segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Iniciação de ifá



Autor: Bàbáláwo Ifagbaiyin Agboola.

Muitas pessoas me perguntam por que elas deveriam ser iniciadas em ifá?

Usando um raciocínio lógico vamos tentar esclarecer aqueles que ainda têm duvidas sobre o ifá.
O culto a òrìsà existente no Brasil é oriundo do território yorùbá, o idioma usado nos rituais para os òrìsàs é o yorùbá.

É natural que devamos seguir os princípios de nossas raízes religiosas da Nigéria.

Na religião tradicional yorùbá acredita se que antes de nascermos escolhemos um destino.
A escolha desse destino é testemunhada por um único òrìsà (Òrúnmìlá), é só ele que pode nos fornecer informações a cerca deste.

Esse òrìsà quando invocado em forma de oraculo é conhecido pelo nome de Ifá.
Nós acreditamos que é impossível obter informações sobre o destino de uma pessoa que não seja através do Ifá.

Por essa razão a iniciação em Ifá é extremamente importante para quem deseja cultuar outros òrìsàs.
O tempo dedicado às orações e ao cuidado dos assentamentos dos òrìsàs quando usados de forma correta propicia melhores resultados.

Também se pode afirmar que as atividades religiosas têm custos que quando bem administrado para òrìsàs corretos propiciam para o iniciado melhores resultados.

Para manter a energia do òrìsà no assentamento devem ser mantidos inúmeros rituais, isso implica em dedicação, tempo e dinheiro.

Uma pessoa que não seja um sacerdote não necessita vários assentamentos o ideal é que seja identificada a necessidade de cada individuo, é nesse ponto que entra o ifá.

A identificação antes de uma provável iniciação vai diminuir custos e apontar com clareza para qual òrìsà o iniciado deve dedicar sua atenção.

A iniciação em Ifá (itefá) possibilita uma total identificação com a ancestralidade.
 Todo òrìsà é bom e não existe iniciação para o òrìsà errado.

Mas somente a iniciação para o òrìsà correto implicara em melhores resultados na vida do iniciado.
Muitas pessoas dedicam suas orações para òrìsàs que são cultuados equivocadamente.

 Todo dia recebo mensagens de dezenas de pessoas que desejam mais informação sobre o seu òrìsà, mas quem garante que esse é o òrìsà correto para essas pessoas?

Diante disso a resposta é clara!

Com as informações corretas os resultados positivos para os adeptos são ampliados, essa é a razão porque todos deveriam ser iniciados em Ifá.



quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Ifá em preto e branco.


Autor: Ifagbaiyin Agboola.

Quando um escritor se dispõe a abordar assuntos polêmicos há que estar preparado para interpretações equivocadas e críticas que venham a questionar sua atitude. 

Esse texto não tem a intenção de analisar questões sobre racismo, preconceitos ou etnias.

Há mais de meio século faço parte da religião dos Òrìsàs e durante esse período tenho ouvido inúmeras vezes pessoas dizerem que o culto ao Òrìsà não é lugar para brancos. Um dos argumentos para tal constatação é que estes não tem ritmo e que, portanto, não pertencem a esse meio.

Ainda que a intenção desse texto não seja analisar questões racistas, se faz necessário lembrar que o racismo consiste em ideias preconcebidas e discriminação com base em percepções sociais e não em constatações fixas sobre determinado comportamento ou costume. Haja vista que ritmo e dança são somente algumas das atividades de nossa religião, seria preconceituoso definir que brancos não dispõe da capacidade de internalizar o ritmo que, supostamente, segundo pessoas que sustentam tal argumento, seria de domínio de algumas etnias. Ao contrário de ver uma atitude que busque desmistificar esse conceito, vejo cada vez mais discursos de cunho político intensificando essa ideia que considero racista.

É comum perceber em alguns discursos a intenção política, enfatizando e exaltando a beleza de uma etnia, buscando nos despreparados o apoio para o beneficio individual sacrificando o coletivo.

Não há que se investigar muito para perceber o equivoco histórico, separatista e ignorante, uma vez que quase tudo que é categorizado como negativo, leva adjetivos como negro: magia negra, humor negro, peste negra.

Há um ano e meio mudamos para a Bahia e ainda estamos tentando entender as relações interpessoais num estado cuja a maioria da  população, é influenciada pela cultura yoruba.

Outro dia fui testemunha, dentro de minha casa, do depoimento de um membro de nossa família ao descrever o dia que nos conheceu:

“Eu estava tão ansioso para consultar (o oráculo) naquele dia que nem fui trabalhar, mas quando cheguei naquela casa e vi um casal de brancos, frustrei todas as minhas expectativas.”

Há alguns meses atrás, conversando com um outro iniciado em nossa casa, comentei com ele que os preços praticados na feira de São Joaquim, em Salvador, eram bastante elevados para o material da nossa religião.

Ele me respondeu:

“Também o senhor branco desse jeito com esse seu carrão branco, queria o que?”

Deixei de fazer as compras nessa feira, pois entendi que por ser branco os preços a pagar seriam sempre diferentes dos cobrados de moradores locais, para materiais usados à prática da mesma religião. 

Quando nos deparamos com fatos como esses, entre tantos outros, fica difícil entender os discursos de alguns intelectuais que insistem em dizer que o Brasil é o país do futuro e que temos em nossa gente o exemplo de uma miscigenação que deu certo.

O que será que eles querem dizer com isso?

Sou iniciado em Ifá e estudo diariamente os versos que constituem os pilares de nossa religião e curiosamente não encontrei nada que se refira à cor de pele em nossas escrituras.

Pessoalmente acredito que a religião tradicional yorùbá tem uma grande capacidade de transformar o ser humano. Ifá fala sobre conceitos que facilitam a convivência e minimizam a brutalidade da vida moderna, mas as questões relacionadas a traumas sociológicos deveriam ser uma preocupação de todos nós e principalmente do nosso governo.

Infelizmente o que vejo, ao longo desses anos, são politicas equivocadas que estimulam a preguiça mental e a falta de aceitação às diversidades.



segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

A inadimplência e os Òrìsàs.


Autor: Babalawo Ifágbaíyin Agboola.

Muito pouco se 6tem escrito sobre esse assunto por razões obvias, as pessoas preferem se calar, a serem mal interpretadas.

Em um país teoricamente Cristão é comum que o trato com o dinheiro seja condenado e muitos Sacerdotes das mais diversas religiões terminam sendo vistos como mercenários da fé.

No entanto a verdade é muito diferente do discurso dos puritanos com dinheiro na cueca.
Tudo tem um custo, tempo é dinheiro e dedicação implica em tempo, porque então não deveria ser remunerado o trabalho dos sacerdotes?

Escrevo esse texto pensando nas pessoas menos esclarecidas que recorrem às casas de Òrìsà e assumem compromissos que não são cumpridos.

A história é mais complicada do que se pensa, se um Òrìsà foi invocado e uma energia foi liberada é evidente que houve um desgaste, para aquele que impulsionou o processo.

Explico isso com muita tranquilidade e aconselho que as pessoas que não tem certeza que vão poder cumprir com o compromisso assumido solicitem que o mesmo tenha o seu preço diminuído para facilitar o pagamento.

A inadimplência nas religiões é muito comum e algumas pessoas preferem não abordar esse tema, mas alguém precisa esclarecer que o compromisso não cumprido é pior que a negativa das orientações para sacrifícios.

Um ritual pode ser favorável ou prejudicial par quem o solicita, o que determina o resultado é o cumprimento do estabelecido, tanto pelo sacerdote como pelo solicitante, digo prejudicial porque o ebó sem resultado enfraquece a fé daqueles que não conhecem a religião dos Orisas. 

Em tempos de crise, a falta de pagamento a compromissos diversos é comum, mas a falta à inadimplência na tradição de Òrìsà é vista como traição e desvalorização do sagrado.

Criticas sempre houveram, e muito vai ser dito sobre as minhas afirmações, mas tenho muita tranquilidade para fazer essa abordagem, primeiro porque não tem nenhuma pessoa me devendo dinheiro e segundo porque minhas palavras estão sustentadas nos versos de Ifá.
 
ODU OTURA KA

OGININIGIN AWO OLOKUN
LODIFA FUN OLOKUN NIJO
OMI OKUN KO TO BU BOJU
ALUKO DODO AWO OLOSA LODIFA FUN OLOSA
NIJO OMI OSA KOSE BU WESE
ODIDERE ABIRIN ESE KERE WE
ADIFA FUN OLUWO MODO OBA
NIJO TI WON NWA OHUN EBO KIRI
ERIGI AWO AGBASA ADIFA FUN WON NI SESAN AGERE
NIJO TI WON NWA OHUN EBO KIRI
OWO TI NBE NILE YI NKO OHUN EBO NISE ERIGI LAWO AGBASA AWA TI ROHUN EBO
EYELE, AKUKO, ADIE, ETU, EWURE ABUKO BEBELO
ENI TO BA NI KEBO MA DA KO MA BEBOLO

Tradução:

– Otua/ka
Oginnigin, the priest of Olokun (sea God)
Cast divination for Olokun
When the water in the ocean is small
Aluko dodo the priest of Olosa ( river God)
Cast divination for Olosa
When the water in the river is small
The parrot with its awkward movement
Cast divination for oluwo modo oba
Erigi Awo Agbasa cast divination for the people of sesan agere
When they were looking for materials for ebo(sacrifice)
The Money on the floor is a material for ebo
Erigi Awo Agbasa we have seen the material for ebo
The pigeon, rooster, hen guinea fowl, goats, etc are materials for sacrifice
Erigi Awo Agbasa we have seen the materials for ebo 
Person who says that the sacrifice should not be accepted should die and follow the sacrifice.

Na décima primeira linha diz:

O dinheiro no chão é material para o ebó.

Quem for contratar uma iniciação ou um ebó sem a certeza que vai poder pagar deve levar em consideração a possibilidade que o resultado possa não acontecer.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

O universo empresarial e os Òrìsàs.



Texto: Bàbáláwo Ifagbaiyin Agboola
Hoje conversando com alguns iniciados em uma tentativa de descrever a visão da religião tradicional yorubá sobre o universo, usei o exemplo de uma empresa para uma didática bastante simples, abordar a influencia dos òrìsàs em nosso dia a dia.

Se o universo fosse uma empresa: 

Olódùmarè seria o presidente.

Òrúnmìlá seria o Diretor Administrativo. 

Iya mi A Diretora Executiva.

E os Òrìsàs seriam os fornecedores de matéria prima. 

E nós seriamos dentro da empresa os representantes dos fornecedores de matéria prima, que tem a função de manter a empresa funcionando. 

Iya mi tem a sobre carga em sua biografia de ser quem ordena a execução do positivo e do negativo.
Em seu departamento tem vários chefes de setor que conhecemos pelo nome de Ajoguns. 

Iya mi para ocupar essa função assim como o próprio Òrúnmìlá tem ligação estreita com Olódùmarè.
Determinadas funções tem a exigência da confiança incondicional, assim deve ser a relação entre Òrúnmìlá, Iya mi e Olódùmarè. 

Se o fornecimento de matéria prima for cortado ou enviado de forma errada a função dos diretores deixa de existir porque não se justifica. 

Sendo assim existe um organograma pré-estabelecido e o fornecimento de matéria prima deve ser constante. 

Se a matéria prima vai para o setor que não veria ir a produção é alterada e a produção é modificada.
Assim sendo, a diretoria executiva influencia o todo.

Se a matéria prima for enviada corretamente para o departamento adequado a produção aguardada será facilitada, entenda- se:

O òrìsà feito não é errado, mas somente o òrìsà correto melhora o desenvolvimento.

Orí é o chefe do controle de qualidade que tem vários setores, um desses setores é Ìwà (caráter).
O caráter influencia o desempenho do Orí.

Dependendo do caráter o desempenho toda a produção da empresa pode ser alterada, o caráter do homem não para á natureza como um todo, mas prejudica a qualidade dela.

Nesse raciocínio Egúngún tem uma função importantíssima, ele representaria o Departamento de meio ambiente que fiscaliza a reintegração dos dejetos da produção e encaminha os restos da matéria prima usada reciclando e introduzindo novamente no local certo para um futuro reaproveitamento, entenda- se: ciclo de vida e morte.

Em meio à conversa um dos iniciados me perguntou, e Èsù como é descrito nessa sua visão?

Eu respondi, (Esu exerce a mesma função que os outros orisas, embora possamos compara-lo com um executivo que transita em vários seguimentos por conta da sua intimidade com o presidente.
Ele é o sujeito que substitui vários dos chefes de setor no período de férias, como um gerente em treinamento.

Ele entra na sala da presidência como aqueles filhos do patão que tem intimidade com o chefão.
 Ele está ali á trabalho mas, usa da prerrogativa de ser intimo em todos os setores).

Quando o departamento do controle de qualidade (orí) comete erros influenciados pelo chefe de setor Ìwà (caráter), toda a produção da empresa segue, embora algumas peças do processo sejam de baixa qualidade gerando problema a futuros.

Todo o processo segue em frente às vezes trazendo um comprometimento e prejuízo. 

Em um período de crise essas falhas se tornaram mais nítidas necessitando em um primeiro momento a recapacitar o chefe de controle de qualidade, já que é impossível a sua substituição.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016


Ifá e Òrìsà dúvidas frequentes (l)


Quando pensamos em criar esse texto foi com o objetivo de auxiliar as pessoas que ainda não fazem parte da nossa religião para que consigam diminuir as suas duvidas sobre a religião nativa Yoruba (Ẹ̀sìn ìbílẹ̀ yorùbá).

Autor: Ifagbaiyin Agboola.


1.       Qual a diferença de òrìsà e ifá?
Resp: Ifá é uma denominação dada ao oraculo do òrìsà Òrúnmìlá que em muitos lugares é aceita como um dos nomes de Òrúnmìlá.
Òrúnmìlá é um òrìsà como òrìsà Òkè ou òrìsà Olookun, etc.
2.       Quem é iniciado em ifá incorpora?
 Resp: Sim, o iniciado em ifá pode incorporar, não incorpora o Bàbáláwo e a Ìyánifá que são sacerdotes de Òrúnmìlá.
3.       Bàbáláwo e Ìyánifá consultam com búzios (mérindilògún)
Resp: Bàbáláwo e Ìyánifá consultam com opele e ikin.
4.       Para ser iniciado em Ifá necessita raspar a cabeça?
Resp: Se a pessoa num futuro vai exercer a função sacerdotal é necessário raspar a cabeça.
5.       Quem pode ser iniciado em ifá e òrìsà?
Resp: Qualquer pessoa pode ser iniciada em ifá e òrìsà.
6.       Quem pode ser iniciado em Egúngún?
Resp: Qualquer pessoa pode ser iniciada no culto de Egúngún.
7.       Qualquer pessoa pode fazer parte da sociedade secreta Ogboni?
Resp: Existe odus que proibi a iniciação na sociedade secreta Ogboni e também existem também odus que proíbem que a pessoa faça ebo com òrìsà Edan.
8.       Toda a folha usada nos rituais para os òrìsàs pode ser usada para fazer banhos?
Resp: Cada tipo de folha tem uma utilidade, existem folhas que não podem ser usadas em hipóteses alguma por pessoas de determinados odus.
9.       Toda a pessoa pode consultar com mérindilògún?
Resp: Somente pessoas iniciadas em òrìsà podem consultar com merindinlogun.
10.   É necessário à data de nascimento para fazer consulta em ifá ou merinlogun?
Resp: Consulta ao òrìsà não é numerologia, a data de nascimento não é necessária para a consulta.
11.   Qualquer pessoa iniciada em òrìsà pode fazer ritual fúnebre em nossa religião?
Resp: Não, é necessário ser iniciado no culto de Egúngún ou no culto de Oro para fazer rituais fúnebres.
12.   Mulher pode ser iniciada em Egúngún?
Resp: mulheres e até crianças podem ser iniciadas no culto de Egúngún.
13.   Homens podem ser iniciados no culto de Iya mi?
Resp: Homens, mulheres e inclusive crianças pode ser iniciadas no culto de Iya mi.
14.   Qualquer pessoa pode ser iniciada no culto de Oro?
Resp: As mulheres não podem ser iniciadas no culto de Oro.
15.   Qualquer pessoa pode ser iniciada no culto de Ègbé Òrùn?
Resp: Sim qualquer pessoa ser iniciada no culto de Ègbé Òrùn.
16.   Quanto tempo leva para que uma pessoa possa iniciar outras pessoas?
Resp: Cada pessoa necessita de um período que se ajuste a sua capacidade de aprendizado, embora seja exigido um tempo mínimo isso não quer dizer que após esse prazo a pessoa esteja capacitada.
17.   Qual a roupa indicada para cultuar òrìsà?
Resp: A roupa indicada é a roupa que se ajuste ao momento encontro com o sagrado.
18.   Qualquer pessoa pode sacrificar animais para os òrìsàs?
Resp: Não, somente as pessoas submetidas à iniciação em Ògún ou que sejam Bàbáláwos e Ìyánifá.
19.   Existe iniciação para ser Àràbà?
Não existe essa possibilidade, nenhuma pessoa pode ocupar Oye de Àràbà sem que tenha uma vasta experiência em ifá, um Àràbà é escolhido por aclamação dos outros Bàbáláwos de sua família.
20.   Existe iniciação para Oluwo?
Resp: Não existe iniciação para Oluwo.
Oluwo é um Oye que só pode ser ocupado por pessoas submetidas aos rituais de iniciação e que tenham notório saber.
21.   O ifá é uma outra religião separada da religião dos òrìsàs?
Resp: No território yorubá a religião dos òrìsàs tem somente um nome  Ẹ̀sìn ìbílẹ̀ yorùbá, não importa se pessoa iniciada em Osun, ifá, Ògún ou qualquer outro òrìsà é uma só religião com um único Deus, chamado Olódùmarè.
22.   Isefá é iniciação em ifá
Resp: Resp: Não, a iniciação em ifá se chama itefa.
23.   Quem fez bori é iniciado em òrìsà?
Resp: Não, só quem é submetido aos rituais de iniciação pode ser considerado iniciado.
24.   Uma pessoa que não é iniciada pode ter um òrìsà?
Resp: Sim, uma pessoa que não é iniciada pode necessitar de um assentamento de òrìsà para a sua proteção ou para uma outra finalidade que tenha sido orientada pelo oráculo.
25- Existe iniciação para Ìyá apetebi?
No ifá tradicional não existe iniciação para Ìyá apetebi, embora seja comum iniciar a esposa do Bàbáláwo Ìyá apetebi em ifá e Osun.
       

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

A bifurcação da estrada


Autor: Ifagbaiyin Agboola

Á historia da religião afro-brasileira em nosso país foi marcada ao longo do tempo por lutas, glorias e honras, situações que afastaram muitas pessoas de nossa fé.

O sexo, o dinheiro, a depravação e a falta de caráter de alguns sacerdotes prejudicaram muito a nossa religião, mas isso não foi suficiente para vencer a fé, o respeito e o amor á ancestralidade.

Os aspectos negativos que influenciaram a historia de nossa religião são insignificantes diante da vitória obtida por um grupo de homens e mulheres vitimadas pela escravidão que conseguiram conservar os rituais até os dias de hoje.

Muito foi perdido e parte dos ritos foram adulterados, mas a essência foi preservada, transmitindo um legado nunca antes visto na historia humana.

Da adversidade e da violência enfrentada por nossos antepassados a herança da fé no òrìsà foi transmitida de geração em geração.

Isso aumenta a nossa responsabilidade e nos obriga a transmitir para os nossos descendentes aquilo que nossos antepassados esperam de nós.

 Tudo que recebemos deles foi muito bom, porém vivemos em outra época, com mais recursos, desfrutando de tecnologias que nos permitem quase a perfeição, facilitando assim a transmissão de dados para nossos descendentes.

A conexão existente com o território yorubá nos dias de hoje facilita atestar a veracidade de muitas informações, mas por outro lado desmistifica dogmas esclarecendo equívocos históricos.

A bifurcação da historia, nos deixa a opção do alinhamento e da reconquista do elo que se perdeu com nossos antepassados ou a insegurança daquilo que parece tradição.

A escolha do caminho não é obrigatória ou inadiável, a necessidade de cada um é que vai descrever a urgência ou a indiferença á informação, mesmo que o final seja previsto, a verdade sobreviverá na fé ao òrìsà.






terça-feira, 1 de novembro de 2016

O sacerdote de um e noventa e nove.


Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola

A cultura de nosso país, aceita com tranquilidade, substituições e adaptações, grande parte de nosso povo até se exalta com esse tipo de situação, confundindo criatividade com improviso irresponsável, alimentando a linha invisível e paralela ao conhecimento.

Se uma pessoa lê cem livros de medicina não se torna um cirurgião, qual família permitiria que um de um de seus entes queridos fosse submetido a uma cirurgia se o suposto médico não fosse formado em medicina?

Partindo dessa interrogação, transferindo a mesma situação para a religião dos òrìsàs no Brasil, não vamos ter a mesma resposta, obvia da questão acima, então porque razão pessoas completamente despreparadas seguem recebendo credito por ações e declarações de um tema que elas não dominam.
Infelizmente as adaptações ao longo dos anos tem prejudicado muito nossa religião, o fato é que todos somos culpados, e coniventes, com esse equivoco.

Se uma pessoa que não é um engenheiro tentar construir uma grande ponte, certamente teremos um grande desastre.
O mesmo acontece no culto ao òrìsà, se a ponte que tenta ligar o ignorante a informação é a presunção do saber, evidentemente a decepção vai acontecer.

O enfermeiro que assiste vinte cirurgias do coração não é autorizado a fazer um transplante, por que então o nosso povo insiste em consultar com pessoas inexperientes e continua se baseando em textos e anúncios encontrados na internet, sobre nossa religião.

A resposta é obvia, a questão se resume a ignorância e quando muito a economia.

Pouquíssimas são as pessoas que sabem que os países desenvolvidos não tem lojas de um real e noventa e nove centavos, mas o brasileiro para economizar adapta as suas necessidades, a tais produtos, a mesmo nível de aceitação se vê com os sacerdotes.

Em todas as religiões em nosso país assistimos diariamente grandes desastres, quando não são padres que estupram as crianças são pastores que se elegem ligados ao narcotráfico ou pessoas que simulam receber espíritos.

O roubo da fé é permitido e muitas vezes avalizados pela ignorância, enquanto a desinformação der espaço para adaptações supostamente confortáveis do ponto de vista econômico as fileiras de decepcionados se multiplicarão.

A solução é a transformação da sociedade, o nível de exigência do nosso povo é muito baixo, consequentemente a prestação de serviço em quase todas as áreas é de péssima qualidade.

Temos que incentivar as pessoas á uma reflexão sobre tudo que estamos assistindo, se nosso povo for mais criterioso certamente a coragem dos inescrupulosos vai diminuir.

No território yoruba muitas pessoas que são iniciadas em ifá jamais diriam que são Bàbáláwos, mas chegando ao Brasil imediatamente se intitulam sacerdotes de Òrúnmìlá, o maior responsável por tudo isso é o nosso povo.

No território brasileiro produtos de origens duvidosas são vendidos abertamente em cada esquina e até materiais usados em cirurgias são falsificados, o que dizer então da nossa religião.

Em quanto isso em nome dos òrìsàs pessoas são iludidas, inocentes são roubados e crédulos são decepcionados.






sábado, 22 de outubro de 2016

Estudar, é preciso!



Autor: Bàbáláwo Ifagbaiyin Agboola.

No dia vinte e oito de outubro vou completar cinquenta e seis anos de religião, quando vejo a ansiedade de alguns dos meus iniciados em serem liberados para fazer iniciações, imagino que muitos não têm a dimensão exata da responsabilidade que a função de sacerdote exige.

Recordo-me que desde criança eu também tinha um grande desejo de ser um sacerdote, porém parece que tudo era diferente, não existia esse desespero pelo dinheiro, que existe hoje. Eu pensava em fazer religião por que eu sou fascinado pela cultura religiosa de òrìsà, não pensava em dinheiro porque durante toda a minha vida eu trabalhei.

Sei que a situação econômica do país deixa as pessoas muito inseguras e apreensivas e tento compreender o que gera essa pressa nos iniciados, tento me colocar no lugar deles, e sei que a situação é bastante complexa.

Porém a realidade é diferente, em quase a totalidade das profissões é exigida uma formação para habilitar  ao desempenho da função, na religião não é diferente, isso não pode ser mudado. É necessário paciência, determinação e dedicação além de muito estudo para que seja obtido um bom resultado na capacitação de um Bàbáláwo.

Na foto acima aparece o meu primeiro opon, feito de uma maneira simples e com pregos, nesse opon eu treinava como imprimir odus em areia, na mesma foto aparece o meu ifá da maneira que me foi entregue e que permaneceu por quase 18 anos, até o meu ingresso na família Agboola.

O Àràbà Awodiran declarou em uma entrevista no Brasil que o prazo mínimo para a formação de um Bàbáláwo varia de quatro a cinco anos e eu sigo essa orientação para os meus iniciados, é evidente que esse prazo mínimo é para quem estuda e se dedica muito aos estudos.

Não vejo com bons olhos as adaptações que estão acontecendo no Ifá em território brasileiro, mas acredito que com o tempo as pessoas vão entender melhor a responsabilidade que é ser um Bàbáláwo.


Ser um sacerdote de Ifá mais que tudo é honrar o nome de nossos antepassados que dignificaram essa função por centenas de anos, ser um Bàbáláwo é ter a consciência que somos eternos aprendizes de Ifá.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Os generais do Ifá.



Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola.

Desejar estabilidade no emprego e uma carreira confortável que o exército pode proporcionar, assim como alguns benefícios incluindo plano de saúde de ótima qualidade e assistência odontológica, todos gostariam de ter.

Por outro lado acordar cedo e seguir a hierarquia assim como  construir uma carreira ao longo dos anos, ninguém quer.

Como no exército, acontece no ifá, a grande maioria dos aspirantes a sacerdotes pretendem se engajar nas fileiras do culto a Òrúnmìlà já ingressando como generais.

A falta de paciência, de dedicação e de respeito à hierarquia implicam em um sistema que menospreza etapas fundamentais na construção da experiência e do conhecimento de um bom Bàbàláwo.

Esses fatos somados a total falta de critério na distribuição de cargos e títulos ofertados por alguns supostos sacerdotes nigerianos, nos levam a constatação que o conhecido, hábito de improvisar dos brasileiros está desenhando um tipo de culto a ifá no Brasil completamente diferente daquele que existe no território Yoruba.
A rede social em páginas patrocinadas atesta muitas vezes uma experiência que nunca existiu e em um quebra cabeça onde textos são montados com partes descritas por inúmeros autores o teoricamente pesquisador e internauta se disfarça de experiente conhecedor.

Pessoas sem escrúpulos impulsionados pela falta de conhecimento de seus contatos nas redes sociais terminam se passando por sacerdotes que nunca foram.

Eu denomino esses destacados, desconhecidos, como generais do ifá, embora a posturas de alguns se assemelhe a de palhaços em um picadeiro, é claro sem menosprezar aqueles que dominam a arte fazer rir.
Em qualquer profissão para que a pessoa seja reconhecida com credibilidade e prestigio existe uma composição de exigências que se ajusta de uma situação para outra, embora mantenham a essência composta por conhecimento, seriedade, dedicação, experiência e aptidão.

A queima de etapas e o embuste criado com adjetivos nas entrelinhas, somados a velha tática de dizer o que as pessoas querem ouvir seguirão dando destaque a grandes sacerdotes reconhecidos no espelho por eles mesmos.

E com eufemismo eu descrevo que os filhos dos desprovidos serão constituídos da ausência do que outrora fez parte de uma ilusão resguardada fortemente por uma inverdade com um  respaldo do imaginário.



terça-feira, 30 de agosto de 2016

IFÁ É PARA TODOS!


Babalawo Ifagbaiyin Agboola.


Não precisa ser um grande conhecedor de psiquiatria ou de psicologia para entender a versão de alguns opositores do projeto ifá é para todos.

Essas pessoas dizem que o ifá não é para todos para chamar a atenção para elas mesmas, dando a entender, que só elas são as escolhidas.

Ifá é para todos, sim, não poderia deixar de ser, pois que sentindo teria uma religião para somente uma suposta elite.

Ifá é para todos, sim e o nosso projeto está ai para justificar a nossa fé.

Acreditar que somos escolhidos contraria a teologia yoruba, somos nós que escolhemos antes de nascer ser adepto da religião tradicional e cultuar Òrúnmìlà.

Não somos especiais porque ifá teria nos escolhidos, termos escolhidos ifá é que nos torna especiais.
Mas somente Òrúnmìlà pode responder só ele testemunhou só ele sabe a verdade, sendo assim:

 IFÁ É PARA TODOS!

Essa pretensa elite que acredita ser superior por estar no ifá não conhece a verdade de Òrúnmìlà, que esta descrita no verso abaixo.


ÒTÚRÀ ÓGBÈ

Oluko Ifá gbodo ní á mu mò rá
Ati afori ti ole je omodé tabi agba
Yiò gbà tokan tokan
A d` ifá fun òtúrà
Nigba to di Babalawo làì si eya meya
Obirin tabi okunrin
Ifá nipè kó rùbo
Ko tole wole Orunmilá gegebi awo
Okunrin tabi obìnrin Ifá gbe ni
Òtúrà rùbo ebo rè gbà
Won di oju ati ara ó je eni to lokan
Oná rè sì lá ó sÌ di awo Orunmilá
Awo tolokan
Ifá kó bere
Boya omodé tabi agba
Nitorí pè ogbon ori rè ju ojo ori lo
Orunmilá jeri si
Nitorí pè Olorun gbagbo pe
Ogbon ju agbara
A d ifá fún Otura
Ni igba ti odi awo Orunmilá
Làì so pè omode tabi agba
Okunrin tabi obinrin

 TRADUÇÃO:

O aprendiz de ifá estuada com dedicação e sofrimento
Pode ser criança ou velho, o importante é ter vocação
Ele deve ser escolhido no céu.
Fizeram adivinhação de ifá para Otura quando ele aspirou ser sacerdote de ifá
Sem dizer se era homem ou se era mulher
Ifá lhe disse:
Que deveria fazer sacrifico para que  sua aspiração fosse aceita
Para que ele entrasse na casa de Orunmilá, homem ou mulher
As benções do céu não tem preferencia de sexo
Quando Otura fez o sacrifício foi concedida a sua iniciação
Seu rosto e seu corpo ficaram encobertos porque,
 o que se iniciava era a sua alma
Não se iniciava nem seu corpo e nem seu rosto
E assim teve êxito
Otura foi sacerdote de Orunmilá
O awo sem corpo!
O Awo é a alma consagrada
Ifá não perguntou se Otura era jovem ou era velho
Porque a idade a sua alma conhecia e a alma não era velha nem jovem
Porque o que deus cria somente Orunmilá testemunha e só ele sabe a idade da alma.
E só  eles sabem a idade da alma
Só eles sabem a identidade da alma
Foram às palavras de ifá para Otura, quando aspirou ser sacerdote de Orunmilá, sem dizer ser era jovem ou velho.
homem ou mulher