada, observador vira doutor e membro da academia é confundido com escritor famoso e academico, idiota vira sábio e perdido vira orientador.

Na ilha da fantasia a ignorância é cercada de prepotência por todos os lados, mas o cheiro ruim exala através da boca do malditos como resiltado antecipado danecropsia de seus cérebros contaminados com fezes.

Na ilha da boçalidade o que até bem poucos dias habitava um cárcere, hoje é envaidecido por seguidores desprovidos de qualquer consciência que os seguem nas redes sociais.

Na terra dos caolhos quem reconhece um único odu quer ser sacerdote, quem comercializa obi vira erudito e ebo cria realeza, existe imbecil para tudo e a confirmação esta estampada nos noticiários.

Hoje mesmo vi a foto de conhecido jogador de futebol ser curtida 4 mil vezes no facebook que o pobre coitado figura como deputado federal, ai pergunto quem é o animal é o que vota ou que aceita a mentira como verdade?

Na ilha da fantasia a maldade esta cercada por todos os lados por interesses escusos, os celulares servem como gravadores e as mensagens de outrora inimigos hoje são compartilhadas com parceiros traidores do amanhã.

A terra é uma testemunha silenciosa e o tempo se encarrega, os cadáveres em putrefação alimenta os vermes, e o frutos do lixo desaparece na atmosfera onde tudo que foi criado contribui para enterrar o criador.

Na noite mal dormida diante da imagem cintilante idiota fica falante, assessorista vira artista e marginal se torna ilusionista, a evolução só acontece dentro do elevador quando ele esta subindo, na real de frente com os olhos da solidão você enxerga o seu interior e a podridão.

Na terra da ilusão, traição é esperteza, vulgaridade é beleza e loucura se paga caro, o serviço social em nosso país não atende a falta de moral, para isso existe um outro remédio.


A importância do dinheiro e Ifá.



Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola


Quando eu nasci há quase sessenta anos atrás meu pai possuía um pequeno posto de lavagem de veículos e minha mãe era professora, eles me ensinaram que o dinheiro não é importante acredito que eles como a maioria da população do nosso país aderiram a esse discurso por influência católica.

É interessante que uma religião que diz que é mais fácil um camelo passar em um buraco de uma agulha que um rico entrar nos reinos do céu ostente um trono de ouro para o descanso de seu principal sacerdote, mas essa é outra história.

A verdade é que nas vinte quatro horas do dia o dinheiro é muito importante da hora que acordamos até a hora que vamos dormir o dinheiro faz a diferença, quando dormimos em um colchão de má qualidade economizamos dinheiro, mas as dores nas costas são terríveis.

No odu otura ka fala que o dinheiro é um dos componentes do ebo, no odu ogbe bara é clara a indicação que o sacerdote entra em ewo quando não cobra.

Às vezes vejo que algumas pessoas que em principio deveriam ter obtido ótimos resultados após suas iniciações enfrentam algumas dificuldades, esquecem ou desconhecem essas pessoas que na religião tradicional yoruba o pagamento dos serviços prestados por um sacerdote implica em um compromisso com o sagrado.

Na tentativa de auxiliar a compreensão do fato citado acima vamos enumerar algumas questões:

1- Quando o pagamento não é feito independente da razão, pois o compromisso foi assumido e se a pessoa não tinha condições não deveria assumir.

2 - Quando existe a necessidade de um afastamento do núcleo familiar religioso independente do motivo, esse só deve acontecer após o acerto financeiro previamente combinado. Se for combinado deve ser mantido.

3 - Quando do perdão de uma divida por benevolência ou serviço prestado, é comum um sacerdote perdoa dividas de iniciações dos membros que mais trabalham no dia a dia da casa de asé.

Mesmo nesses casos aquele que tem sua divida perdoada deve fazer um pagamento simbólico em dinheiro.

A falta do pagamento implica diretamente na quebra de um acordo e para o divino não existe meio termo você é honesto ou você é desonesto e a quebra de um acordo pré-estabelecido mesmo que alguns não concordem é uma falta grave.

Imagine se fosse possível um debate com uma divindade que esqueceu uma benevolência por omissão ou negligencia.

Constantemente sou abordado para opinar sobre iniciações e sempre é muito difícil falar sobre o que não presenciamos, tenho como habito começar a conversa com a seguinte pergunta:
- Você já pagou sua iniciação, ou qualquer tipo de divida de ebo que você tenha contraído?

Em um país com uma população que recebeu uma educação católica as pessoas desconhecem os hábitos no território yoruba e da religião tradicional, sendo assim vou citar alguns exemplos.

- Jamais sobre nenhum pretexto devemos visitar uma casa de asé sem que seja levado algum tipo de presente como obi, orobo, dendê, gim, frutas, flores e etc.

- jamais sobre nenhum pretexto devemos consultar com sacerdote do culto de orisa sem pagar, um pagamento mínimo sempre vai auxiliar na manutenção do asé.

- A manutenção de uma casa de orisa envolve inúmeros custos e cabe aqueles que a administram desenvolverem uma politica financeira adequada, eu particularmente não concordo com mensalidades.

As mensalidades tendem a caracterizar uma associação e uma casa de asé em minha opinião jamais poderá ser uma associação, nas associações se discute as decisões nas casas de asé se cumprem as orientações contidas nos versos de ifá.

A falta de textos abordando esse assunto caracteriza o quanto é delicado falar desse tema, o risco que você seja identificado como dinheirista por aqueles não conhece a nossa religião é enorme. Tudo em nossa religião esta contido nos versos de Ifá cada ato consta de um verso basta seguir as orientações.

A necessidade de um comportamento cultural adequado a um sentimento religioso identificado com a historia de um povo pode facilitar a compreensão dos desdobramentos, em um dia a dia de fé.
As resposta quase sempre espelham as necessidades contidas nas perguntas ou no comportamento daquele que questiona; por essa razão a teologia deve ser estudada com a filosofia de um povo.

OTURA KA
OGININIGIN AWO OLOKUN
LODIFA FUN OLOKUN NIJO
OMI OKUN KO TO BU BOJU
ALUKO DODO AWO OLOSA LODIFA FUN OLOSA
NIJO OMI OSA KOSE BU WESE
ODIDERE ABIRIN ESE KERE WE
ADIFA FUN OLUWO MODO OBA
NIJO TI WON NWA OHUN EBO KIRI
ERIGI AWO AGBASA ADIFA FUN WON NI SESAN AGERE
NIJO TI WON NWA OHUN EBO KIRI
OWO TI NBE NILE YI NKO OHUN EBO NISE ERIGI LAWO AGBASA AWA TI ROHUN EBO
EYELE, AKUKO, ADIE, ETU, EWURE ABUKO BEBELO.
ENI TO BA NI KEBO MA DA KO MA BEBOLO

Tradução
Otura ka
Oginnigin o sacerdote de Olokun (deus do mar)
Faz adivinhação por Oloku
Quando a água no oceano é pouca
Oluko dodo, o sacerdote de Olosa (deus do rio)
Faz adivinhação por olosa
Quando a água do rio é pouca
O papagaio com seus movimentos estranhos
Faz adicinhação para Oluwomodo 0ba
Erigi Awo Agbasa faz afivinhação para
As pessoas de Sesan Agere
Quando procuravam os materiais para o Ebo (sacrifício)
O dinheiro no chão é material para Ebo
Erigi Awo Agbasa, Nós vimos o material para Ebo
O pombo, galo, galinha, galinha pintada (d’angola), bodes e etc
São materiais para sacrifício
Erigi Awo Agbasa, nós vimos os materiais para Ebo
A pessoa que disser que o sacrifício não deveria
Ser aceito deveria morrer e seguir o sacrifício.

sexta-feira, 4 de julho de 2014


Ifá e a hierarquia.



Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola

Muito se tem falado sobre a hierarquia no culto de orisa no Brasil, isso contribui para o enriquecimento das informações sobre a religião Afro Brasileira, mas infelizmente sobre a hierarquia no culto de Ifá é muito raro encontrar informações confiáveis, sendo assim na tentativa de contribuir com as informações disponíveis em nosso país estamos divulgando as orientações por nós recebidas em território yoruba.

- Primeiro escalão, grupo conhecido como Iwarefa.

ARABA (Oluawo)
O titulo de Araba é o mais importante dentro do culto de ifá, normalmente em terras yorubas um Araba é escolhido com base em três critérios:
-Conhecimento inquestionável
-Conduta ilibada
-Apoio unânime

O Araba representa o grupo de Babalawos de uma cidade ou de um país, o que nos leva a seguinte conclusão, as cidades com maior população de Babalawos tem um critério de escolha mais exigente do que as cidades de pequenas populações.

Em uma cidade grande para que um Babalawo se torne um Araba ele será questionado por um grupo maior de sacerdotes.

Esses questionamentos podem durar dias, e somente quando todos Babalawos estiverem satisfeitos com as respostas, a data da cerimonia será marcada.

Observação: em uma cidade muito pequena com um grupo muito pequeno de Babalawos a escolha de um Araba pode ser imediata desde que exista o apoio do grupo.

Existe também uma forma carinhosa de intitular o Babalawo mais velho em um Ile Ifá que muitas vezes é confundido com o acima mencionado, já que carinhosamente o mais velho dos sacerdotes dentro da família pode ser chamado de Araba, importante não confundir esse titulo familiar restrito há casa da família com o Araba de uma cidade ou de um país.

AKODA
Babalawo Agbalagba preparado para substituir o Araba em caso de morte ocupa imediatamente o cargo do Araba mantendo os rituais mesmo no período de luto.

ASEDA
Babalawo Agbalagba, o terceiro na hierarquia, preparado para substituir o Akódá.

AGBONGBON
Babalawo especialista em Oriki, considerado a memoria da família, capaz de recitar o conhecimento contido nos versos de ifá durante dias e noites.

ERINMI
Babalawo com conhecimento inquestionável sobre os rituais secretos no Ile Ifá.

AGIRI
Babalawo experiente com profundo conhecimento sobre odu.

AWISE
No Brasil o titulo de Awise foi divulgado de forma errada, um Awise fala em nome da família autorizado pelo seu Oluwo ou Araba, sendo assim deve ser um Babalawo bastante experiente.

- Segundo escalão no Egbe Ifá.

ALAKEJI
Esse titulo só pode ser usado por um Babalawo muito experiente ele substitui o Oluwo dentro do Ile Ifá em todas as situações com exceção das iniciações.

ALARA
Babalawo experiente especialista na relação com os iniciados, e iniciações em geral.

OKUNMERI
Babalawo especialista nas cerimonias internas.

AGUNSIN
Babalawo experiente que acompanha o primeiro escalão em rituais ou festejos externos, responsável pelo deslocamento dos membros do Egbe Ifá.

ARANISAN
Babalawo experiente que orienta cerimonia diante de Osun, no ritual de itefa.

AMUKINRO
Babalawo experiente que orienta os iniciados dentro do Ile Ifá em cerimonias que é consultado ikin.

KAWOLEHIN
Babalawo experiente que orienta os iniciados em rituais e festejos internos e externos.

OLUWO
Existem dois títulos diferentes descritos pela palavra Oluwo, um dentro do ifá e outro dentro da sociedade Ogboni imediatamente superior ao título de Apena na hierarquia.

Nessa abordagem vamos analisar o titulo restrito ao culto de Orunmila.

O Oluwo pode ser escolhido ou não entre os cargos acima citados.
O Oluwo é um Babalawo que tem autorização para iniciar outros Babalawos, não devemos confundir com Olodu, (Babalawo que possui o assentamento de Iya Odu), o fato isolado de possuir Iya Odu, não o torna um Oluwo.

O Oluwo é o sacerdote que tem a responsabilidade sobre as cerimonias de itefa e Ìtélodú, sendo assim todas as situações que passo a descrever devem ter a autorização do Oluwo:
-Consultar ifá com opele ou ikin.

-Submeter se a ebó ou etutu.
-Participar de iniciações ou festejos referentes ao culto de Orunmila e Orisa.
-Fazer iniciações e consultas.

OJUGBONA
O Ojugbona é o Babalawo que participou da iniciação que tem a função de treinar, mas não tem o poder de autorizar o novo awo para que faça iniciações ou consultas.

BALOGUN
Balogun é um titulo muito importante o Babalawo escolhido para essa função deve ser muito experiente para lidar com as questões que envolvem os rituais e as relações internas e externas da família, no tocante a proteção do Ile Ifá, e seus membros.

SOKINLOJU
Esse titula deve ser dado a um Babalawo antigo dentro do Egbe é uma espécie de observador com autoridade para corrigir erros e procedimentos no dia a dia do Ile Ifá.

AKOGUN
Esse titulo só pode ser dado para um Babalawo experiente, normalmente o Akogun auxilia ou substitui o Balogun.

SUREPAWO
Esse titulo pode ser ocupado por um Babalawo jovem, o Surepawo é encarregado de pagamentos, compras e afazeres fora do Ile Ifa.

ASAWO
Babalawo jovem ou Awo kekere que auxilia o Surepawo.

IYANIFA
O nome Iyanifa é muito confundido, considerando se que pode ser usado em duas situações diferentes.

-Iyanifa (aquela que possui ifá, sacerdotisa), também conhecida como Iyaonifa.
-Iyanifa (toda mulher submetida à itefa).

IYA APETEBI
-Iya apetebi na religião tradicional yoruba é a esposa do Babalawo.
Observação: normalmente as iya apetebis devem ser iniciadas em Osun.

IYANIFA IYA APETEBI
No caso da Iyanifa Iya Apetebi (Aiya) esposa do Oluwo, do Egbe Ifá, as exigências são maiores em razão da alteração da hierarquia considerando que o titulo é superior aos demais remetendo imediatamente a Iya Apetebi e Iyanifa a o segundo cargo dentro do Egbe ifá.

IYALODE AWO
Iyanifa líder das mulheres no Egbe Ifá
AJIGBEDA AWO
Iyanifa experiente auxiliar da Iyalode.

Em cada família a hierarquia pode sofrer alterações mas de um modo geral o processo é semelhante, sendo assim devemos aclara que a expressão primeiro e segundo escalão em nosso texto foi usada por não nos ocorrer no momento palavra mais adequada, em nenhum momento com intenção de diminuir ou menosprezar os demais.

Texto: Babalawo Ifagbaiyin

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Fatos e boatos no Ifá e Orixa.



Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola.

Todos sabem a diferença entre fatos e boatos, mas algumas pessoas não entendem a repercussão ao divulgar as duas situações.

As vezes um boato pode gerar tantos problemas que a grande maioria das pessoas termina considerando o boato como se fosse um fato, a confusão gerada por um diz que me disse pode terminar com um resultado inesperado.

Algumas pessoas acreditam que se uma historia não é fato é boato, na verdade existe uma grande gama de possibilidades, pode acontecer uma especulação, ou o uso de algumas palavras definidas em nosso país como factoide.

A palavra factoide foi usada pelo prefeito do Rio de Janeiro Cezar Maya para definir um tipo de rumor criado na mídia com finalidade de desestabilizar a politica do referido politico. Na verdade essa forma de articulação suja e desprezível é usada há muito tempo, durante toda a historia humana assistimos esse tipo de situação.

O caso mais marcante da produção de noticias falsa foi a que aconteceu na guerra fria, os americanos inventaram todo tipo de coisas sobre os russos, a verdadeira razão disso era uma disputa de mercado, a fatia do bolo se é que podemos definir assim.

Em outro episódio da História humana os católicos dominaram o mundo pregando que somente a sua religião estava ligado de fato a Deus.

Quando alguém inventa uma história para atingir o concorrente a situação se auto explica, se definirmos o mercado como um bolo quando alguém consegue abocanhar uma fatia maior do mesmo, o restante do bolo não cresce, e o que sobra será dividido pelos descontentes com o que se serviu com a fatia maior.

Nos tribunais o habito de desqualificar a testemunha de defesa é muito usado, quando alguém desmerece o outro coloca duvidas naqueles que desconhecem a verdade, esse método sujo é usado com uma finalidade pré-concebida calculada como um golpe baixo e impróprio.

Na religião de Òrìsà no Brasil isso acontece com frequência, se um sacerdote inventar historia sobre o seu concorrente a chance do cliente fazer os ebós com ele aumentam bastante, o defeito pré-inventado gera dividendos.

Quanto a possibilidade de tratar essa situação existi uma realidade, quem tem advogado não briga, porém o silencio pode ser interpretado como medo, sendo assim a melhor defesa é o ataque.

Quando eu escrevi o texto intitulado (banda podre) foi uma resposta para alguns dos meus opositores, e um alerta para quem está assistindo esse circo criado com meu nome.
O projeto Ifá é para todos incomoda muita gente imaginem as seguintes pessoas:

Os que cobram trinta mil para fazer um itefa.
Os que cobram cinquenta mil para iniciar em Iya mi.
Os que cobram oito mil para fazer um isefa.
Os que cobram setenta mil para fazer um ebó.
Os que chegaram a receber cento e cinquenta mil em um só ebó.
Os que enriqueceram mentindo e iludindo.
Os que sobrevivem das mentiras inventadas e das regras por eles criadas para humilharem e saquearem o povo.

Essas pessoas atacam qualquer pessoa que fale de diminuir custos e facilitar o acesso a verdade sobre a religião tradicional yoruba, a fonte esta secando e os usurpadores perceberam que os seus saldos bancários estão diminuindo e resolveram atacar da forma mais baixa que pode existir, pelas costas com mentiras e boatos.


Existe um tipo de homem que é desprezível aquele que ataca escondido nas entre linhas com covardia se esquivando do encontro frente a frente, esse povo esquece que cultuamos òrìsà, esquecem que òrìsà é verdade e que mais cedo ou mais tarde a verdade aparece.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

A banda podre no Ifá e Orixa.


Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola.


Em todos os seguimentos da sociedade tem um grupo que não presta nas religiões ao longo da história, esse grupo se evidenciou por suas atitudes, ficaram famosos e muitos viraram lenda, mas a realidade é que entre os animais sempre um se sobressai na natureza por suas atitudes, não muito apreciadas.

O ser humano tem um comportamento muitas vezes deplorável, isso vai depender da sua história de vida, da criação que teve ou da influencia do meio que conviveu, é evidente que tem uma parcela que é doente mental.

A verdade é que no culto a Orunmila esse tipo de gente também é encontrado e facilmente identificado, eles usam inúmeras proteções porque tenho o habito de atacar os outros, eles acreditam que estão sempre sendo atacados e muitas vezes são confundidos com arvores de natal de tantos penduricalhos que carregam no pescoço.

Esse povo precisa fazer magias para ter uma mulher ao seu lado, e depois precisam de outra magia para conseguir manter uma relação sexual com a mesma, é lamentável, mas esse tipo de gente que caracteriza a banda podre do ifá sobrevive de magias, embustes e conchavos.

Esse povo que coleciona receita de ologbohun, abilu e asasi, termina ganhando dinheiro por que prestam serviços aos seus semelhantes, eles se identificam pelo cheiro, traficantes bandidos e todo tipo de mau caráter encontra abrigo entre os supostos magos.

Esse povo que ataca depois da meia noite até às três da manhã tem sigidi como amigo, espíritos negativos como parceiros e o demônio como ídolo, eles são tão perigosos que roubam os sonos de muitas de suas vitimas assustadas.

Em uma cidade grande como São Paulo e Rio de Janeiro, quem quer matar não perde tempo com magias, com algumas notas na mão na periferia esses problemas se resolvem sem o uso de porções magicas. As grandes cidades são muito violentas e acidentes acontecem toda hora, o que não afasta o perigo da banda podre.

Desde Al Capone, os poderosos chefões estão fora de moda, é comum ver um menino franzino com uma automática na mão derrubar homens grandes e fortes, a violência esta institucionalizada e a moda é estar fora da moda, então os homens maus da banda podre correm tanto perigo quanto os cowboys dos cavalos brancos por isso o mais saudável é ficar em casa comendo pipoca com a família, de dentro de uma cartola pode não sair o coelho e sim um leopardo, vai depender do que se reza.

Todo bonzinho conhece um mauzinho que precisa de dinheiro e se predispõe a prestar serviços sendo assim os valentes começaram a desaparecer e os covardes ganharam evidência.

É de se lamentar que a banda podre exista, mas desde que mundo é mundo isso acontece.

Um sacerdote deveria só saber lidar com coisas positivas, mas a sobrevivência ensina a dançar conforme a musica e quem tem a unha maior sobe o muro primeiro.

A grande Iyalorisa mãe Stella de Ososi em seu livro “Meu tempo é agora”, deixa bem claro que é obrigação de um sacerdote manter sua família a qualquer preço, a religião se assemelha a politica se homens bons se afastarem os espaços vão ser ocupados pelos canalhas.

Eu gostaria de ser otimista e imaginar que em um futuro isso não vai existir, mas o desenvolvimento da humanidade prova o contrário ser bom demais faz com que você seja confundido com um tolo, então com marginais e bandidos temos que usar uma linguagem que eles entendam.

Uma ação pode gerar uma reação jamais esperada.

quarta-feira, 26 de março de 2014

  

Orunmila e o eufemismo.




Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola.

Primeiramente para ficar bem esclarecido o medo é uma condição, que pode ser imposta por ações, gestos ou de forma sutil levando a pessoa a um raciocínio direto de forma indireta. Existem várias formas de conduzir um dialogo produzindo efeitos mirabolantes aos feitos outrora citados, na realidade é o sujeito que faz propaganda dele mesmo e não cansa de dizer o quanto ele é perverso.

Analisando o relato de inúmeras pessoas atendidas por mim, essa pratica é muito comum, o sujeito nos primeiros contatos demonstra sempre ser bom e compreensivo, mas com o passar do tempo vai introduzindo afirmações do quanto ele é poderoso criando na vitima uma aérea de impacto que com golpes sucessivos imprimi a marca do medo, criando um espaço para opressão e a extorsão.

Na realidade o mau caráter premedita muitas vezes de forma inconsciente, mas na maioria das vezes segue um script bem conhecido e bastante comum.

Quando ele percebe que a vitima o teme ele se engrandece e menospreza a capacidade de defesa da vitima, ele maximiza o seu suposto conhecimento e minimiza a capacidade de raciocínio do então dominado, esse teatro de horrores incapacita a ação de defesa e vulnera e deprimi uma reação futura.

O comportamento acima descrito serve como preparação da extorsão e da opressão, o oprimido costuma abrir mão de somas que ele não tem em um momento que ele não poderia, justo para a pessoa que menos merece. Esse estado de abalo envolve de tal forma a vitima que além de pagar altas somas inconscientemente divulga uma imagem positiva daquele que o oprimi por temer reações ainda mais agressivas e submetendo as a extorsão e a chantagem.

O arquétipo do valentão sabido e todo poderoso é reforçado com uma dose forte de um pretenso dom sobre natural que o torna um ser especial qualificado a capacidade extraordinária que o dimensiona em tal importância que os demais sempre se sentem minúsculos, traduzindo isso tudo é o famoso morde e assopra, mantendo a vitima assustada, mas não deixando que ela se desespere por que se isso acontecer ela pode buscar ajuda fora, e os sabidão não querem perder os benefícios financeiros e muitas vezes íntimos já alcançados.

No inconsciente se você aprofundar analise do comportamento acima descrito será encontrado aquele que subjuga força, mas que na verdade é um fraco, que quer parecer forte.
Ele se impõe desfrutando do clima de terror e do pânico instalado para pousar de líder, mas a submissão e a extorsão caracterizam a dependência e em hipótese alguma retratam a admiração ou o respeito.

Em seu interior o chantagista opressor sabe do porque manter a vitima próxima dele, além de imprimir o medo ele precisa constantemente amplificar diante da vitima o seu conhecimento, sendo assim a vitima teme buscar novos horizontes porque acredita que não existe outras pessoas com a mesma capacidade que o seu opressor. Esse jogo de gato e rato pode seguir por muito tempo, para o gato matar o rato é terminar com a brincadeira, então disfarçado de amigo ele demonstra uma preocupação que não existe, um respeito que nunca houve, e uma amizade que gera lucros.

É interessante ver que a situação é comum em vários segmentos religiosos, mas na verdade isso é caracterizado no comportamento humano, no dia a dia vemos vários exemplos, você já ouviu falar daquele gerente que propõe vantagens se receber uma atenção sexual adequado, ou ouviu falar daquele chefe de setor que promete uma folga no sábado para o subalterno que relata a opinião dos colegas sobre ele.

Está implícito no mau caráter o desejo de chantagear, a necessidade de oprimir e o prazer de reprimir, isso sempre visando algum tipo de vantagem, mesmo que seja um prazer de se sentir algo que ele já mais vai ser, é como se um gato se visse em um espelho imaginando ser um leão, em sua pretensão as garras e os dentes assim como a juba são frutos da sua imaginação, a arrogância com quem não consegue reagir e as armas por ele usadas demonstram a covardia nele nítida caracterizando um comportamento doentio e repulsivo.

E com eufemismo eu descrevo muitos supostos lideres que eu conheço.




A criatividade no Ifá.




Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola.


Esse texto é em homenagem ao meu ojugbonan João Assef, que sempre demonstrou o principal ensinamento de ifá a honestidade.

Há mais de vinte quando me iniciei em ifá vi o que ifá como uma linguagem única contida nos versos tradicionais, já naquela época me dediquei as possíveis variantes fui iniciado em Oro que na família que fazia parte chamava se Oron variantes de região e até de países para não citar influencias culturais e históricas, todas as aceitáveis do ponto de vista cultural.

O tempo passou e a minha cabeça ainda se nega a aceitar as variantes criativas e proponho nesse texto chamar a atenção dos meus leitores para uma reflexão sem apontar o dedo, mas com uma indicação clara que a criatividade é perniciosa no culto a orisa.
Vamos analisar a seguinte questão, isefa:

Por que alguém colocaria um opon em uma pré-iniciação de isefa, se ela ainda desconhece o odu e o opon é um instrumento de sacerdote?

Por que alguém colocaria um iroke em uma pré-iniciação de isefa, se ela ainda desconhece o odu e iroke é um instrumento de sacerdote?

Por que alguém colocaria um opele em uma pré-iniciação de isefa, se ela ainda desconhece o odu e opele é um instrumento de sacerdote?

Por que alguém colocaria um ajere em uma pré-iniciação de isefa, se ela ainda desconhece o odu e o ajere é um instrumento de sacerdote?

Por que alguém colocaria um irukere em uma pré-iniciação de isefa, se ela ainda desconhece o odu e irukere é um instrumento que caracteriza a iniciação?

Por que alguém pintaria um omo ifá se a pintura é usada na iniciação?

Por que alguém rasparia a cabeça no isefa se vai ser obrigado a raspar na iniciação (itefa)?

Existem varias formas aceitáveis para responder essas questões, uma delas seria a difenças das famílias e locais de origem, mas se em todo território yoruba, isefa não é considerado iniciação e sim pré-iniciação como explicar as questões acima?

Eu já vi de tudo, vi fotos de awos entrando no igbodu com o opele no pescoço então eles receberam o opele antes de saberem seu odu?

A verdade é que o povo brasileiro tem uma criatividade muito grande estou vendo com o passar do tempo babalawo dando consulta com o preto velho, nada mais me surpreende.

Não quero dizer que todo mundo é safado, mas que o povo é criativo não podemos negar, tem até iniciação sem os rituais de Osun (que representa os antepassados do babalawo) quem poderia imaginar iniciação sem Osun?

Tem até um maluco colocando o cabelo dos iniciados dentro do Exu o sujeito vai se iniciar tira o cabelo para levar com ele dentro do Exu o seu próprio carrego por toda a vida?

Tem um doido que até coloca fogo no Exu na iniciação, isso deve ser um problema mental, porque iniciar a pessoa botando fogo no Exu dela é coisa de maluco!

A verdade é que não consigo aceitar a criatividade no Ifá!




sexta-feira, 7 de março de 2014

Ifá me responda é amor ou ódio?


Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola.


Uma vez ouvi dizer que o sentimento mais próximo do amor é o ódio, dizem os especialistas nessa aérea que uma pessoa quando ama muito e o seu amor é rejeitado imediatamente esse sentimento se transforma em ódio.

Resolvi abordar essa questão como forma de descrever alguns incidentes do passado, tive oportunidade de ver algumas fotos e observar com cuidado algumas pessoas, o sentimento que elas têm por mim é tão forte que podemos descrever como doença.

Alguns desses indivíduos me imitam em tudo na minha forma de falar, rezar e até na minha forma de vestir, pessoas que não usavam idé e que hoje usam uma grande quantidade de idé nos dois pulsos sem mesmo saber o porquê, ou melhor, eles sabem o porquê, porque querem ser como o Ifagbaiyin.

É terrível que isso aconteça porque pessoa que não escreviam hoje copiam parte dos meus textos e pousam de escritor no facebook, pessoas que me idolatravam e que por uma razão ou outra tivemos um afastamento, é fácil identificar tais pessoas elas hoje são os meus maiores inimigos, mas há pouco tempo atrás uma delas me disse (você é o maior sacerdote que eu vi em toda minha vida, nunca imaginei conhecer alguém como você, você é tudo que eu quero ser em um futuro), é difícil acreditar que uma pessoa que fez essa declaração lidere um pequeno grupo contra mim.

O tempo passa e de forma implacável ele julga aqueles que falam demais, um desses senhores o ano passado comentou com algumas pessoas que eu estava acabado, depois que ele comentou isso fiz mais de 200 iniciações estranho que o pensamento negativo dessas pessoas me favoreçam tanto.

Quem não conhece a história pode achar que eu sou arrogante, mas me conhecendo melhor vai entender esse texto, não é arrogância é descrença nas pessoas, o mesmo sujeito que comeu na minha mesa um dia, no outro reza abilu contra mim, esquecem eles que se eles têm orisá eu também tenho e com detalhe eu já tinha orisá quando eles nasceram.

O amor e o ódio explicam as alterações no sentir, mas a consciência é quem julga o agir, e se você agi de má fé certamente vai enfrentar problemas, eu estou tão bem com a minha consciência que às vezes até me divirto com os magos de plantão.

Ifá é muito bom comigo, os orisás são muito bondosos, eu só tenho a agradecer, vivo minha vida fazendo o que eu amo, e junto com quem eu amo o amor, o carinho e o respeito pelos orisás me fazem seguir em frente, às vezes me entristeço com essas pequenas coisas criadas por pessoas pequenas.

Mas até que a mentalidade do nosso povo mude vamos temperando a nossa alegria com esses pequenos problemas, com a certeza que ninguém consegue enganar tantos por tanto tempo, imagino que a verdadeira historia possa ser contada em breve, resta no momento entrelinhas com sofismo descrever o que é obvio o despeito e o ciúme.



quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

O Jeitinho brasileiro e o ifá.



Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola.


Muito se tem falado sobre o jogo de cintura dos brasileiros e a sua criatividade, na realidade em minha opinião o que o povo chama de jeitinho brasileiro, para mim é uma tentativa de ludibriar as regras, então se você não gosta de regras não se inicie em ifá.

Vejamos em minha caminhada vi sacerdotes com casa aberta sem Ogun assentado, vi pessoas atendendo com merindilogun sem ter Osun assentado, vi Egungun sendo assentado para quem não é iniciado e vi Ogun assentado em apartamento isto tudo faz parte do famoso jeitinho brasileiro.

Analisando com calma algumas situações por mim encontradas no dia a dia das consultas mesmo que eu quisesse não poderia fechar os olhos para tantos equívocos, uma iniciação em Iya mi, assim como uma iniciação em Egungun e ifá, tem diversos segredos na verdade quase tudo não deve ser divulgado, mas cada ato de um itefa é descrito em um odu, o odu para consagrar um iroke é diferente de um odu para consagrar um opon, assim como para consagrar um opele existe um odu que descreve a cerimonia.

O comportamento de um Babalawo assim como o de sua Iyapetebi é descrito nos versos de ifá o simples ato de colocar uma folha da boca de um cabrito consta dos versos de ifá, a higiene de um Babalawo consta dos versos de ifá, se você quer usar cabelo comprido e não de fazer a barba vai ser um roqueiro, um Babalawo segue regras e isso esta bem claro.

O jeitinho brasileiro não tem lugar no ifá, se você acha que sou chato, eu sou mesmo, se você quer enganar as pessoas e levar vantagem em tudo procure outro Egbe na nossa família seguimos regras, se você não respeita as pessoas procure outro caminho o ifá que conheço exige uma postura exemplar de seus membros não somos perfeitos, mas buscamos a perfeição o tempo todo.

É lamentável que em muitos seguimentos o nosso povo seja reconhecido no exterior pelo seu comportamento desregrado, um exemplo simples é o numero de brasileiros que ocupam as cadeias dos mais diversos países. A população carcerária internacional tem dados alarmantes sobre o povo brasileiro, é bem verdade que algumas pessoas são enganadas em outros países, mas a realidade sobre o comportamento de algumas pessoas do nosso povo dentro e fora do nosso país é vergonhosa.

O povo que curte o Big Brother e o Faustão é o mesmo que elegeu o Tiririca, é o pessoal que acha que a maconha não vicia e que pagar o pedágio das rodovias é um roubo, é o pessoal que faz o famoso “gato” na energia elétrica, dirigi os veículos sem habilitação, bebem umas cervejinhas todos os dias e não pagam suas contas.

Graças a Deus esse povo é uma minoria e a famosa lei de Gerson (levar vantagem em tudo), esta desaparecendo, o nosso povo esta acordando.

O ifá existe para contribuir para a melhora das pessoas, mas não faz vistas grossas para a falta de caráter, o ifá exige a mudança, a consciência do problema implica diretamente na responsabilidade da mudança se você não quer mudar não se informe, fique na sua insignificância, a ignorância vai justificar os seus erros.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

PROJETO
IFÁ É PARA TODOS.


Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola.


Inicio do trabalho quinze de fevereiro de 2012.

Objetivo

Diminuindo os custos de atendimento o projeto ifá é para todos compartilha com publico em geral as informações necessárias para o culto de Orunmila e o realinhamento com o destino.

O combate aos autos custos aplicado atualmente às iniciações em ifá tem como objetivo levar as informações e o atendimento para pessoas com o poder aquisitivo baixo.

Com esse projeto, jovens e idosos, assim como pessoas portadoras de deficiência físicas e mentais tem atendimento gratuito.

Seguindo as orientações de ifá estamos há dois anos viajando pelo nosso país, agende conosco a visita a sua cidade.

Quem já alcançou o topo puxa a mão do amigo para que também possa alcançar!


Por que o Ifá é indicado para quem segue a Umbanda?

  Por que o Ifá é indicado para quem segue a Umbanda? Quando me pediram para escrever sobre a Umbanda e o Ifá, pensei muito antes de aceit...