quinta-feira, 21 de maio de 2015

Orixás direitos e deveres


Autor: Babalawo Ifagbaiyin

Em nossa casa em Salvador semanalmente aparece um grupo de saguis hoje fui colocar bananas para eles e enquanto colocava alimentos para eles me ocorreu escrever esse texto sobre a fé, os orixás e os direitos e deveres dos iniciados e sacerdotes.

Quando eu coloco todas as manhas bananas para os macaquinhos é com a esperança que eles apareçam em nossa casa, mas em razão das chuvas eles pouco nos visitam, mesmo assim eu coloco alimento todos os dias, parece sem sentindo, mas como é que vou adivinhar qual é o dia que eles vão aparecer em nossa casa, então sigo colocando alimento todos os dias.

A mesma coisa acontece quando falamos de fé você não vê o orixá e nem sabe que dia ao certo ele vai atuar em sua vida, mas você reza todos dias e cuida dele com carinho e respeita partindo do princípio que ele também está cuidando de você.

Muitas vezes aos nossos olhos ele demora para interferir e nos auxiliar em dificuldades que temos, mas na verdade o orixá é que sabe a hora certa para interferir e nos auxiliar.

O orixá constantemente interfere em nossas vidas, mas nós não temos condições de perceber o que está acontecendo em nossa volta, isso porque somos seres imperfeitos, nos preocupamos com as contas, com as aparências, com o que adquirimos, com as roupas, com o carro, com a beleza da casa e muitas vezes não percebemos as mudanças do mundo espiritual.

Baseado nisso colocar na internet um texto que a princípio vamos chamar de direitos e deveres, não é nenhuma citação que lembre o período da ditadura, quando os professores de moral e cívica insistiam nos direitos e deveres nos cidadãos brasileiros.

Para começar vamos abordar desde a entrada no iniciado no ile orixá:

- É dever do iniciado cumprimentar ao entrar na casa de orixá os orixás para só depois cumprimentar o sacerdote e membros da família.

- É direito do iniciado entrar nos quartos dos orixás para saudar os orixás e rezar, é dever do sacerdote permitir a entrada e saudar e respeitar o orixá do iniciado, caso ele incorpore.

O procedimento correto é colocar o orixá para dentro de um dos quartos, colocar uma roupa adequada, retirar os calçados e levar o orixá para saudar o ojúbo do orixá dono da casa, para só depois saudar o sacerdote.

- É dever do iniciado auxiliar nas atividades na casa de orixá, assim como limpeza e conservação de todas as instalações.

- É um direito do iniciado em caso extremo ser atendido em consulta mesmo que não disponha naquele momento de dinheiro.

- É dever do iniciado auxiliar na compra de materiais para a manutenção da casa.

- É dever do sacerdote auxiliar os iniciados que não disponham de materiais para a manutenção dos igbas de seus orixás.

- É um direito dos iniciados fazerem as refeições na casa de orixá durante o período que eles estejam em rituais e cerimonias.

- Também é de bom tom que o iniciado só se sirva de alimento durante as refeições depois que o sacerdote tenha se servido.

- É um dever dos iniciados informar caso resolvam participar de alguma cerimônia religiosa em outra casa, sendo assim é um dever do sacerdote orientar seus iniciados de como devem se comportar, em visitas a outros ile orixás.

- É um dever do sacerdote passar ensinamentos para os seus iniciados, também é um dever do sacerdote interferir quando necessário em benefício do iniciado.

- É um dever do iniciado respeitar e honrar a sua família e a casa que foi iniciado.
Sendo assim vamos observar as questões acima:

Primeiramente todo o sacerdote do ponto de vista lógico não é o dono da casa de orixá, o dono da casa é o orixá, então é ele que deve ser cumprimentado primeiro.

Quando o iniciado entra no terreno do ile orixá deve primeiramente se dirigir ao exu da casa e pedir permissão para entrar, depois se necessário for deve trocar de roupa e cumprimentar o orixá dono da casa, para só depois cumprimentar o sacerdote principal, após isso cumprimenta os demais, seguindo a hierarquia.

O cumprimento ao sacerdote que iniciou o iniciado deve ser com o ato de colocar a cabeça no chão, (foribalè) já para os demais essa reverencia pode ser ou não substituída por uma saudação.

Existe algumas exceções em algumas casas é exigido o mesmo tratamento dispensado ao sacerdote para o ojúbona do iniciado.

Os iniciados de sexo feminino devem se vestir de acordo com as cerimônias usando saia e pano da costa assim como o pano de cabeça, é dever dos iniciados se vestirem de forma adequada ao ambiente da casa de orixá sendo vedado o uso de bermudas, shorts e roupas cavadas.

- É dever dos iniciados de sexo masculino auxiliar as iniciadas nos trabalhos que exijam uma maior força física e também não é nenhum demérito auxiliar em atividades teoricamente femininas.

- É um dever dos iniciados do sexo masculino se afastarem dos ambientes que envolvam banhos e rituais ou cerimonias onde as iniciadas de sexo feminino estejam sem roupa.

- É um direito das iniciadas de sexo feminino exigirem ser banhadas por pessoas do mesmo sexo.
No período de iniciações pressupondo que o novo iniciado não disponha de condições financeiras para as compras referentes a sua iniciação é dever dos iniciados mais antigos e do sacerdote contribuírem com trabalho e dinheiro facilitando assim a situação do necessitado.

Em caso de visita de membros de outras famílias é dever do sacerdote abrir os quartos dos orixás para que sejam saudados, também é dever do sacerdote e dos iniciados receber as visitas com o máximo de respeito.

Obs: Para um melhor entendimento vamos definir nesse texto assentamento coletivo como o ojúbo e assentamento particular como igbá.

- É dever de todos os iniciados participar do òsè dos ojúbos do ile orixá, assim como é um direito do iniciado desfrutar de silêncio durante o òsè em seus igbas para que possa fazer suas orações.

*Òsè o dia que completa uma semana Yoruba, referente período de quatro em quatro dias, òsè primeiro dia da nova semana, para nossa compreensão quinto dia depois do primeiro òsè.

Mesmo os orixás tendo sido assentados para o sacerdote com exceção do seu orixá principal quase todos os assentamentos devem ser tratados como ojúbo, salvo Orunmila, o exu pessoal, Iya mi e Egungun orixás esses individuais, (igbá) não confundir com assentamento coletivo de Egungun e Igbàlè ou ojúbo.

O òsè dos ojúbos deve ser feito pelos iniciados que já tem permissão do sacerdote para esse ritual, é impossível que o sacerdote mantenha todos os orixás da casa limpos e tratados sozinho, a participação de todos os membros é fundamental para que se estabeleça o conceito de família.

O igbá do orixá do iniciado é de propriedade dele é dever do sacerdote entregar o igbá para o iniciado que deve providenciar um local adequado para manter o assentamento.

Jamais o assentamento do orixá deve ser retido na casa de orixá por falta de qualquer tipo de pagamento, os pagamentos são feitos por rituais e não por igbá, o assentamento do orixá jamais poderá ser usado como garantia de um pagamento futuro.

- É dever do iniciado antecipadamente solicitar ao sacerdote autorização para levar amigos na casa de orixá que poderá estar em cerimônias não permitidas para visitantes.

- É um direito do iniciado solicitar ao sacerdote que ele ministre cerimônias e rituais em caráter privado, a terceirização dos rituais e a delegação de autoridade pode ser contestada em caráter pessoal. É um dever do sacerdote corresponder à confiança depositada em suas mãos, não devendo indicar pessoas estranhas ao iniciado em rituais e cerimônias secretas.

Exemplo: Os Boris devem ser realizados pelo principal sacerdote da casa de orixá e jamais por outros membros mesmo aqueles com conhecimento comprovado.

Recomenda-se as pessoas em visita a casa de orixá que mantenham o habito de levar para os orixás agrados como obi, orobo, esteiras, dendê, mel, gim, frutas e flores.

A manutenção da casa de orixás é dispendiosa e deve ser considerada como responsabilidade de todos os membros.

Quanto a manutenção da fé ela não tem rituais específicos ou uma formulas secretas, os rituais podem ser ensinados, mas a crença ela é desenvolvida sem o controle pré estabelecido.

Acreditamos ou desenvolvemos a fé com o passar do tempo, mas jamais a fé vai ser instruída, os sentimentos afloram dispensando justificativas, o orixá opera em nós o milagre de acreditar naquilo que não estamos vendo, mas que podemos sentir.

A força do orixá transforma, tranquiliza e fortalece o interior do iniciado sem que ele perceba só o tempo atesta a evolução e o desenvolvimento espiritual. Não existe a possibilidade de pular etapas, a vida se desenvolve dia após dia.

Vou continuar colocando bananas para os saguis todos os dias mesmo que eles só venham uma ou duas vezes por semana.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

A literatura sobre orixá 


Autor: Babalawo Ifagbaiyin

O ser humano tem uma capacidade incrível de criar e inovar, é louvável o avanço que percebemos nas mais diversas áreas, porem temos que dizer que quando se fala de orixá, a criatividade somada a falta de informações geram grandes prejuízos ao saber.

Desde de 1830 aproximadamente escritores com boas e más intensões escrevem sobre os orixás, é surpreendente a quantidade de absurdos que foram escritos ao longo do tempo.

Eu sempre digo para os nossos Babalawos “estudar é preciso” mas se você for estudar na internet praticamente está jogando o tempo fora, em quase a totalidade dos casos que acompanho o awo perde muito tempo com a literatura errada.

Costumamos dizer que o papel aceita tudo e cabe a quem lê identificar o que é bom e o que é ruim, o número de pessoas que escrevem sobre orixá cada dia aumenta mais e o fato é que muitos nem são iniciados e se atrevem a escrever.

Vejo pessoas que não são iniciadas em ifá escreverem sobre ifá, então gostaria de citar alguns dos grandes equívocos escritos:

- 1884, Baudin sugere que algumas mulheres velhas se diziam feiticeiras somente porque o que escritor estava perguntando, mas na verdade ele não acreditava nesses relatos.

- 1933, Nadel escreveu que já não existia mais mulher cultuando Iya mi.

- 1953, Debrunner diz que ação combinada dos missionários e professores destruíram a antiga religião de orixá.

- 1940, Willians escreve que os caçadores de bruxas faziam com que as mulheres confessassem cultuar Iya mi, escreve mais ainda, diz que elas eram convencidas a abandonar o culto por algumas moedas.

- 1884, Baudin diz que o pássaro de Ìyà mi é uma coruja.

-  1943, Maupoli diz que Ìyà odu é um vodu.

- 1894, Ellis indica que Oduduwa é a grande deusa negra.

- 1884, Baudin escreve que Oduduwa é a esposa de Obàtálá.

- 1885, escreve que ìyà mi se compara a virgem santa.

- 1954, Lydia Cabbrera retrata que Oduduwa é esposa de Obàtálá e que os dois moram em uma cabaça com 16 búzios.

- 1975, Joana Elbein dos Santos (Os nagôs e a morte, pág. 121), o poder feminino é representado por Odua.

Esses são pequenos exemplos, mas poderíamos coletar uma vasta quantidade de equívocos extremamente prejudiciais para os jovens estudantes da religião de orixá.

Muitos autores citam o padre Noel Baudin como fonte, imaginem que absurdo, na realidade eles ficam lendo alguns livros antigos e escrevendo seus livros, reproduzindo informações que jamais deveriam ser divulgadas por falta de credito.

Seus livros se baseiam em outros autores, que se baseiam em outros livros de outros autores dando origem a bola de neve da falta de informação.

Observando algumas dessas situações percebemos que a falta de informações em muitos casos é substituída pelo preconceito e racismo, não iniciados e membros de outras religiões terminam relatando aquilo que eles imaginam.

Esses são os casos mais conhecidos embora todos os dias nas redes sociais sejamos bombardeados por absurdos semelhantes como os acima citados.

Vou colocar aqui só alguns exemplos:

- Logun ede é seis meses feminino e seis meses masculino.

- Pomba gira e Iya mi são da mesma falange.

- Nos ebos para Ogun tem que levar um alguidar pequeno com milho para o cavalo dele.

- Orunmila fala sobre os mesmos princípios que a umbanda.
- Mulher não pode ser iniciada em Egungun.

- Tranca rua é o exu do Osun.

-Os orixás é igual a super heróis, Ewa é igual a mulher maravilha.
Eu poderia ficar escrevendo horas citando os absurdos que vejo na internet, mas isso não vai contribuir muito, o importante é alertar as pessoas sobre a nossa religião e a necessidade de estudar e aprender a cultuar orixá.

É verdade que muitos desses escritores escreveram bons trabalhos, o problema é como aquele que não conhece vai identificar o que é bom ou o que é ruim.

Os iniciados não devem comprar apostilas, porque se um dia alguém perguntar com quem você aprendeu, a pergunta certamente vai ficar sem resposta.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Baba Egúngún

         


É com grande alegria que escrevo esse texto sobre os nossos ancestrais, mesmo sabendo que vai haver um grupo que não vai ficar satisfeito com esses esclarecimentos, não é a primeira vez que vou escrever sobre Egúngún, na última vez cheguei até ser ameaçado de morte.

Estou tranquilo e a vontade para escrever, não vejo o porquê que certa informação não possa ser dada ao grande número de pessoas que cultuam òrìsàs em nosso país.

Quando falamos de Egúngún temos que definir primeiramente o que é Baba Egúngún Ará Òrun e Baba Egúngún Ará Àiyé, o objetivo quando descrevo esse diferencial é deixar bem claro que Baba Egúngún Ará Òrun é exatamente igual a qualquer òrìsà, ele tem em sua origem de culto praticamente as mesmas razões que nos leva a cultuar Òsùn, Obàtálá e outros òrìsàs.

- Baba Egúngún Ará Òrun, divindade que representa a ligação entre os homens e os seus antepassados com um culto fundamentado na necessidade de harmonizar os descendentes com os espíritos dos antepassados, divindade que não incorpora em nenhuma pessoa, mas que é invocada em rituais que são feitos para Baba Egúngún Ará Àiyé.

- Baba Egúngún Ará Àiyé, o nome explica a diferenciação, Ará Àiyé corpo na terra, é o nome dado a pessoas ilustres que através dos seus atos passaram a ser cultuados como antepassados ilustres que podem se manifestar em seus descendentes. Para que as pessoas entendam com mais facilidade são esses os Egúngúns que ganham roupa.

É importante que não se confunda espirito de pessoa recém falecida ou que não tenham sido iniciadas no culto de Baba Egúngún com espíritos de sacerdotes do culto de ifá e Egúngún que adquiriram com o passar do tempo condições de serem invocados como Baba, existem várias exigências para que um antepassado seja cultuado como Baba Egúngún no Ilé-Igbàlè, uma delas é ter tido uma vida digna.

Não devemos confundir Igbàlè e Baba Egúngún com Ilé-ibo-akú e Èsà, o termo Ilé-ibo-akú é comumente usado em nosso país para definir uma casa coberta de folhas que é usada para rituais fúnebres nos ilé òrìsàs e o termo Èsà é usado para definir os antepassados iniciados em òrìsàs.

No culto de Baba Egúngún o principal sacerdote é chamado de Alapini, abaixo do Alapini vem o chefe de todos os Òjès o conhecido Òjè Àgbà ou Alagba, imediatamente abaixo vem em sequência os Òjès e os omo isans, seguidos dos que ainda não passaram pelos rituais chamados de Ógberis pessoas que foram indicadas, mas que ainda não passaram pelas iniciações. Não devemos esquecer os Oyè femininos no culto a Egúngún Ìyá Àgan (a única mulher que invoca Egúngún), Iyagbà (líder das mulheres no Ilé Egúngún, semelhante a Iyalode no culto aos òrìsàs), Iyálasè (encarregada das comidas para Egúngún), Ìyá Korin (mulheres que cantam para Egúngún).

Agora o importante é não confundir Egúngún Ará Òrun, Egúngún Ará Àiyé e Èsàs com Baba Orò, divindade ligada aos rituais fúnebres que tem seu sacerdote especialmente escolhido pelo seu odu de nascimento, conhecido como Aworo (aquele que tem acesso aos segredos da divindade Orò.
Esses pequenos esclarecimentos somados ao texto postado em nosso blog como título “a verdade sobre Egúngún” tem como finalidade instruir as pessoas menos avisadas para que não sejam vítimas do seu próprio desconhecimento.

Consciente que não revelei segredos sigo em tranquilidade dizendo:

Biri-biri bò won lójú ògbèri nko mo màriwò (A escuridão cobre os olhos do não iniciado ele não pode conhecer os mistérios do màriwò).

Awo Òjè Tunde Alagba, Aworo
Bàbàláwo Ifágbaíyin Agboolà.





terça-feira, 12 de maio de 2015

Como assentar odu.


ifagbaiyin agboola

Em nosso país sempre tem novidades, a criatividade de nosso povo é conhecida no mundo inteiro, somos um povo alegre e inteligente então as vezes o povo exagera.

No meio religioso é bastante comum ver a criatividade brasileira, quando vamos em algumas festas dos orixás percebemos que todos os dias aparecem coisas novas.

A mistura de influências culturais que alguns sacerdotes fazem, termina gerando uma grande confusão, o assentamento de odu é mais uma dessas confusões, fica claro que não existe assentamento de odu e se isso está acontecendo só pode ser falta de informação.

Odu é uma energia que foi usada por Olódùmarè na criação do universo, cada orixá e cada ser vivo se origina de um odu, dentro de um mesmo odu pode haver o nascimento de vários orixás, sendo assim a energia de odu não é assentado e sim invocada para a extração de parte de sua essência. No assentamento de um orixá parte da essência exigida no momento da criação do mesmo vem do odu, uma outra parte é contida no axé pessoal do sacerdote que está invocando o odu.

Não existe assentamento de nenhum odu, os ditos assentamentos de Òbàrà Méjì são ebós com a intenção de agradar orixás que transitam na energia do odu.

Ter a pretensão de fixar em um assentamento uma energia tão ampla que pode gerar vários orixás é no mínimo falta de informação.

No assentamento de Iya odu não é fixada a energia de um odu, no assentamento de Iya odu é invocada a energia da mãe de todos os odus. Isso é muito mais complexo do que parece, vamos considerar que se Deus usou os odus para criar o universo Iya odu é elemento que antecede a criação e os orixás são elementos pós criação, caracterizando claramente a descendência.

Fica bem claro que o odu na terra é abstrato, ele compõe aquilo que não vemos, mas que sabemos que existe em termos energéticos, não tem como palpar odu, não tem como visualizar odu, só podemos sentir a energia de parte de um odu quando utilizada em um assentamento ou ebó.

É importante não confundir odu com Iya odu.

Iya odu é o assentamento que retrata tudo aquilo que é o mais próximo, imaginável por nós do que seja Olódùmarè, não existe outro assentamento que tenha essa representação, por ser um orixá de primeiríssima geração.

O comportamento humano é influenciado por energias vindas dos odus, dos orixás e dos ajoguns, mas a variável da influência da energia dos odus é o que é mais sentido no dia a dia.

A influência do odu conhecido como transitório é variável na intensidade e na origem ao contrário do odu de nascimento que se mantém o mesmo, porém com ação e reação em contato com a energia de outros odus.


Para concluir só existe uma forma de conhecer o odu de nascimento que é através da cerimônia do itefa, e não existe nenhuma forma de assentar qualquer odu.

Tudo sobre ifá.

Babalawo Ifagbaiyin Agboola.( Opa Osun na Nigéria).

Orixá Opa Osun:

Opa Osun é conduzido pelo Oluwo do início ao fim do itefa, é comum ver fotos de iniciações de ifá na internet nelas o iniciado aparece com os animais pendurados ao corpo e com uma amostra de tudo que ele vai oferecer a ifá dentro de uma cabaça grande sobre a sua cabeça. Nessas fotos o mais importante quase sempre passa despercebido. Opa Osun é uma haste de ferro simples, mas com um grande significado, a haste medindo aproximadamente um metro e vinte, pode conter sobre ela um pequeno disco de ferro e algumas alusões que descrevem a ligação entre o céu e a terra, apontando simultaneamente para cima e para baixo em uma espécie de cone, porém o importante é a haste.

A haste de ferro é uma indicação clara da ligação desse orixá com Ogun, o orixá Ogun é o mais velho dos filhos de Oduduwa e representa um dos mais antigos descendentes, Oduduwa é a representação máxima na cultura Yoruba de nossos antepassados, sendo assim a ligação de Ogun e Opa Osun é definida claramente como a ligação entre antepassados e descendentes.

Na verdade Opa Osun julga e sentencia o sacerdote que é desonesto, o Opa representa inúmeras gerações de antepassados do Babalawo, sendo assim, uma ação desonesta ou incorreta prejudica o nome de todos os antepassados. Essa talvez seja a razão porque muitos sacerdotes de ifá não se interessa em cultuar esse orixá, o medo da represália por ações indevidas afasta os desonestos desse culto, porém sem esse Orixá não existe iniciação.

Opa Osun está presente na iniciação para acompanhar o iniciado em sua apresentação aos antepassados no primeiro ato do itefa, ele está presente em várias cerimonias dentro da iniciação, é diante de Opa Osun que o iniciado tem o primeiro contato com os seus ikins, e é também durante a cerimônia do terceiro e sétimo dia que esse orixá testemunha os rituais. Assim como é diante dele que é feita a retirada do ekodide, finalizando o itefa e reconhecendo o iniciado.

A haste de ferro que serve como base para o sabão, que purifica o corpo na iniciação é a mesma que vai receber o ekodide do iniciado e será a mesma que vai abrigar o símbolo do reconhecimento da integração daquele elemento, a família, sendo assim Opa Osun é um orixá familiar.

Se Opa Osun representa as várias gerações de Babalawos antepassados do iniciado é evidente que esse orixá caso aja uma mudança de família deverá sofrer uma alteração em sua montagem, buscando assim a ligação com os antepassados da nova família.

Essa questão de mudança de família em território Yoruba não existe, na terra mãe você nasce vive e morre com um mesmo sobrenome e trocar de nome é um gesto que envergonha e prejudica o infrator. Já no Brasil historicamente essa prática é muito comum, não vou me deter nesse texto para explicar os prejuízos de tal atitude, todos sabem que a traição é o pior dos atos no culto a orixá.

Salvo raras exceções de iniciados que nasceram em odus que indica a necessidade de ter Opa Osun, somente aqueles conhecidos com autorização para fazer iniciações tem esse assentamento, esclarecendo que não existe Oluwo sem Opa Osun e Iya odu.

 Essa é mais uma questão que vai gerar alguns comentários, mas a verdade é uma só, quem não tem esses dois orixás não pode iniciar em ifá, e isso não é uma questão familiar ou regional, isso é a verdade do ifá tradicional em território Yoruba.



quinta-feira, 30 de abril de 2015

A vaidade do saber.



A maioria das pessoas são muito vaidosas com suas roupas, suas joias e com a suas aparências, vejo que no culto de orixá tem se dado muita importância para as roupas e os fios de conta em determinados grupos, em um outro seguimento a vaidade é por dançar bem ou cantar bem, além é claro de estar bem acompanhado, as pessoas valorizam tanto a aparência que escolhem as companhias pelo seu aspecto físico, tornando uma festa de orixá um desfile de modas.

Quando vejo pessoas passando horas na academia e gastando pequenas fortunas em cirurgias plásticas, percebo que é muito importante que a pessoa se sinta bem com sua aparência, mas quando você se preocupa com a opinião dos outros e começa a viver para mostrar-se aos outros a situação se complica.

Algumas pessoas na rede social se preocupam tanto com a opinião dos outros que passam horas fazendo pose para novas fotos, eu não sou psiquiatra para analisar essa questão, mas certamente algum problema sério essas pessoas têm, necessitar tanto da aprovação dos outros, é no mínimo insegurança.

Um sacerdote deveria ter a vaidade de saber, no ifá um Babalawo ou uma Iyanifa deve saber como se faz um batizado, como se faz um casamento e como se conduz os rituais fúnebres ou seja, da hora que nasce a hora que morre, tem rituais.

Saber interpretar o oraculo é obrigação, fazer ebós bem feitos com resultados satisfatórios deveria ser comum.

Os sacerdotes que não sabem deveriam assumir uma postura humilde perguntando para os seus mais velhos que caminho seguir.

Mais o que se vê hoje são pessoas recém iniciadas com uma postura que dá impressão que eles já foram iniciados há no mínimo um século, recém iniciados devem se comportar como recém iniciados, recém iniciados devem estudar para dignificar suas famílias.

Um awo que nada sabe é motivo de vergonha para o seu iniciador e para os seus antepassados, cada pessoa deveria falar do que sabe e do que conhece, isso sem falar que é impensável a pratica de ritos ainda desconhecidos.

A vaidade é tamanha que muitas vezes o iniciado quer competir com o iniciador, isso é o maior erro que pode haver em um processo de aprendizado, se a pessoa sabe mais que o seu sacerdote porque o procurou?

Joias finas, tecidos importados e porcelanas de boa origem, não formam um sacerdote, se a pessoa não sabe, que tenha a humildade de perguntar ao seu iniciador, ele tem obrigação de lhe orientar. Se a pessoa se cala e não pergunta, ela perde, a sua família perde, todos perdem.

O conhecimento abre portas, facilita a vida, e justifica a existência, passar pela vida sem que tenha ganho no saber, é perda de tempo.

Vejo que o fato de ser sacerdote envaidece algumas pessoas, porém sacerdote que nada sabe, deveria ser motivo de vergonha.

O desfile de vaidades dá início ao caminho da decepção, quando conhecimento falta e os resultados deixam de acontecer a fé é afetada, igbas ficam empoeirados e orixás são esquecidos, a frustração aumenta e a falta de capacidade em nada auxilia.

No culto ao orixá não existe espeço para a ignorância, a ignorância tudo permite e tudo tenta justificar, mas erros por falta de conhecimento não são permitidos e em determinados casos, são injustificáveis.

Imaginem um sacerdote sendo consultado por um familiar de alguém que está prestes a fazer uma cirurgia, se o mesmo não tem conhecimento a orientação será errada e uma vida será desperdiçada.

Estar limpo e vestir uma boa roupa dá prazer, a higiene é importante, os tratos da aparência e do corpo são importantes, mas os tratos da mente são os que justificam a razão de viver, evoluir, aprender e melhorar são as obrigações do espirito.

Richilie, sedas, organzas e cetins tem a mesma função do morim, a de vestir, vestir-se por fora é menos importante que vestir-se por dentro, vestir-se por dentro é ter amor, é ter a sensibilidade para identificar o problema, porém identificar o problema e não saber tratar é injustificável.

“Quem não tem conhecimento, que não se estabeleça”

Se um sacerdote não é lembrado por seu conhecimento, e por seus sentimentos, mas sim por sua aparência, alguma coisa deve estar errada.

“A vaidade do sacerdote é a vaidade do saber”

terça-feira, 28 de abril de 2015

O sacerdócio




Babalawo Ifagbaiyin Agboola.

Em todas as profissões existem dificuldades e sempre aparece alguém que pensa diferente de você, por essa razão estou escrevendo esse texto, escrevo esse texto por acreditar que estou no caminho certo. Na verdade a opinião das pessoas pouco deve influenciar o nosso trabalho depois de mais de cinquenta anos nesse meio.

Conhecendo o comportamento dos críticos de plantão, ser sacerdote é muito difícil, principalmente quando você tem princípios.

O caso se complica muito quando lidamos com pessoas sem nenhuma noção da realidade, o conceito de sacerdote em nossa cultura tem como parâmetro os padres católicos, não somos católicos, praticamos a religião tradicional do povo Yoruba e não devemos raciocinar com base na filosofia católica.

Os católicos seguem uma religião que tem como exemplo de comportamento seus santos, todos devem tentar ser iguais aos santos e se comportar com base em seus atos, no culto a orixá isso não é indicado, imagine que eu siga o comportamento de Ogun e resolva sair cortando cabeças de todas as pessoas que não falem comigo.

Imaginem que eu copie o comportamento de Soponan, e deseje para as pessoas que se opõem a mim todo tipo de doença, não seria o mais indicado.

A religião tradicional é muito diferente do catolicismo, no catolicismo a filosofia indicada está alinhada com a teologia e os ritos, o culto ao orixá em nosso país tem ritos próprios e uma teologia com muita informação, já a filosofia do culto ao orixá está na mão dos Babalawos é eles quem tem o conhecimento passado pelo profeta AGBONNIREGUN.

Se os Babalawos não assumirem as suas funções de informar e divulgar os ensinamentos de Orunmila o nosso povo vai continuar raciocinando como católicos, isso implica diretamente na perda da fé porque as pessoas esperam de nossa religião o que é pregado na filosofia católica e não somos católicos, o desastre é certo, se não for divulgado a filosofia do povo Yoruba.

No culto ao orixá somos nós que escolhemos o nosso destino antes de vir para terra e o percentual a ser mudado nele em razão de nosso comportamento é muito pequeno.

Um comportamento adequado faz com que nós tenhamos satisfação e prazer pessoal, se comportar bem em nossa religião não garante um terreno no céu, como pregam alguns seguidores mercenários de Jesus.

Jesus não faz parte da nossa religião, nós respeitamos Jesus, mas não temos essa filosofia, então estudar é preciso, temos que alinhar a nossa forma de pensar com a nossa forma de agir, as pessoas continuam pedindo para o orixá um destino que elas não escolheram ao invés de buscar o destino por elas escolhido.

Cada vez que um de nós reza para os orixás pedindo o que não está em nosso destino estamos destruindo a capacidade de ter fé, esses pedidos jamais serão atendidos, e o não atendimento implicará em um afastamento por falta de retorno.

Outro dia ouvi de uma iyalorixa, minha amiga, a seguinte frase, (meus filhos de santo são a minha vida). No culto ao orixá é totalmente diferente, a minha vida são os meus orixás e não as pessoas que eu início, vou tentar explicar a cultura de orixá e a sua filosofia.

Na religião de orixá não atendemos somente as pessoas que simpatizamos e tão pouco iniciamos somente as mesmas, atendemos e iniciamos as pessoas indicadas pelo orixá.

Um exemplo que posso citar é que durante longo tempo de minha vida combati o tráfego de drogas, isso seria um indicativo suficiente para que eu não atendesse pessoas com dependência química, mas se orixá traz essas pessoas em minha porta e Orunmila manda que eu as inicie eu as iniciarei.

A iniciação é para ajudar as pessoas a melhorar se ela já é perfeita não precisa religião, então não posso discriminar as pessoas por seus comportamentos.

Um exemplo é que em nossa religião atendemos pessoas com preferência sexual completamente diferente da nossa, na religião católica durante vários anos não se falava em homossexualismo. Nas casas de orixá essa questão não é observada, a preferência sexual de cada um é uma escolha dela, sendo assim, os ensinamentos de Orunmila devem ser compartilhados com qualquer pessoa, Ifá é para todos.

Fazer religião para dizer as pessoas o que elas querem ouvir é muito fácil, qualquer idiota consegue; reproduzir o que o orixá indica implica em ter coragem e sobretudo conhecimento para fazer a interpretação.

Atender pessoas é indicar a elas um comportamento para a melhoria de qualidade de vida, não é manter simpatizantes fazendo agrados, ser sacerdote é seguir os princípios religiosos e não é seguir as pessoas.

A religião é para melhorar o homem e não faço religião para ter seguidores indico as pessoas que sigam a orientação de Orunmila, independentemente de ser em minha casa ou não. Não quero ser proprietário dos meus iniciados, e eles tem liberdade para ir e vir.

O iniciado não é perfeito, a imperfeição é o motivo da iniciação, só tem sentido a iniciação quando ela conduz a pessoa ao destino por ela escolhido e somente Orunmila conhece esse destino, Orunmila foi testemunha de nossa escolha.

O sacerdote de nossa religião não deve buscar agradar as pessoas, ele deve agradar os orixás, se você acredita na indicação do orixá não importa se as pessoas se opõe ao seu pensamento.
Você precisa ter muita coragem e força de vontade além de fé, para se opor a opinião da maioria, porém se o orixá indicou esse caminho para você, é esse o caminho que deve ser seguido.

O sacerdote que inicia pessoas por simpatia ou por afinidade de pensamento, cria um elo de ligação que inibe a verdade, e a mentira como forma de agrado, passa a ser a dialética.

A oposição ao seu pensar por parte de seus iniciados ou a não aceitação do comportamento dos mesmos pelo sacerdote não deve indicar as tratativas no dia a dia, o parâmetro deve ser estipulado e mantido pela sagrada palavra do orixá, então se você inicia somente as pessoas que se comportam de forma a que você admira, você não precisa inicia-las elas já têm a perfeição em seu agir.

Vai chegar o momento em que nossos sacerdotes vão deixar de pensar como católicos e vão estudar a filosofia do culto ao orixá, isso vai implicar diretamente na redução do enorme número de pessoas que abandonam a nossa religião.

O orixá vai deixar de ser o mágico que resolve tudo, quando as pessoas conseguirem sair do terreno alagadiço da ignorância.

sábado, 25 de abril de 2015

Tudo sobre Iya mi Osoronga.

Assentamento de Iya mi Osoronga na Casa de Orunmila em Areia Branca-BA.
Babalawo Ifagbaiyin Agboola

Quando a imagem negativa precedi o sujeito o texto por mais elucidativo que seja é incapaz de mudar anos de falta de informações confiáveis.

Escrever sobre Iya mi deveria ser um compromisso de todo o sacerdote do culto ao Orixá, é nossa obrigação desmistificar e enaltecer as divindades do panteão Yoruba.

O Orixá é a razão de culto, é amor, é fé e o ideal é adotar uma postura de respeito e carinho, se não for assim não tem sentido, por essa razão vou escrever mais uma vez sobre esse Orixá maravilhoso.
Falar sobre Iya mi é transitar pelos textos dos odus Osá meji, Ose Oyeku, Irete meji, Ogbe Sa e Irete Owonrin e Irete Ogbe, embora Iya mi se faça se presente em todos os odus.

Exu, Orunmila e Iya mi respondem nos duzentos e cinquenta e seis odus, porém em alguns é exaltada a necessidade de pactuar com Iya mi de forma a criar uma aproximação do indivíduo com a informação e a ritualística considerando que a energia já o acompanha desde o nascimento.

Vejo constantemente supostos conhecedores falando mal de Orixá e de determinados odus um desses é Osá meji famoso entre os incultos como odu negativo, é por essa razão que vamos começar falando do aspecto positivo contido nesse odu e no culto a Iya mi Osoronga.

No odu Osá meji, Iya mi Odu quando chega a terra age sem limites desrespeitando os Orixás a ponto de vestir a roupa de Egungun, nesse odu Iya mi encontra dificuldade para dançar com a roupa de Egungun e Obàtálá introduz em uma incisão do tecido com uma rede para que permita a ela conseguir enxergar.

É evidente que posterior a essas confusões algo tinha que ser feito e Iya mi deveria ser acalmada então após uma consulta a Orunmila, Obàtálá é aconselhado a dividir seu alimento com Iya mi. A água do igbin (omi ero), oferecida para Iya odu que imediatamente adota como o seu principal alimento, o igbin, com esse ato Obàtálá acalma Iya Odu.

O trabalho de um Babalawo é interpretar os versos de ifá, considerando o citado acima estamos falando de um convívio harmonioso entre um personagem masculino e um feminino, a água do igbin é conhecido como a água que acalma, sendo assim esse odu fala de um período de paz e prosperidade.

Já no odu Irete Owonrin, Obàtálá tenta ludibriar Iya mi se negando a pagar um tributo para a grande mãe ancestral, Iya mi com habilidade percebe a armação e se antecipa ao embuste criado.
Interpretando essa passagem do Odu Irete Owonrin percebemos que Iya mi só quer o que é dela por direito deixando bem claro que ela não se antepõe aos Orixás ou aos seres humanos.

Em uma linguagem popular se fomos comparar o Orun a uma empresa usando assim uma didática de fácil assimilação o processo seria composto da seguinte forma:

- Olódùmarè seria o equivalente ao presidente da empresa, que teria imediatamente dois diretores de total confiança.

- Orunmila seria o equivalente a um diretor administrativo que identifica e orienta a questão.

- Iya mi seria o equivalente a um diretor executivo com a função de dar andamento as orientações 
fornecidas por Orunmila, sendo assim o destino por nós escolhido diante de Ajala antes de vir para terra é testemunhado por Orunmila e informado a Iya mi.

-Iya mi não interfere na escolha de nosso destino, ela segue as orientações de Orunmila liberando os seus assistentes (ajoguns), para executarem o trabalho.

Os ajoguns, iku(morte), arun (doença), ejo (problemas),etc, são liberados por Iya mi em quase a totalidade das situações correspondendo a uma escolha feita por nós mesmos, não é Iya mi que é ruim ou perversa ela exerce uma função assim como os demais Orixás.

As pessoas iniciadas em Orixá não podem ser sepultadas em gavetas o ideal é que seus corpos sejam restituídos a terra, sendo assim o ajogun iku(morte), não é ruim, ele exerce uma função determinada por Iya mi porém em data quase sempre escolhida por nós.

No odu Ogbe Yonu, Orunmila orienta os Orixás para oferecerem efun e osun, além de várias folhas para Iya mi Osoronga, Iya mi se compromete a não atacar os filhos dos Orixás.

No odu Ogbe Sa, Iya mi se compromete com Orunmila em fazer o bem quando chega a terra, ela diz a Orunmila, que seus filhos vão ter prosperidade e felicidade.

No odu Irete meji Orunmila viaja para a cidade de Ota e descobri o segredo das Iya mi, ele oferece o prato predileto delas e eles se tornam amigos.

No odu Irete Ogbe, Iya Odu se torna a esposa de Orunmila que reconhece o poder de Iya quando ela invoca o pássaro Aragamágo como sendo muito superior ao seu.

No odu Ose Oyeku Orunmila orienta Ogun, Obaluaye, Oduduwa e Obàtálá para que façam oferenda para Iya mi que reconhece os mesmos como filhos.

A figura materna de Iya mi é confirmada em vários versos de ifá, uma mãe tem o dever de zelar pelos seus filhos, não tem o dever de agradá-los, nem tudo que uma mãe faz é compreendido por seus descendentes.

Iya mi é uma mãe zelosa e poderosa que habita dentro de cada um de nós, em nossas vísceras ela pode se manifestar de maneira positiva ou negativa. Iya mi pode criar um mal-estar para impedir que a pessoa saia de casa e seja vítima de algo que não faça parte de seu destino, o problema intestinal certamente vai ser visto de forma negativa, mas será necessário para manter a pessoa longe do perigo.

A igreja católica ao longo da história combateu a figura feminina por temer a capacidade que só as mulheres têm, que é abrigar uma nova vida dentro delas, as mulheres são muito superiores aos homens em vários sentidos, essa é a verdadeira razão do combate histórico a figura feminina. Iya mi foi uma das vítimas desse processo histórico.

Para cultuar Iya mi é necessário amar e respeitar a figura feminina, respeitar as mães, as irmãs, as filhas, respeitar a natureza e o poder de criação, Iya mi é a própria vida, é quem nos gerou, é quem nos abrigou no passado, é que nos abriga no presente, é com certeza quem vai nos abrigar em um futuro quando passarmos dessa para uma outra.

Algumas pessoas em seu odu de nascimento necessitam se aprofundar no culto a Iya mi, mais do que outras, isso se deve a própria história de cada odu e ao destino escolhido pela pessoa, de qualquer forma o culto a Iya mi pode ser praticado por qualquer um, agradar aos nossos antepassados femininos é muito mais fácil do que parece. Para agradar Iya mi temos que estar em harmonia com a natureza e com os nossos semelhantes, a essência do culto a Iya mi é a força feminina maternal que gera e mantém a vida, manter a vida é como amamentar o recém-nascido, é conservar a essência e estimular o desenvolvimento do que temos de melhor.

Iya mi é a força da vida é a capacidade de criar, é a capacidade de amar, é a manutenção da vida, é o leite que alimenta o recém-nascido é o desenvolvimento sadio é a evolução, é a capacidade de renovar como forma de perpetuar a vida.

Em uma arvore grande e sadia podemos observar centenas de galhos como extensão do tronco, podemos ver milhares de folhas e frutos como extensão dos galhos, os frutos dentro deles têm centenas de sementes que geraram outras arvores.

 É esse ciclo da vida que representa Iya mi a arvore é só um exemplo, quando estamos diante de uma mulher gravida esse mesmo ciclo pode ser observado, assim é a história, nada acontece sem essas senhoras.

Me causa espanto a falta de conhecimento sobre Iya mi, eu acredito que com o passar do tempo muito desses mitos devem desaparecer.


 O certo é que o tempo para a falta de informação está terminando.