terça-feira, 14 de março de 2017

Logística e o Ifá.



Autor: Bàbáláwo Ifágbaíyin

Essa noite conversei com uma pessoa que esta fora do país por telefone e ela me disse que mantém contato com algumas pessoas por questão de logística.

Interessante como os homens reagem sobre pressão, nesses momentos as pessoas mostram o seu interior.

Valores como carinho amor e respeito se perderam ao longo da árdua caminhada humana, o dito desenvolvimento apurou tanto o modo de pensar de alguns indivíduos que o bom senso desapareceu completamente.

Imaginem ter que manter um contato por simples interesse em logística.

A comercialização dos sentimentos é retratada ao longo da historia da humanidade até com certa naturalidade, mas a verdade é que toda vez que nos deparamos com esse tipo de situação percebemos como o ser humano ficou embrutecido.

O dinheiro e o poder se tornaram a força propulsora da humanidade, a relação inter pessoal passou a ser monitora concomitante com a conta bancaria.

O que nós devemos questionar diante desses fatos é até que ponto as pessoas usam as outras e se deixam serem usadas?

O empobrecimento das relações parece que é uma crescente, que infelizmente a poucos ainda se espantam, com esses fatos, embora em um ponto todos concordamos, sentimento está se tornando coisa do passado.

E viva a logística!

Evidentemente até que apareça outro ponto estratégico e logístico melhor, todos seguem amigos.

Devemos rezar para Òrúnmìlà para que o mundo moderno não nos envolva nesse mar de gelo chamado interesse.

Ifá mantenha-me digno diante de tudo isso, Ifá me mantenha forte diante desses fatos.

Ifá coloco meu destino em suas mãos.

Ajagunmale me julgue.

A terra é testemunha dos meus atos.

Edan me julgue.




terça-feira, 7 de março de 2017

O teorema da impossibilidade a critica e o Ifá.

Autor Babalawo Ifagbaiyin Agboola
Quando comecei a escrever sobre Òrìsà e a religião tradicional Yoruba há alguns anos atrás, imaginei tudo que eu passaria divulgando uma religião que veio da África em meio a pessoas preconceituosas e ignorantes.

Não houve nenhuma surpresa durante esses anos, embora quase sempre existam pessoas despreparadas comentando aquilo que elas não conhecem.

A história humana sempre foi assim é com preconceito que os idiotas manifestam suas opiniões sobre aquilo que seus cérebros codificam como impróprio ou inaceitável.
Conforme divulgado pela revista Veja na edição do dia 19/02/2016 sobre a educação no Brasil, quase a totalidade dos brasileiros não tem condições de fazer uma analise coerente daquilo que está lendo.
O estudo no qual se baseia a revista mostra que no Brasil hoje 73% da população sabem ler e escrever, mas 65% das pessoas tem algum nível de dificuldade para interpretar um texto.
A pesquisa sobre alfabetização chamou atenção para a dificuldade que os brasileiros têm para entender o que leem.
De acordo com a pesquisa, só 8% dos brasileiros estão no melhor índice de alfabetização e conseguem ler e interpretar qualquer tipo de texto, sendo assim a possibilidade de receber críticas de pessoas desprovidas de critérios lógicos para formalizar um raciocínio aceitável é de 92%, esses números retratam as dificuldades enfrentadas por alguém que se disponha a escrever publicamente sobre qualquer assunto que seja, em um país que não se preocupa com a educação.
O programa das Nações Unidas (ONU) divulgou que o Brasil desceu um degrau no ranking do Índice do Desenvolvimento Humano (IDH) no ano de 2015, Programa das Nações Unidas o (Pnud) diz que o nosso país foi ultrapassado até pelo Siri Lanka, uma ilha ao sul da Índia com cerca de 21 milhões de habitantes, que teve crescimento mais acelerado, o nosso país ficou em 75.º lugar, entre 188 nações e territórios reconhecidos pela ONU.
Baseado nisso a dificuldade das pessoas entenderem aquilo que estão lendo seria um reflexo direto da falta de educação e de alguns problemas relacionados à saúde.
O economista americano Arrow há quase cinquenta anos atrás ficou famoso descrevendo algumas questões sociais que aumentam ainda mais as dificuldades daqueles que tem coragem de escrever publicamente, Kenneth Arrow recebeu o premio de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel de 1972. Ele foi considerado um dos fundadores da moderna economia neoclássica.
Arrow é conhecido pela sua dissertação de doutoramento no qual se baseia a sua obra Social Choice and Individual Values, onde demostra o seu famoso "teorema da impossibilidade".        
O economista provou que, tendo em conta certos pressupostos sobre as preferências das pessoas por certas opções, é sempre impossível encontrar uma regra de eleição através da qual uma opção surja como a preferida.
É perfeitamente natural que haja divergência de opinião em questões que permitem uma interpretação baseada em documentos e fatos, porque cada pessoa pode ter um entendimento diferente.
O que não se aceita é a oposição sem respaldo articulada no berço da falta de informação e amamentada pela injuria ou conduzida por suposições.
A amplificação do teorema da Impossibilidade é uma realidade que em um país como o nosso se justifica com os índices da ONU, mas além desses agravantes existem números que trazem a luz uma realidade ainda mais brutal, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou um ranking mundial de qualidade de educação. Entre os 76 países avaliados, o Brasil ocupa a 60ª posição.
O ranking foi definido a partir de resultados de testes de matemática e ciências aplicados nestes países, (dados divulgados no portal G1 e na rede Globo em 2016).
Brasil tem 3º pior índice de desigualdade do mundo apresenta uma baixa mobilidade social e educacional entre gerações (Jornal Estadão).
Em outra reportagem a revista Superinteressante diz que dentre os países estudados sobre os preços e serviços, o Brasil está em quarto lugar no ranking das nações com preços mais elevados, perdendo apenas para Índia, México e África do Sul, esse fato torna o acesso a uma boa educação quase impossível.
Um livro simples no Brasil custa aproximadamente 6,47% do salário mínimo, no nosso País o valor de um livro custa quase 10 vezes mais que na Alemanha, e cinco vezes mais do que na França.
Esses preços explicam parte dos fatos que justificam as dificuldades de algumas pessoas para entender textos e interpretar os fatos descritos em uma narrativa simples gerando criticas e comentários impróprios, na verdade o brasileiro não tem o habito de ler.
As pessoas que começaram a escrever sobre religião tradicional yorubá no Brasil nos últimos vinte anos em especial sobre Ifá têm seus textos ocasionalmente analisados por indivíduos sem nenhuma formação.
As criticas deveriam ser formuladas por pessoas que discordam criando um debate, no entanto o que se vê é uma oposição agressiva e insana que ao invés de construir com o debate tenta destruir apoiada em falácias.
Em 2010 escrevi uma frase que em alguns aspectos permanece bem apropriada para encerrar esse texto (percebi que meu caminho está traçado e que um grande número de pessoas pode não gostar do que eu escrevo, mas que um pequeno grupo de pessoas a partir desse trabalho começou a ver nossa religião de uma forma mais positiva).
“Não me falem da falta de conhecimento de poucos, me falem da sede de aprender de muitos, pois é para essas pessoas que escrevo”.

quarta-feira, 1 de março de 2017

A ética religiosa e as frivolidades do lobo hesitante.


Autor: Bàbáláwo Ifagbaiyin Agboola

Assistindo as noticias de tudo que vem acontecendo no mundo e observando as pessoas nas relações interpessoais e na rede social me surpreendo bastante com o aquilo que os sociólogos chamam de desenvolvimento humano.

Seguindo um raciocínio lógico, comparo aquilo que a experiência de anos me permitiu observar com aquilo que estou vendo na atualidade e não tem como não ficar perplexo.

Vejo algumas coisas que sei que uma parte da humanidade não enxerga, não faço isso porque sou melhor ou pior que as outras pessoas, faço isso porque a tranquilidade e a experiência da idade me permitem.

As mudanças de hábitos na população humana estão sendo documentada por filósofos e pensadores á séculos e a retórica que estamos evoluindo me deixa um pouco confuso.

O pensar não é algo planejado, a inteligência de muitas pessoas é comparativa e não tenho como apagar minhas memórias, sendo assim o cruzamento de informações é inevitável e a comparação ocasional.

Assistindo os acontecimentos diários surgem em minha mente algumas conclusões que vou tentar expor sem ter a pretensão de parecer certo ou errado.

A alienação daqueles que se recusam a pensar e que como papagaios repetem o discurso exaustivamente divulgado que interessa a um grupo pequeno e muito inteligente que lucra com a falta de visão de muitos criou modismos equivocados disfarçados de uma roupagem que tenta ser atualizada e moderna. 

O povo com o tempo foi levado para uma teórica zona de conforto que pensar não é permitido, o resultado disso tudo é tido como desenvolvimento e os ditos intelectualizados terminaram se colocando em um patamar que os aparta da maioria como forma de negação e superioridade.
A questão é simples, se eu não concordo com tudo que está ai tenho que me esforçar para que haja mudanças.

Aquele que não participa da reunião que define as metas, está concordando com a decisão da maioria.
Se você não participar daquilo que vai ser decidido e que será a expressão da  vontade da maioria a sua ausência vai refletir como conivência.

Da mesma forma que se você não pergunta e esclarece as suas dúvidas você perpetua a ignorância.
Existe uma necessidade de participação que clama por mudanças e a luta entre a ética e a indiferença deixa muitas pessoas de fora dos debates.

A ética é o equilibro das decisões entre aquilo que eu quero e aquilo que eu posso ou devo fazer.
Será que seria antiético no meio do feriado eu falar sobre o desenvolvimento humano, será que seria antiético falar de religião e filosofia no meio do Carnaval.

Será que vai ser entendido esse chamamento, falar de ética e chamar a atenção das pessoas para a vida no meio do feriado é utopia?

No fim de semana recebi uma visita de um amigo, ele é o retrato da grande maioria das pessoas na vida moderna, ele falou o tempo todo de pessoas e em nenhuma ocasião falou de ideias.

Eu acho que ter um pensamento próprio está ficando fora de moda, à preguiça mental está conduzindo a mesmice e consumir é a palavra de ordem, tudo segue como planejado pelos senhores do poder.

Observei esse meu amigo enquanto estava hospedado em nossa casa, nas refeições  no  café, no almoço e no jantar a primeira coisa que ele colocava na mesa era o celular, a todo o momento ele verificava a rede social, exatamente como planejado por aqueles que venderam essa ideia, ele foi escravizado e não percebeu.

Eu queria falar sobre esse assunto com ele, eu posso falar, mas será que eu devo?

Seria improprio ou antiético?

A realidade é que na vida moderna as pessoas cada vez mais estão olhando para os seus interesses e apontar equívocos passou a ser denominado como chatice.

O ser humano está seguindo por um caminho que obriga a modismos e estar fora do sistema deixa você fora do grupo social.

Nos diálogos as pessoas falam dos carros, das casas e da aparência das outras pessoas.

Elas falam de quanto dinheiro e propriedades foram adquiridas por seus amigos e por elas mesmas, mas se recusam a falar sobre conduta e ética, será que pensar foi proibido e a frivolidade virou modismo.

Quando as pessoas chegam de visita na casa dos amigos à primeira coisa que fazem é pedir a senha do Wi Fi ele falam sobre carros e roupas dinheiro e marcas famosas, elas deixaram de olhar nos olhos das outras pessoas e esqueceram a importância do ser humano.

Os verbos começaram a ser conjugados somente na primeira pessoa do singular.

O raciocínio da maioria segue a mesma lógica se eu tenho muito dinheiro terei muitos amigos, mas se eu tenho muitos amigos terei muito dinheiro?

Esse é o grande problema da humanidade hoje, relações verdadeiras foram esquecidas e você vale quanto tem no banco. Em razão disso os consultórios dos psicanalistas estão lotados de indecisos que não sabem o que priorizar.

As pessoas dedicam muito tempo para ganhar dinheiro, falta tempo para as relações interpessoais e isso faz aflorar as carências, até porque quando na maioria das vezes elas existem tem um interesse embutido.

A quantidade é o parâmetro na vida moderna e quase sempre a equação é equivocada porque se tenho muito dinheiro, muitos amigos, porque não sou feliz?

A grande maioria das pessoas das pessoas desconhece que a felicidade é um sentimento esporádico que pode ser vivido sozinho, e isso é facilmente comprovado.

Quando recordamos bons momentos ficamos felizes mesmo estando longe das pessoas que amamos, esse raciocínio indica que se temos boas lembranças não precisamos de muitas pessoas para ser feliz, a felicidade certamente não está na quantidade de amigos que temos.

Acredito que a missão de um religioso é incentivar as pessoas a enfrentar seus problemas e para isso devemos examinar essas questões, sinto que embora alguns sacerdotes prefiram se mostrar indiferentes a problemática humana fugindo dos debates, a responsabilidade deles reflete contribuindo com o processo ilusório.

As pessoas sensatas estão se calando com medo de serem agredidas, elas temem ser hostilizadas e terminam contribuindo com suas atitudes para mesmice do processo.

Me nego a compactuar com o pensamento de alguns sociólogos que defendem que a degradação humana é parte do processo seletivo e evolutivo.

A verdade é que muitas pessoas quando percebem o quanto é artificial as suas vidas já não conseguem soltar as amarras das frivolidades.

Essa conjuntura termina sendo transferida para os espaços religiosos e a busca termina sendo um simples reencontro com as decepções.

Pessoas limitadas e fixas e conceitos estipulados pelo poder buscam nas casas de religião aquilo que elas desejam ouvir e um sacerdote sem caráter termina usando isso em seu beneficio gerando assim um processo que se retroalimenta com as frustações e excreta ilusão.

O tempo está passando e a evolução humana está sendo contaminada com o desejo de riqueza e poder, as frivolidades estão ocupando todos os espaços com o consentimento da ignorância e a falta de objetivos concretos embriaga as vitimas do marketing bem elaborado.

A realidade convém a um pequeno grupo que governa o pensar da maioria, contudo existe uma saída, jovens pensadores devem ser estimulados incentivados, os modismos que limitam o homem devem ser esquecidos e o processo evolutivo deve ser retomado.

Sabemos que os lideres políticos não vão alterar o sistema por conveniência, cada um visa exclusivamente comercializar o que seus países produzem melhorando assim suas posições no tabuleiro do jogo de poder.

A humanidade está atravessando um período critico e isso aumenta a responsabilidade dos líderes religiosos, a capacitação de novos sacerdotes pode implicar diretamente na renovação do pensamento humano, afinal de contas esse era o plano de Deus quando mandou para a terra Jesus, Maomé e Òrúnmìlá.

 Os representantes de Deus sempre tiveram a missão dura de corrigir o pensar humano, não me surpreenderia se Deus estivesse reciclando os representantes atuais, tendo em vista que a dialética está sendo substituída pela negociata.

Os pastores estão ficando mais sujos que grande parte de seus rebanhos, com isso os lobos estão hesitantes e inseguros na hora do abate, eles sentem receio de se contaminarem com a ingestão de suas vitimas.    
                                         
                                              


domingo, 29 de janeiro de 2017



Aplicativo para o estudo de Ifá.


Conteúdo do Aplicativo:


Todos os Òrìsà nos 256 odus e muito mais e
odus que identificam:

-Odù que fala de raspar a cabeça na iniciação.
-Sobre Iniciação em Ifá
-Oferece bode ao Ifá para a vitória.
-Sacrificar Ìgbín para o ifá.
-Consagrar opele.
-Consagrar irukere.
-Esse Odù fala que o homem só deve ter uma mulher.
-Esse Odù facilita o parto.
-Fala sobre a necessidade dos Èwò.
-Importante manter a monogamia.
-Após o ebó a roupa da pessoa é colocada pendurada em uma arvore.
-Colocar Edun ara no Ifá.
- Fazer ebo com folhas de gbegi.
-A necessidade do uso da esteira para consultar Ifá.
-Sacrifício de pinto para Èsù.
-Fazer ebo com dendê a Èşù.
-Ewé Tete è a primeira folha para macerar.
-O uso do efun e algodão para ebo.
-Sociedade Ogboni.
-Sacrificar porco para ifá.
-A Remuneração do Bàbáláwo para os rituais efetuados.
-O uso do mariwo na iniciação, itefá.
-Oferecer ekodide para Èsù.
-Prestigio riqueza através de Ifá.
-Uso de Ikins no idé Ifá.
-O Bàbáláwo deve dividir seus ganhos com Èsù e os òrìsàs.
-Oferecer cabra a ifá para evitar a morte.
-Iya Apetebi a esposa do Bàbáláwo.
-Odù do perdão.
-Ritual do eta, (terceiro dia).
-Ritual do eje, (sétimo dia).
-Saudação dos Bàbáláwos e Ìyánifá.
-Sacrifica os animais macho e fêmea.
-O sacerdote deve guardar segredo sobre as consultas.
-Rezar para o orí todas as manhãs.
-Consagração Opon ifá.
-O homem deve apreciar a mulher que ele escolheu para viver.
-Instrumentos sonoros para ter energias positivas.
-O uso da palmeira em ebó.
-Fazer ebo para que os segredos não sejam descobertos.
-Lavar cabeça com folhas para prosperar.
-Oferecer ovelha a ifá.
-Sacrifício dobrado.
-À criação da sociedade Ogboni.
-Banhos para tratar problemas espirituais.
-Sacrificar animais de uma única cor.
-Consultar constantemente Ifá para ter sucesso.
-Lavar a cabeça com folhas para ter sucesso.
-Ebo com tudo em dobro.
-Fala sobre a necessidade dos èwò.
-Explica como o fenômeno Egúngún veio à existência.
-Fala sobre a necessidade do sacrifício.
-Odù perigoso queima o opele.
-Fala sobre fazer festas para os òrìsàs.
-O uso do idé ifá, fazer caridades.
-Neste Odù deve distribuir dinheiro como ebó.
-Neste Odù deve distribuir dinheiro como ebó.
-Odù que nasce o sacrifício de carneiro para garantir a vitória.
-Consagrar o Opon ifá.
-O cliente necessita de limpeza espiritual (ebó).
-O homem não tem direito de tirar a vida de outro.
-Sacrifício de cachorro para Ògún.
-Esse Odù fala que o Bàbáláwo pode estar enganado.
E muito mais tudo sobre os 256 odus.
*Toda a renda obtida com a venda do aplicativo será doada para o projeto Ifá é para todos, e será usada para custear a iniciação de crianças em ifá.

  https://play.google.com/store/apps/details?id=br.com.app.gpu1633201.gpuc5c5cc50d4e933829dd0ac47c6ca9c2e                                                         
   Bàbáláwo Ifagbaiyin Agboola



sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Ìyánifá




Bàbáláwo Ifagbaiyin Agboola

 Eu sinto vergonha quando leio alguns textos que tem como objetivo diminuir a importância das mulheres na religião tradicional yorùbá.

Quem deveria sentir vergonha é quem escreve essas besteiras, mas quem sente vergonha por algumas dessas pessoas dizem ser iniciadas em Ifá, sou eu.

O Ifá deveria trazer paz para a vida dessas pessoas, porque Ifá esclarece as dúvidas e soluciona os problemas, mas isso não está acontecendo com eles.

Uma Ìyánifá pode iniciar em Òrìsà, pode fazer Isefá, pode também consultar com Ikin e opele e fazer ebó.

Todos deveriam saber que uma Ìyánifá só não participa dos rituais para o Òrìsà Oro e para os rituais referentes à Iyá Odù.         
            
A Ìyánifá tem o direito de ter sua casa e atender a sua família e todas as pessoas que a procuram, ela só não pode fazer um itefá ou um Ìtelódù, por razões obvias.

Para fazer um itefá necessita fazer rituais para Iya Odù, isso é evidente.

Toda Ìyánifá com permissão para ter a sua casa tem a seu lado um Bàbáláwo, preparado para fazer os rituais necessários para tudo relativo à Iyá Odù.

Qualquer pessoa iniciada em Ifá deveria saber que para fazer um Itefá à pessoa deve ser iniciada nos culta a Iyá Oduologboje.

Porque algumas  pessoas têm essa necessidade de diminuir a figura feminina?

Isso deve ser fruto de problemas psicológicos, falta de informação ou preconceito.

Eu não pretendo explicar tais questões, deixo isso para os psicólogos e para os assistentes sociais, mas sinto vergonha porque essas pessoas são iniciadas no Ifá.

Na religião ou em qualquer outro seguimento não existe espaço para tanta ignorância e preconceito.

Se as pessoas se calarem agora será a vez das mulheres, amanhã serão os negros e depois os homossexuais.

Se continuar assim com o tempo somente os ignorantes poderão fazer parte de nossa religião.

No Ifá assim como na vida, os imbecis estão ocupando espaços porque os  homens de bem estão calados.

Não podemos esquecer que é responsabilidade de todos impedirem, o avanço do preconceito.

Só combatendo essas ações vamos poder sonhar com dias melhores e com uma sociedade mais justa, é indigno se calar diante dos fatos.


quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Um verdadeiro Bàbáláwo.



Autor: Bàbáláwo Ifagbaiyin Agboola

Nos últimos anos com o crescimento da divulgação do culto a ifá no Brasil o numero de incidentes envolvendo supostos Bàbáláwos tem aumentado muito. Muitas pessoas me perguntam como identificar um Bàbáláwo de verdade?

Existem um grandes números de pessoas em nosso país se passando por Bàbáláwo, muitos são nigerianos, mas nesse meio também existem vários brasileiros.

Quando eu me iniciei no ifá não existiam muitas pessoas que tinham coragem de dizer que eram Bàbáláwos brasileiros a historia mudou e hoje até quem não é, se diz.

A falta de dinheiro tem gerado um fenômeno muito interessante em todos os segmentos de nossa sociedade e multiplicam se os canalhas.

Nos presídios brasileiros o aumento do numero de nigerianos serve como um alerta que não pode ser tratado com indiferença.

Muitos nigerianos que chegam a nosso país estão ligados diretamente ao tráfico internacional de drogas, e é comum ver supostos Bàbáláwos iorubanos vendendo tecidos e obi.
Comerciante é comerciante e sacerdote é outra história.

Essa é uma das formas para identificar um falso Bàbáláwo, um sacerdote de ifá não comercializa artigos religiosos.

Um Bàbáláwo tem que ser um exemplo para a sociedade independente de sua nacionalidade, imagine se seria possível que Òrúnmìlá aceitasse que um sacerdote comercializasse os itens indicados por ele para um ebó.

 Tal raciocínio é impossível, pois na falta de um material na anseia de obter o dinheiro a falta de caráter poderia levar a mudança da orientação de ifá.

Uma pessoa que fala o idioma em yorùbá não necessariamente é um Bàbáláwo se fosse assim também seria correto que qualquer pessoa que domine o idioma inglês deva ser americano ou britânico. O idioma ou as vestes não deve confundir quem esta em busca de religiosidade.

Alguns nigerianos que vem para o Brasil são mulçumanos, esse sujeitos ávidos por dinheiro dizem ser profundos conhecedores da religião tradicional yorùbá, esse fato tem frustrado muito o contato dos iniciados em òrìsà do nosso país com os supostos sacerdotes.

Outra questão que tem chamado muita atenção é o quase total desconhecimento dos significados da palavra ética de alguns sacerdotes iorubanos que chegam ao nosso país, o desespero por dinheiro faz com que essas pessoas comercializem o inimaginável.

O comercio de títulos por parte de alguns sacerdotes yorùbá para pessoas recém-iniciadas em nosso país é um escândalo que deveria envergonhar brasileiros e nigerianos, ao invés disso o que assistimos em contato com esses supostos sacerdotes da terra mãe, é o fato que tudo se vende e tudo se comprar, menos dignidade.

Seguindo assim, em breve o Brasil vai se tornar o país do mundo com maior números de arabas, se facilitarmos em breve teremos o nosso próprio Alaafin acompanhado de um certificado com palavras escritas em Yoruba.

 A situação se não fosse gravíssima seria cômica, porque o numero de disparates divulgados em nome de ifá em nosso país se multiplica em uma velocidade que só o dinheiro alimenta.

Muitos são os culpados por essa aberração, tem culpa brasileiros e yorùbá, embora a mola propulsora seja a ganancia.

Quando estive no território yorùbá conheci muitos homens que sabem versos de Ifá, mas que no convívio diário não merecem ser chamados de Bàbáláwos, mas também conheci bons sacerdotes de Ifá.

Graças a Òrúnmìlá eu tive muita sorte nessa procura e fui agraciado conhecendo verdadeiros Bàbáláwos, é esse fato que me estimula no combate a mentira que tanto prejudica a nossa religião.

A ética, o respeito, a honestidade e a dignidade, substituem com facilidade a formação acadêmica de muito intelectuais diante da espiritualidade, no ifá a postura digna diante do sagrado muitas vezes substitui o herodito.

O que os brasileiros esperam dos yorùbá que vem em nome da fé para o nosso país é respeito, é impossível que tudo esteja à venda, é impossível que tudo tenha um preço, mas também é inaceitável que existam pessoas dispostas a tudo comprar em nosso país.

Se cada um que aqui chega dizendo que é Bàbáláwo fosse investigado a realidade não seria tão frustrante. A falta de caráter de alguns desses senhores deveria envergonhar a todos, mas principalmente deveria envergonhar os verdadeiros Bàbáláwos yorùbá e brasileiros.

Uma coisa é certa para identificar um Bàbáláwo de verdade, a pessoa disposta à busca tem que ser no mínimo honesta.

Brasileiros sem caráter, sempre vão conseguir se identificar com pessoas com as mesmas características não importa de que país elas venham.






segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Iniciação de ifá



Autor: Bàbáláwo Ifagbaiyin Agboola.

Muitas pessoas me perguntam por que elas deveriam ser iniciadas em ifá?

Usando um raciocínio lógico vamos tentar esclarecer aqueles que ainda têm duvidas sobre o ifá.
O culto a òrìsà existente no Brasil é oriundo do território yorùbá, o idioma usado nos rituais para os òrìsàs é o yorùbá.

É natural que devamos seguir os princípios de nossas raízes religiosas da Nigéria.

Na religião tradicional yorùbá acredita se que antes de nascermos escolhemos um destino.
A escolha desse destino é testemunhada por um único òrìsà (Òrúnmìlá), é só ele que pode nos fornecer informações a cerca deste.

Esse òrìsà quando invocado em forma de oraculo é conhecido pelo nome de Ifá.
Nós acreditamos que é impossível obter informações sobre o destino de uma pessoa que não seja através do Ifá.

Por essa razão a iniciação em Ifá é extremamente importante para quem deseja cultuar outros òrìsàs.
O tempo dedicado às orações e ao cuidado dos assentamentos dos òrìsàs quando usados de forma correta propicia melhores resultados.

Também se pode afirmar que as atividades religiosas têm custos que quando bem administrado para òrìsàs corretos propiciam para o iniciado melhores resultados.

Para manter a energia do òrìsà no assentamento devem ser mantidos inúmeros rituais, isso implica em dedicação, tempo e dinheiro.

Uma pessoa que não seja um sacerdote não necessita vários assentamentos o ideal é que seja identificada a necessidade de cada individuo, é nesse ponto que entra o ifá.

A identificação antes de uma provável iniciação vai diminuir custos e apontar com clareza para qual òrìsà o iniciado deve dedicar sua atenção.

A iniciação em Ifá (itefá) possibilita uma total identificação com a ancestralidade.
 Todo òrìsà é bom e não existe iniciação para o òrìsà errado.

Mas somente a iniciação para o òrìsà correto implicara em melhores resultados na vida do iniciado.
Muitas pessoas dedicam suas orações para òrìsàs que são cultuados equivocadamente.

 Todo dia recebo mensagens de dezenas de pessoas que desejam mais informação sobre o seu òrìsà, mas quem garante que esse é o òrìsà correto para essas pessoas?

Diante disso a resposta é clara!

Com as informações corretas os resultados positivos para os adeptos são ampliados, essa é a razão porque todos deveriam ser iniciados em Ifá.



quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Ifá em preto e branco.


Autor: Ifagbaiyin Agboola.

Quando um escritor se dispõe a abordar assuntos polêmicos há que estar preparado para interpretações equivocadas e críticas que venham a questionar sua atitude. 

Esse texto não tem a intenção de analisar questões sobre racismo, preconceitos ou etnias.

Há mais de meio século faço parte da religião dos Òrìsàs e durante esse período tenho ouvido inúmeras vezes pessoas dizerem que o culto ao Òrìsà não é lugar para brancos. Um dos argumentos para tal constatação é que estes não tem ritmo e que, portanto, não pertencem a esse meio.

Ainda que a intenção desse texto não seja analisar questões racistas, se faz necessário lembrar que o racismo consiste em ideias preconcebidas e discriminação com base em percepções sociais e não em constatações fixas sobre determinado comportamento ou costume. Haja vista que ritmo e dança são somente algumas das atividades de nossa religião, seria preconceituoso definir que brancos não dispõe da capacidade de internalizar o ritmo que, supostamente, segundo pessoas que sustentam tal argumento, seria de domínio de algumas etnias. Ao contrário de ver uma atitude que busque desmistificar esse conceito, vejo cada vez mais discursos de cunho político intensificando essa ideia que considero racista.

É comum perceber em alguns discursos a intenção política, enfatizando e exaltando a beleza de uma etnia, buscando nos despreparados o apoio para o beneficio individual sacrificando o coletivo.

Não há que se investigar muito para perceber o equivoco histórico, separatista e ignorante, uma vez que quase tudo que é categorizado como negativo, leva adjetivos como negro: magia negra, humor negro, peste negra.

Há um ano e meio mudamos para a Bahia e ainda estamos tentando entender as relações interpessoais num estado cuja a maioria da  população, é influenciada pela cultura yoruba.

Outro dia fui testemunha, dentro de minha casa, do depoimento de um membro de nossa família ao descrever o dia que nos conheceu:

“Eu estava tão ansioso para consultar (o oráculo) naquele dia que nem fui trabalhar, mas quando cheguei naquela casa e vi um casal de brancos, frustrei todas as minhas expectativas.”

Há alguns meses atrás, conversando com um outro iniciado em nossa casa, comentei com ele que os preços praticados na feira de São Joaquim, em Salvador, eram bastante elevados para o material da nossa religião.

Ele me respondeu:

“Também o senhor branco desse jeito com esse seu carrão branco, queria o que?”

Deixei de fazer as compras nessa feira, pois entendi que por ser branco os preços a pagar seriam sempre diferentes dos cobrados de moradores locais, para materiais usados à prática da mesma religião. 

Quando nos deparamos com fatos como esses, entre tantos outros, fica difícil entender os discursos de alguns intelectuais que insistem em dizer que o Brasil é o país do futuro e que temos em nossa gente o exemplo de uma miscigenação que deu certo.

O que será que eles querem dizer com isso?

Sou iniciado em Ifá e estudo diariamente os versos que constituem os pilares de nossa religião e curiosamente não encontrei nada que se refira à cor de pele em nossas escrituras.

Pessoalmente acredito que a religião tradicional yorùbá tem uma grande capacidade de transformar o ser humano. Ifá fala sobre conceitos que facilitam a convivência e minimizam a brutalidade da vida moderna, mas as questões relacionadas a traumas sociológicos deveriam ser uma preocupação de todos nós e principalmente do nosso governo.

Infelizmente o que vejo, ao longo desses anos, são politicas equivocadas que estimulam a preguiça mental e a falta de aceitação às diversidades.