sábado, 25 de abril de 2015

Tudo sobre Iya mi Osoronga.

Assentamento de Iya mi Osoronga na Casa de Orunmila em Areia Branca-BA.
Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola

Quando a imagem negativa precedi o sujeito o texto por mais elucidativo que seja é incapaz de mudar anos de falta de informações confiáveis.

Escrever sobre Iya mi deveria ser um compromisso de todo o sacerdote do culto ao Orixá, é nossa obrigação desmistificar e enaltecer as divindades do panteão Yoruba.

O Orixá é a razão de culto, é amor, é fé e o ideal é adotar uma postura de respeito e carinho, se não for assim não tem sentido, por essa razão vou escrever mais uma vez sobre esse Orixá maravilhoso.
Falar sobre Iya mi é transitar pelos textos dos odus Osá meji, Ose Oyeku, Irete meji, Ogbe Sa e Irete Owonrin e Irete Ogbe, embora Iya mi se faça se presente em todos os odus.

Exu, Orunmila e Iya mi respondem nos duzentos e cinquenta e seis odus, porém em alguns é exaltada a necessidade de pactuar com Iya mi de forma a criar uma aproximação do indivíduo com a informação e a ritualística considerando que a energia já o acompanha desde o nascimento.

Vejo constantemente supostos conhecedores falando mal de Orixá e de determinados odus um desses é Osá meji famoso entre os incultos como odu negativo, é por essa razão que vamos começar falando do aspecto positivo contido nesse odu e no culto a Iya mi Osoronga.

No odu Osá meji, Iya mi Odu quando chega a terra age sem limites desrespeitando os Orixás a ponto de vestir a roupa de Egungun, nesse odu Iya mi encontra dificuldade para dançar com a roupa de Egungun e Obàtálá introduz em uma incisão do tecido com uma rede para que permita a ela conseguir enxergar.

É evidente que posterior a essas confusões algo tinha que ser feito e Iya mi deveria ser acalmada então após uma consulta a Orunmila, Obàtálá é aconselhado a dividir seu alimento com Iya mi. A água do igbin (omi ero), oferecida para Iya odu que imediatamente adota como o seu principal alimento, o igbin, com esse ato Obàtálá acalma Iya Odu.

O trabalho de um Babalawo é interpretar os versos de ifá, considerando o citado acima estamos falando de um convívio harmonioso entre um personagem masculino e um feminino, a água do igbin é conhecido como a água que acalma, sendo assim esse odu fala de um período de paz e prosperidade.

Já no odu Irete Owonrin, Obàtálá tenta ludibriar Iya mi se negando a pagar um tributo para a grande mãe ancestral, Iya mi com habilidade percebe a armação e se antecipa ao embuste criado.
Interpretando essa passagem do Odu Irete Owonrin percebemos que Iya mi só quer o que é dela por direito deixando bem claro que ela não se antepõe aos Orixás ou aos seres humanos.

Em uma linguagem popular se fomos comparar o Orun a uma empresa usando assim uma didática de fácil assimilação o processo seria composto da seguinte forma:

- Olódùmarè seria o equivalente ao presidente da empresa, que teria imediatamente dois diretores de total confiança.

- Orunmila seria o equivalente a um diretor administrativo que identifica e orienta a questão.

- Iya mi seria o equivalente a um diretor executivo com a função de dar andamento as orientações 
fornecidas por Orunmila, sendo assim o destino por nós escolhido diante de Ajala antes de vir para terra é testemunhado por Orunmila e informado a Iya mi.

-Iya mi não interfere na escolha de nosso destino, ela segue as orientações de Orunmila liberando os seus assistentes (ajoguns), para executarem o trabalho.

Os ajoguns, iku(morte), arun (doença), ejo (problemas),etc, são liberados por Iya mi em quase a totalidade das situações correspondendo a uma escolha feita por nós mesmos, não é Iya mi que é ruim ou perversa ela exerce uma função assim como os demais Orixás.

As pessoas iniciadas em Orixá não podem ser sepultadas em gavetas o ideal é que seus corpos sejam restituídos a terra, sendo assim o ajogun iku(morte), não é ruim, ele exerce uma função determinada por Iya mi porém em data quase sempre escolhida por nós.

No odu Ogbe Yonu, Orunmila orienta os Orixás para oferecerem efun e osun, além de várias folhas para Iya mi Osoronga, Iya mi se compromete a não atacar os filhos dos Orixás.

No odu Ogbe Sa, Iya mi se compromete com Orunmila em fazer o bem quando chega a terra, ela diz a Orunmila, que seus filhos vão ter prosperidade e felicidade.

No odu Irete meji Orunmila viaja para a cidade de Ota e descobri o segredo das Iya mi, ele oferece o prato predileto delas e eles se tornam amigos.

No odu Irete Ogbe, Iya Odu se torna a esposa de Orunmila que reconhece o poder de Iya quando ela invoca o pássaro Aragamágo como sendo muito superior ao seu.

No odu Ose Oyeku Orunmila orienta Ogun, Obaluaye, Oduduwa e Obàtálá para que façam oferenda para Iya mi que reconhece os mesmos como filhos.

A figura materna de Iya mi é confirmada em vários versos de ifá, uma mãe tem o dever de zelar pelos seus filhos, não tem o dever de agradá-los, nem tudo que uma mãe faz é compreendido por seus descendentes.

Iya mi é uma mãe zelosa e poderosa que habita dentro de cada um de nós, em nossas vísceras ela pode se manifestar de maneira positiva ou negativa. Iya mi pode criar um mal-estar para impedir que a pessoa saia de casa e seja vítima de algo que não faça parte de seu destino, o problema intestinal certamente vai ser visto de forma negativa, mas será necessário para manter a pessoa longe do perigo.

A igreja católica ao longo da história combateu a figura feminina por temer a capacidade que só as mulheres têm, que é abrigar uma nova vida dentro delas, as mulheres são muito superiores aos homens em vários sentidos, essa é a verdadeira razão do combate histórico a figura feminina. Iya mi foi uma das vítimas desse processo histórico.

Para cultuar Iya mi é necessário amar e respeitar a figura feminina, respeitar as mães, as irmãs, as filhas, respeitar a natureza e o poder de criação, Iya mi é a própria vida, é quem nos gerou, é quem nos abrigou no passado, é que nos abriga no presente, é com certeza quem vai nos abrigar em um futuro quando passarmos dessa para uma outra.

Algumas pessoas em seu odu de nascimento necessitam se aprofundar no culto a Iya mi, mais do que outras, isso se deve a própria história de cada odu e ao destino escolhido pela pessoa, de qualquer forma o culto a Iya mi pode ser praticado por qualquer um, agradar aos nossos antepassados femininos é muito mais fácil do que parece. Para agradar Iya mi temos que estar em harmonia com a natureza e com os nossos semelhantes, a essência do culto a Iya mi é a força feminina maternal que gera e mantém a vida, manter a vida é como amamentar o recém-nascido, é conservar a essência e estimular o desenvolvimento do que temos de melhor.

Iya mi é a força da vida é a capacidade de criar, é a capacidade de amar, é a manutenção da vida, é o leite que alimenta o recém-nascido é o desenvolvimento sadio é a evolução, é a capacidade de renovar como forma de perpetuar a vida.

Em uma arvore grande e sadia podemos observar centenas de galhos como extensão do tronco, podemos ver milhares de folhas e frutos como extensão dos galhos, os frutos dentro deles têm centenas de sementes que geraram outras arvores.

 É esse ciclo da vida que representa Iya mi a arvore é só um exemplo, quando estamos diante de uma mulher gravida esse mesmo ciclo pode ser observado, assim é a história, nada acontece sem essas senhoras.

Me causa espanto a falta de conhecimento sobre Iya mi, eu acredito que com o passar do tempo muito desses mitos devem desaparecer.


 O certo é que o tempo para a falta de informação está terminando.



domingo, 5 de abril de 2015

Opele Pankara aprendendo Ifá.


Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola

Quando vejo pessoas que não tem nenhum conhecimento mostrarem na rede social um Opele ou um opón ifá fico pensando se o desejo de aparecer de alguns pode justificar o prejuízo causados por essas pessoas a nossa religião.

Quando em um isefa aparece a indicação no odu que o omo ifá deve se tornar uma Babalawo o mesmo deve ser submetido a uma segunda cerimonia para que seja extraído um novo odu que vai indicar as orientações para o seu período de estudos.

Só assim após a segunda cerimonia o omo ifá será chamado de awo kekere, durante esse processo ele será instruído ao consultar um opele que normalmente é confeccionado com pedaços de cabaças, chamado pankara.

O awo kekere não recebe iroke e muito menos opón ifá é comum ver pessoas ignorantes consultar o merindilogun sobre um opón, para quem conhece a nossa religião isso é uma grande ofensa a Orunmila pois esse instrumento pertence exclusivamente a Babalawos e Iyanifas.

Um awo kekere não permissão para atender com opele somente após o itefa e o itelodu ele agora considerado um Babalawo e não poderá manusear um opele em público.

O opele que o Babalawo recebe no itelodu que é alimentado junto com seu ifá é totalmente diferente do opele usado em consultas no dia a dia, esse opele é alimentado em cerimônia restrita e os rituais que envolve a sua preparação são consideradas segredos.

Uma pessoa por não ter condições financeiras ou por não ter a indicação de ifá sinalizando a indicação do itelodu pode permanecer por anos como estudante (awo kekere).

O odu ogbe bara fala sobre a preparação do apele e sobre o ewo (proibição), do atendimento gratuito, fato esse que para alguns Babalawos pode gerar inúmeros problemas, para evitar que o Babalawo entre em ewo um pagamento mínimo simbólico deve ser efetuado na consulta.

Em um isefa o pré-iniciado não recebe iroke, opón, opele e também não tem sua cabeça raspada, infelizmente a falta de conhecimento de alguns jovens Babalawos em nosso país geraram alguns conflitos que hoje começam a ser esclarecidos através do contato com bons Babalawos da Nigéria.

A falta de conhecimento de alguns os leva a um improviso motivado por lembranças de suas iniciações, despreparados inventam rituais baseados em suas iniciações implicando em rituais descabidos e fora de hora.

Alguns desses senhores chegam ao ponto de enterrar ikins em rituais de isefa, demonstrando assim a sua total falta de conhecimento. Entendo esses gestos absurdos como além de total ignorância e despreparo uma forma de valorizar os ritos com a intenção de elevar os preços.

OFUN/OSE
Eni to ba puro
Iro a pa
Eni ti o ba seke
Eke a ke won lowo
A ke wån lese
A ti won si gburugburu ona oun
Awon lo se ifa fun ajangurumale
Ti nse oluwo lode orun
Gbogbo eni ti o ba
Nfi suru pe suru
Ajangurumale ifa
Ni yoo ja won sorun
Gbogbo eni ti o ba
Nfi suru pe suru
Ajangurumale, ifa ni yoo ja won sorun
E ma fi oku pe aye
E ma fi aye pe oku
Eni ti o ba fi oku pe aye
Eni ti o ba fi aye pe oku
Ajangurumale ifa ni yoo ja won sorun
Ajangurumale
E ma fi abiyamo pe agan
E ma fi agan pe oyibi
Eni ti o ba fi abiyamo pe agan
Ti o fi agan pe oyibi
Ajangurumale, ifa ni yoo ja won sorun.

Este itan do Odu Ofun-Ose, narrado ao Babá King pelo venerável Babalawo Fabunmi Sowunmi

Aquele que mente será destruído pela mentira.

Aquele que provoca discórdia será destruído pela discórdia.
A falsidade despojará o falso da força vital de que dispõe.
 A falsidade destruirá os falsos.
Foram eles que adivinharam para Ajagunmale (Ifá), sábio supremo no orun.
Todos aqueles que trocam a verdade pela mentira serão levados para o orun por Ajagunmale (Ifá)
Não chamem o morto de vivo, nem chamem o vivo de morto.
Quem chama o morto de vivo ou chama o vivo de morto será levado para o orun por Ajagunmale (Ifá)
Não chamem uma mulher fértil de estéril, nem chamem uma mulher estéril de fértil.
Quem chama uma mulher fértil de estéril ou chama uma mulher estéril de fértil será levado para o orun por Ajagunmale (Ifá)
Não chamem o preto de branco, nem chamem o branco de preto.
Quem chama o preto de branco ou chama o branco de preto, será levado para o orun por Ajagunmale (Ifá)
Orunmilá diz que prefere matar o babalawo que mente para quem o procura em busca da verdade e colocar em seu lugar um homem ignorante a respeito da complexa sabedoria de Ifá.

Orunmilá prefere um homem que não conhece a sabedoria de Ifá do que um grande conhecedor dessa sabedoria que seja falso e mentiroso.






quarta-feira, 1 de abril de 2015

Colcha de retalhos e o Ifá.





Autor:Babalawo Ifagbaiyin Agboola.

Constantemente sou procurado por pessoas que alegam que suas vidas estão paradas e que os resultados esperados por elas com a religião, não aconteceram.

Primeiramente casa de orixá não é agencia de emprego e muito menos é consultório destinado a tratar de problemas sentimentais.

Quando vou visitar a casa de muitos dos que se dizem com problemas espirituais já na chegada eu me surpreendo quando alguém que cultua orixá tem um assentamento de exu tranca rua e uma pomba gira.

Quase sempre encontro o famoso assentamento do caboclo, como se isso existisse, além de uma bandeira branca hasteada para tempo.

Em um diálogo com o dono da casa descubro que ele se incorpora com um baiano, um exu catiço, um caboclo e evidentemente não poderia faltar um cigano, além do primeiro orixá, do segundo etc e etc

Alguns moram em apartamentos e conseguem reunir tudo isso, outros mesmo morando em casas espaçosas conseguem fazer uma tal colcha de retalhos que é de surpreender que ainda se encontrem lúcidos.

Se a casa é de culto a orixá necessita ter exu de orixá, evidentemente não tem bandeira branca porque isso faz parte do culto a Inquice.

Além disso fica estranho que caboclo sendo parte da religião conhecida como umbanda, tenha assentamento, a imaginação e a criatividade de alguns criou regras inquebrantáveis para outros.
A expressão conhecida como bola da vez está sendo usada nesse memento para o ifá, não comparando, é o último pedaço de retalho na colcha da ignorância.

Depois querem os menos avisados que tudo isso funcione em seus benefícios, desconhecem eles as regras básicas que se aplicam quando temos discernimento e coerência.

O que me deixa estarrecido diante de tais absurdos são as acomodações feitas onde os supostos espiritualistas se incorporam com trezentos entidades e nenhuma delas os avisa que estão fazendo maluquices.

Será que eles recebem algum espirito mesmo?

A mistura de cultos afro-brasileiros com superstições europeias e ritos católicos, me faz imaginar o resultado final, decepção além de perda tempo e dinheiro.

Mas como dizem os sábios de plantão, cada um é rei em sua casa e pode fazer a colcha com os retalhos coloridos que quiser.

Os laboratórios estrangeiros agradecem com suas contas bancarias satisfeitas, eles seguem vendendo para os brasileiros todo tipo de drogas.

Para acreditar em alguém que joga búzios, joga cartas de tarô, consulta runas e se incorpora para dar consulta, só tomando remédio para labirintite.

É lamentável mas grande parte do povo gosta disso, de fitinha do Bonfim no pulso, a pular sete ondas e comer lentilha na entrada do ano, cada um acredita no que quer, só não vale culpar os orixás ou querer mágica.



domingo, 29 de março de 2015

Conversando com as crianças sobre Ifá.




Autor:Babalawo Ifagbaiyin Agboola

Para mim a ideia de escrever surge das mais diversas situações, esse texto surgiu após um diálogo que tive com algumas crianças que iniciei em Ifá.

As crianças me perguntaram:

- Como é que é lá no céu?

Isso é uma pergunta muito ampla.

O papai do céu se chama Olodúnmarè e ele tem muitos secretários, um deles é conhecido pelo nome de Àjàlá, ele tem dezesseis amigos que trabalham para confeccionar as nossas cabeças, conhecidos como odus.

As crianças perguntaram então:

-É uma fábrica de cabeças?

Comecei a rir e respondi.

- Isso mesmo, é uma fábrica de cabeças com muitas prateleiras lotadas de cabeças umas diferentes das outras.

-Como assim perguntaram as crianças?

  Respondi:

- Cada um dos amigos do Àjàlá tem um nome o mais conhecido deles é Ogbe meji, cada um tem uma maneira de agir e quando ele fabrica a cabeça fica impresso nela a sua forma de ver, agir e sentir.

Um dos amigos de Àjàlá que trabalha na fábrica é Ofun meji, o mais velho de todos, que é conhecido por se vestir de branco, junto com ele e Ogbe Meji tem vários amigos de Àjàlá.

Ilustrei olhando nos olhos das crianças curiosas.

Um menino nesse momento me perguntou:

- É só esse povo que trabalha lá?

Eu respondi.

 - Não, lá trabalha Òrúnmìlà é ele que anota em um grande livro quem escolheu qual cabeça.

Òrùnmílá é um dos principais amigos de Olódùmarè e de Àjàlá, ele é o responsável por todas as informações, o departamento dele é o arquivo, ele tem muitos armários cheios de livros bem importantes.

Criançada quando consultamos Ifá, Òrùnmílá vai nos livros e procura a informação que precisamos, só ele sabe tudo, ele é a testemunha da nossa escolha.

Uma menina me perguntou:

- Se Òrùnmílá anota e Àjàlá e seus amigos fabricam as cabeças, quem escolhe a cabeça não escolhe um corpo?

Esses pequenos fazem cada pergunta.

Respondi:

- O corpo você escolhe junto com a cabeça e retira em outro departamento, na fábrica de corpos que é dirigida por Òsàálá.

Sendo assim você escolhe sua cabeça conhecida como Ori e juntamente o seu odu, depois você escolhe um corpo e junta tudo, então conversa com Òrùnmílá que dá as indicações.

Mas olhem bem crianças depois da escolha é que aquilo que conhecemos por espirito acompanha o corpo no nascimento.

Como assim perguntaram as crianças:

 - Ele já não tinha escolhido um corpo?

 Respondi então:

 - Meninos e meninas olhem bem tudo é duplo, existe uma cabeça e um corpo espiritual e um outro que é quando somos recém nascidos, um comportamento inicial e um comportamento construído com o passar do tempo.

Essa é a razão porque montamos assentamentos de Ori e Egbé, buscamos a essência inicial.

A cabeça que escolhemos tem as indicações gravadas de quando vamos nascer e qual o comportamento vamos ter, ao nascer se vamos ser gordos ou magros, professores ou jogadores de futebol, calmos ou agitados, tudo é anotado por Òrùnmílá.

A consulta a ifá é para nos orientar, ela serve para mostra o caminho por nós escolhido diante de Àjàlá.

Então um menino um pouco maior me perguntou:

- Somos diferentes mas temos a forma de pensar igual?

- Porque os mesmos amigos de Àjàlá participa da fabricação?

Respondi a ele:

- Os dezesseis amigos de Àjàlá trabalham em um departamento que tem mais duzentos e quarenta funcionários.

É muita gente que trabalha lá? disse o menino!

-Duzentos e cinquenta e seis funcionários conhecidos pelo nome de odus.

-Além disso existe alguma diferença no trabalho de fabricar as cabeças, perguntou o menino:

Respondi a ele:

- Sim, a matéria prima que é usada para a fabricação de nossas cabeças é uma tal essência conhecida como Egbé Orun que indica muitas coisas em nossas vidas.

Uma menina me perguntou:

-  Qual a cor da nossa pele indica essa tal Egbé?

Respondi a ela:

- Na verdade é um pouco mais complicado, Egbé fala muito de como vamos agir e como vamos nos sentir diante da vida.
Ela então me perguntou:

- Crianças diferentes tem comportamentos iguais aos de sua Egbé?

 Respondi:

 - Sim, percebi que todos ficaram calados pensando naquilo que eu tinha explicado.

Para encerrar a conversa com eles disse então:

 - Crianças vocês sabem quem fica na porta de saída do céu?

- Exu, é ele que confere se na retirada não pegamos a cabeça trocada, ele confere tudo e informa Orùnmílá.

Então uma última pergunta me foi feita:

- Uma menina me disse:

- Como é que sabemos a ordem dos fatos de tudo que escolhemos?

 Respondi a ela:

- Imagine uma grande fábrica com muitos departamentos, nessa fábrica existe um departamento de controle, o departamento da Iya mi, ela tem alguns secretários conhecidos pelo nome de ajoguns, são eles que organizam alguns fatos e datas por nós escolhidos.

Exemplo: quando vamos ficar doentes e quando vamos ficar sem dinheiro.

Quando eu me levantei um outro menino me perguntou:
- E os orixás também trabalham nessa fábrica, Ogun, Oxun, Xango e outros, o que eles fazem na fábrica?

Respondi:

- Eles fazem serviço externo, eles acompanham as cabeças para tentar consertar alguns defeitos de fabricação que podem aparecer.

Conversar com as crianças é muito bom.

sábado, 14 de março de 2015

A guerra santa e o Ifá.



Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola


Em visita recente à Salvador acompanhado de alguns membros de nossa família fui conhecer a feira de São Joaquim, local esse onde os membros dos cultos aos orixás costumam comprar folhas, cerâmicas, roupas e animais para os ritos. Empolgado com o passeio desfrutando das belezas da cidade, cheguei a feira e me assustei com o que eu ouvi, existia lá um serviço de auto falantes, onde um pastor pregava vigorosamente e insistentemente a palavra de cristo.

Para mim não foi surpresa o fato de assistir coisas semelhantes em vários lugares, o que me espantou foi que vários adeptos ao culto dos orixás faziam compra naquele momento e a impressão que tive foi que eles aceitavam com naturalidade.

 Refleti durante algum tempo sobre a questão considerando o fato que alguns sacerdotes de nossa religião ainda levam os iniciados para assistir missa na igreja católica, e a conclusão foi evidente mas difícil de aceitar.

Em um país que os líderes políticos estiveram envolvidos em roubos e assassinatos, sempre que nos defrontamos com alguma irregularidade, o trabalho das autoridades é tão ineficiente que gera uma sensação de vazio desmotivando a denúncia.

Atitudes como a do sujeito que cobra uma exorbitância por um ritual que ele alega ter aprendido com o pai, que aprendeu com o avô, etc., muitas vezes evidenciando a má fé, caracterizando claramente ritos que ele mesmo criou, substituindo o conhecimento pela criatividade, nos dias de hoje são bastante comuns.

  Para responsabilizar as pessoas em questão teríamos que fazer uma sessão espirita para ouvir todos seus antepassados punindo assim em efeito dominó o antepassado ilustre que não detinha o conhecimento mas que delegou ao descendente o mérito de administrar a insegurança sobre os fatos.
Sendo assim de posse de uma informação nada confiável o audaz vende o segredo familiar por um preço fora da realidade construindo assim uma imagem que detém um conhecimento inigualável que somente nesta ocasião será divulgado, originando o crime.

O cenário está pronto e o sacerdote nesse momento em ponto de destaque usa e abusa da oportunidade criando assim uma forma de se beneficiar sem ter responsabilidade com o que está sendo feito, atribuindo a responsabilidade e a origem do então conhecimento a um antepassado que normalmente é descrito como um grande sábio que veio da África.

Quando não é o antepassado responsável pelos atos é os espíritos incorporados que orientam os ritos, gerando assim a impunidade daquele que deveria a ser o único a ser punido.

Perante a lei tudo que o sacerdote aprende com seus antepassados ou na internet ou até mesmo em apostilas é de responsabilidade dele. Ninguém pode ser responsabilizado por algo que não teve participação, os ritos seguem por responsabilidade do oficiante, alegar responsabilidade de terceiros ou coautoria de um espírito é visto pelas autoridades, como um atalho para a impunidade que quase sempre denuncia o autor.

O fato é que um alto preço foi pago, a responsabilidade termina não sendo apurados na maioria dos casos, e na pratica todos perdemos, a não apuração de muitos ilícitos, na fé, é objeto cortante que retalha a nossa imagem.

A imagem do culto aos orixás no Brasil todo dia é prejudicada por alguém que se não é ignorante é desonesto, na grande maioria das vezes pessoas despreparadas dizem ter um conhecimento que não possuem ou terminam agindo com uma postura inadequada, mas a questão é para quem denunciar?

Na igreja católica aconteceu centenas de casos de sacerdotes que abusaram sexualmente de crianças e jovens adolescentes, em nossa religião, será que as denúncias não seguem em frente por não existir a possibilidade de receber uma indenização, ou seria vergonha das vítimas?

Caso como o que eu denunciei de um suposto sacerdote de Iya mi, em Santa Catarina, na cidade de Palhoça, conhecido como Oso, que faz sexo com todas as iniciadas, até hoje não foi apurado.

Em nossa religião esses casos fazem parte da página policial, mas com indícios estranhos, parece que existe uma estratégia para desestabilizar a imagem dos nossos sacerdotes.

A pergunta é quem se beneficia com essas notícias?

Aqueles que querem proibir o sacrifício de animais!

 Aqueles que lavam milhões de reais do crime organizado em suas igrejas!

A multiplicação das igrejas que nos atacam diariamente alimenta a GUERRA SANTA que acontece contra o culto dos orixás, em gabinetes, com um cheiro insuportável de corrupção, bispos evangélicos que tem milhões de dólares depositados no exterior em suas contas bancarias, agora deputados a serviço do crime, agridem Babalorisas e Iyalorisas, que em grande maioria não tem percepção de tudo que está acontecendo.

A falta de lideranças competentes estimula a desunião gerando um andar sem rumo de nossos sacerdotes, a luta contra o poder aquisitivo que mantem emissoras de TV nos atacando violentamente é desigual, os nossos desafetos se alimentam não de passagens bíblicas para nos atacar e sim de nossas próprias falhas.

É chegado o momento de pegar em armas, armas fortes como a verdade e a honestidade, o conhecimento nos fortalece e o conhecimento nos dá segurança, a verdade nos ilumina e a honestidade nos dá liberdade para agir.

Vamos lutar para manter a nossa fé e os nossos costumes, vamos lutar a GUERRA SANTA, mesmo que para isso tenhamos que cortar a própria carne.

Esse texto  é uma homenagem a grande líder religiosa, Maria Stella de Azevedo Santos, (mãe Stella de Oxóssi) do Ile Asé  Òpó Àfonjá, que luta em defesa da nossa fé com sabedoria e dignidade desde 19 de março de 1976.


quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Orunmila Ifá.



Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola

O ano de 2014 do calendário cristão foi muito bom, conheci várias pessoas que direta ou indiretamente contribuíram para um excelente resultado de nosso trabalho.

Nesse ano que está se encerrando entendi que o importante é seguir com o que eu acredito, ameaças e opiniões contrarias ao meu comportamento não alteraram o meu dia a dia, sigo fazendo muitas iniciações e continuo divulgando a minha crença.

O ifá no Brasil é muito jovem e ainda temos muito para aprender com os nossos irmãos yorubanos, mas uma coisa é certa adquirimos o respeito de nossos irmãos da Nigéria hoje somos vistos não pelo que temos e sim pelo que sabemos, daqui para frente não será mais discutido se um brasileiro pode ou não ser um Babalawo pois entre os Babalawos que mais iniciaram em toda história no mundo o projeto Ifá é para todos é conhecido e respeitado.

Em alguns anos o ifá em nosso país será cultuado em todo o território, a divulgação é um compromisso do bom sacerdote, no odu Ogbe Ogunda diz, para formar um bom Babalawo é necessário um longo período de viagens, conhecer as pessoas é importante na formação do sacerdote, sendo assim viajar e divulgar o ifá é uma responsabilidade de todos nós.

No momento em que as famílias se reúnem para festejar um começo de um novo ano, reafirmamos o nosso compromisso em divulgar a palavra de Orunmila, desejo a todos boas festas e que a amizade o respeito e a humildade balizem o relacionamento entre os homens.


Ifá egbe wa o

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Ojubona, o orientador no Ifá.


Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola

Em todas as profissões bons profissionais durante anos se consideraram como aprendizes, a aceitação da condição de despreparado facilita o aprendizado e qualifica a formação com a atitude de humildade.
No Ifá não é diferente sempre divulgamos abertamente a necessidade de um tempo mínimo de estudos antes do awo assumir a posição de sacerdote, a condição por nós aceita como a mínima condição divulgada pelo nosso Araba, que considera um prazo mínimo de preparação em 4 a 5 anos.
É bem verdade algumas pessoas se afastaram da nossa família por não concordarem com esse prazo, o desejo de atender muitas vezes termina atropelando o bom senso como poderia ser considerado o recém iniciado como Oluwo se ainda não tem a formação de Babalawo.
Um Babalawo deve saber um mínimo sobre os odus, deve saber preparar awures, isegun, asetas, entre várias formulas necessárias no dia a dia, além de saber fazer os mais diversos ebós inclusive ebó riru.
Sem o conhecimento o awo enfrentará dificuldade que terminaram prejudicando a imagem de toda a sua família e não só a dele, o despreparo prejudica o sacerdote e o consulente, a má interpretação de um odu pode guiar o awo em direção ao sentindo inverso do desejado, resultando o atendimento em um fracasso.
É responsabilidade exclusiva do Oluwo autorização para o atendimento, o Ojugbona ajuda na preparação do awo mas a liberação é um ato do Oluwo, toda a egbe segue a orientação de um único líder, o Oluwo, sendo assim os elogios e as críticas devem ser dirigidas exclusivamente a ele.
O culto a ifá aceita as pessoas sem esclarecimentos, mas não incentiva que elas sejam iniciadoras se o mesmo não deseja estudar jamais conseguira sair da condição de iniciado, é nesse momento que a postura do ojugbona pode fazer uma enorme diferença.
O ojugbona antes de mais nada é uma figura de total confiança do oluwo, a permanecia dele ou não como instrutor do iniciado é uma decisão exclusiva do oluwo.
Um ojugbona quando escolhido entre Babalawos experientes pode ser responsável por todo o treinamento do awo e isso pode durar alguns anos ou não, considerando a hipótese que na falta de Babalawos experientes jovens Babalawos poderão ser escolhidos para acompanhar o awo exclusivamente no período do itelodu ou itefá.
Para fazer a iniciação de um outro awo a figura do ojugbona pode ser ocupada pelo Babalawo ou pelo oluwo, considerando que existe um mínimo de pessoas para a cerimônia de itefá.
O oluwo no itefá é o responsável por toda a cerimônia, o Babalawo auxilia o oluwo assim como o ojugbona auxilia o oluwo, isso indica um mínimo de participantes do itefá em duas ou três pessoas.
Já presenciamos algumas situações que para não identificar como ridículas usaremos o termo hilário, antes de iniciado o awo já tem sua agenda fixada para iniciar outras pessoas.
Isso tudo representa o retrato de muitos dos supostos awos nos dias de hoje, pessoas com um pouco de conhecimento da cultura afro brasileiro se auto designam os sacerdotes da Religião Tradicional Yoruba prejudicando a imagem do ifá como um todo.
Mesmo que alguns consideram esse período mínimo de treinamento como escravidão ou subserviência, particularmente acredito que awo merece uma formação diferenciada porque alguns conseguem assimilar os ensinamentos em menos tempo, embora o mínimo jamais deva ser inferior ao anunciado pelo Araba de 4 a 5 anos.
Imaginem alguém dirigindo a mais de 200 km por hora sem uma preparação antecipada, o mesmo risco de vida deve ser considerado quando um awo atende sem ter condições. A autorização para o despreparado é equivalente a entrega das chaves de um veículo potente a uma pessoa que não sabe dirigir e um acidente fatal pode acontecer.
O fato do awo ter compromissos com a família e manutenção de sua casa, jamais justificara que o Oluwo o permita atender.
As necessidades de ganho do awo jamais deve ser considerada como pretexto para a eliminação de etapas.
A decisão do Oluwo pode ser antipática, mas é necessária, a não liberação de um awo despreparado para atendimento e iniciações é fundamental para a preservação do nome da egbe.
Esse texto é uma homenagem a meu ojugbona João Assef foi ele quem colocou um opele em minhas mãos pela primeira vez, foi com ele que aprendi os primeiros passos no Ifá, esse homem não foi somente meu ojugbona, foi um exemplo para mim com sua simplicidade e dedicação ao ifá.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

A verdade sobre o orixá e Ifá.



Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola

Ao longo dos anos tenho acompanhado um grande numero de pessoas divulgando a religião tradicional yoruba, algumas delas bem intencionadas fazem ótimos trabalhos outras, no entanto, se limitam a divulgar materiais vindos do exterior como sendo a mais pura verdade, incontestável e irretocável verdade.

O povo de nosso país durante anos foram vitimados com a verdade católica que moldou a forma de pensar de nosso povo, a nossa gente pensa em religião como se o catolicismo fosse à base para tudo.

O planeta tem sete milhões de habitantes, o catolicismo durante longo tempo foi dominante em vários países, hoje isso já não acontece, à manipulação da informação aos poucos deixa de existir sendo assim as pessoas tem acesso a informações referentes às mais diversas religiões.

A necessidade de nossos irmãos na fé do orisá é especifica, não podemos mudar na teologia com filosofia católica ou cristã. Existe uma guerra acontecendo nas entrelinhas em nosso país, evangélicos e católicos disputam com violência os fieis, isso gera desconforto para nossos irmãos, em grande parte dominados por um sistema corrupto que associa a politica a religião e ao poder da mídia.

O povo que cultua orisá esta necessitando de informações, precisamos de canais de tv e emissoras de rádios disponibilizando informações verdadeiras sobre a teologia e a filosofia yoruba.
Na tentativa de criar mais um espaço onde a informação sobre orisá possa ser divulgada criamos vários trabalhos, incluindo os nossos blogs e as nossas paginas na internet.

Não somos os donos da verdade, temos um trabalho que é fruto de dedicação com mais de cinco décadas de fé e amor aos orisás. É bem verdade que os orisás foram generosos conosco, nos possibilitaram um convívio com pessoas capacitadas que auxiliaram na nossa informação.

Vejo constantemente na internet abordagens equivocadas algumas pessoas na falta de conhecimento improvisam e terminam misturando o cristianismo com a religião tradicional de culto ao orisá.
Essa semana recebi de presente de aniversario de um querido amigo um livro do grande escritor Ayo Salami, após a leitura resolvi escrever esse texto desmitificando algumas questões, o livro que fala sobre Egbe Orun me inspirou uma abordagem ampla sobre a filosofia e a religião yoruba.

Buscando torna a didática leve e acessível para pessoas de todas as idades e níveis intelectuais, vamos abordar algumas questões de forma simplificada.


O nascimento


O nascimento de um ser humano dentro da religião yoruba é descrito em varias fases, nos versos de ifá, partindo do principio ativo que é particularmente conhecido como alma.


Alma


A alma que vamos designar dessa forma para fácil identificação tem origem divina, Olodumare “Deus” com a necessidade de criar novos indivíduos encarrega Obatala de criar novos corpos celestiais que após a criação ganhou vida com o sopro divino do criador, “Deus”.
Com a vida insuflada em um principio que se origina em dois corpos simultaneamente a alma agora dos seres idênticos segue a trajetória natural se dirigindo para a escolha de um orí.

Ori


O orí é escolhido pela alma e seu duplo originando aqui após a escolha diante de Àjàlá “aquele que cria o “Ori” um duplo do orí idêntico que tenha a função de acompanhar o duplo da alma no orun”.

Egbe Orun


O culto a Egbe Orun enfatiza a necessidade de atrair o duplo da alma que permanece no Orun depois do nascimento com a finalidade de acessar a ligação divina de Egbe com Olodumare possibilitando uma vida mais confortável.

Abiku


O espirito abiku reproduz a insatisfação e a falta de aceitação com o destino e o afastamento do duplo, sendo assim o encontro da morte é a maneira simplista de reencontrar o duplo no orun.
Embora muitas pessoas com problema de abiku não morram jovens a sua condição de insatisfação e a não aceitação do destino escolhido caracterizam seu comportamento.

Bori


O culto a orí enfatiza a necessidade de atrair do duplo do orí que permanece no Orun depois do nascimento com a finalidade de acessar a ligação divina de orí com Olodumare possibilitando uma vida mais confortável.

Obs: Na filosofia Yoruba o duplo da alma e o duplo do orí por permanecer no Orun tem ligação direta com o divino isso facilita o acesso a uma vida prospera e tranquila dai a razão do culto ao duplo.
Sendo que o orí e a alma que se destinaram para acompanhar o corpo no nascimento em convívio terreno perde muito da sua inocência e distancia o homem do seu criador.

Esse tema já foi abordado por vários pensadores que aproximam a figura infantil e inocente do divino que também descrevem o afastamento de Deus com o passar do tempo e o desenvolvimento do caráter e da personalidade.

Caráter 


O caráter conhecido na filosofia yoruba como IWA esta contido na escolha do individuo aos pés de Àjàlá no momento da escolha d orí, porém com uma definição mais ampla conhecida por nós como odu.

Odu


Odu pode ser designado como o resultado de parte da essência divina introduzido em quatro elementos o orí e o seu duplo assim como a alma e seu duplo, esse conjunto em movimento após o nascimento concentra na parte que vem para terra o Iwa que sofre algumas alterações com o passar do tempo e o convívio com outros indivíduos gerando aqui o que conhecemos como personalidade.
A personalidade

A livre escolha de como viver expressada em uma pequena parte de como conhecemos como destino pode nos aproximar ou nos afastar do divino, pessoas com o mesmo odu que tem a alma como ponto de origem da mesma essência, “Egbe” expressam comportamentos diferentes em razão do caráter “IWA” gerando assim um comportamento identificado como diferente da essência conhecido como personalidade.

Destino


Ori esta ligado ao odu, e existe 256 odus diferentes, a grosso modo, teríamos no mínimo 256 tipos de bori. Mas a verdade é que esse procedimento não segue nenhuma regra e sim, uma orientação de Ifa ocasional.

Obs:O destino pode ser assim compreendido.


AKUNLEYAN é a parte do destino que cada um escolhe por vontade própria, livre arbítrio.

AKUNLEGBA é a parte do destino o qual está adicionada como complemento de AKUNLEYAN.

AYANMO é aquela parte do destino que nunca pode ser mudado.
 Por exemplo: Pais, sexo etc...

 Ìwà Rere quer dizer, bom caráter, um dos principais requisitos para se tornar digno de ser cultuado por seus descendentes após sua morte.

Apari-Inu representa o caráter à natureza humana, Ori Apere representa o destino.

Um indivíduo pode vir para a terra com um bom destino, mas se ele vem com mau caráter, à probabilidade de cumprimento, do seu destino é comprometida.
O pecado

A cultura Yoruba não reconhece o pecado, pessoa que toma a iniciativa de se distanciar de seu destino, é o que popularmente se chama de pobre de espirito.

A filosofia Yoruba é fantástica, existe uma frase que diz, o castigo deve ser adequado ao caráter do culpado.

Isso identifica que o caráter também faz parte da escolha, assim como o odu a escolha é testemunhada por Orunmila.
O Espirito

O espirito é descrito em um conjunto que é formado pelo Ori, a alma e o caráter, o odu de duas pessoas idêntico pode gerar comportamentos diferentes em razão do desenvolvimento do caráter que é alterado gerando o distanciamento do destino comprometendo a alma e distanciando a mesma de seu duplo e da sua essência.

Orunmila


O culto a Òrúnmilà serve para aprimorar o caráter e aproximar o individuo de seu destino, o conhecimento do odu de nascimento serve para nortear o comportamento visando aproximar a alma e o orí de seu duplo contando com o apoio do Orisa.

Orisa


A nossa alma tem a mesma origem que tem o orisa porem a nossa alma pertence a um egbe e o Orisa pertence a outro egbe a origem é a mesma, mas definição se difere porque a alma considerando a parte que vem para a terra pode se distanciar da origem o orisa se mantem em sua essência divina e possibilita o acesso à prosperidade assim como o nosso duplo no orun por razões anteriormente descritas.

O culto a Orisa


O culto a orisa assim como o culto a orí e egbe tem a mesma finalidade que é a aproximação com o divino e a identificação com a nossa origem, considerando que o duplo é parte do Deus e assim se comporta a essência é fundamental no desenvolvimento do espirito.
As pessoas que são iniciadas para determinados Orisás seguem uma orientação de Ifá baseada em um principio da complementação.
Quando um sacerdote de Ifa é iniciado cumpre uma série de rituais e cultua os Orisás indicados nos odus relativos à sua iniciação, já no caso da pessoa não iniciada em Ifá o processo pode seguir uma orientação um pouco diferente.

A incorporação


O transe consciente visa à aproximação do individuo com a essência do divino expressa no Egbe, ela é provocada e se justifica para a evolução do espirito que habita em cada um de nós.

O transe inconsciente que não é reconhecido pela ciência tão pouco se justificaria como forma de evolução, pois se eu não tenho conhecimento que estou alinhado como poderia me beneficiar do alinhamento, tal comportamento é injustificado e inexplicável para a evolução espiritual.

Mesmo que algumas pessoas acreditam quem isso é possível a ciência contesta e o comportamento daqueles que tomam banho e colocam roupas adequadas para os rituais se entregando ao ritmo das cantigas invocatórias de forma consciente o individuo em alinhamento com a essência propositalmente.

A informação da não consciência é usada dos dois lados do oceano por pessoas que se beneficiam e usam a energia do divino em beneficio próprio as aberrações no território yoruba como em outros países chegam ao máximo dos ridículos onde números de magicas tentam justiçar a veracidade do espirito, homens introduzem instrumentos perfurantes em seu corpo tentando provar uma incorporação, mas na verdade uma solução de folhas anestésicas é usada como forma de amenizar a dor criando um palco ilusórias onde inúmeras pessoas contracenam com a mentira.

Egungun


O culto aos antepassados tem a mesma finalidade que o culto de Egbe e Ori com uma diferença o alinhamento é buscado na essência e não no duplo.

O culto a egungun tem a mesma finalidade que o culto a orisá, a aproximação da essência que não sofreu alteração e mantem o principio do divino possibilita o viver mais confortável e o desenvolvimento espiritual próximo do compromisso assumido antes do nascimento.

O culto a Orunmila


O ato de criar o Ifá do individuo através do assentamento de Orunmila possibilita a criação do instrumento que identificara o destino e os compromissos assumidos antes do nascimento essa questão é fundamental que seja compreendida como um mapa que auxiliara a pessoa na caminhada terrena, mas também auxiliara o espirito no alinhamento com o duplo.

Somente Orunmila testemunhou a nossa escolha do nosso destino, a voz de Orunmila só pode ser ouvida no Ifa e o Ifá pessoal reproduz com mais detalhe a nossa escolha.

Isefa


Para algumas famílias o isefa não é uma iniciação, em nossa família consideramos o Itefa uma iniciação completa e o isefa uma pré-iniciação, em nossa família toda a pessoa submetida a um isefa recebe um nome, além das orientações do odu do ritual, se essa pessoa recebe uma indicação de ifá que deve se tornar um babalawo, o ifá é alimentado mais uma vez, em um novo ritual, que não acontece no mesmo dia, e um opele é consagrado para o inicio dos estudos.

Em algumas famílias a pessoa submetida em um isefa é chamada Omo ifá, e uma submetida ao itefa são conhecidas como awo ifá.
Em nossa família consideramos esses dois nomes e usamos a denominação awo kekere, (pequeno segredo), ou awo kekere, para as pessoas com indicação do inicio a preparação para itefa.
O awo kekere, é uma pessoa que normalmente tem o seu Exu arrumado com o odu do isefa ou com um odu indicado por ifá, na segunda cerimonia quando é consagrado o opele de estudo.

O awo kekere pode receber esse opele que muitas vezes é confeccionado com pedaços pequenos de cabaças, semelhante ao que é feito no ifá cubano, com pedaços de coco, ou com um opele padrão, com favas de opele legitimas, a diferença na consagração do opele, para estudo é o porte do sacrifício por razões obvias não vou mencionar como é feito, mas existem inúmeras formas de consagrar um opele, uma pessoa que passa pelo itefa, mesmo tendo odu de babalawo, não tem o seu opele consagrado para atender clientes, a consagração do opele em alguns casos no itefa, é muito simplificada consistindo em que o opele come dentro da vasilha de Orunmila, já para consagrar o opele que vai consultar para clientes a consagração, é fora da vasilha de Orunmila e não necessitam que Orunmila seja alimentado, os rituais para esse caso, estão muito ligados a o culto de Exu.

Itefa.


Uma pessoa submetida a um itefa pode continuar se incorporando com caboclo, esu, preto velho, e seu orisá, se não for um babalawo, essas pessoas que tem cargo de babalorisas ou tem caminho de oloorisa, passam por quase todos os rituais, que um babalawo passa a diferença esta ligada ao culto de Iya odu e Osun (antepassado).
O culto de Osun (antepassado) tem rituais específicos para pessoas que passam por uma iniciação e rituais completamente diferentes para a pessoa que vai iniciar outras pessoas.

As pessoas, iniciadas para se tornarem babalawos começam os seus estudos, não no momento que fazem o itefa, começam seus estudos quando na pré-iniciação (isefa), recebem uma orientação de Orunmila que tem caminho de babalawo.

As pessoas pertencentes ao ifá Cubano, assim como as pessoas acolhidas em nossa família, que por alguma razão, se afastaram da sua família do ifá Nigeriano recebem um tratamento totalmente diferente, condicionado a uma forte demonstração de conhecimento ou baseado em uma orientação determinante de ifá, só assim pode ser considerado o tempo de estudos para uma futura liberação para um atendimento de clientes.

O primeiro caso, diz respeito a um conhecimento não dos versos da família a qual a pessoa fazia parte, mas sim de um conhecimento universal, de tudo que envolve ifá.

Se Orunmila disser que devemos aproveitar os ikins da pessoa que foi iniciado no ifá Cubano, assim o faremos, pois para nós ifá é universal, mesmo tento conhecimento que os ikins usados nas iniciações da tradição do ifá Nigeriano sejam completamente diferentes das sementes de dendê usadas em Cuba.

O mais importante nesses casos é levar em consideração que o iniciado no ifá Cubano, recebe já na sua primeira mão de ifá, o assentamento de Osun (antepassados) e Exu, diferente do isefa tradicional.

Se for aceito o assentamento de ifá, também vai ser aceito o assentamento de Osun (antepassados) e o de Exu, existem alguns casos, no ifá Cubano que a pessoa tem um opele de casca de coco, se ela passar para o ifá Nigeriano esse opele, só poderá ser usado, como um adorno, o sacerdote em sua nova caminhada deve consultar para os seus clientes com o opele tradicional.

Já o assentamento de Osun (antepassado), pode ser mantido em paralelo, assim como o Exu e o ifá, dispensando uma nova iniciação, considerando que não se pode iniciar uma pessoa duas vezes, isso seria um desrespeito com suas raízes anteriores.

Duração das cerimonias.

Um isefa leva até três dias para conclusão da cerimonia, já um itefa leva de três a dezessete dias, a conclusão das cerimonias, isso não quer dizer que não possa seguir outras indicações como é bem comum, sete dias. Sempre a orientação de Orunmila no ifá, é que vai ser seguida.

Ìtélodú


Nessa cerimonia o iniciado s torna um sacerdote conhece pelo nome de um Babalawo os Babalawo NÃO INCORPORAM, e se dedicam ao estudo dos odus por toda a vida cultuando.

A trajetória de estudos do Babalawo pode ser descrita de varias formas, porém a cerimonia onde o mesmo é reconhecido pela divindade conhecida como iya odu é o ápice na religião tradicional yoruba não existe Babalawo que não tenha sido apresentado para iya odu.

Iya odu


Já falamos sobre Egbe, odu destino e a essência divina falar de iya odu é falar da divindade útero gerador de odu sendo assim estamos falando de Egbe no plural, essa divindade abriga vários odus, sendo assim da origem há varias egbe disponibilizando para o criador parte da essência no momento da criação do espirito.

Expectativa


Não espero que esse trabalho mude a historia de ifá no Brasil tenho consciência que com o passar do tempo outras pessoas poderão se sentir motivadas a escrever sobre a nossa religião o importante é que cada um de nós tente auxiliar na divulgação, juntos encontraremos a essência de nossos Egbes, desenvolveremos nossos espíritos e cumpriremos nossos destinos.

Se você gostou, compartilhe, reproduza. Só não esqueça que a produção intelectual é de propriedade privada, então, credite a autoria dos textos. Obrigado

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

A lei do retorno não existe, Orunmila?



Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola

A visão que o Orisa machuca e mata, não é compartilhada por mim, eu acredito que o Orisa é como um pai que ama, que educa, mas que é incapaz de machucar.

 A chamada lei do retorno na tradição religiosa yoruba não existe quase tudo que acontece com você é fruto de uma escolha feita por você antes de nascer.

O destino de cada pessoa é definido antes do nascimento e somente uma pequena parte dele pode ser alterada, a parte que pode ser alterada quase sempre é modificada por ações que justificam uma grande alteração como o amor, ou o ódio que pode até gerar o que conhecemos como acidentes, que definimos como mudança não prevista por Orunmila.

Vou explicar para que não aja dúvidas, esse tipo de mudança não esta incluída no destino da pessoa e Orunmila é a testemunha do destino escolhido sendo assim essas alterações são em maioria responsabilidade dos ajoguns, em se tratando do aspecto negativo, vou citar um exemplo:

 Uma mulher que constantemente é agredida pelo marido e que nada faz para se afastar do mesmo pode sim ter escolhido isso antes de nascer, mas se isso não for à escolha dela e ela permanecer ao lado do individuo ela corre o risco de ser morta por ele mesmo que isso não seja parte da sua escolha permitindo a entrada do aspecto citado, o infortúnio, nesse caso gerado por um àjogún, mas sem a atuação direta de Orunmila e Iya mi, isso seria fruto de um asé negativo (força pessoal de realização negativa) ou de uma ação dirigida no caso do Abilu.


Existe também a chamada alteração positivo que pode sofrer uma grande variável, ela pode ser fruto dos Orisás, ou do sentimento de outra pessoa, isso definindo a força pessoal de outro individuo alterando o seu destino, ou até mesmo resultado do que nós conhecemos como asé, força pessoal (força pessoal de realização) que pode alterar o seu próprio destino por ação ou atração do bem.
Quando uma pessoa consulta Ifá e aparece um acidente na consulta isso faz parte do destino dela, em não sendo parte do destino, a afirmação na consulta será definida como um aspecto negativo que pode ou não se concretizar.

Na hierarquia universal o poder de decisão primeiramente vem Deus (Olodumare) depois do lado esquerdo logo a baixo vem Iya mi e do lado direito vem Orunmila, Orunmila define a ocorrência por conhecer o destino e Iya mi libera o Àjogún para efetuar o aspecto negativo, como já explicamos o positivo pode ser ocasionado de varias formas, nessa parte do texto vamos examinar o aspecto negativo.

Os Ajoguns mais conhecidos são:

 Iku (morte)

Arun (doença)

Ofo (perda)

Ejó (problemas).

Os ajoguns são subordinados a Iya mi que tem a função de confirmar as escolhas negativas escolhidas por nós em nosso destino. Os chamados infortúnios podem ser provocados ou não.
No caso dos acidentes isso acontece porque a pessoa estava no lugar errado com as pessoas erradas e na hora errada por escolha dela alterando o seu destino de forma negativa em razão de escolher, conviver, ou estar com as pessoas erradas ou no lugar errado, ou por insistência com o não atribuído a ela a conhecida não conformidade.

No caso dos infortúnios a definição pode ocorrer por Abilu (feitiço ou magia negativa) nesse caso a previsão é definida e identificada como forças negativas com possibilidade de concretização, que pode ser evitado pelo chamado sexto sentido que definimos aqui como asé (axé) alterando por intuição ou por uma ação implementada pelo Orisa constituindo assim um método de defesa pessoal.
Sendo assim Iya mi não é negativa, ela somente libera a sua escolha de antes do nascimento no momento indicado por Orunmila, já no aspecto positivo Iya mi pode atuar com o elemento amplificador de uma ação realizada por um Orisa trabalhando em parceria aumentando a força de realização diminuindo o tempo de concretização e aumentando a precisão da ação.

A chamada lei do retorno que identifica a vinda do mal ou do bem como retorno de ações cometidas por nós se torna nula na religião tradicional yoruba, o fato de ter escolhido antes do nascimento aspectos negativos para o meu destino me torna o único responsável, isso indica que a aceitação, a paciência e a tranquilidade contribuem para a verdadeira trajetória escolhida e a realização do escolhido. O importante é não confundir a afirmação anterior com o desanimo a preguiça e a falta de determinação que representam o aspecto inverso contribuindo para o infortúnio.

Vou citar um exemplo:

Você pode não ter escolhido morrer de doença, porem se você optar por ter uma alimentação impropria ou se você abusar do seu corpo você pode sim morrer de doença.
Isso estaria incluído naquela pequena arte do destino que pode ser alterado enfatizando aqui o aspecto negativo ou se for o caso o inverso.

Na verdade o bom senso a honestidade e a lealdade servem como alimento para o bem viver, mas raramente isso é uma escolha, quase sempre esses critérios dependem da interferência do local e das pessoas justificando a necessidade da máxima que a criação e os bons exemplos para uma criança que está formando a sua personalidade seja um quase total termo determinante.

O Orisa, a religião e a doutrina da bondade adotada como forma de vida pode não alterar o destino por você escolhido, mas serve para afastar o infortúnio você estando bem com você e com as outras pessoas vai conseguir ouvir com mais facilidade a sua voz interior, ou seja, a voz do orisa, isso vai afastar você do lugar errado e das pessoas erradas na hora certa.

Devemos aceitar com naturalidade que algumas pessoas se afastem de nós na realidade, a insistência em se manter com a pessoa errada pode atrair o infortúnio para sua vida, devemos agradecer aos orisás e ao nosso asé pessoal devido aqui como força do ori o afastamento de pessoas negativas para o nosso destino.

A frase que diz que tudo acontece quando tem que acontecer é uma meia verdade a lei do retorno não existe, mas a força de vontade pode alterar o seu destino.



domingo, 21 de setembro de 2014

O senhor do poder e o Ifá



Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola

Constantemente sou procurado por pessoas para consultar com inúmeros problemas, quase todos tem historias muito parecidas e a grande maioria busca desesperadamente a fórmula mágica para ser feliz.

Muitos desses clientes querem a todo custo saber qual orisá deve ser agradado para que eles possam encontrar um caminho mais fácil para a felicidade.

Se você agradar Ogun muitos dos obstáculos desapareceram, cultuando Osun as dificuldades antes encontradas na busca pelo prestigio podem desaparecer.

Cultuando Obaluaye os problemas de saúde podem ser resolvidos, assim como cultuando Egbe Orun muitos dos problemas financeiros terminaram.

As dificuldades podem diminuir quando o culto ao Orisá esta em harmonia, mas interiormente os conflitos devem ser resolvidos. Eu costumo dizer que você é o senhor do poder e que só você pode de fato mudar a sua vida.

Os ritos devem ser ministrados por pessoas com um comportamento exemplar, mas o comportamento das pessoas submetidas aos rituais deve ser munido de boas intenções, pelo menos a tentativa  deve estar implícita para que a mudança aconteça.

Se você trai, rouba e iludi as outras pessoas, porque fazer outro tipo de ebó que não seja o indicado para a melhora de seu caráter?
A traição prejudica quem foi traído e ao mesmo tempo limita o traidor, se em um casal uma das pessoas não esta satisfeita o natural seria que houvesse um afastamento e não o adultério.

Se uma pessoa não esta feliz em seu trabalho deve pedir demissão o certo é buscar um novo emprego, não fique o tempo todo falando mal da empresa que você trabalha, não fique o tempo todo inventando defeitos para o seu chefe.

A insatisfação deveria conduzir a pessoa a uma mudança e indiretamente a um melhora, mas o comum é ver pessoas insatisfeitas, trair, iludir, exteriorizando o que existe de pior dentro delas.

A necessidade da evolução do ser humano às vezes é confundida com sentimentos negativos, a maioria das pessoas termina atacando e prejudicando o seu semelhante, como forma de alicerça o caminho para tão sonhado sucesso.

O culto ao orisá ele deveria ser ministrado com proposito didático, às orientações para o melhor viver deveriam partir da caridade a lealdade e a honestidade. No entanto o que se vê é uma procura desesperada de formas mágicas como soluções dos problemas.
O senhor do poder não pode se limitar a um caderno de receitas, uma formula certa não é a indicação de um resultado perfeito, o comportamento e o merecimento são elementos implícitos na alquimia.

O acesso a um livro de magias jamais vai tornar você um mago, ao invés de sair da cartola um coelho a sua mão pode ser picada por uma serpente.

Vejo surpresos alguns sacerdotes indicarem para os seus adeptos posturas indignas, como exemplos de comportamento inadequado.
Essa semana fiquei sabendo que um babalorisa que sugeriu para o adepto que o mesmo simulasse estar doente e procurasse um medico para obter um atestado que o afastaria do trabalho por um tempo necessário para uma iniciação no culto de orisá.

Imaginemos esse pobre coitado obter privilégios elícitos objetivando a aproximação do orisá. Em primeiro lugar ele vai trair o empregador, em segundo lugar ele vai roubar a empresa e em terceiro lugar ele vai se iludir, afirmando que essa manobra é necessária.

Será que o dinheiro proveniente de uma atividade ilícita compra materiais necessários para uma iniciação religiosa?
Será que as pessoas acreditam que o orisá aprova esse tipo de comportamento?

Será que as pessoas são tão ignorantes que acreditam que o orisá não esta vendo tudo que está acontecendo?

Mais cedo ou mais tarde, as implicações de um comportamento indigno retornaram com uma força desmedida para a vida daquele que não tem caráter.

A religião tradicional yoruba não foi criada para as pessoas perfeitas, o culto ao orisá pode auxiliar o aperfeiçoamento do individuo, mas a mudança deve ser desejada e o afastamento dos maus hábitos deve ser adotado.

A lapidação do ser é uma necessidade na busca pela felicidade e a transformação interior implica diretamente nos resultados externos.

O orisá auxilia quem quer mudar, mas o comportamento do iniciado deve nortear o processo evolutivo, com a certeza do caminho escolhido só assim os obstáculos diminuem tornando a felicidade um bem adquirido naturalmente.



terça-feira, 9 de setembro de 2014

Ebó sacrifico e transformação no Ifá.


Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola

Eu fico contrariado quando vejo na internet pessoas postarem textos de odu sem que conste a qual odu pertence, nenhuma pessoa pode se intitular dono dos versos de ifá.

Se você acredita que em um verso existem particularidades que não devem ser divulgadas não publique parte do texto sem o nome, divulgar ifá é obrigação de todo iniciado, quando divulgamos o texto sem o nome e sem o autor impossibilitamos a confirmação da veracidade, desestimulamos a pesquisa e prestamos um desserviço à cultura.

Por essa razão resolvi escrever sobre o ebó riru divulgando alguns detalhes que podem gerar criticas ao meu trabalho algumas pessoas podem até imaginar que estou divulgando segredos, mas acredito que da forma que esta sendo colocado não existe nenhum excesso na divulgação.

O ebó riru tem como finalidade primeira transformar a situação que envolve o consulente, afastando os aspectos negativos e atraindo as energias positivas para o dia a dia do mesmo.

O ebó riru só pode ser oficializado por um babalawo ou uma iyanifa preparado em cada família o ebó riru pode dar ênfase a um determinado odu em homenagem aos seus antepassados, mas de um modo geral eles seguem a mesma ordem, somente alterando o odu extraído na consulta.
Segue a ordem do ebó riru:


 Otura Irete

Nesse verso é feito uma homenagem a Deus e o Babalawo se identifica como extensão do trabalho divino.

Owonrin Meji 

 Nesse verso o Babalawo  faz uma homenagem ao pai do Babalawo, a mãe, o Oluwo, o Ojugbona e todos ancestrais, nesse verso é reafirmado o respeito à família.

 Idin Gbe

 Nesse verso é solicitado que o ebó seja aceito e que as maldições lançadas sobre o consulente sejam afastadas.

 Otura Ka

Nesse verso é descrito todo o material que vai ser oferecido em sacrifico, explicando que o dinheiro faz parte do ebó.

 Obs: Nesse momento o babalawo faz referencia ao odu da consulta e ao seu odu inverso, fazendo a invocação de todos ires.

Owonrin Sogbe

 Nesse verso o Babalawo faz uma homenagem a exu e pede que ele aceite o ebó.


Obara Bogbe

Nesse verso o Babalawo pede permissão para Iya mi para fazer o ebó e exalta a figura das mulheres.


Ogunda Bede

 Nesse verso o Babalawo saúda egungun e pede permissão para fazer o ebó

Ogunda Masa

 Nesse verso o Babalawo pede que a morte e a doença sejam afastadas da vida do consulente e identifica o oficiante dizendo seu nome.

Ika Meji

 Nesse verso o Babalawo faz uma menção a Ibeji e invoca a abundância para a vida do consulente em forma de filhos duplos, na tradicional invocação da dupla abundância.

Irete Meji

Nesse verso o Babalawo pede que nunca falte dinheiro para o consulente e exalta que aquele que é iniciado não enfrentará dificuldades com as finanças.

Ose Bile

Nesse odu o Babalawo invoca que a alegria e todas as coisas boas venham do céu para a vida do consulente.

Ose Otura

a- Nesse verso o Babalawo invoca que o consulente não morra jovem, o sacerdote pede que a morte se afaste e que o consulente tenha uma vida longa e saudável.

b- Nesse verso o Babalawo pede para Osun que o ebó seja aceito, que ela permita que todas as outras divindades aceitem o sacrifício.

Okaran Sa

a- Nesse verso o Babalawo pede que aquele que esta fazendo o sacrifício nunca morra.

b-Okaran Sa, finalizando o ebó riru o Babalawo afirma através do odu que aquele que fez o ebó esta salvo, pronunciando o nome do cliente.

Nesse momento o Babalawo pergunta a ifá quantos búzios devem acompanhar o ebó e identifica se o ebó está completo, imediatamente o consulente leva o ebó para o assentamento de exu.

Com esse texto não estou divulgando segredos a minha intensão é mostrar a complexidade do ebó riru para que as pessoas que desconhecem o sistema não se tornem vitimas de sacerdotes despreparados e oportunistas. Quando isso acontece não é só o dinheiro que é perdido normalmente a fé também é prejudicada gerando uma decepção e um progressismo afastamento da divindade.







quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O monologo da fé e Ifá.



Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola

Muitos dos meus contatos na internet relatam que a suas vidas estão muito prejudicadas e que existe uma dificuldade em dar continuidade a os seus projetos, para nós que cultuamos orisá e acreditamos que a força impulsionadora é o axé isso indica que alguma coisa está errada.
A fé existe enquanto se mantem a esperança ou quando o retorno é confortante, aquele que reza, fala com o divino, sabe que a natureza não é muda, e o seu interior sente a energia como resposta. Sendo assim o retorno afirma a relação de fé e sedimenta a relação de confiança.
Mas é impossível que a relação homem divindade se apoie somente na fé, em nossa religião os ritos possibilitam o acesso e purificam a relação condicionando a comunicação.
Vejamos então se em todas as religiões quem orienta os ritos é um sacerdote e para isso ele necessita uma formação, por que então em nossa religião seria diferente e qualquer pessoa poderia ser detentora da força realizadora (o axé, asé).
A energia do axé tem sim poder de realização, mas ela não é continua, o desequilíbrio emocional e ético afeta a sequencia de realizações além de outros fatores como a falta de caráter que neutraliza de forma definitiva a capacidade de invocação de forças benevolentes.
A comunicação entre o homem e o orisá pode ser prejudicada pelo comportamento do homem ou pelo desconhecimento dele, e alguns assentamentos podem até repelir a presença da divindade como resultado do despreparo daqueles que o sacralizaram.
O culto a Orisa mais especificamente a religião tradicional em especial os rituais relativos à Orunmila exigem do sacerdote uma postura impar, o Babalawo é permanentemente observado por Opa Osun que representa a sua ligação com o elo familiar.
Um ato falho no presente prejudica a imagem do trabalho de muitos no passado, uma ação impensada pode implicar na revolta dos seus melhores amigos espirituais a consequência é a equivocada relação onde o sacerdote pensa que está rezando, mas na verdade o que está acontecendo é um monologo.
O monologo da fé é muito comum, as pessoas conversam com o sagrado imaginado por elas, elas criam uma divindade que aceita tudo que elas fazem e respondem sempre que elas chamam, sabemos que isso é impossível nós exigimos e somos exigidos nessa relação, o nosso comportamento é um parâmetro forte que norteia a comunicação espiritual.
Os ofos, aduras e orikis não servem para nada se a postura do sacerdote está comprometida, é comum ouvir as pessoas dizerem que parece que não estão sendo ouvidos, isso é um fato elas estão falando sozinhas.
Os seres humanos necessitam de higiene em seus corpos e em suas mentes, somente tomar banho e colocar uma roupa nova não identificam você como limpo, a troca de roupa e o perfume não escondem o seu verdadeiro pensar.
A religião tradicional yoruba é exigente, nos versos de Ifá percebemos normas de comportamento bastante rígidas e Orunmila estabelece com clareza as normas de convivência entre os homens e também com o sagrado.
O estudo continuo dos versos de ifá capacita o sacerdote, mas a elevação é obtida somente quando esse conhecimento é colocado em pratica, àquele que detém o conhecimento e não o pratica cometi um duplo erro.
A formação e os estudos beneficiam os ritos, mas não garantem o êxito, o asé é uma combinação precisa que exige uma combinação entre o saber e o poder

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