segunda-feira, 13 de julho de 2015

A floresta da sagrada ignorância


Fariseus e Filisteus



Ao fundo em zinco igbodu na cidade de Lagos- Nigéria construído em 1935, pelo maior Babalawo da história, nesse local foram iniciados mais de 2000 babalawos, incluindo muitos dos nomes mais conhecidos do ifá na atualidade.

Autor: Ifagbaiyin Agboola.
Na mesma proporção que nasce novas arvores na floresta amazônica, nascem pseudos escritores e sacerdotes no facebook.
A ignorância é tanta que a paciência se esgota e a tolerância fica minimizada.
Em um país que é comum ver cartazes nas ruas que dizem “extraiu dente e corto cabelo”, ver pessoas que nada sabem, sobre um assunto, escrever sobre ele já se tornou comum.
Essa semana eu vi um texto na internet onde as pessoas voltam a falar nos mesmos assuntos, como a floresta sagrada (igbodu) e itefa, são escritas tantas besteiras que fica claro que eles não são iniciados.
Por alguma razão que eu desconheço alguns atos dá iniciação em ifá são comentados sem nenhum conhecimento, essas pessoas não podem ter sido iniciadas em ifá, considerando o que elas escrevem, exemplo:
1- Vejo ser dito que não existe itefa sem palmeira, sem arvores, é evidente que existe inúmeros atos no itefa que é usada a palmeira, só quem não fez itefa que não sabe disso.
2- Se fala muito da floresta sagrada, só quem não conhece ifá poderia descrever um itefa sem o uso da mais importante arvore da floresta sagrada, o orixá Opa Osun (a arvore genealógica do babalawo).
3- Inúmeros atos em um itefa são feitos diante da arvore genealógica e o igbodu, tem os seus segredos, na realidade só quem não foi submetido a um itefa pode escrever tantas besteiras.
O mesmo acontecia há algum tempo atrás, quando se dizia que não se poderia fazer babalawos no Brasil.
Acontece que sacerdotes que foram trazidos a algum tempo atrás para o Brasil e que eram instruídos a dizer que não se poderia fazer babalawos fora da Nigéria, depois de algum tempo os mesmos voltaram ao nosso país por sua conta e iniciaram babalawos.
É só em nosso país que acontece isso, não são exaltados os bons sacerdotes de ifá, por razões obvias, a negativa da hierarquia dificulta o relacionamento de uma estrutura sadia, fariseus e filisteus se misturam e a regra do faz tudo ganha espaço.
É comum ver um ógberi (ignorante), dizer que é de ifá, quando é conveniente para ele, mas quando não é conveniente ele usa uma outra estratégia, diz que é de candomblé, por essa razão é que em nossas andanças encontramos tantos absurdos, até ojugbo de Iya mi sendo feito em ninho de passarinho, imaginem isso.
Entre tantos absurdos que eu vi, tem fariseu escrevendo que se cultua antepassados do candomblé em Opa Osun, só para esclarecer, em Opa Osun os únicos antepassados que são cultuados são os sacerdotes de ifá daquela família a qual o iniciado pertence.
Esses mesmos fariseus usam roupas de babalawo, dizem que são babalawos, mas sobre ifá mesmo eles não sabem nada.
Resolvemos escrever esse texto para ajudar identificar a floresta sagrada para que as pessoas não confundam com a sagrada floresta da ignorância.
É fácil identificar a questão de onde fazer um itefa em fotos das várias famílias de ifá na Nigéria a disposição na rede social, uma pessoa observadora que tenha mais de um neurônio vai ver que os igbodus são construídos nas residências dos babalawos, que se assemelham muito as casas existentes no Brasil.
Recomendo aos nossos leitores que leiam em nosso blog o texto que tem por título (O Babalawo brasileiro).
Enquanto isso convenientemente Fariseus se misturam com Filisteus.
Ika Ofun - Não queiram ser uma coisa que vocês não são.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Odu fala.



Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola.

Se no odu otura ìwòrì está bem claro que um Bàbàláwo não deve fazer uma iniciação em ifá sozinho, como é que alguns babalawos no Brasil viajam sozinhos fazendo itefas e itelodus?

Se no odu otura ìwòrì diz que um Bàbàláwo não pode comercializar as coisas de ifá como é que alguns babalawos vendem roupa, obi e orobo?

Se ifá indica no odu ose Irete que o Bàbàláwo deve fazer a iniciação diante de Opa Osun, como é que pessoas que não foram iniciados nesse orixá podem iniciar em ifá?

Se no odu Ìká Òfún diz que só podemos dar o que temos, como pode um Bàbàláwo que não tem Iya odu e não é iniciado em Ogun usar o obé?

Esses são alguns questionamentos que nos fazem pensar sobre o ifá que é praticado em nosso país.

O fato é que o território Yoruba está longe do nosso país dificultando a comunicação, sendo assim por falta de informação as pessoas que faziam parte do culto ao orixá afro brasileiro terminam improvisando dando origem a uma grande mistura.

Considerando que todos os ensinamentos estão contidos nos versos de ifá, o iniciado deve estudara palavra de Orunmila.

Nesse texto vamos divulgar alguns versos de Ifá e a sua utilidade:

Ogbè Méjì – Fala sobre respeito a figura materna.
Ìretè Méjì - Fala sobre o uso Ewé Tete.
Òtúá Méjì – Fala sobre o uso da esteira para adivinhação.
Òyèkú Méjì – Fala que o homem deve ter somente uma mulher.
Ìwòrì Ogbè – Fala da criação dos Ikins.
Òdí Méjì – Fala da necessidade de ouvir os outros.
Òbàrà Méjì – Fala de lavar a cabeça com folhas para obter bons resultados.
Ògúndá Méjì – Fala que o homem obtém reconhecimento com seu trabalho.
Òtúrúpòn Méjì – Fala sobre o uso da Ewé gbegi e da necessidade de alimentar o ifá constantemente.
Ogbe Otura – Fala sobre a hierarquia no ifá.
Ogbe Ose – Fala sobre o uso do ekodide.
Oyeku Ogbe – Fala da necessidade de consultar o Bàbàláwo.
Oyeku Owonrin – Fala que o adultério levará a morte.
Oyeku Ogunda – Fala que fazendo o ebó a pessoa supera o problema.
Oyeku Oturupon – Fala sobre a necessidade de perdoar.
Oyeku Otura – Fala que a pessoa tem a sorte dupla.
Oyeku Ose – Fala da saudação aos babalawos.
Iwori Odi – Fala sobre o sexo dos bichos a serem sacrificados.
Iwori Okanran – Fala que a pessoa mente ao Bàbàláwo / Iyanifa
Iwori Osa – Fala da falta de caráter.
Iwori Irete – Fala da necessidade de dar esmolas e ter bom caráter para evoluir.
Iwori Ose – Fala que quem tem bom caráter será recompensado.
Iwori Ofun – Fala que a pessoa deve respeitar quem merece.
Odi Oyeku – Fala que a pessoa deve ter uma postura digna.
Odi Obara – Fala que a pessoa deve manter algumas coisas privadas.
Odi Otura – Fala que a pessoa deve consultar antes de casar.
Odi Ofun- Fala sobre a necessidade de ebó.
Ìrosùn Obara – Fala sobre a necessidade de estudar.
Ìrosùn Ogunda – Fala que não se deve pedir coisas negativas a Exu.
Ìrosùn Osa – Fala que a pessoa deve ter Iniciação para ter sucesso.
 Ìrosùn Ika – Fala de prestigio, fama e reconhecimento.
Ìrosùn Oturupon – Fala sobre animais de uma única cor para sacrificar em ebós para adquirir prestigio.
Ìrosùn Irete – Fala sobre iniciação em ifá, Itefa.
Ìrosùn Ose – Fala sobre a necessidade de consultar ifá.
Ìrosùn Ofun – Fala sobre a necessidade de lavar o ori com Omiero.
Owonrin Ogbe – necessidade de agradar Exu.
Owonrin Odi – Fala de fazer caridade para prosperar.
Owonrin Ìrosùn – Fala de alimentar o ori para ter sucesso.
Owonrin Osa – Fala em fazer ebó para obter êxito na vida sentimental.
Owonrin Ika – Fala sobre examinar tudo com muito cuidado para ter sucesso.
Obara Odi – Fala que a promiscuidade prejudica.
Obara Osa – Fala sobre inadimplência.
Obara Oturupon – Fala sobre problemas para concepção.
Obara Ose – Fala que aquele que não cumpre as regras não evolui.
Okanran Ogbe – Fala sobre iniciação em ifá.
Okanran Owonrin – Fala sobre o pagamento do Bàbàláwo, nesse odu o Bàbàláwo deve doar grande parte do dinheiro recebido.
Okanran Obara – Fala sobre perda de bens.
Okanran Ogunda – Fala da criação do mundo, Odu que Orunmila veio a terra.
Ogunda Ogbe – Fala da mulher que manda no marido.
Ogunda Owonrin – Fala sobre inveja.
Ogunda Oturupon – Fala sobre boa sorte, riqueza, abundancia.
Ogunda Okanran – Fala sobre comercio improdutivo.
Ogunda Ose – Fala que as crianças não devem ser castigadas.
Osa Iwori – Fala sobre a necessidade de usar obi.
Osa Obara – Fala sobre a necessidade de mudar-se para ter sucesso.
Osa Okanran – Fala sobre pessoa deve construir uma casa sozinha para ter felicidades.
Osa Otura – Fala sobre dizer sempre a verdade.
Osa Ofun – Fala da necessidade de manter os ewos.
Ika Odi – Fala sobre desobediência e o desrespeito aos mais velhos.
Ika Okanran – Fala sobre maus mau hábitos.
Ika Osa – Fala sobre covardia.
Ika Oturupon – Fala sobre tocar Iroke para afastar coisas ruins.
Ika Ofun – Fala sobre as regras do iniciado.
Oturupon Oyeku – Fala sobre convidar as pessoas a vir em casa para progredir.
Oturupon Ìrosùn – Fala sobre problemas conjugais.
Oturupon Obara – Fala sobre manter o corpo saudável.
Oturupon Ogunda – Fala sobre a necessidade de educar os filhos.
Oturupon Osa – Fala sobre problemas com filhos.
Oturupon Otura – Fala sobre a criação do calendário, que a semana Yoruba tem quatro dias.
Oturupon Ose – Fala sobre o uso da pimenta para afastar a morte.
Otura Ogbe – Fala sobre a impotência masculina, odu que oferece milho como ebó.
Otura Owonrin – Fala sobre a reencarnação.
Otura Osa – Fala sobre não pode fazer sociedade com alguém.
Otura Oturupon – Fala sobre Ewó bebida alcoólica, impedimento de dendê a Obàtálá uso do pano branco em ebó, Ewó de emu (vinho de palma).
Otura Ose – Fala sobre tomar banho com ose Dudu em forma de ebó.
Irete Ogbe – Fala de dar mel ao ifá.
Irete Oyeku – Fala de soltar os animais do ebó.
Irete Ogunda – Fala sobre usar nos ebós banana, banha de ori e camarão.
Irete Osa – Fala do uso do mel nos ebós.
Ose Ogbe – Fala sobre o uso da roupa branca.
Ose Oyeku – Fala sobre a necessidade de lavar os olhos para entrar em um lugar sagrado.
Ose Iwori – Fala sobre a menstruação.
Ose Odi – Fala sobre não poder ter compaixão com o inimigo.
Ose Owonrin – Fala sobre o uso das cinzas nos ebós.
Ose Obara – Fala sobre o uso de bagre em Ifá.
Ose Okanran – Fala sobre o uso de efun e o osun nos ebós.
Ose Ogunda – Fala sobre o uso das penas de agbe, aluko, odire nos ebós.
Ose Oturupon – Fala sobre o sacrifício dos igbins nos ebós.
Ose Otura – fala sobre o uso de Ewé abamoda, o uso do dedo mediano para marcar odu.
Ofun Ìrosùn – Fala sobre o sacrifício de mel.
Ofun Ogunda – Fala sobre o uso de carnes nos ebós.
Ofun Ika – Fala sobre colocar roupas novas após o banho.
Ofun Oturupon – Fala sobre o uso búzios para ebó.
Ofun Irete – Fala sobre o uso da agua nos ebós.
Ofun Ose – Fala sobre o uso de folhas de ifá embaixo do travesseiro como ebó.

Espero ter contribuído com os estudos de nossos irmãos, em nosso blog temos outros textos que falam sobre esses assuntos, não deixem de ler o texto que tem como título (religião tem regras) é um bom material de estudos.

Ifá gbe wa o





sexta-feira, 19 de junho de 2015

Orixá


Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola

Durante anos os orixás foram cultuados com base no folclore e na superstição dos dos que se diziam conhecedores, o desastre aconteceu e a migração dos adeptos dos terreiros para as igrejas eletrônicas se tornou um grande problema.

Graças ao bom senso de uns poucos, bons, sacerdotes nossa religião não desapareceu embora o impacto tenha sido devastador ainda temos um número de adeptos bastante significativo.

A internet nos salvou de um colapso ainda maior, as redes sociais possibilitaram que nos reuníssemos em comunidades e grupos e que tenhamos nos organizado, mesmo sabendo que falta muito temos que reconhecer esse fato, houve uma movimentação que começou lá atrás com o instinto Orkut.

Antes da rede social eram poucos os eventos que os sacerdotes de nossa religião se encontravam, sacerdotes de vários estados raramente se conheciam e o relacionamento ficava circunscrito ao âmbito familiar, a rede social e a internet contribuíram para a organização e a mobilização de nosso povo, embora as igrejas eletrônicas continuem patrocinando a chamada caça às bruxas.

 A falta de união nos prejudicou muito, mas a falta de conhecimento nos prejudicou ainda mais, a falta de resposta para os nossos adeptos construiu uma ponte que beneficiou muito aqueles que lavam dinheiro com a igreja eletrônica e prometiam mundos e fundos.

Hoje os iniciados já não aceitam ouvir historinhas do chapeuzinho vermelho as pessoas que se interessam por filosofia e teologia, as exigências aumentaram e o número de sacerdotes que se preparou foi muito pequeno, a necessidade do aprimoramento do nosso povo esbarra na falta de liderança nacionais, se tivéssemos representantes fortes e reconhecidos nacionalmente a história seria outra.

Assistimos todos dias notícias negativas sobre o nosso povo, as boas notícias não são divulgadas e infelizmente todos perdemos com isso.

 Quando imaginamos que estamos nos aproximando de uma valorização de nossos líderes alguns deles despreparados prejudicam a imagem do grupo, com casos de pedofilia e ocorrências policiais das mais diversas, fatos que prejudicam a nossa religião são constantemente divulgados e nos envergonham.

Na cidade de Nova York quando foi constatado que a má administração prejudicava o município, imediatamente foi criado o curso de administração municipal capacitando os pré candidatos à prefeitura. Em nosso país a administração municipal continua na mão de pessoas completamente despreparadas e a inversão de valores elege nas urnas médicos, engenheiros, dentistas como administradores municipais.

Na nossa religião não é diferente caciques de terreiros de umbanda se dizem Babalawos e supostas videntes se articulam como Iyalorisas, a falta de qualificação prejudica a nossa imagem.

Existem casos de pessoas que incorporam com orixás, caboclos e exus em um só dia, misturando religiões tão diferentes, essa confusão prejudica a todos, essa mistura pode alimentar o ego de alguns despreparados, mas no fundo todos estamos sendo prejudicados, e a nossa imagem serve até de inspiração em programas humorísticos.

Nas delegacias esse povo que prejudica nossa religião já é conhecido há muito tempo, alguns agridem seus iniciados, outros tem seus nomes associados a práticas terríveis, então porque razão eles continuam com as casas cheias de adeptos, será que a impunidade alimenta a falta de caráter e o despreparo.

Existem algumas situações que são prejudiciais a todos os adeptos do culto a orixá, então porque são poucos aqueles que se indignam com esse circo de horrores em nome das divindades, a indignação deveria ser uma epidemia, as barbaridades cometidas por alguns deveriam indignar a todos, mas muito se calam, por que?

Por que olhamos para o nosso umbigo como o centro do mundo, o cabrito que apodrece na encruzilhada cheira mal para todos, as garrafas nas esquinas podem cortar os pneus de qualquer um, a notícia no programa policial envergonha a todos, o escândalo sexual prejudica a imagem de todos, porque poucos se indignam?

Eu tenho certeza, vai chegar um tempo que Babalawos não vão ter ligação com o tráfico, vai chegar um tempo que babalorixas não vão se reunir para orgias sexuais em terreiros, vai chegar um tempo que os chefes de terreiros não vão abusar sexualmente de jovens inocentes, em fim a mudança vai acontecer.

 Sempre que nos deparamos com essas situações uma pergunta deve ser formulada, o orixá quer isso de nós?

O orixá quer que em um momento de dor de uma família aquele que se diz sacerdote exija uma fortuna para efetuar rituais fúnebres, será que no momento de dor da falta de um ente querido um diálogo sobre milhares de reais de pagamento de um asese deve ser mantido?

Será que o orixá se sente homenageado quando o sacerdote exige de seus iniciados joias finíssimas em ouro como presente de aniversário?

Quando o dito sacerdote depois de uma noite de orgias chega de helicóptero bêbado no terreiro, isso é culto a orixá?

Será que o orixá se presta para as procissões publicas onde o sacerdote mostra o seu carro zero recebido como pagamento de um ebó?

Até quando dementes invocaram os nomes dos orixás em seus delírios.

Durante anos nos foi passado a imagem que o orixá aceita tudo isso, hoje a internet nos conecta com a verdade, e rituais constituídos de simplicidade e bondade contradizem as criações mirabolantes por nós presenciadas.

 Informações do território Yoruba terminam estarrecendo aqueles que buscam a verdade.
Se na raiz existe tanta simplicidade como é que os descendentes podem criar tantos artifícios, o orixá não quer isso, o orixá é sabedoria, simplicidade e bondade.
O orixá quer que sejamos saudáveis, felizes e honestos, o orixá nos quer íntegros, responsáveis, sinceros.

O acara, o akasa e a carne de cabrito já não são servidos em nossas mesas, foram substituídas por trufas, maionese e estrogonofe, as casas de orixá estão sendo decoradas com finíssimas obras de arte, se foi a época que o couro do cabrito era fixado na parede para secar.

 O tempo está passando muito rápido, é chegada a hora da mudança, ou capacitamos nosso pessoal ou vamos desaparecer.



quarta-feira, 17 de junho de 2015


Literatura confiável.




Nos últimos anos as mudanças no cenário religioso de culto ao orixá estão acontecendo por influência da rede social, sacerdotes e adeptos se comunicam com mais facilidade e mais rapidamente do que acontecia alguns anos atrás, isso tem implicado diretamente em alterações muitas vezes prejudiciais a relação dentro e fora das casas de orixá.

Recém iniciados acessam a internet sem saber em quem acreditar e tomam tudo que é escrito como verdade colocando em dúvida o aprendizado e a capacidade de seus líderes. Na verdade a partir da internet temos uma lamina de corte duplo bastante afiado abrindo caminho para os menos avisados, trazendo informações prejudiciais a formação de um religioso.

Observando a literatura sobre o culto ao orixá em nosso país é muito difícil indicar meia dúzia de livros para uma leitura confiável, sacerdotes de gabinetes desfrutando de uma boa situação financeira se deitam curiosos e despertam escritores. A situação chega a tal ponto que muitos só se dão ao trabalho de traduzir livros do inglês para o português e assinam como se fossem deles.

A literatura em nosso país sobre orixá é muitas vezes danosa já que alguns escritores chegam a confundir o sexo do patriarca da cultura Yoruba (Oduduwa), se eles não sabem que Oduduwa é o grande criador da estrutura Yoruba como podem ter coragem de escrever sobre orixá.

Muitos dos nossos leitores constantemente solicitam indicação de livros para pesquisa sobre orixá, é assustador não ter muito o que indicar, porém devemos considerar que aumenta muito o que tem se escrito e certamente além da quantidade vai aumentar a qualidade do que se escreve em um futuro.

Eu já li e já ouvi tanta besteira sobre o culto ao orixá que as vezes imagino que as pessoas estão brincando com a fé dos seus semelhantes.

Na tentativa de orientar aqueles que buscam uma boa leitura, indicarei os melhores livros em minha opinião a disposição no Brasil.

Ewé – o uso das plantas na sociedade ioruba (Pierre Verger).

A mitologia dos orixás africanos (Siriku Salami).
Exu (Siriku Salami).

Ogun – dor e júbilo nos rituais de morte (Siriku Salami).

Esse último livro sobre Ogun é perfeito, e o livro de Verger Ewé é muito bom, indico para quem quer aprender sobre ifá, lamento não poder indicar outros livros, mas deixo claro essa é a minha opinião.

No exterior existem outros autores que tem trabalhos maravilhosos como:

William Bascon
Afolabi Epega
Wande Abimbola
Solagbade Popoola
Idowu
Ayo Salami
Chief Fama
Araba Awodiran Agboola
Araba Ifayemi Elebuibon
Desejo a todos uma boa leitura.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

O sacerdócio e a verdade.


Texto: Babalawo Ifagbaiyin Agboola

A honestidade é uma qualidade de ser verdadeiro, não mentir, não fraudar, não enganar, e deveria ser a principal característica de um sacerdote.

Quando uma pessoa procura uma casa de religião para consultar, é isso que ela espera, mas muitas vezes termina pagando para ouvir mentiras, e ser iludida conforme o interesse de quem está manipulando o oraculo.

 É difícil acreditar que alguém use o nome de um Orisa em seu próprio benefício, mas isso está se tornando muito comum, em nome dos Orisas atos são proferidos e verbas são liberadas, documentos são assinados, acordos são ignorados, pessoas são iludidas.

O indivíduo que é honesto procura agir dentro de uma lógica que implica em manter uma postura digna, coerente com a pratica religiosa que professa.

A obediência incondicional às regras existentes, dentro e fora da religião, faz de um sacerdote um exemplo de comportamento, um elemento em permanente destaque, então olhe bem meu colega, a onde você pisa e por onde você transita.

Não acorde reclamando porque que a vida não lhe sorri, sem antes examinar o seu comportamento, e as suas atitudes.

Não existem um procedimento para burlar a verdade, mudar a realidade, os Orisas jamais mentem, pode até acontecer uma interpretação errada do sacerdote, mas nunca um erro do Orisa, o Orisa não erra e não mente.

Exercer o sacerdócio com honestidade em caráter amplo é muito difícil, mas é o mínimo que o Orisa espera de você.

 Para muitos, a pessoa honesta é aquela que não mente, não furta, não rouba, que respeita os outros, mas isso só não basta, você deve ser confiável, deve fazer tudo que os Orisas indicam, sem criar artifícios que lhe beneficiem.

Se você não consegue ser honesto e conviver com a verdade, não acredite que possa enganar os Orisas, você engana as pessoas, mas os Orisas jamais serão enganados, você está mentindo, mas a verdade sempre aparece.

Não estou aqui para julgar ninguém, mas acredito que usar uma pele de cordeiro durante o dia e se transformar em fera durante a noite, não é o caminho.

Para ser um sacerdote, você precisa ser verdadeiro, precisa acreditar e praticar tudo aquilo que você indica para as pessoas, caso contrário nada tem sentido.

Não julgue as pessoas como idiotas, toda pessoa merece o seu respeito, todos temos um Ori e um Orisa, se você não sabe o que dizer fique calado, mas não minta em nome dos Orisas.

Você mentindo está ofendendo os Orisas, está ofendendo seus antepassados. Faça somente o que você está habilitado para fazer, diga somente o que os Orisas estão lhe mostrando, não invente nada, não minta, não crie.

 Isso é o mínimo necessário para você se dizer um sacerdote, é o que as pessoas esperam de você, quando lhe procuram para uma consulta, honre a sua religião, honre o seu Orisa.

  Aquele que fala em nome dos Orisas tem obrigação de dizer sempre a verdade!

quarta-feira, 27 de maio de 2015


Iniciação em Ifá

Itefa, começo meio e fim.

Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola
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Quando se fala de iniciação em ifá estamos falando de um dos momentos mais importantes da vida espiritual de qualquer pessoa, a cerimonia do itefa é constituído de cinquenta e quatro atos que tem como finalidade principal esclarecer as dúvidas sobre o destino do iniciado.

O Itefa esclarece facilitando o dia a dia proporcionando informações para que o iniciado esteja alinhado com o destino por ele escolhido antes do seu nascimento.

A iniciação em ifá é muito discutida por pessoas que não foram iniciadas, então o que dizer desses comentários, o ideal seria que as pessoas escrevessem sobre aquilo que de fato elas conhecem.

A preparação de um itefa normalmente leva vários dias, a compra dos animais e do material que será utilizado na iniciação é orientada pelo Oluwo, o critério no momento da compra dos materiais sempre deve ser que sobre material, ao invés de faltar, a sobra facilita assim as indicações ainda desconhecidas no decorrer dos rituais.

 Obs: Quando o material é comprado em parte antecipadamente, o assentamento do orixá ire é facilitado após a indicação do odu de nascimento, assim como a preparação do igba ori se necessário.
Parte da lista de um Itefa:

2-bodes
1-cabra
6- galinhas
6-galos
20-igbins
4-pombos
1-galinha de angola
50-obi
100-orobo
10-efun
30-osun
2-eku eda
4-eja aro
Tecido branco para roupa 10m.
Ikin em quantidade a ser definida pelo Oluwo.
10- iyerosun
10-odidi atare
1-vasilha para Ifá
1-Vasilha para Exu.
500g de búzios
1-kg de Sabão da costa
1 –Idé Ifá
1-yangui
1-ileke Ifá
8-litros de gim ou vodca
6- litros de dendê
1-litro de mel
1-cabaça

Obs: Não vamos fornecer a lista completa nesse texto por acreditar que seja desnecessário a divulgação. A parte da lista divulgada já vai dar uma ideia para o leitor, ou seja, isso vai auxiliar para que ele não seja enganado por pessoas que se dizem sacerdotes.

 Ainda considerando a compra dos materiais com fartura, é importante salientar que antes do início do itefa é feito uma consulta a Orunmila que vai orientar os ebos que antecedem o itefa, (sempre é feito ebo riru) e outros ebos.

1-No início do itefa existem algumas cerimonias que não devem ser divulgadas, um exemplo é o primeiro ato que jamais poderá ser revelado, essa cerimônia acontece em uma mata.  Esse ato é dirigido pelo Oluwo mas podem participar o ojugbona do iniciado.

2-Preparação do caminho por onde vai passar o iniciado com ofertas a terra em número ímpar de um lado do caminho e em outro em número par.

3-Preparação do sabão de Opa Osun.
4- Alimentar opa Osun.
5-Consulta a Ifá para a entrada do iniciado
6-Ebó de entrada.
7-Preparação das folhas para a entrada do igbodu.
8-preparação do Yangui do Exu do iniciado.
9-Preparação do material que será utilizado no itefa e sua conferencia.
10-Preparação das aves que devem ser carregadas pelo iniciado.
11-Inicio da caminhada em direção ao igbodu.O Oluwo segurando em sua mão Opa Osun começa as orações louvando os orisas, é feita a apresentação do novo membro da família para os antepassados. 

Após a oração inicial através de Opa Osun é feita a invocação dos antepassados pedindo permissão para conduzir o awo, até o igbodu.

Obs :Nesse texto vamos para facilitar a compreensão nomearemos o iniciado como awo.

O awo será conduzido em uma caminhada precedida por seu Oluwo, a sua Iya apetebi e seu ojugbona, a Iya apetebi carrega o yangui de Exu em sua cabeça, enquanto o awo que está vendado carrega os animais e todos os materiais para a iniciação.

Obs: A Iya apetebi normalmente é a esposa do Bàbàláwo, embora nesses rituais a figura da Iya apetebi possa ser representada por uma outra mulher, que não seja a esposa do Bàbàláwo.

A Iya apetebi não necessita ser iniciada para participar dos atos iniciais do itefa, como os descritos até o decimo quinto ato que normalmente são públicos.

12-Na entrada do igbodu do lado esquerdo é feita a consulta a Iya Odu antes da entrada do awo para o igbodu com obi e orobo. Do lado direito é colocada a vasilha contendo o Yangui do Exu que será assentado para o iniciado que permanece vendado.

 13-Retirada da venda.
Alguidar com agua um omi ero para lavar olhos de todos que vão entrar no igbodu, nesse alguidar será preparado as folhas de tètè, òdóndú, rínrín e um igbin, tc.
14-O  material do itefa é levado para dentro do igbodu.
15- O Opa Osun é fixado na terra dentro do igbodu para testemunhar todo processo.
16-Alimentar Iya Odu para pedir permissão para começar os rituais dentro do Igbodu.
17- Raspagem da cabeça do awo

Obs: Os atos do decimo ao vigésimo não podem ser divulgados.

21- Preparação do solo para extrair o odu de nascimento, o awo senta atrás do Oluwo segurando na cintura ou nos ombros ou nas costas de seu Oluwo.

Obs: Os atos do vigésimo segundo ao vigésimo terceiro não podem ser divulgados.

24- Ritual aos pés de Opa Osun o odu de nascimento do iniciado será revelado.

Obs: Somente após saber o odu é que os ikins serão alimentados, evidentemente porque o assentamento de Orunmila é feito com o odu do iniciado, cabe dizer que anteriormente a isso existe a preparação dos ikins, porém é importante ressaltar que o Exu do iniciado assim como como o seu iba ori só serão alimentados a partir da apuração do odu.

Obs: No momento que é apurado o odu do awo se ele vier em ibi ele deverá ser transformado em ire com o ebo riru antes do awo levantar da esteira.

Ori, Exu pessoal e Orunmila são assentados com o odu de nascimento extraído no itefa, se não for assim o compromisso de cumprir o destino escolhido pelo iniciado antes de nascer jamais será realizado.

Se o awo já tiver Exu assentado antes do Itefa esse não pode ser aproveitado para o itefa, nem a vasilha de Orunmila usada no itefa pode ser aproveitada para o itefa. A vasilha anterior assim como o Exu foram preparados com outro odu que não o odu de nascimento do awo assim como ileke ifá que deve ser novo.

Obs: Os atos do vigésimo ao vigésimo sexto, não podem ser divulgados.

27-Banho do awo.
28-Pintura do Awo

Obs: Os atos vigésimo nono ao trigésimo quarto não podem ser divulgados.

35-No segundo dia, o iniciado recebe mais informações sobre o seu odu, tomando conhecimento de seus ewos e recebendo o seu nome.

Obs: Os atos do trigésimo sexto ao quadragésimo não podem ser divulgados.

41-No terceiro dia o Oluwo com Opa Osun, lidera uma nova caminhada para levar o carrego do iniciado para o Rio, na volta do carrego Opa Osun, será fixado na terra, agora em frente à casa.

Obs: Os atos do quadragésimo segundo ao quadragésimo terceiro não podem ser divulgados.

44-Odu pada odo, na volta do rio é feito uma nova consulta a Orunmila que deve ser seguida dos ebos correspondentes ao novo caminho do awo, (quase sempre é feito ebo riru).
48-Ainda no terceiro dia o ifá será alimentado novamente.

Obs: Os atos do quadragésimo nono não podem ser divulgados.

 50-A iniciada dança, canta e festeja o seu odu durante a sua apresentação para o egbe.

Obs: Os atos do quinquagésimo primeiro não podem ser divulgados.

52-Feita as cerimonias do terceiro dia, do sétimo dia e do decimo sétimo dia, diante de Opa Osun é retirado o ekodide.

Obs: No ato citado acima quando o itefa é feito para Babalorisa é diferente do que é feito para um Babalawo.

A retirada do ekodide encerra o itefa que em razão do odu poderá ou não dar início ao itelodu, com o início do itelodu as cerimonias tem um novo caráter com Iya odu reconhecendo seu filho, esse ato é o quinquagésimo, enquanto a preparação do solo do início a um processo e o reconhecimento de Iya odu encerra a feitura.

Obs: No ato citado acima quando o itefa é feito para Iyanifa é diferente do que é feito para um Bàbàláwo.

Tanto nos casos de Babalawos s como Iyanifas e omo orisas as cerimonias podem levar de três a dezesseis dias.

Babalawos e Iyanifas e sacerdotes do culto de orisa tem a sua cabeça raspada nessas cerimonias.
Das mais de cinquenta cerimonias que constitui todo processo até o itelodu duas são diferentes para omo orixá e uma é diferente para Iyanifa.

54-Em caso de Itelodu, o awo será reconhecido por Iya Odu.

Todos esses ensinamentos que estou divulgando aqui foram recebidos de meu Oluwo Oyeniyi Awolola Agboola e do Araba Awodiran Agboola, os rituais de iniciação em nossa casa reproduzem na integra os rituais de iniciação de nossa família na cidade de Lagos Nigéria.

*Qualquer pessoa com um pouco de bom senso vai entender que por razões obvias divulguei aqui somente vinte e sete atos dos cinquenta e quatro atos que constituem a cerimonia de um itefa e um Itelodu.

O importante para mim é divulgar em principio informações que possibilitem as pessoas em geral ter uma noção do que consiste um itefa.

 Considerando que ultimamente tem aumentado muito o número de pessoas enganadas por falsos sacerdotes.

Um Bàbàláwo ou uma Iyanifa não incorporam espíritos.
 Um Bàbàláwo ou uma Iyanifa não comercializam materiais de asé.
Um Bàbàláwo ou uma Iyanifa só iniciam as pessoas depois de vários anos de estudo.
Um Bàbàláwo ou uma Iyanifa só iniciam em Ifá com a autorização de seu Oluwo.

Um Bàbàláwo ou uma Iyanifa não mentem e não enganam as pessoas, esses sacerdotes devem ser modelos de retidão e bom caráter para as suas comunidades.

Um Bàbàláwo ou uma Iyanifa não usam drogas e não podem ter envolvimento com coisas que constituam uma infração as leis de seu país.

Orunmila não pactua com traidores.

O awo que trilha o caminho da verdade jamais está sozinho, a minha verdade pode lhe incomodar muito, mas tenha a certeza que a sua mentira me incomoda muito mais. Eu não sou o dono da verdade mas também não sou um mentiroso, sendo assim Ajagunmale é aquele que vai nos julgar.

Esse texto foi motivado pela indignação de saber que pessoas dizem ser aquilo que na verdade elas não são, existem muitas pessoas se beneficiando do desconhecimento do público em geral, usando o nome de Orunmila em seu próprio benefício.




quinta-feira, 21 de maio de 2015

Orixás direitos e deveres


Autor: Babalawo Ifagbaiyin

Em nossa casa em Salvador semanalmente aparece um grupo de saguis hoje fui colocar bananas para eles e enquanto colocava alimentos para eles me ocorreu escrever esse texto sobre a fé, os orixás e os direitos e deveres dos iniciados e sacerdotes.

Quando eu coloco todas as manhas bananas para os macaquinhos é com a esperança que eles apareçam em nossa casa, mas em razão das chuvas eles pouco nos visitam, mesmo assim eu coloco alimento todos os dias, parece sem sentindo, mas como é que vou adivinhar qual é o dia que eles vão aparecer em nossa casa, então sigo colocando alimento todos os dias.

A mesma coisa acontece quando falamos de fé você não vê o orixá e nem sabe que dia ao certo ele vai atuar em sua vida, mas você reza todos dias e cuida dele com carinho e respeita partindo do princípio que ele também está cuidando de você.

Muitas vezes aos nossos olhos ele demora para interferir e nos auxiliar em dificuldades que temos, mas na verdade o orixá é que sabe a hora certa para interferir e nos auxiliar.

O orixá constantemente interfere em nossas vidas, mas nós não temos condições de perceber o que está acontecendo em nossa volta, isso porque somos seres imperfeitos, nos preocupamos com as contas, com as aparências, com o que adquirimos, com as roupas, com o carro, com a beleza da casa e muitas vezes não percebemos as mudanças do mundo espiritual.

Baseado nisso colocar na internet um texto que a princípio vamos chamar de direitos e deveres, não é nenhuma citação que lembre o período da ditadura, quando os professores de moral e cívica insistiam nos direitos e deveres nos cidadãos brasileiros.

Para começar vamos abordar desde a entrada no iniciado no ile orixá:

- É dever do iniciado cumprimentar ao entrar na casa de orixá os orixás para só depois cumprimentar o sacerdote e membros da família.

- É direito do iniciado entrar nos quartos dos orixás para saudar os orixás e rezar, é dever do sacerdote permitir a entrada e saudar e respeitar o orixá do iniciado, caso ele incorpore.

O procedimento correto é colocar o orixá para dentro de um dos quartos, colocar uma roupa adequada, retirar os calçados e levar o orixá para saudar o ojúbo do orixá dono da casa, para só depois saudar o sacerdote.

- É dever do iniciado auxiliar nas atividades na casa de orixá, assim como limpeza e conservação de todas as instalações.

- É um direito do iniciado em caso extremo ser atendido em consulta mesmo que não disponha naquele momento de dinheiro.

- É dever do iniciado auxiliar na compra de materiais para a manutenção da casa.

- É dever do sacerdote auxiliar os iniciados que não disponham de materiais para a manutenção dos igbas de seus orixás.

- É um direito dos iniciados fazerem as refeições na casa de orixá durante o período que eles estejam em rituais e cerimonias.

- Também é de bom tom que o iniciado só se sirva de alimento durante as refeições depois que o sacerdote tenha se servido.

- É um dever dos iniciados informar caso resolvam participar de alguma cerimônia religiosa em outra casa, sendo assim é um dever do sacerdote orientar seus iniciados de como devem se comportar, em visitas a outros ile orixás.

- É um dever do sacerdote passar ensinamentos para os seus iniciados, também é um dever do sacerdote interferir quando necessário em benefício do iniciado.

- É um dever do iniciado respeitar e honrar a sua família e a casa que foi iniciado.
Sendo assim vamos observar as questões acima:

Primeiramente todo o sacerdote do ponto de vista lógico não é o dono da casa de orixá, o dono da casa é o orixá, então é ele que deve ser cumprimentado primeiro.

Quando o iniciado entra no terreno do ile orixá deve primeiramente se dirigir ao exu da casa e pedir permissão para entrar, depois se necessário for deve trocar de roupa e cumprimentar o orixá dono da casa, para só depois cumprimentar o sacerdote principal, após isso cumprimenta os demais, seguindo a hierarquia.

O cumprimento ao sacerdote que iniciou o iniciado deve ser com o ato de colocar a cabeça no chão, (foribalè) já para os demais essa reverencia pode ser ou não substituída por uma saudação.

Existe algumas exceções em algumas casas é exigido o mesmo tratamento dispensado ao sacerdote para o ojúbona do iniciado.

Os iniciados de sexo feminino devem se vestir de acordo com as cerimônias usando saia e pano da costa assim como o pano de cabeça, é dever dos iniciados se vestirem de forma adequada ao ambiente da casa de orixá sendo vedado o uso de bermudas, shorts e roupas cavadas.

- É dever dos iniciados de sexo masculino auxiliar as iniciadas nos trabalhos que exijam uma maior força física e também não é nenhum demérito auxiliar em atividades teoricamente femininas.

- É um dever dos iniciados do sexo masculino se afastarem dos ambientes que envolvam banhos e rituais ou cerimonias onde as iniciadas de sexo feminino estejam sem roupa.

- É um direito das iniciadas de sexo feminino exigirem ser banhadas por pessoas do mesmo sexo.
No período de iniciações pressupondo que o novo iniciado não disponha de condições financeiras para as compras referentes a sua iniciação é dever dos iniciados mais antigos e do sacerdote contribuírem com trabalho e dinheiro facilitando assim a situação do necessitado.

Em caso de visita de membros de outras famílias é dever do sacerdote abrir os quartos dos orixás para que sejam saudados, também é dever do sacerdote e dos iniciados receber as visitas com o máximo de respeito.

Obs: Para um melhor entendimento vamos definir nesse texto assentamento coletivo como o ojúbo e assentamento particular como igbá.

- É dever de todos os iniciados participar do òsè dos ojúbos do ile orixá, assim como é um direito do iniciado desfrutar de silêncio durante o òsè em seus igbas para que possa fazer suas orações.

*Òsè o dia que completa uma semana Yoruba, referente período de quatro em quatro dias, òsè primeiro dia da nova semana, para nossa compreensão quinto dia depois do primeiro òsè.

Mesmo os orixás tendo sido assentados para o sacerdote com exceção do seu orixá principal quase todos os assentamentos devem ser tratados como ojúbo, salvo Orunmila, o exu pessoal, Iya mi e Egungun orixás esses individuais, (igbá) não confundir com assentamento coletivo de Egungun e Igbàlè ou ojúbo.

O òsè dos ojúbos deve ser feito pelos iniciados que já tem permissão do sacerdote para esse ritual, é impossível que o sacerdote mantenha todos os orixás da casa limpos e tratados sozinho, a participação de todos os membros é fundamental para que se estabeleça o conceito de família.

O igbá do orixá do iniciado é de propriedade dele é dever do sacerdote entregar o igbá para o iniciado que deve providenciar um local adequado para manter o assentamento.

Jamais o assentamento do orixá deve ser retido na casa de orixá por falta de qualquer tipo de pagamento, os pagamentos são feitos por rituais e não por igbá, o assentamento do orixá jamais poderá ser usado como garantia de um pagamento futuro.

- É dever do iniciado antecipadamente solicitar ao sacerdote autorização para levar amigos na casa de orixá que poderá estar em cerimônias não permitidas para visitantes.

- É um direito do iniciado solicitar ao sacerdote que ele ministre cerimônias e rituais em caráter privado, a terceirização dos rituais e a delegação de autoridade pode ser contestada em caráter pessoal. É um dever do sacerdote corresponder à confiança depositada em suas mãos, não devendo indicar pessoas estranhas ao iniciado em rituais e cerimônias secretas.

Exemplo: Os Boris devem ser realizados pelo principal sacerdote da casa de orixá e jamais por outros membros mesmo aqueles com conhecimento comprovado.

Recomenda-se as pessoas em visita a casa de orixá que mantenham o habito de levar para os orixás agrados como obi, orobo, esteiras, dendê, mel, gim, frutas e flores.

A manutenção da casa de orixás é dispendiosa e deve ser considerada como responsabilidade de todos os membros.

Quanto a manutenção da fé ela não tem rituais específicos ou uma formulas secretas, os rituais podem ser ensinados, mas a crença ela é desenvolvida sem o controle pré estabelecido.

Acreditamos ou desenvolvemos a fé com o passar do tempo, mas jamais a fé vai ser instruída, os sentimentos afloram dispensando justificativas, o orixá opera em nós o milagre de acreditar naquilo que não estamos vendo, mas que podemos sentir.

A força do orixá transforma, tranquiliza e fortalece o interior do iniciado sem que ele perceba só o tempo atesta a evolução e o desenvolvimento espiritual. Não existe a possibilidade de pular etapas, a vida se desenvolve dia após dia.

Vou continuar colocando bananas para os saguis todos os dias mesmo que eles só venham uma ou duas vezes por semana.