domingo, 21 de setembro de 2014

O senhor do poder 




Constantemente sou procurado por pessoas para consultar com inúmeros problemas, quase todos tem historias muito parecidas e a grande maioria busca desesperadamente a fórmula mágica para ser feliz.

Muitos desses clientes querem a todo custo saber qual orisá deve ser agradado para que eles possam encontrar um caminho mais fácil para a felicidade.

Se você agradar Ogun muitos dos obstáculos desapareceram, cultuando Osun as dificuldades antes encontradas na busca pelo prestigio podem desaparecer.

Cultuando Obaluaye os problemas de saúde podem ser resolvidos, assim como cultuando Egbe Orun muitos dos problemas financeiros terminaram.

As dificuldades podem diminuir quando o culto ao Orisá esta em harmonia, mas interiormente os conflitos devem ser resolvidos. Eu costumo dizer que você é o senhor do poder e que só você pode de fato mudar a sua vida.

Os ritos devem ser ministrados por pessoas com um comportamento exemplar, mas o comportamento das pessoas submetidas aos rituais deve ser munido de boas intenções, pelo menos a tentativa  deve estar implícita para que a mudança aconteça.

Se você trai, rouba e iludi as outras pessoas, porque fazer outro tipo de ebó que não seja o indicado para a melhora de seu caráter?
A traição prejudica quem foi traído e ao mesmo tempo limita o traidor, se em um casal uma das pessoas não esta satisfeita o natural seria que houvesse um afastamento e não o adultério.

Se uma pessoa não esta feliz em seu trabalho deve pedir demissão o certo é buscar um novo emprego, não fique o tempo todo falando mal da empresa que você trabalha, não fique o tempo todo inventando defeitos para o seu chefe.

A insatisfação deveria conduzir a pessoa a uma mudança e indiretamente a um melhora, mas o comum é ver pessoas insatisfeitas, trair, iludir, exteriorizando o que existe de pior dentro delas.

A necessidade da evolução do ser humano às vezes é confundida com sentimentos negativos, a maioria das pessoas termina atacando e prejudicando o seu semelhante, como forma de alicerça o caminho para tão sonhado sucesso.

O culto ao orisá ele deveria ser ministrado com proposito didático, às orientações para o melhor viver deveriam partir da caridade a lealdade e a honestidade. No entanto o que se vê é uma procura desesperada de formas mágicas como soluções dos problemas.
O senhor do poder não pode se limitar a um caderno de receitas, uma formula certa não é a indicação de um resultado perfeito, o comportamento e o merecimento são elementos implícitos na alquimia.

O acesso a um livro de magias jamais vai tornar você um mago, ao invés de sair da cartola um coelho a sua mão pode ser picada por uma serpente.

Vejo surpresos alguns sacerdotes indicarem para os seus adeptos posturas indignas, como exemplos de comportamento inadequado.
Essa semana fiquei sabendo que um babalorisa que sugeriu para o adepto que o mesmo simulasse estar doente e procurasse um medico para obter um atestado que o afastaria do trabalho por um tempo necessário para uma iniciação no culto de orisá.

Imaginemos esse pobre coitado obter privilégios elícitos objetivando a aproximação do orisá. Em primeiro lugar ele vai trair o empregador, em segundo lugar ele vai roubar a empresa e em terceiro lugar ele vai se iludir, afirmando que essa manobra é necessária.

Será que o dinheiro proveniente de uma atividade ilícita compra materiais necessários para uma iniciação religiosa?
Será que as pessoas acreditam que o orisá aprova esse tipo de comportamento?

Será que as pessoas são tão ignorantes que acreditam que o orisá não esta vendo tudo que está acontecendo?

Mais cedo ou mais tarde, as implicações de um comportamento indigno retornaram com uma força desmedida para a vida daquele que não tem caráter.

A religião tradicional yoruba não foi criada para as pessoas perfeitas, o culto ao orisá pode auxiliar o aperfeiçoamento do individuo, mas a mudança deve ser desejada e o afastamento dos maus hábitos deve ser adotado.

A lapidação do ser é uma necessidade na busca pela felicidade e a transformação interior implica diretamente nos resultados externos.

O orisá auxilia quem quer mudar, mas o comportamento do iniciado deve nortear o processo evolutivo, com a certeza do caminho escolhido só assim os obstáculos diminuem tornando a felicidade um bem adquirido naturalmente.

Babalawo Ifagbaiyin

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Ebó sacrifico e transformação


Eu fico contrariado quando vejo na internet pessoas postarem textos de odu sem que conste a qual odu pertence, nenhuma pessoa pode se intitular dono dos versos de ifá.

Se você acredita que em um verso existem particularidades que não devem ser divulgadas não publique parte do texto sem o nome, divulgar ifá é obrigação de todo iniciado, quando divulgamos o texto sem o nome e sem o autor impossibilitamos a confirmação da veracidade, desestimulamos a pesquisa e prestamos um desserviço à cultura.

Por essa razão resolvi escrever sobre o ebó riru divulgando alguns detalhes que podem gerar criticas ao meu trabalho algumas pessoas podem até imaginar que estou divulgando segredos, mas acredito que da forma que esta sendo colocado não existe nenhum excesso na divulgação.

O ebó riru tem como finalidade primeira transformar a situação que envolve o consulente, afastando os aspectos negativos e atraindo as energias positivas para o dia a dia do mesmo.

O ebó riru só pode ser oficializado por um babalawo ou uma iyanifa preparado em cada família o ebó riru pode dar ênfase a um determinado odu em homenagem aos seus antepassados, mas de um modo geral eles seguem a mesma ordem, somente alterando o odu extraído na consulta.
Segue a ordem do ebó riru:


 Otura Irete

Nesse verso é feito uma homenagem a Deus e o Babalawo se identifica como extensão do trabalho divino.

Owonrin Meji 

 Nesse verso o Babalawo  faz uma homenagem ao pai do Babalawo, a mãe, o Oluwo, o Ojugbona e todos ancestrais, nesse verso é reafirmado o respeito à família.

 Idin Gbe

 Nesse verso é solicitado que o ebó seja aceito e que as maldições lançadas sobre o consulente sejam afastadas.

 Otura Ka

Nesse verso é descrito todo o material que vai ser oferecido em sacrifico, explicando que o dinheiro faz parte do ebó.

 Obs: Nesse momento o babalawo faz referencia ao odu da consulta e ao seu odu inverso, fazendo a invocação de todos ires.

Owonrin Sogbe

 Nesse verso o Babalawo faz uma homenagem a exu e pede que ele aceite o ebó.


Obara Bogbe

Nesse verso o Babalawo pede permissão para Iya mi para fazer o ebó e exalta a figura das mulheres.


Ogunda Bede

 Nesse verso o Babalawo saúda egungun e pede permissão para fazer o ebó

Ogunda Masa

 Nesse verso o Babalawo pede que a morte e a doença sejam afastadas da vida do consulente e identifica o oficiante dizendo seu nome.

Ika Meji

 Nesse verso o Babalawo faz uma menção a Ibeji e invoca a abundância para a vida do consulente em forma de filhos duplos, na tradicional invocação da dupla abundância.

Irete Meji

Nesse verso o Babalawo pede que nunca falte dinheiro para o consulente e exalta que aquele que é iniciado não enfrentará dificuldades com as finanças.

Ose Bile

Nesse odu o Babalawo invoca que a alegria e todas as coisas boas venham do céu para a vida do consulente.

Ose Otura

a- Nesse verso o Babalawo invoca que o consulente não morra jovem, o sacerdote pede que a morte se afaste e que o consulente tenha uma vida longa e saudável.

b- Nesse verso o Babalawo pede para Osun que o ebó seja aceito, que ela permita que todas as outras divindades aceitem o sacrifício.

Okaran Sa

a- Nesse verso o Babalawo pede que aquele que esta fazendo o sacrifício nunca morra.

b-Okaran Sa, finalizando o ebó riru o Babalawo afirma através do odu que aquele que fez o ebó esta salvo, pronunciando o nome do cliente.

Nesse momento o Babalawo pergunta a ifá quantos búzios devem acompanhar o ebó e identifica se o ebó está completo, imediatamente o consulente leva o ebó para o assentamento de exu.

Com esse texto não estou divulgando segredos a minha intensão é mostrar a complexidade do ebó riru para que as pessoas que desconhecem o sistema não se tornem vitimas de sacerdotes despreparados e oportunistas. Quando isso acontece não é só o dinheiro que é perdido normalmente a fé também é prejudicada gerando uma decepção e um progressismo afastamento da divindade.







quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O monologo da fé.



Muitos dos meus contatos na internet relatam que a suas vidas estão muito prejudicadas e que existe uma dificuldade em dar continuidade a os seus projetos, para nós que cultuamos orisá e acreditamos que a força impulsionadora é o axé isso indica que alguma coisa está errada.
A fé existe enquanto se mantem a esperança ou quando o retorno é confortante, aquele que reza, fala com o divino, sabe que a natureza não é muda, e o seu interior sente a energia como resposta. Sendo assim o retorno afirma a relação de fé e sedimenta a relação de confiança.
Mas é impossível que a relação homem divindade se apoie somente na fé, em nossa religião os ritos possibilitam o acesso e purificam a relação condicionando a comunicação.
Vejamos então se em todas as religiões quem orienta os ritos é um sacerdote e para isso ele necessita uma formação, por que então em nossa religião seria diferente e qualquer pessoa poderia ser detentora da força realizadora (o axé, asé).
A energia do axé tem sim poder de realização, mas ela não é continua, o desequilíbrio emocional e ético afeta a sequencia de realizações além de outros fatores como a falta de caráter que neutraliza de forma definitiva a capacidade de invocação de forças benevolentes.
A comunicação entre o homem e o orisá pode ser prejudicada pelo comportamento do homem ou pelo desconhecimento dele, e alguns assentamentos podem até repelir a presença da divindade como resultado do despreparo daqueles que o sacralizaram.
O culto a Orisa mais especificamente a religião tradicional em especial os rituais relativos à Orunmila exigem do sacerdote uma postura impar, o Babalawo é permanentemente observado por Opa Osun que representa a sua ligação com o elo familiar.
Um ato falho no presente prejudica a imagem do trabalho de muitos no passado, uma ação impensada pode implicar na revolta dos seus melhores amigos espirituais a consequência é a equivocada relação onde o sacerdote pensa que está rezando, mas na verdade o que está acontecendo é um monologo.
O monologo da fé é muito comum, as pessoas conversam com o sagrado imaginado por elas, elas criam uma divindade que aceita tudo que elas fazem e respondem sempre que elas chamam, sabemos que isso é impossível nós exigimos e somos exigidos nessa relação, o nosso comportamento é um parâmetro forte que norteia a comunicação espiritual.
Os ofos, aduras e orikis não servem para nada se a postura do sacerdote está comprometida, é comum ouvir as pessoas dizerem que parece que não estão sendo ouvidos, isso é um fato elas estão falando sozinhas.
Os seres humanos necessitam de higiene em seus corpos e em suas mentes, somente tomar banho e colocar uma roupa nova não identificam você como limpo, a troca de roupa e o perfume não escondem o seu verdadeiro pensar.
A religião tradicional yoruba é exigente, nos versos de Ifá percebemos normas de comportamento bastante rígidas e Orunmila estabelece com clareza as normas de convivência entre os homens e também com o sagrado.
O estudo continuo dos versos de ifá capacita o sacerdote, mas a elevação é obtida somente quando esse conhecimento é colocado em pratica, àquele que detém o conhecimento e não o pratica cometi um duplo erro.
A formação e os estudos beneficiam os ritos, mas não garantem o êxito, o asé é uma combinação precisa que exige uma combinação entre o saber e o poder

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

O Babalawo e a aranhazinha paulista.


No fim do mês de maio eu estava na cidade de São Paulo fazendo algumas iniciações e comecei a me sentir um pouco estranho, senti a alteração da temperatura do meu corpo dois dias seguidos.

Estava me sentindo como se estivesse com febre, mas não dei importância, como sempre a minha vida é muito corrida e cheia de afazeres, eu tinha terminado um itefa e ia começar mais dois quando vi em meu corpo uma pequena marca que identificou o ocorrido.

Eu tinha sido picado por um inseto, procurei no quarto e descobri uma pequena aranha morta, sabe lá como ela morreu, devo ter matado a sem sentir.

A verdade é que fui atingido e aprendi uma lição com a historia, devemos olhar a cama antes de deitar, a confiança em demasia complica a situação, devemos ficar atentos para as armadilhas da natureza.

Quando me senti estranho minha iya apetebi preocupada pediu para o Araba consultar Ifá e o Odu que apareceu foi Osa Irete ire, tranquilizando a todos, pois é um odu de muita fartura e sucesso, sem falar que é o odu de nascimento do Araba que naquele momento vinha nos tranquilizar.

O Babalawo dono da casa que eu estava hospedado se preocupou com o fato e insistiu em me levar até o hospital, mas depois de alguns exames nada foi encontrado, na verdade o fato era menos importante do que eu imaginava.

Da historia ficou na minha pele uma pequena marca escurecida de aproximadamente um centímetro e considerando que tenho aproximadamente um metro e oitenta centímetros de altura e oitenta quilos, a pequena marca praticamente é insignificante.

Um Babalawo deve estar preparado para lidar com todo tipo de situação, mas eu não imaginava que um aracnídeo me causasse tal problema.

A experiência nos ensina que um fato deve contribuir para a nossa formação nos afastando do problema em uma situação futura e nos capacitando para lidar com o mesmo.

 Um pequeno animal pode te incomodar por algum tempo, mas o corpo humano desenvolve uma defesa independente do seu querer, tudo é automático e com o passar do tempo você se sente vacinado e essas coisas não te incomodam mais.

A natureza é muito seletiva e aqueles que não contribuem terminam sucumbindo na caminhada, o processo da evolução humana é determinante e não perdoa os fracos.

No escuro da noite fui vitima, na escuridão fui atingido e enquanto dormia, o veneno estava sendo liberado. Um ataque covarde mas é a natureza do bichinho, ele nasceu e morreu covarde. 

Como dizem os antigos, quem tem advogado não briga, o meu advogado é um cara que sabe tudo de saúde humana, ele está fazendo o seu trabalho  e eu estou muito tranquilo.

Iba Baba mi Orisa Soponnan.
                                                                       



terça-feira, 2 de setembro de 2014

A filosofia de ifá


A filosofia de ifá


Aproximadamente dois anos atrás em uma tarde de domingo após ter tomado um café enquanto minha mulher assistia à televisão entrei na internet e fui surpreendido pelo convite para fazer parte do facebook de uma jovem iyanifa.

Se não estou enganado fui uma das primeiras pessoas que ela convidou para o seu facebook, olhei as fotos e percebi que o ritual do itefa tinha terminado naquele mesmo dia, observei com bastante cuidado as fotos da jovem iyanifa por saber se tratar da iya apetebi de um jovem Babalawo, que há um mês ou dois antes também havia me adicionado.

Como sempre quando entro na internet converso com um ou dois membros de minha família porque o facebook não me atrai, as pessoas quem conhecem sabem que não morro de paixão pela rede social.

No dia seguinte bem cedo minha iya apetebi me mostrou um texto que a jovem iyanifa tinha postado fui surpreendido pela quantidade de absurdos contido nesse texto, foi olhando a internet hoje vendo a foto do jovem casal que resolvi escreve sobre a filosofia de Orunmila.

Surpreende-me que algumas pessoas que ainda não conhece sobre seu próprio odu se arrisquem escrevendo sobre ifá, fico ainda mais espantado quando vejo pessoas que são pré-iniciadas escreverem sobre ética na religião tradicional yoruba.

Como alguém que ainda não passou por um itefá ou que recentemente foi submetido a essa cerimônia pode falar sobre um tema tão extenso e complexo, isso para mim é uma falta de respeito com as pessoas que leem e uma total falta de consideração com as divindades, pois ifá adverte que (1) não devemos falar do que não conhecemos.

A falta de textos para as pessoas iniciadas dá espaço para que aventureiros se intitulem conhecedores, normalmente os autores que escrevem sobre a filosofia de ifá publicam seus textos em inglês e yoruba, criando um grande problema para as pessoas que não tem conhecimento sobre esses idiomas.
Buscando elucidar muitas das questões formuladas a nós na rede social resolvi abordar mais profundamente a questão da filosofia, começarei abordando alguns fatos:

- Se a pessoa tem o hábito de mentir e dissimular seria possível que ela estivesse alinhada com algum orisá, eu particularmente não acredito a mentira, a inveja e a desonestidade afastam as pessoas dos orisás, principalmente Orunmila.

 A própria consulta a ifá determina que o uso do ibo identifique com clareza o sim ou o não, no ifá não existe meio honesto, meio invejoso, meio mentiroso e se isso acontece à pessoa esta desalinhada com o orisá.

A falta de caráter é motivo de orientação na consulta de orisá, implicando em ebó, aconselhamento e esclarecimento, visando à mudança de postura, isso não acontecendo o afastamento da divindade é progressivo.

Imaginemos que um homem que levanta a mão para uma mulher possa imaginar que um dia será beneficiado por Osun ou Iya mi, isso é um absurdo.

Um homem ou a mulher adúltero teria condições de jurar dentro do igbodu fidelidade ao seu Oluwo e ao seu ifá assim como ao seu egbe, isso é impossível, não existe nível de traição, existe sim uma falta cometida que não é dimensionada por se tratar de pessoas ou divindades, traição é traição.
No igbodu o juramento é feito sobre a terra (2) e não importa por onde andemos a terra vai testemunhar os nossos atos.

Um Babalawo jamais pode (3) trair, roubar e mentir, sendo assim me surpreende que algumas pessoas que ganham a vida mentindo publiquem em suas páginas pessoais fotos de assentamentos de Orunmila e fotos de aves com hábitos noturnos, será que acreditam esses desavisados que em seus assentamentos respondem Orunmila e Iya mi.

Na verdade a energia que responde nesses assentamentos é mobilizada pela exteriorização do aspecto energético do individuo e propulsionam situações de aspectos negativos, a filosofia de ifá é clara quando diz no odu Ogbe Otura (4) aquele que tem maus hábitos é incapaz de invocar forças curadoras ou prosperas.

Existe uma grande confusão com a filosofia dominante em nosso país, católico, e o que é pregado por Orunmila, um exemplo que posso citar é que na bíblia diz que devemos dar a outra face, já no odu ogunda meji fala que devemos estar sempre preparados para a guerra e que é nossa obrigação reagir contra uma agressão com a mesma intensidade. Então pensar com uma formação católica cultuando orisá é o primeiro passo para o erro.

Imaginemos uma mulher que faz um aborto rezar para Osun algum tempo depois pedindo fertilidade é no mínimo incoerente, porém a pratica da teologia somada à filosofia vai instruir essa mesma pessoa criando novos hábitos, aprimorando o pensar, refinando o sentir, purificando o agir.

Se não houvesse uma possiblidade de uma nova chance qual seria a razão de reeducar, (5) sendo assim a revolução do comportamento e do sentir deverão ser retratados no dia a dia na forma de agir.

A filosofia é uma ciência dividida em três períodos específicos quando estudada, a impressão que temos que os sacerdotes do culto ao orisá da atualidade se deixaram influenciar por hábitos católicos oriundos do período filosófico Helenístico que tem influência cristã.

O importante para o culto ao orisá quando estabelecemos um paralelo do pensar seria o período Pré- Socrático sem influência católica com base na relação do homem com o mundo ao seu redor.

Alguns desses sacerdotes da atualidade são capazes de copiar textos, roubar ideias e plagiar descrições com o objetivo de abordar o tema filosofia, não me espanta se em breve surgir uma fase nova da filosofia descrita como a mediocridade.

Algum tempo atrás um conhecido me chamou ao telefone e abordou esse tema, dizia ele, “Baba Ifagbaiyin o senhor pode me explicar algumas coisas sobre filosofia e ifá”. Conversamos aproximadamente uma hora e meia, ele se despediu muito feliz com a minhas explicações, para a minha surpresa no outro dia postou um texto com a nossa conversa que ele certamente gravou.

Desconhece o pretenso sacerdote a essência do Ifá que visa (6) lapidar o homem, aprimorando o raciocínio objetivando um convívio harmonioso com tudo ao seu redor.

É impossível que pessoas com esse comportamento pretendam divulgar ideias considerando o fato que Orunmila é aquele que tudo sabe, partindo desse principio toda a energia gasta na tentativa do convencimento pode estar atingindo única e exclusivamente o seu autor, gerando em um primeiro estagio uma sensação de prazer que leva o mesmo a pensar que esta fazendo sucesso. 

O problema é o segundo estagio quando o individuo se vê envolvido em um período depressivo por conta da consciência da realidade, na verdade ele termina concluindo que a única pessoa prejudicada é ele mesmo.

Na ecologia o primeiro período na escala de evolução de um povo é a destruição o segundo é a conscientização e o terceiro a reconstrução, já na evolução do pensar medíocre a três fazes são descritas da seguinte forma, a primeira é a inveja que desperta o desejo de ter o que o outro tem, a segunda fase é a elaboração do projeto destrutivo, sim destrutivo não que destrua a o invejado e sim que destrói a verdadeira personalidade do invejoso, dando espaço ao duble do invejado.

O pior de tudo é a terceira fase após prejudicar a vitima o invejoso percebe que também se prejudicou.

Se um iniciado em ifá tem como proibição (7) maior trair e mentir, é evidente que a confiança é o alicerce para a relação dos indivíduos, por essa razão somente algumas pessoas pertencentes há alguns seguimentos dentro da estrutura religiosa tradicional tem acesso a algumas informações. 

Aquele que foi iniciado necessita ter paciência para evoluir dentro de sua família visando assim atingir um nível que deixa de existir segredos entre seus membros.

É verdade que um Oluwo não é uma espécie de pai, ele é sim um iniciador e um mestre, o afastamento dele pelo jovem iniciado não é bem visto em território yoruba, as pessoas iniciadas em ifá permanecem na mesma família por toda a vida, esse fato facilita a compreensão da teologia e da filosofia.
As relações entre os membros no ifá são pautadas (8) na visão que o tempo fortalece os laços, abre as portas da convivência.

 Diminuindo as dúvidas, fortalecendo assim confiança e a segurança, objetivando a elevação espiritual e moral.



   O projeto 


                                                                                                                                                                                                       



O projeto Ifá é para todos, durante esse mês recebeu o apoio dos quatros principais Babalawos da família (Araba) Agboola Awodiran, Babalawo Oyeyefa Kolawole Agboola, Babalawo Ifatokun Alamun Fashina (principal sacerdote do culto de Egungun, Baba Alagbaa, Oluwo Apena) Tifase Agboola(Babalawo Oyeniyi). Agradeço o apóio de nossa família, adupe o.

A aceitação

 
 
A diferença entre o querer e o poder esta implícita na essência escolhida antes de nascer, a ganância e o desejo de ser o que não esta escrito, afasta do caminho, e cria um abismo intransponível condenando a completa mentira.

A inverdade construída na ambição perpetua a insatisfação exacerbada, ela alimenta a ilusão, o querer se exterioriza de forma imperfeita e retrata a verdade do inatingível.

A não conformidade com o destino escolhido antecipadamente, amarga, envelhece por dentro, tempera em excesso, marca com o irretocável e sentencia a insatisfação.

Ao contrario a beleza no viver esta na certeza de estar no caminho certo é viajar com o mapa do passado para escrever o futuro é construir aquilo que previamente foi acertado é manter o acordado.
A vida é breve para provocar um equivoco mergulhar no engano, negar o destino e querer aquilo que não lhe pertence.

A distância entre a verdade e a mentira depende da sua ambição, depende da falta de aceitação, depende de quanto você quer pagar para se iludir. A mentira machuca no presente, ofende o passado, e destrói o futuro, caminhar de mãos dadas com falta da verdade é a certeza do tropeço.

Se você quer ser feliz escute a natureza, entenda os sinais, observe seu interior ele vai falar com você, se você insisti em mentir diante das pessoas vai acontecer o óbvio, você não vai conseguir ficar sozinha com você mesmo o silencio do dialogo interior inexistente vai queimar o seu interior.

A felicidade pode existir no ser, ela não é fruto exclusivo do querer, existe também o merecimento, existe a aceitação, a verdade e a fidelidade.

Ilha da fantasia.



Na terra do faz de conta porteiro é proprietário do prédio, enfermeiro é cirurgião, soldado é coronel e comerciante é sacerdote.

No tempo não conjugado, o verbo, se articula como arma afiada, observador vira doutor e membro da academia é confundido com escritor famoso e academico, idiota vira sábio e perdido vira orientador.

Na ilha da fantasia a ignorância é cercada de prepotência por todos os lados, mas o cheiro ruim exala através da boca do malditos como resiltado antecipado danecropsia de seus cérebros contaminados com fezes.

Na ilha da boçalidade o que até bem poucos dias habitava um cárcere, hoje é envaidecido por seguidores desprovidos de qualquer consciência que os seguem nas redes sociais.

Na terra dos caolhos quem reconhece um único odu quer ser sacerdote, quem comercializa obi vira erudito e ebo cria realeza, existe imbecil para tudo e a confirmação esta estampada nos noticiários.

Hoje mesmo vi a foto de conhecido jogador de futebol ser curtida 4 mil vezes no facebook que o pobre coitado figura como deputado federal, ai pergunto quem é o animal é o que vota ou que aceita a mentira como verdade?

Na ilha da fantasia a maldade esta cercada por todos os lados por interesses escusos, os celulares servem como gravadores e as mensagens de outrora inimigos hoje são compartilhadas com parceiros traidores do amanhã.

A terra é uma testemunha silenciosa e o tempo se encarrega, os cadáveres em putrefação alimenta os vermes, e o frutos do lixo desaparece na atmosfera onde tudo que foi criado contribui para enterrar o criador.

Na noite mal dormida diante da imagem cintilante idiota fica falante, assessorista vira artista e marginal se torna ilusionista, a evolução só acontece dentro do elevador quando ele esta subindo, na real de frente com os olhos da solidão você enxerga o seu interior e a podridão.

Na terra da ilusão, traição é esperteza, vulgaridade é beleza e loucura se paga caro, o serviço social em nosso país não atende a falta de moral, para isso existe um outro remédio.

A bola da vez


A sabedoria popular diz que não se joga pedra em arvore que não da fruta, o que a sabedoria popular não explica que com um galho da arvore você pode confeccionar uma atiradeira e jogar pedras de volta.


No ano de 2009 um conhecido sacerdote disse que eu teria alguns dias de vida.


No ano de 2010 uma suposta iniciada em Iya mi disse que eu estava acabado.


No ano de 2011 um Oje disse que meu tempo estava contado.


No ano de 2012 uma pessoa que saiu da minha casa disse que eu tinha criado uma cobra que ia me engolir.


No ano de 2013 um iniciado em ifá disse que eu tinha menos de um ano de vida.


Agora em 2014 a história se repete nas madrugadas as ameaças continuam, então resolvi explicar o que está acontecendo.


Quando resolvemos trazer o Araba para nossa casa não imaginávamos a metade dos problemas que enfrentaríamos de ameaças anônimas a acusações infundadas até áudios editados.


Esse povo esquece que já estou vacinado, esquece existe uma máxima que diz que quem tem medo de cobra não entra no mato, eu continuo jantando no mesmo lugar em meu restaurando predileto fazem cinco anos, e o meu endereço continua o mesmo se esse povo quisesse me matar saberia a onde me encontrar.


A verdade que todos anos aparece alguém com preguiça para construir a sua história tentando roubar a minha, vou dar dica para esse povo trabalhe e estude, fotografem o trabalho de vocês e mostrem o que estão fazendo eu tenho o que mostrar, tenho mais de mil e quinhentas fotos de iniciações.
Será que é isso que incomoda tanto esse povo?


Eu trabalho desde de criança e adoro trabalhar, faço o meu trabalho com amor, essa é a razão porque obtenho resultados, faço uma religião que eu acredito e vivencio. Não aprendi religião no google, não sou contra quem gosta de pesquisar eu mesmo já li inúmeros livros na internet encontramos ótimos textos de excelentes autores.


Acontece que navegar na internet não forma sacerdotes, o fato de você ter livros não torna você um sacerdote, não adianta ter as formulas tem que ter conhecimento e vivencia.


Cada um escreve a sua história eu tento escrever a minha com seriedade, lealdade e conhecimento, não sou o dono da verdade mas procuro me informar sobre ela.


Eu sei que vou morrer, na data certa permitida por Olodumare, ifá, iya mi e Soponan, as ameaças me estimulam a seguir o trabalho é sinal que estou no caminho certo principalmente considerando o nível dos meus acusadores.


No Brasil existem duzentos milhões de habitantes e seis pessoas tentam me prejudicar o percentual indica que estou no caminho certo, afinal como diz o ditado não existe quem agrade a todos, e essa também não é a minha intenção.


Para quem não me conhece existe uma palavra que no meu dicionário não existe, covardia, eu vou seguir o meu trabalho e quem não estiver satisfeito reclame para o meu Oluwo ou para o Araba da família. 


Se você acha que eu sou a bola da vez pense bem, amanhã pode ser você, a minha história continua e a maldade humana também. 


O ifá que eu prático incomoda muita gente, isso é um fato.


Importância do dinheiro.



Quando eu nasci há quase sessenta anos atrás meu pai possuía um pequeno posto de lavagem de veículos e minha mãe era professora, eles me ensinaram que o dinheiro não é importante acredito que eles como a maioria da população do nosso país aderiram a esse discurso por influência católica.

É interessante que uma religião que diz que é mais fácil um camelo passar em um buraco de uma agulha que um rico entrar nos reinos do céu ostente um trono de ouro para o descanso de seu principal sacerdote, mas essa é outra história.

A verdade é que nas vinte quatro horas do dia o dinheiro é muito importante da hora que acordamos até a hora que vamos dormir o dinheiro faz a diferença, quando dormimos em um colchão de má qualidade economizamos dinheiro, mas as dores nas costas são terríveis.

No odu otura ka fala que o dinheiro é um dos componentes do ebo, no odu ogbe bara é clara a indicação que o sacerdote entra em ewo quando não cobra.

Às vezes vejo que algumas pessoas que em principio deveriam ter obtido ótimos resultados após suas iniciações enfrentam algumas dificuldades, esquecem ou desconhecem essas pessoas que na religião tradicional yoruba o pagamento dos serviços prestados por um sacerdote implica em um compromisso com o sagrado.

Na tentativa de auxiliar a compreensão do fato citado acima vamos enumerar algumas questões:

1- Quando o pagamento não é feito independente da razão, pois o compromisso foi assumido e se a pessoa não tinha condições não deveria assumir.

2 - Quando existe a necessidade de um afastamento do núcleo familiar religioso independente do motivo, esse só deve acontecer após o acerto financeiro previamente combinado. Se for combinado deve ser mantido.

3 - Quando do perdão de uma divida por benevolência ou serviço prestado, é comum um sacerdote perdoa dividas de iniciações dos membros que mais trabalham no dia a dia da casa de asé.

Mesmo nesses casos aquele que tem sua divida perdoada deve fazer um pagamento simbólico em dinheiro.

A falta do pagamento implica diretamente na quebra de um acordo e para o divino não existe meio termo você é honesto ou você é desonesto e a quebra de um acordo pré-estabelecido mesmo que alguns não concordem é uma falta grave.

Imagine se fosse possível um debate com uma divindade que esqueceu uma benevolência por omissão ou negligencia.

Constantemente sou abordado para opinar sobre iniciações e sempre é muito difícil falar sobre o que não presenciamos, tenho como habito começar a conversa com a seguinte pergunta:
- Você já pagou sua iniciação, ou qualquer tipo de divida de ebo que você tenha contraído?

Em um país com uma população que recebeu uma educação católica as pessoas desconhecem os hábitos no território yoruba e da religião tradicional, sendo assim vou citar alguns exemplos.

- Jamais sobre nenhum pretexto devemos visitar uma casa de asé sem que seja levado algum tipo de presente como obi, orobo, dendê, gim, frutas, flores e etc.

- jamais sobre nenhum pretexto devemos consultar com sacerdote do culto de orisa sem pagar, um pagamento mínimo sempre vai auxiliar na manutenção do asé.

- A manutenção de uma casa de orisa envolve inúmeros custos e cabe aqueles que a administram desenvolverem uma politica financeira adequada, eu particularmente não concordo com mensalidades.

As mensalidades tendem a caracterizar uma associação e uma casa de asé em minha opinião jamais poderá ser uma associação, nas associações se discute as decisões nas casas de asé se cumprem as orientações contidas nos versos de ifá.

A falta de textos abordando esse assunto caracteriza o quanto é delicado falar desse tema, o risco que você seja identificado como dinheirista por aqueles não conhece a nossa religião é enorme. Tudo em nossa religião esta contido nos versos de Ifá cada ato consta de um verso basta seguir as orientações.

A necessidade de um comportamento cultural adequado a um sentimento religioso identificado com a historia de um povo pode facilitar a compreensão dos desdobramentos, em um dia a dia de fé.
As resposta quase sempre espelham as necessidades contidas nas perguntas ou no comportamento daquele que questiona; por essa razão a teologia deve ser estudada com a filosofia de um povo.

OTURA KA
OGININIGIN AWO OLOKUN
LODIFA FUN OLOKUN NIJO
OMI OKUN KO TO BU BOJU
ALUKO DODO AWO OLOSA LODIFA FUN OLOSA
NIJO OMI OSA KOSE BU WESE
ODIDERE ABIRIN ESE KERE WE
ADIFA FUN OLUWO MODO OBA
NIJO TI WON NWA OHUN EBO KIRI
ERIGI AWO AGBASA ADIFA FUN WON NI SESAN AGERE
NIJO TI WON NWA OHUN EBO KIRI
OWO TI NBE NILE YI NKO OHUN EBO NISE ERIGI LAWO AGBASA AWA TI ROHUN EBO
EYELE, AKUKO, ADIE, ETU, EWURE ABUKO BEBELO.
ENI TO BA NI KEBO MA DA KO MA BEBOLO

Tradução
Otura ka
Oginnigin o sacerdote de Olokun (deus do mar)
Faz adivinhação por Oloku
Quando a água no oceano é pouca
Oluko dodo, o sacerdote de Olosa (deus do rio)
Faz adivinhação por olosa
Quando a água do rio é pouca
O papagaio com seus movimentos estranhos
Faz adicinhação para Oluwomodo 0ba
Erigi Awo Agbasa faz afivinhação para
As pessoas de Sesan Agere
Quando procuravam os materiais para o Ebo (sacrifício)
O dinheiro no chão é material para Ebo
Erigi Awo Agbasa, Nós vimos o material para Ebo
O pombo, galo, galinha, galinha pintada (d’angola), bodes e etc
São materiais para sacrifício
Erigi Awo Agbasa, nós vimos os materiais para Ebo
A pessoa que disser que o sacrifício não deveria
Ser aceito deveria morrer e seguir o sacrifício.

ALAGBAA


                       ALAGBAA

 
Nos ultimos dias tenho lido alguns comentarios covardes,nas entre linhas algumas pessoas escreveram sobre minhas fotos do Oye de Alagbaa no culto de Baba Egungun.
A covardia de poucos termina influenciando alguns,escrever sobre quem você não conhece é muito estranho mais estranho ainda é a inveja e a calunia.

Foi divulgado que eu teria sido iniciado no culto de Egungun agora, bem nos ultimos dias divulguei fotos da minha tomada de oye (titulo), acontece que no ano de 1991 faleceu o meu sacerdote então houve a necessidade de me iniciar no culto aos antepassados.

Recebi o titulo de Alabaa que muito me orgulho, desde 1935 que esse titulo esta vago em todo sul do país, a última pessoa a ocupar esse cargo (João Alagbaa), deixou o Rio Grande do Sul em maio de 1935, mudando para o estado do Rio de Janeiro após a morte do principe Custodio, que era seu melhor amigo.

sexta-feira, 4 de julho de 2014


Hierarquia no culto a Orunmila 



Muito se tem falado sobre a hierarquia no culto de orisa no Brasil, isso contribui para o enriquecimento das informações sobre a religião Afro Brasileira, mas infelizmente sobre a hierarquia no culto de Ifá é muito raro encontrar informações confiáveis, sendo assim na tentativa de contribuir com as informações disponíveis em nosso país estamos divulgando as orientações por nós recebidas em território yoruba.

- Primeiro escalão, grupo conhecido como Iwarefa.

ARABA (Oluawo)
O titulo de Araba é o mais importante dentro do culto de ifá, normalmente em terras yorubas um Araba é escolhido com base em três critérios:
-Conhecimento inquestionável
-Conduta ilibada
-Apoio unânime

O Araba representa o grupo de Babalawos de uma cidade ou de um país, o que nos leva a seguinte conclusão, as cidades com maior população de Babalawos tem um critério de escolha mais exigente do que as cidades de pequenas populações.

Em uma cidade grande para que um Babalawo se torne um Araba ele será questionado por um grupo maior de sacerdotes.

Esses questionamentos podem durar dias, e somente quando todos Babalawos estiverem satisfeitos com as respostas, a data da cerimonia será marcada.

Observação: em uma cidade muito pequena com um grupo muito pequeno de Babalawos a escolha de um Araba pode ser imediata desde que exista o apoio do grupo.

Existe também uma forma carinhosa de intitular o Babalawo mais velho em um Ile Ifá que muitas vezes é confundido com o acima mencionado, já que carinhosamente o mais velho dos sacerdotes dentro da família pode ser chamado de Araba, importante não confundir esse titulo familiar restrito há casa da família com o Araba de uma cidade ou de um país.

AKODA
Babalawo Agbalagba preparado para substituir o Araba em caso de morte ocupa imediatamente o cargo do Araba mantendo os rituais mesmo no período de luto.

ASEDA
Babalawo Agbalagba, o terceiro na hierarquia, preparado para substituir o Akódá.

AGBONGBON
Babalawo especialista em Oriki, considerado a memoria da família, capaz de recitar o conhecimento contido nos versos de ifá durante dias e noites.

ERINMI
Babalawo com conhecimento inquestionável sobre os rituais secretos no Ile Ifá.

AGIRI
Babalawo experiente com profundo conhecimento sobre odu.

AWISE
No Brasil o titulo de Awise foi divulgado de forma errada, um Awise fala em nome da família autorizado pelo seu Oluwo ou Araba, sendo assim deve ser um Babalawo bastante experiente.

- Segundo escalão no Egbe Ifá.

ALAKEJI
Esse titulo só pode ser usado por um Babalawo muito experiente ele substitui o Oluwo dentro do Ile Ifá em todas as situações com exceção das iniciações.

ALARA
Babalawo experiente especialista na relação com os iniciados, e iniciações em geral.

OKUNMERI
Babalawo especialista nas cerimonias internas.

AGUNSIN
Babalawo experiente que acompanha o primeiro escalão em rituais ou festejos externos, responsável pelo deslocamento dos membros do Egbe Ifá.

ARANISAN
Babalawo experiente que orienta cerimonia diante de Osun, no ritual de itefa.

AMUKINRO
Babalawo experiente que orienta os iniciados dentro do Ile Ifá em cerimonias que é consultado ikin.

KAWOLEHIN
Babalawo experiente que orienta os iniciados em rituais e festejos internos e externos.

OLUWO
Existem dois títulos diferentes descritos pela palavra Oluwo, um dentro do ifá e outro dentro da sociedade Ogboni imediatamente superior ao título de Apena na hierarquia.

Nessa abordagem vamos analisar o titulo restrito ao culto de Orunmila.

O Oluwo pode ser escolhido ou não entre os cargos acima citados.
O Oluwo é um Babalawo que tem autorização para iniciar outros Babalawos, não devemos confundir com Olodu, (Babalawo que possui o assentamento de Iya Odu), o fato isolado de possuir Iya Odu, não o torna um Oluwo.

O Oluwo é o sacerdote que tem a responsabilidade sobre as cerimonias de itefa e Ìtélodú, sendo assim todas as situações que passo a descrever devem ter a autorização do Oluwo:
-Consultar ifá com opele ou ikin.

-Submeter se a ebó ou etutu.
-Participar de iniciações ou festejos referentes ao culto de Orunmila e Orisa.
-Fazer iniciações e consultas.

OJUGBONA
O Ojugbona é o Babalawo que participou da iniciação que tem a função de treinar, mas não tem o poder de autorizar o novo awo para que faça iniciações ou consultas.

BALOGUN
Balogun é um titulo muito importante o Babalawo escolhido para essa função deve ser muito experiente para lidar com as questões que envolvem os rituais e as relações internas e externas da família, no tocante a proteção do Ile Ifá, e seus membros.

SOKINLOJU
Esse titula deve ser dado a um Babalawo antigo dentro do Egbe é uma espécie de observador com autoridade para corrigir erros e procedimentos no dia a dia do Ile Ifá.

AKOGUN
Esse titulo só pode ser dado para um Babalawo experiente, normalmente o Akogun auxilia ou substitui o Balogun.

SUREPAWO
Esse titulo pode ser ocupado por um Babalawo jovem, o Surepawo é encarregado de pagamentos, compras e afazeres fora do Ile Ifa.

ASAWO
Babalawo jovem ou Awo kekere que auxilia o Surepawo.

IYANIFA
O nome Iyanifa é muito confundido, considerando se que pode ser usado em duas situações diferentes.

-Iyanifa (aquela que possui ifá, sacerdotisa), também conhecida como Iyaonifa.
-Iyanifa (toda mulher submetida à itefa).

IYA APETEBI
-Iya apetebi na religião tradicional yoruba é a esposa do Babalawo.
Observação: normalmente as iya apetebis devem ser iniciadas em Osun.

IYANIFA IYA APETEBI
No caso da Iyanifa Iya Apetebi (Aiya) esposa do Oluwo, do Egbe Ifá, as exigências são maiores em razão da alteração da hierarquia considerando que o titulo é superior aos demais remetendo imediatamente a Iya Apetebi e Iyanifa a o segundo cargo dentro do Egbe ifá.

IYALODE AWO
Iyanifa líder das mulheres no Egbe Ifá
AJIGBEDA AWO
Iyanifa experiente auxiliar da Iyalode.

Em cada família a hierarquia pode sofrer alterações mas de um modo geral o processo é semelhante, sendo assim devemos aclara que a expressão primeiro e segundo escalão em nosso texto foi usada por não nos ocorrer no momento palavra mais adequada, em nenhum momento com intenção de diminuir ou menosprezar os demais.

Texto: Babalawo Ifagbaiyin

sexta-feira, 30 de maio de 2014

FATOS E BOATOS, Orisá é verdade.




Todos sabem adiferença entre fatos e boatos, mas algumas pessoas não entendem a repercussão ao divulgar as duas situações.

As vezes um boato pode gerar tantos problemas que a grande maioria das pessoas termina considerando o boato como se fosse um fato, a confusão gerada por um diz que me disse pode terminar com um resultado inesperado.

Algumas pessoas acreditam que se  uma historia não é fato é boato, na verdade existe uma grande gama de possibilidades, pode acontecer uma especulação, ou o uso de algumas palavras definidas em nosso país como factoide.

A palavra factoide foi usada pelo prefeito do Rio de Janeiro Cezar Maya para definir um tipo de rumor criado na midia com finalidade de desistabilizar a politica do referido politico. Na verdade essa forma de articulaçao suja e desprezivel é usada a muito tempo, durante toda a historia humana assistimos esse tipo de situaçao.

O caso mais marcante da produção de noticias falsas foi a que aconteceu na guerra fria, os americanos inventaram todo tipo de coisas sobre os russos, a verdadeira razão disso era uma disputa de mercado, a fatia do bolo se é que podemos definir assim.

Em um outro episódio da História humana os católicos dominaram o mundo pregando que somente a sua religião estava ligado de fato a Deus.

Quando alguém inventa uma história para atingir o concorrente a situação se auto explica, se definirmos o mercado como um bolo quando alguem consegue abocanhar uma fatia maior do mesmo, o restande do bolo não cresce, e o que sobra será dividido pelos descontentes com o que se serviu com a fatia maior.

Nos tribunais o habito de desquilificar a testemunha de defesa é muito usado, quando alguém demerece o outro coloca duvidas naqueles que desconhecem a verdade, esse método sujo é usado com uma finalidade pré concebida calculada como um golpe baixo e impróprio.

Na religião de Orisa no Brasil isso acontece com frequencia, se um sacerdote inventar historias sobre o seu concorrente a chance do cliente fazer os ebós com ele aumentam bastante, o defeito pré inventado gera dividendos.

Quanto a possibilidade de tratar essa situação existi uma realidade, quem tem advogado não briga, porém o silencio pode eer interpretado como medo, sendo assim a melhor defesa é o ataque.

Quando eu escrevi  o texto intitulado (banda podre) foi uma resposta para alguns dos meus opositores, e um alerta para quem está assistindo esse circo criado com meu nome.
O projeto Ifá é para todos encomoda muita gente imaginem as seguintes pessoas:

Os que cobram trinta mil para fazer um itefa.
Os que cobram cinquenta mil para iniciar em Iyami.
Os que cobram oito mil para fazer um isefa.
Os que cobram setenta mil para fazer um ebó.
Os que chegaram a receber cento e cinquenta mil em um só ebó.
Os que enriqueceram mentindo e iludindo.
Os que sobrevivem das mentiras inventadas e das regras por eles criadas para humilharem e saquearem o povo.

Essas pessoas atacam qualquer pessoa que fale de diminuir custos e facilitar o acesso a verdade sobre a religião tradicional yoruba, a fonte esta secando e os usurpadores perceberam que os seus saldos bancários estão diminuindo e resolveram atacar da forma mais baixa que pode existir, pelas costas com mentiras e boatos.

Existe um tipo de homem que é desprezível aquele que ataca escondido nas entre linhas com covardia se esquivando do encontro frente a frente, esse povo esquece que cultuamos orisá, esquecem que orisá é verdade e que mais cedo ou mais tarde a verdade aparece.