segunda-feira, 9 de maio de 2016

Nota de falecimento


Faleceu hoje finalmente depois de agonizar por muito tempo a vergonha dos políticos brasileiros, faleceu o respeito que os brasileiros mantinham por seus representantes, faleceu um sonho que ainda pudesse haver homens dignos ligados a politica.

Quando se opôs a decisão do parlamento o deputado Waldir Maranhão matou milhares de brasileiros que serão vitimados por assaltantes e assassinos nas ruas confiantes que nesse país não existe justiça.

Houve uma época no Brasil que ladrões e assassinos cometiam seus crimes escondidos na escuridão da noite, hoje eles desfilam nos telejornais e nas colunas sociais se divertindo com a ingenuidade de parte do nosso povo.

As crianças e os adolescentes brasileiros estão sendo criados assistindo esse circo em que tudo se pode e a ninguém se respeita.

 O futuro do nosso país esta comprometido pela falta de vergonha e de caráter de pessoas que seguem usando de malandragem.

Animais travestidos com colarinhos brancos continuam covardemente se alimentando no seio da nação, como víboras traiçoeiras esperam o melhor momento para atacar, rastejantes envenenadores do país.

A podridão da latrina na capital da nação poluiu de tal forma os céus de nosso país que impossibilitou a visão de dias melhores.

Respirar ares de liberdade tão contaminados pela impunidade e a falta de justiça social indignam homens de bem.

Vivemos um momento que pessoas honestas fogem da politica dando espaço para vermes ocuparem o congresso.

A falta de homens dignos dispostos a enfrentar os saques da nação contribuiu para o total discreto de nossos governantes.

É chegada a hora de expor a nossa opinião, de exigir respeito a um povo que sempre foi ordeiro e gentil, é chegada a hora de homens e mulheres de bem, dizerem um basta à corrupção.

A quase total extinção de seres pensantes com disposição para enfrentar os maus feitores foi construída por uma educação que valoriza a capacidade de pensar e substitui a logica por um conceito pré-estabelecido do que nunca foi verdade tornando o errado certo.
Infelizmente oque dizer de grande parte de um povo que se omiti as decisões da nação, a indiferença ao ocorrido no meio politico, implica em uma coautoria da barbárie.

 Homens de bem devem deixar claro aos nossos governantes que a festa terminou que eles devem tirar suas mascaras porque todos já conhecem seus rostos.

Autor: Bàbàláwo Ifagbaiyin Agboola

Iniciação em òrìsà



Infelizmente já não me surpreende mais o grande número de pessoas que se afastam do culto a òrìsà, a grande maioria delas tenta de toda forma encontrar uma solução para os seus problemas, porém depois de muito tentar, terminam se afastando de seus sacerdotes e muitas vezes até mesmo da religião.

Em quase a totalidade dos casos, podemos observar dois fatores específicos que contribuem para que o fato acima descrito aconteça.

 O primeiro é o quase total desconhecimento da verdadeira proposta religiosa do culto á òrìsà.
 O segundo o despreparo e a falta de critério de muitos dos sacerdotes.

No passado postamos um texto chamado “Religião de regras,” na tentava de explicar muitas das falhas ocorridas ao longo do tempo em nossa religião. Nesse texto vamos seguir um raciocínio paralelo na tentativa de evidenciar as falhas que constatamos no dia a dia, e também considerando as experiências adquiridas no atendimento de ex- praticantes do culto ao òrìsà em varios estados de nosso país.

A grande maioria das pessoas entra para a religião buscando solução para problemas muitas vezes incluídos em uma demanda ansiosa por respostas que nunca vão ser encontradas.

 O sagrado pode ser acessado, mas jamais vai ser desmistificado sem estudo e dedicação, a falta de cultura e o desconhecimento implicam diretamente na exacerbação do inimaginável como solução.

A máxima de que se não há uma resposta, se inventa uma, contribui para o descredito de muitos dos sacerdotes ocasionando diretamente o afastamento de milhares de adeptos.

Relativo aos dois elementos citados acima como desencadeadores dos fatos em andamento abordarei cada situação há seu tempo iniciando pelos fatos que comprometem o desenvolvimento da relação iniciado e iniciador pelo iniciado ou adepto.
Sempre considerando a boa vontade para explicar os temas em discussão, embora não tenhamos a intenção de figurar como donos da verdade. A nossa opinião é fundamentados naquilo que acreditamos sempre dispostos a ouvir outras opiniões.

Iniciado ou adepto:

- A expectativa criada em nossa religião para as soluções divinas não são sentidas no catolicismo, nem no judaísmo e nas demais religiões, seria porque o nosso Deus é mais poderoso que o das demais religiões?

 Ou seria que na mente de nossos adeptos foi criada uma ilusão sobre a temática da influencia divina em nosso dia a dia?

É bem verdade que Deus é um só, então prefiro considerar a incapacidade de raciocínio de nossos adeptos gerada por uma quase total falta de informação, implicando diretamente na decepção e no afastamento.

Se Deus e os òrìsàs estivessem a nossa disposição para resolver todas as nossas dificuldades nas áreas sentimentais, financeiras e emocionais, a pergunta que faço é, qual seria o motivo para vivermos?
Quando você sabe o que esperar da sua fé a decepção com o divino não existe, a felicidade se acentua e o destino é visto com a certeza que a quase totalidade dos acontecimentos foram escolhas nossas.

A força superior pode ser invocada, ela nos ouve e nos responde, infelizmente na grande maioria das vezes não escutamos a sua voz.

O iniciador (sacerdote):

Abordaremos a questão do sacerdócio nesse texto exclusivamente ao tocante do conhecimento e do preparo do oficiante dos rituais, considerando que a ética já foi abordado por nós no texto, “A ética e o sacerdócio”.

Vamos analisar a iniciação como fato isolado do elemento gerador do afastamento dos adeptos de nossa religião considerando o relato dos mesmos, embora em nossa opinião, tais fatos se originem em uma gama bastante variada de implicações.

Tomaremos como exemplo uma iniciação no òrìsà Ògún.

Partindo do principio que a teologia yoruba explica que os òrìsàs se originam dos odus supondo que o iniciador esteja se orientando pelos versos de ifá, sendo assim haveria inúmeras formas de acesso ao mesmo òrìsà, contida em odus com conteúdos diferenciados.

Sendo assim se o iniciador acessar o òrìsà Ògún no odu Iwori méjì, o conflito armado envolvendo a vida do iniciado poderá se tornar uma constante em seu dia a dia.

Já sem o devido preparo a mesma iniciação do òrìsà Ògún no odu Ògúndá Òfún, implicará em situações que poderão atrair o ilícito para o caminho do iniciado.

Por outro lado uma iniciação do òrìsà citado acima no odu Ògúndá Ìrosùn se bem aplicada devera implicar diretamente em prosperidade e ascensão do adepto.

A quantidade de odus que podem ser usados para culto do mesmo òrìsà é muito grande e a sua variação implica em situações recorrentes na vida do iniciado, positivas ou até mesmo negativas.
Imaginem que se em uma consulta o odu é fator determinante, o que dizer de uma iniciação, somente um profundo conhecimento sobre Ifá pode indicar o caminho a seguir.

Vamos observar os resultados diferentes de uma mesma iniciação em pessoas diferentes sem que tenhamos uma explicação logica.
Considerando o quase total desconhecimento sobre odu em nosso país, isso explicaria o grande numero de decepções com as iniciações.

O mesmo òrìsà que é positivo para Pedro pode não ser para João, as mesmas condições oferecidas para João podem ser insuficientes para o Orí de Pedro.

Imaginemos então a mesma iniciação no òrìsà Ògún, por despreparo ser constituída tomando como base o odu Ògúndá Iwori que fala da fúria desses òrìsà, o desconhecimento e o despreparo poderiam ser catastróficos.
Na verdade se diminuirmos os anseios dos iniciados lhes oferecendo mais informações e capacitarmos os iniciadores, o fluxo de abandono da nossa religião em quase a sua totalidade será contido.
 Essa é a razão porque insisto em uma divulgação da palavra de Òrúnmìlà por bons sacerdotes.

Bàbàláwos bem preparados podem reverter o processo de esvaziamento das casas de òrìsàs, para isso é necessário o entrosamento entre adeptos e os sacerdotes de ifá e òrìsà, sem isso jamais vamos poder explicar para a população aquilo que elas anseiam dos òrìsàs.

Sem um profundo estudo dos versos de ifá tentar justificar o que se desconhece é menosprezar os anseios daqueles que tem fé.

Autor: Bàbàláwos Ifagbaiyin Agboola


quarta-feira, 27 de abril de 2016

O dinheiro sujo na religião



Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola

A verdade é que a nossa sociedade esta amedrontada qualquer mal intencionado para calar um opositor necessita apenas colocar um revolver na mão direita de um jovem viciado e uma pedra de crack na mão esquerda, a vida em nosso país perdeu o valor.

Dizer a verdade é caretice e aquele que se dispõe a abordar as questões que envolvem essa sociedade doente é tachado como chato e improprio, além de correr risco de morte.

Estamos cercados de máfias, é a máfia do combustível o cartel da TV por assinatura e até mesmo a máfia dos transportes, sem falar nas máfias partidárias e religiosas.

Será que tem alguém que acredita que o minúsculo Vaticano consegue manter milhares e milhares de igrejas no mundo todo?

Será que tem alguém que acredita que aquele idiota que usa uma tornozeleira eletrônica construiu um império se dizendo evangélico, com doações?

A realidade é muito diferente do que esta sendo demonstrado, o modelo econômico religioso que ai esta não tem como se manter.

A igreja católica mantém o discurso romântico que devemos fazer caridade e ajudar aos necessitados enquanto seus sacerdotes desfrutam do bom e do melhor, sabe-se lá com dinheiro vindo não sei de onde.

Se as religiões afro-brasileiras abordarem esse discurso quem iria sustentar os sacerdotes considerando que só três por cento da população brasileira tem um bom poder aquisitivo. Noventa e sete por cento dos adeptos seriam mantidos com que renda?

Outro modelo econômico religioso em questão é o suposto evangélico, se o percentual das pessoas que contribuem com o dizimo é quase inexistente de onde vem o dinheiro que mantem as obras faraônicas?

Esse modelo transportado para as religiões afro brasileiras afastariam definitivamente os adeptos que em uma concepção obtusa acreditam que a caridade deve ser mantida.

O nosso povo esta perplexo diante de uma realidade que estampa em cada esquina um delinquente armado dando proteção aos pontos de vendas de drogas.

Em minha mais recente viagem pelo Brasil dirigi aproximadamente vinte mil quilômetros e não encontrei nenhuma barreira policial nas estradas, será que isso é uma orientação dos nossos governantes?

A nossa policia conta tempo para aposentadoria por não ter apoio da lei para exercer a sua função.
Homens honestos abandonam a politica e o narcotráfico financia jovens bacharéis e futuros governantes.

A inversão de valores colocou atrás das grades os homens honestos que se abrigam diante do desmando institucionalizado.

Por mais difícil que seja a participação dos religiosos, compreenda-se, representantes de Deus, jamais deveria ser objeto de desconfiança da nossa sociedade, no entanto o que se vê é bem ao contrario, supostos pastores agora políticos partidários negociam a impunidade com seus apoios.

Em todos os seguimentos assistimos a degradação e os temerários se calam contribuindo para que os marginais se agigantem diante de pessoas de bem, mesmo no ifá é conhecida à contribuição de alguns supostos sacerdotes com o crime organizado.

O apodrecimento dos esteios que sustentam a sociedade, impuseram um novo sistema econômico religioso adotado pela grande maioria que termina originando uma multidão de descrentes, diante dos fatos estampados em nosso dia a dia, golpistas travestidos de religiosos cada vez ganham mais espaços.

Os pastores viraram lobos e começaram a comer o rebanho criando uma imagem de sacerdotes bem sucedidos que só despertam os olhares daquele que não tem caráter.

E enquanto isso tudo fizer parte do nosso da nossa historia a população vai ver os justos com os mesmos olhos que vê os marginais.


terça-feira, 26 de abril de 2016

Ifá é o discernimento.



Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola

É interessante a velocidade do pensamento e a capacidade que temos de nos deslocarmos no espaço e no tempo, no pensar em segundos, nos deslocamos do presente para o passado e de um extremo do planeta a outro. Mesmo assim a capacidade de deslocamento em direção ao futuro com exatidão das previsões, ainda é um sonho da maioria dos seres humanos.

Em quase a totalidade das religiões dispondo de previsões pretenderem antecipar-se aos problemas é quase impossível, com exceção das religiões espiritualistas. Esses segmentos considerados espiritualizados em quase todas as manifestações beneficiam se dessa capacidade, proporcionando uma melhor qualidade de vida para seus adeptos.

A UNESCO considera o Oraculo de Ifá o mais preciso método para prever o futuro de toda a história da humanidade.

Seria maravilhoso se fosse possível disponibilizar todos esses benefícios para a população indistintamente.

Em meus pensamentos busco formas de ampliar o acesso das pessoas a esse Oraculo, algumas pessoas podem achar que é demagogia, mas o trabalho que estamos desenvolvendo confirma essa preocupação.

O projeto Ifá é para todos já iniciou mais de mil e setecentas pessoas e viajamos divulgando ifá quase duzentos mil quilômetros, mesmo assim fico pensando que devem existir outras formas de facilitar o acesso das pessoas á informação contida no oraculo de ifá.

Essa situação que vivo entre o compromisso de zelar pelo sagrado e a necessidade de popularizar o Ifá me tira o sono há bastante tempo. A necessidade de selecionar aquilo que pode ser divulgado e aquilo que deve ser considerado segredo é um exercício a beira do abismo. A plateia oposicionista aguarda ansiosa por um deslize, são eles os mais fervorosos leitores.

Eu acredito que ifá facilita a vida dos seres humanos proporcionando um conforto para quem necessita tomar decisões, implicando diretamente em um dia a dia mais tranquilo.

Uma pessoa iniciada em ifá nos dias de hoje tem muito mais informações que pessoas iniciadas a trinta, quarenta, cinquenta e até cem anos atrás.

A internet ampliou as informações sobre ifá, divulgando informações das mais diversas regiões do território yoruba, coisa que no passado era quase impossível para a maioria dos Bàbàláwos acessar um conjunto tão diversificado de autores.

Antigamente um bom sacerdote tinha em sua memória pouco mais de uma dúzia de versos sobre um odu, nos dias de hoje além dessa informação comum a formação de um Bàbàláwo, o acesso á literatura de respeitados escritores aumenta as informações disponíveis beneficiando diretamente o iniciado.

É fácil encontrar quase uma centena de versos de ifá confiáveis para cada odu, isso tudo massificado traria uma melhora na qualidade de vida da população.

 Imaginemos a seguinte hipótese:

 Com a diminuição da ansiedade referente ás questões futuras o consumo de remédios diminuiria e os gastos com saúde teriam uma queda acentuada, possibilitando a aplicação desses recursos em benfeitorias para a população, como eu disse no começo desse texto os pensamentos se deslocam no tempo e no espaço com muita facilidade, infelizmente coloca-los em pratica é um pouco mais difícil.

Para as pessoas que não conhecem ifá, esse texto pode parecer uma utopia, mas em outros países esse tipo de experiência já vem sendo feito em pequenos grupos há bastante tempo, não como experiência no sentindo amplo da palavra, mas sim como pratica religiosa, trazendo enormes benefícios para os praticantes.

Se uma pessoa tem uma grande quantidade de informação sobre a sua pessoa e sobre o seu futuro o viver evidentemente é facilitado, considerando é claro que as informações sejam colocadas em pratica.

O sonho da terra prometida tão comum ás outras religiões a meu ver em nossa crença é palpável e de fácil assimilação.

O beneficio da palavra não é para quem escuta e sim para quem a pratica.


 Enquanto a religião orientar o homem a seguir no sentido sul e a ganância o desvia- lo para o norte, o beneficio do sentir teológico e da aplicação filosófica no dia a dia fica imperceptível, Resta clamar a população por discernimento.

domingo, 17 de abril de 2016

A intimidade inoportuna.


Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola.

As razões que me fazem argumentar sobre esse tema se justifica por minha condição de sacerdote e de homem de bem que acredita que o respeito é bom e que todos merecem ser respeitados.

 Sendo assim explanarei o meu pensar partindo do principio que entorno de cada pessoa assim como entorno de cada residência  deva existir um terreno particular que não deve ser invadido. Nesse texto denominarei esse terreno como intimidade.

 A intimidade inoportuna é a intimidade inexistente, ou inconsistente, é a pressuposta proximidade visando benéficos diversos do suposto ou da imagem do suposto amigo.

O fato de uma pessoa ter um perfil público na rede social não permite determinadas aproximações, o contato da rede não tem a intimidade que imagina um contato não é um amigo, e um amigo nem sempre é intimo.

A tomada de intimidade na rede social só é aceitável nos meios menos esclarecidos que desconhecem os bons modos e a educação mínima em relações interpessoais.

A rede social tem inúmeras coisas boas, mas a falta de bom senso de alguns termina prejudicando aquilo que deveria ser uma forma de aproximar as pessoas.

A aproximação, ou o contato não implica em ser intimo, a intimidade só existe em um relacionamento constante e próximo e isso em hipótese alguma se resume a internet.

A intimidade consistente é mantida em uma relação continua e harmoniosa, só a intimidade consistente permite determinadas aproximações.

Uma pessoa que tem um perfil respeitável e familiar na internet espera de seus contatos uma consideração que impossibilita determinadas intimidades.

É comum ver na internet alguém que não tem contato intimo com uma pessoa tomar a liberdade de fazer comentários, muitas vezes sem nenhum sentido.

Muitas vezes assisto peritos em odontologia opinar em pagina de ginecologia, médico otorrino opinar em textos sobre o aspecto jurídico, boêmios e supostos poetas que se tem como espertos escreverem sobre a vida das pessoas.

A falta de noção de poucos incomoda a intimidade de muitos, a falta de percepção do todo prejudica á aproximação inibi a naturalidade e ativa o sentido de preservação.

A nossa sociedade vem assistindo a falta de respeito de nossos lideres e de muitas autoridades de nosso país e isso da á errada impressão para os menos esclarecidos que existe liberdade para tudo, mas isso não é verdade.

Toda pessoa que acreditar que sua intimidade foi invadida tem o direito de se proteger ou se assim desejar  procurar as autoridades com a intenção de responsabilizar criminalmente o importuno.

Acredito que comentários importunos devem ser sim respondidos, o direito de resposta deve ser garantido a quem foi ofendido, uma ação implica diretamente em uma reação mesmo que muitas vezes ela não seja visível ela deve ser sentida.

A liberdade deve ser mantida coberta pelo manto do respeito e do discernimento entre o certo e o errado.

Toda postagem na rede social pode ser apreciada, porem para comentar ou opinar é necessário bom senso, o fato de uma Postagem estar publica, não quer dizer que não tem um autor que merece respeito.

Na rede social existe varios tipos de postagens:

Formais de cunho s familiares que e só a família deveria comentar.

Formais e intimas que só os mencionados poderiam comentar.

Formais e pessoais que somente os íntimos deveriam comentar.

Profissionais que só deveriam ser comentadas por pessoas que desenvolvem a mesma função.

E as informais que deveriam poderiam em tese ser comentadas por contatos.

É estranho que tudo isso aconteça, que a falta de noção contamine as relações, embora nossa sociedade viva cercada de grades em suas residências enquanto muitos bandidos permanecem livres pelas ruas.

Não é de estranhar que em nossa sociedade exista tais aberrações onde pessoas de bem sintam sua intimidade prejudicada, enquanto a falta de cultura e a ignorância alimentam os importunos.

Enquanto as autoridades não regulamentam de fato as relações nas redes sociais vamos conviver com nossas famílias expostas a contatos indesejáveis e impróprios, que fazem questão de se mostrarem por ciúmes, inveja ou ignorância.



sexta-feira, 15 de abril de 2016

Ifá é liberdade.




O direito de ir e vir nas casas de axé.



Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola.

Gostaria de convidar os meus amigos para refletir sobre o artigo 5º da constituição do nosso país, é interessante que alguns líderes religiosos não percebam que é necessário cumprir a lei para desenvolver um trabalho apreciável na religião.

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens.

Se você não permite que um iniciado em sua casa se afaste ou que ele busque outra casa para consultar algo não esta bem, a pessoa deve ter liberdade para sair pela mesma porta que entrou, não conheço nenhum verso de ifá que obrigue um iniciado a seguir seu iniciador em caso de não haver mais um relacionamento equilibrado.

Se os nossos filhos que acompanhamos desde antes do nascimento não somos proprietários, o que dizer de “filhos” de religião?

Essas pessoas que muitas vezes nos procuram em um momento difícil de suas vidas, tem uma forma própria de ver a vida e a religião, então como vamos controla-las?

É impossível, é inadequado e sem sentido.

Muitas vezes alguém que chegou a sua casa desempregado e que agora esta em uma situação financeira privilegiada muda completamente o foco, a pedida já não é mais a mesma e deixamos de ser útil, a pergunta é temos o direito de impedir essa mudança?

Conheci muitos jovens que entraram na religião porque queriam uma namorada ou ser aprovado no vestibular, hoje são ótimos profissionais e esqueceram os òrìsàs e as pessoas que os iniciaram, será que isso motiva o sacerdote para uma vingança?

Não vejo com bons olhos as pessoas que se afastam das casas que os serviram e saem falando mal de seus sacerdotes, assim como abomino as historias de alguns sacerdotes fazendo alusão a detalhes da vida intima de alguém por eles iniciado.

Se a louça rachou não é necessário quebrar o restante, você pode colar e usar de outra forma bem diferente.

 Porque o amigo íntimo de ontem deve ser o inimigo de amanha?

Coisas da relação humana que de forma desumana presenciamos no dia a dia, o homem virar animal e considerar que se você não esta a favor dele certamente esta contra, esquece ele que o ar que ele respira não tem proprietário e o mesmo sol que o ilumina pode queimar a pela de outra pessoa.

A verdade é que é muito dura você vê que seu filho está adulto e que começa a tomar decisões sem pedir a sua opinião, se isso acontece em nossas casas porque não aconteceria nas casas de religião, temos que saber entender as necessidades das pessoas, elas mudam como muda o vento.

Uma pessoa que tenha um problema afetivo hoje e que todo dia me procura para se lamentar se iniciada no òrìsà certo pode viver um grande amor para toda vida, porque ela iria continuar se lamentando se esta feliz?

 O entender é parte do querer bem, o compreender é irmão gêmeo da aceitação, sem aceitação não existe entendimento.

Há muitos anos, em uma conversa com mãe Edelsuita, comentei com ela que algumas pessoas tinham saído de minha casa, ela calmamente me disse meu filho somos como postos de gasolina, as pessoas chegam com o tanque vazio, abastecem e seguem a viagem. Em um primeiro momento a frase me chocou, hoje tenho certeza que tudo que ela me disse esta certo.

Soube que em alguns lugares as pessoas pedem uma importância em dinheiro para entregar os òrìsàs que elas já receberam para assentar, se a pessoa não deve nada, porque ela teria que pagar para ser liberada?

 Será que isso é uma indenização para o ego do sacerdote?

Será que esse dinheiro consegue afastar a tristeza de quem se vê sozinho?

A solidão é um monstro cruel que quando domesticado serve para fortalecer o pensar, ampliar o querer e apurar o sentir.

Devemos aprender a viver com lembranças, porém com esperanças renovadas. Quem vive no passado se atrapalha com o presente, mas quem esquece as experiências comete os mesmos erros.

Viver é se equilibrar, entre o querer e o poder!

Se você apertar muito o pássaro entre as suas mãos nunca sentira a alegria de ver o seu voo.

“Filho é um ser que Deus nos emprestou para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isso mesmo! Ser mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado.”

José Saramago


Essa argumentação é adequada à realidade da religião em nosso país, no território yoruba nada disso acontece por questões filosóficas, sociais e culturais, a hipótese do afastamento da casa a qual alguém foi iniciado não existe.

domingo, 20 de março de 2016

O conhecimento em ifá.


Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola
Quando perguntei para o meu Oluwo como identificar um Bàbàláwo que já esta em ponto para se tornar um Oluwo ele me disse, naquele português enrolado que é característico dele, um Bàbàláwo conquista o seu espaço dentro da família quando participa de rituais e se mostra familiarizado com tais atividades.

A mesma pergunta eu fiz para o Araba quando perguntei como ele foi escolhido para ser o Araba da cidade de Lagos, ele me respondeu proeminência.

Uma pessoa proeminente aparece não porque quer, ela aparece porque o seu conhecimento se impõe e o reconhecimento acontece naturalmente.

No caso do Araba ele foi sabatinado durante três dias antes de ocupar a função máxima do Ifá na cidade de Lagos, algumas pessoas conhecem esse ritual por iko ate, que vamos traduzir aqui para facilitar como uma sabatina feita por seus colegas.

Na família Agboola, não existe esse ritual, na Nigéria, nenhuma pessoa tem coragem de dizer que é um Bàbàláwo, sem antes ser reconhecido por sua família, apto e digno a essa função dispensando qualquer teste.

Chama a atenção que com exceção do meu Araba, nunca conheci alguém que tenha passado por esse ritual.
Ouço muito falar, mas nunca vi na rede social uma única foto de um brasileiro que tenha sido submetido a esse ritual, um líder representa seus liderados, não existe líder sem seguidores.
Normalmente esse ritual é usado na hipótese como citei da escolha de um líder que vai representar varias famílias.

Observação: O chamado iko ate se torna necessário quando a pessoa vai representar outras famílias em um grande território porque nem sempre o seu conhecimento é testemunhado por pessoas que não fazem parte do seu dia a dia. Seria uma forma de provar para quem não conhece a pessoa a sua capacidade.

Quanto ás iniciações, é certo que em nossa família, um pré-iniciado, no ritual de isefa recebe um mínimo de dezoito ikins, e em um itefa o Oluwo escolhe o numero de ikins de acordo com a necessidade e a orientação de Ifá.

Também é verdade que um isefa pode ou não ter sacrifícios, pode ou não ter um assentamento de Èṣù, o importante é que prevalece a orientação de ifá nos rituais.

Existem inúmeras variáveis que jamais vai permitir que um sacerdote pense ser dono da verdade por mais que ele conheça sobre Ifá.

Tenho certeza que vão aparecer pessoas para me criticar sobre esse texto, isso não me preocupa.
A minha contribuição esta sendo dada.

As pessoas que não concordarem devem escrever um texto que conteste o escrito por mim, não sou o dono da verdade.

Estou preparado para responder as perguntas não porque sou o pretencioso, estou preparado para responder por que estou na religião a cinquenta e quatro anos e dediquei a minha vida a religião dos òrìsàs, além disso, sigo os princípios de minha família em território yoruba.

A caminhada dentro de ifá.


Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola

Na tentativa de contribuir para diminuir as dúvidas das pessoas que pretendem se iniciar em ifá e das pessoas leigas que gostam do culto de Òrúnmìlà, nos propomos mais uma vez a escrever sobre esse tema, respeitando as diferenças do culto em cada família, mas divulgando os procedimentos dentro do seguimento que professamos.

Para algumas famílias o isefa não é uma iniciação, em nossa família consideramos o Itefa uma iniciação completa e o isefa uma pré-iniciação, toda a pessoa submetida a um isefa recebe um nome, além das orientações do odu do ritual.

Se a pessoa recebe uma indicação no isefá que deve se tornar um Bàbàláwo, o ifá é alimentado mais uma vez, em um novo ritual, que não acontece no mesmo dia, e um opele de cabaça é consagrado para o inicio dos estudos, durante os estudos o pré-iniciado recebe o nome de awo kekere.

Observação: Esse tipo de situação descrita no paragrafo isefa é mais comum quando o pré-iniciado recebe como orientação em seu isefa um odu méjì, porém existem muitos odus que indicam essa necessidade.

A pessoa submetida a um isefa é chamada Omo ifá, já uma pessoa submetida ao itefa é conhecida como awo ifá, em nossa família consideramos esses dois nomes e usamos a denominação awo kekere, (pequeno segredo), para as pessoas com indicação para itefa e Itelodu.

Existem inúmeras formas de consagrar um opele, uma pessoa que passa pelo itefa, mesmo tendo odu de Bàbàláwo, não tem o seu opele consagrado para atender clientes.

A consagração do opele em alguns casos no itefa, é muito simplificada consistindo em que o opele seja alimentado dentro da vasilha de  Òrúnmìlà, já para consagrar o opele que vai consultar para clientes a consagração é bem diferente.

O uso do ikins para consulta é determinado mais por um habito familiar ou regional que por uma necessidade, com exceção das iniciações ou rituais específicos.

As pessoas, iniciadas para se tornarem Bàbàláwos começam os seus estudos, não no momento que fazem o itefa, começam seus estudos quando na pré-iniciação (isefa), recebem uma orientação de  Òrúnmìlà que tem caminho de Bàbàláwo.

O isefa não é uma cerimonia obrigatória, porém para chegar ao Itelodu é necessário fazer o itefa.
Um isefa leva até três dias para conclusão da cerimonia, já um itefa leva de três a dezessete dias para conclusão das cerimonias, isso não quer dizer que não possa seguir outras indicações, o mais comum é que seja feito em três dias como indica o nome da cerimonia.

Um Bàbàláwo na Nigéria dentro do culto tradicional nunca muda de família, se ele se desgostar ou houver algum desentendimento com seus iniciadores ele vai seguir respeitando por toda a sua vida a família quem o iniciou.

Um Bàbàláwo nunca muda de nome ou retira o nome de sua família, o nome que ele recebeu representa a sua historia e a historia da sua família, além é claro de um compromisso assumido no Igbodu.

Um Bàbàláwo ou uma Ìyánifá recebem esse titulo amparado pelos ancestrais de sua família representados em cerimônias diante de Opa Osun que o guiará no momento da impressão do odu no opon Ifá, não existe a possibilidade de um sacerdote de Ifá seguir um caminho desligado de sua família, isso representaria a falta de ligação com os antepassados, à religião tradicional yoruba é familiar.

O culto a Òrúnmìlà está descrito nos versos de Ifá, não existe improvisação ou criatividade, as cerimônias feitas na Nigéria devem ser reproduzidas com fidelidade sobre o risco, do não alinhamento com a origem, comprometer a veracidade dos atos.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Mulher no ifá



Mulher no ifá



Autor:Bàbàláwo Ifagbaiyin Agboola

Nos últimos anos a participação das mulheres no culto a Ifá tem aumentado bastante, mas ainda existe muita confusão com a denominação Ìyánifá e Ìyá apetebi, buscando auxiliar para que não exista mais dúvidas sobre esse assunto vamos tentar explicar mais uma vez.

Uma mulher que foi submetida ao itefa é chamada de Ìyánifá (Ìyá Onifa, mulher que possui Ifá), não devemos confundir com a designação Iyanifa usada para as mulheres que vão se dedicar ao culto de Ifá que consultam com opele e ikins depois de seus estudos, a mesma designação pode ser usada para as duas situações.

As mulheres submetidas ao itefá, com caminho para cultuar òrìsà devem continuar sendo olóòrìsà ou Ìyálóòrìsà, não confundam, por favor.

A Ìyánifá, não vê Iyá odu, nenhuma mulher vê Ìyá odu, então ela não inicia um Bàbàláwo, ou outra Ìyánifá, sem outro Bàbàláwo ao seu lado.

A mulher que depois do itefa segue as orientações de seu odu e se dedica ao estudo de Ifá não necessita estar vivendo em um período que não menstrua mais, um exemplo disso, é que temos iniciações para Ìyánifá, no território yoruba, de meninas com sete, oito anos de idades.

Uma mulher pode passar por um itefa e seguir se incorporando com òrìsà, como no caso masculino, essa pessoa vai seguir um caminho diferente do caminho de estudo de dedicação a Ifá.
As diferenças são definidas não por uma escolha pessoal, mas sim pelo odu do itefa e suas indicações.

Baseado no odu as Ìyánifás tem que se submeterem a algumas cerimonias diferentes daquelas submetidas pelas mulheres que fizeram itefa e vão continuar olóòrìsàs.

Ìyá apetebi é a designação dada à mulher do Bàbàláwo, independente do credo professado por ela desde que respeite a fé do marido.

No Brasil assim como na Nigéria temos vários exemplos de pessoas que são iniciadas em Ifá mesmo pertencendo à outra cultura religiosa como Umbanda e candomblé têm que considerar que Ifá é sabedoria e devemos respeitar as pessoas que professam mais de uma religião ao mesmo tempo.

Uma Ìyá apetebi sempre que possível deve ser iniciada em Ifá e Osún, mulheres que ainda não foram iniciadas nesses Òrìsàs, mas que são as esposas dos Bàbàláwos nem sempre podem participar de alguns rituais.

A ìyá apetebi senta na esteira do Bàbàláwo sendo encarregada do Oṣé do ifá de seu marido entre outras atribuições se for iniciada, caso contrário existe algumas limitações que devem ser respeitadas.

O cargo de Ìyá apetebi é insubstituível, tanto na Nigéria como no Brasil, um Bàbàláwo não pode ter uma segunda ìyá apetebi, e uma Ìyá apetebi não pode abandonar o seu marido, para esse casal não existe divórcio.

Essa situação para as pessoas fora do território yoruba pode causar espanto, mas devemos analisar que a pessoa foi submetida a várias iniciações, consentindo e assumindo as responsabilidades diante do orixá que representa a sua fé, isso se aplica tanto a Ìyá apetebi como ao Bàbàláwo.

O casamento do Bàbàláwo com a Ìyá apetebi, representa mais uma cerimonia diante de Ifá, e somente a Ifá é dado o verdadeiro titulo de a testemunha do destino, isso implica diretamente que ele tem conhecimento de quem vai casar com quem, cabe a ele autorizar a cerimonia ou não.

O respeito deve ser a base do relacionamento, em vários odus fica claro que um Bàbàláwo, não deve ter mais que uma mulher:

Obs: Não confundir com pessoas residentes na Nigéria, nesse país essa pratica é permitida por lei.

Fica claro no ifá que um Bàbàláwo deve respeitar a lei do seu país, o mesmo deve ser um representante da comunidade e um exemplo a ser seguido.

O caso da Ìyá apetebi, Ìyánifá, é um caso mais raro, a mulher iniciada para se dedicar ao culto de ifá que também é mulher de um Bàbàláwo, normalmente é uma pessoa com formação permitida pelo seu Oluwo baseada na formação do Bàbàláwo seu marido, traduzindo ela não tem um Ojugbona o Ojugbona é normalmente o seu marido, considerando o convívio diário essa regra torna-se um benefício para essa sacerdotisa que estuda todos os dias no âmbito familiar.

Observação:

Quando eu digo que um Bàbàláwo deve ser um exemplo positivo, falo de pessoas com uma estrutura de atendimento que constantemente inicia outras pessoas, não estou falando de iniciados.

Uma pessoa é iniciada para conhecer o seu destino e melhorar a sua forma de ver a vida e os seus semelhantes, se ele fosse perfeito não precisaria ser iniciado, sendo assim é comum que um Bàbàláwo, inicie pessoas que ele discorda, se ele fosse iniciar só as pessoas que simpatiza não seria um sacerdote.

A mulher vem aumentando a participação no cenário religioso do novo mundo, embora um grupo muito pequeno se negue a reconhecer a importância da mulher em nossa religião e tente menosprezar a figura feminina, examinando os versos de Ifá fica nítida a importância das mulheres nos momentos decisivos para a humanidade.