sexta-feira, 4 de julho de 2014


Hierarquia no culto a Orunmila 



Muito se tem falado sobre a hierarquia no culto de orisa no Brasil, isso contribui para o enriquecimento das informações sobre a religião Afro Brasileira, mas infelizmente sobre a hierarquia no culto de Ifá é muito raro encontrar informações confiáveis, sendo assim na tentativa de contribuir com as informações disponíveis em nosso país estamos divulgando as orientações por nós recebidas em território yoruba.

- Primeiro escalão, grupo conhecido como Iwarefa.

ARABA (Oluawo)
O titulo de Araba é o mais importante dentro do culto de ifá, normalmente em terras yorubas um Araba é escolhido com base em três critérios:
-Conhecimento inquestionável
-Conduta ilibada
-Apoio unânime

O Araba representa o grupo de Babalawos de uma cidade ou de um país, o que nos leva a seguinte conclusão, as cidades com maior população de Babalawos tem um critério de escolha mais exigente do que as cidades de pequenas populações.

Em uma cidade grande para que um Babalawo se torne um Araba ele será questionado por um grupo maior de sacerdotes.

Esses questionamentos podem durar dias, e somente quando todos Babalawos estiverem satisfeitos com as respostas, a data da cerimonia será marcada.

Observação: em uma cidade muito pequena com um grupo muito pequeno de Babalawos a escolha de um Araba pode ser imediata desde que exista o apoio do grupo.

Existe também uma forma carinhosa de intitular o Babalawo mais velho em um Ile Ifá que muitas vezes é confundido com o acima mencionado, já que carinhosamente o mais velho dos sacerdotes dentro da família pode ser chamado de Araba, importante não confundir esse titulo familiar restrito há casa da família com o Araba de uma cidade ou de um país.

AKODA
Babalawo Agbalagba preparado para substituir o Araba em caso de morte ocupa imediatamente o cargo do Araba mantendo os rituais mesmo no período de luto.

ASEDA
Babalawo Agbalagba, o terceiro na hierarquia, preparado para substituir o Akódá.

AGBONGBON
Babalawo especialista em Oriki, considerado a memoria da família, capaz de recitar o conhecimento contido nos versos de ifá durante dias e noites.

ERINMI
Babalawo com conhecimento inquestionável sobre os rituais secretos no Ile Ifá.

AGIRI
Babalawo experiente com profundo conhecimento sobre odu.

AWISE
No Brasil o titulo de Awise foi divulgado de forma errada, um Awise fala em nome da família autorizado pelo seu Oluwo ou Araba, sendo assim deve ser um Babalawo bastante experiente.

- Segundo escalão no Egbe Ifá.

ALAKEJI
Esse titulo só pode ser usado por um Babalawo muito experiente ele substitui o Oluwo dentro do Ile Ifá em todas as situações com exceção das iniciações.

ALARA
Babalawo experiente especialista na relação com os iniciados, e iniciações em geral.

OKUNMERI
Babalawo especialista nas cerimonias internas.

AGUNSIN
Babalawo experiente que acompanha o primeiro escalão em rituais ou festejos externos, responsável pelo deslocamento dos membros do Egbe Ifá.

ARANISAN
Babalawo experiente que orienta cerimonia diante de Osun, no ritual de itefa.

AMUKINRO
Babalawo experiente que orienta os iniciados dentro do Ile Ifá em cerimonias que é consultado ikin.

KAWOLEHIN
Babalawo experiente que orienta os iniciados em rituais e festejos internos e externos.

OLUWO
Existem dois títulos diferentes descritos pela palavra Oluwo, um dentro do ifá e outro dentro da sociedade Ogboni imediatamente superior ao título de Apena na hierarquia.

Nessa abordagem vamos analisar o titulo restrito ao culto de Orunmila.

O Oluwo pode ser escolhido ou não entre os cargos acima citados.
O Oluwo é um Babalawo que tem autorização para iniciar outros Babalawos, não devemos confundir com Olodu, (Babalawo que possui o assentamento de Iya Odu), o fato isolado de possuir Iya Odu, não o torna um Oluwo.

O Oluwo é o sacerdote que tem a responsabilidade sobre as cerimonias de itefa e Ìtélodú, sendo assim todas as situações que passo a descrever devem ter a autorização do Oluwo:
-Consultar ifá com opele ou ikin.

-Submeter se a ebó ou etutu.
-Participar de iniciações ou festejos referentes ao culto de Orunmila e Orisa.
-Fazer iniciações e consultas.

OJUGBONA
O Ojugbona é o Babalawo que participou da iniciação que tem a função de treinar, mas não tem o poder de autorizar o novo awo para que faça iniciações ou consultas.

BALOGUN
Balogun é um titulo muito importante o Babalawo escolhido para essa função deve ser muito experiente para lidar com as questões que envolvem os rituais e as relações internas e externas da família, no tocante a proteção do Ile Ifá, e seus membros.

SOKINLOJU
Esse titula deve ser dado a um Babalawo antigo dentro do Egbe é uma espécie de observador com autoridade para corrigir erros e procedimentos no dia a dia do Ile Ifá.

AKOGUN
Esse titulo só pode ser dado para um Babalawo experiente, normalmente o Akogun auxilia ou substitui o Balogun.

SUREPAWO
Esse titulo pode ser ocupado por um Babalawo jovem, o Surepawo é encarregado de pagamentos, compras e afazeres fora do Ile Ifa.

ASAWO
Babalawo jovem ou Awo kekere que auxilia o Surepawo.

IYANIFA
O nome Iyanifa é muito confundido, considerando se que pode ser usado em duas situações diferentes.

-Iyanifa (aquela que possui ifá, sacerdotisa), também conhecida como Iyaonifa.
-Iyanifa (toda mulher submetida à itefa).

IYA APETEBI
-Iya apetebi na religião tradicional yoruba é a esposa do Babalawo.
Observação: normalmente as iya apetebis devem ser iniciadas em Osun.

IYANIFA IYA APETEBI
No caso da Iyanifa Iya Apetebi (Aiya) esposa do Oluwo, do Egbe Ifá, as exigências são maiores em razão da alteração da hierarquia considerando que o titulo é superior aos demais remetendo imediatamente a Iya Apetebi e Iyanifa a o segundo cargo dentro do Egbe ifá.

IYALODE AWO
Iyanifa líder das mulheres no Egbe Ifá
AJIGBEDA AWO
Iyanifa experiente auxiliar da Iyalode.

Em cada família a hierarquia pode sofrer alterações mas de um modo geral o processo é semelhante, sendo assim devemos aclara que a expressão primeiro e segundo escalão em nosso texto foi usada por não nos ocorrer no momento palavra mais adequada, em nenhum momento com intenção de diminuir ou menosprezar os demais.

Texto: Babalawo Ifagbaiyin

sexta-feira, 30 de maio de 2014

FATOS E BOATOS, Orisá é verdade.




Todos sabem adiferença entre fatos e boatos, mas algumas pessoas não entendem a repercussão ao divulgar as duas situações.

As vezes um boato pode gerar tantos problemas que a grande maioria das pessoas termina considerando o boato como se fosse um fato, a confusão gerada por um diz que me disse pode terminar com um resultado inesperado.

Algumas pessoas acreditam que se  uma historia não é fato é boato, na verdade existe uma grande gama de possibilidades, pode acontecer uma especulação, ou o uso de algumas palavras definidas em nosso país como factoide.

A palavra factoide foi usada pelo prefeito do Rio de Janeiro Cezar Maya para definir um tipo de rumor criado na midia com finalidade de desistabilizar a politica do referido politico. Na verdade essa forma de articulaçao suja e desprezivel é usada a muito tempo, durante toda a historia humana assistimos esse tipo de situaçao.

O caso mais marcante da produção de noticias falsas foi a que aconteceu na guerra fria, os americanos inventaram todo tipo de coisas sobre os russos, a verdadeira razão disso era uma disputa de mercado, a fatia do bolo se é que podemos definir assim.

Em um outro episódio da História humana os católicos dominaram o mundo pregando que somente a sua religião estava ligado de fato a Deus.

Quando alguém inventa uma história para atingir o concorrente a situação se auto explica, se definirmos o mercado como um bolo quando alguem consegue abocanhar uma fatia maior do mesmo, o restande do bolo não cresce, e o que sobra será dividido pelos descontentes com o que se serviu com a fatia maior.

Nos tribunais o habito de desquilificar a testemunha de defesa é muito usado, quando alguém demerece o outro coloca duvidas naqueles que desconhecem a verdade, esse método sujo é usado com uma finalidade pré concebida calculada como um golpe baixo e impróprio.

Na religião de Orisa no Brasil isso acontece com frequencia, se um sacerdote inventar historias sobre o seu concorrente a chance do cliente fazer os ebós com ele aumentam bastante, o defeito pré inventado gera dividendos.

Quanto a possibilidade de tratar essa situação existi uma realidade, quem tem advogado não briga, porém o silencio pode eer interpretado como medo, sendo assim a melhor defesa é o ataque.

Quando eu escrevi  o texto intitulado (banda podre) foi uma resposta para alguns dos meus opositores, e um alerta para quem está assistindo esse circo criado com meu nome.
O projeto Ifá é para todos encomoda muita gente imaginem as seguintes pessoas:

Os que cobram trinta mil para fazer um itefa.
Os que cobram cinquenta mil para iniciar em Iyami.
Os que cobram oito mil para fazer um isefa.
Os que cobram setenta mil para fazer um ebó.
Os que chegaram a receber cento e cinquenta mil em um só ebó.
Os que enriqueceram mentindo e iludindo.
Os que sobrevivem das mentiras inventadas e das regras por eles criadas para humilharem e saquearem o povo.

Essas pessoas atacam qualquer pessoa que fale de diminuir custos e facilitar o acesso a verdade sobre a religião tradicional yoruba, a fonte esta secando e os usurpadores perceberam que os seus saldos bancários estão diminuindo e resolveram atacar da forma mais baixa que pode existir, pelas costas com mentiras e boatos.

Existe um tipo de homem que é desprezível aquele que ataca escondido nas entre linhas com covardia se esquivando do encontro frente a frente, esse povo esquece que cultuamos orisá, esquecem que orisá é verdade e que mais cedo ou mais tarde a verdade aparece.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Um pouco da história da família Agboola.

O Araba Akano Fasina Agboola, em 1935 consultou ifá e foi orientado a mudar se de Osogbo para a cidade de Lagos dando assim inicio a uma página importante da história de ifá no mundo.

O Araba Akano mudou se para o bairro conhecido como Ebute Metta, em Lagos, esse valorozo sacerdote treinou mais de 1000 Babalawos e até hoje é  comum encontrar seus iniciados.

O saudoso Araba tinha como odu Ogbe Alara, ele era filho carnal do Oluwo Ifasina do odu Ogbe Di, ele era neto do Oluwo Ifagbemi do odu Ogbe Meji e bisneto do Oluwo Fatoki do odu Ogbe Sa.

O Araba tinha dez mulheres e mais de trinta filhos, com a esposa a Iyanifa Mojisola Olasinde Agboola teve varios filhos todos iniciados em Ifá, entre eles o Oluwo Oyeniyi Awolola e o Araba Awodiran Agboola.

Os Babalawos da familia Agboola hoje atendendo na Nigéria, Inglaterra, Estados Unidos, Brasil, Venezuela, Mexico, Espanha e Uruguai seguem dando continuidade ao trabalho iniciado na cidade de Osogbo à varios séculos.

O projeto Ifá é para todos do Babalawo Ifagbaiyin Agboola tem como sua missão primeira fortalecer a religião tradicional yoruba no Brasil, divulgando o mais importantes princípios do culto de Orunmila formando assim futuros Babalawos e Iyanifas em todo mundo.

O nosso projeto ja fez iniciações em três países e em oito estados do território nacional, tornando assim acessível para pessoas de baixa renda os ensinamentos de ifá,  a iniciação de crianças vai garantir que em um futuro próximo tenhamos ótimos sacerdotes de ifá em nosso país.

Bàbàláwo Ifágbaíyin Agboolà.

terça-feira, 27 de maio de 2014

IFÁ É PARA TODOS


O projeto ifá é para todos visa inicialmente divulgar a religião tradicional yoruba, facilitamdo o acesso para consultas e esclarecimentos sobre a religião dos orisas.
Em um primeiro estágio estamos fazendo a cerimonia de isefa gratuitamente para crianças com a intenção de identificar futuros babalawo e iyanifas.
Por uma questão histórica o  Brasil não tem o número de sacerdotes de ifá ideal para à orientação e divulgação do culto a Orunmila, o projeto propõe facilitar as iniciações das crianças com indicação de ifá para itefa buscando a solução para essa questão,  na tentativa de que em um futuro tentanhos o culto a Orunmila fortalecido em nosso país.
O isefa é GRATUITO.
O Itefa é GRATUITO.
O itelodu é GRATUITO.
O treinamento no Brasil é GRATUITO.
O treinamento na NIGÉRIA é GRATUITO.
Essas crianças devem ser preparadas e treinadas dentro dos princípios tradicionais yorubas.
A vinda do Araba Awodiran Agboola ao Brasil confirma o apóio de nossa família na Nigéria e no Brasil ao nosso projeto.
Os familiares das crianças submetidas aos isefas serão orientadas para a preparação e o agendamento dos itefas dando continuidade ao processo.
As crianças escolhidas juntamente com seus familiares tem a oportunidade de e escolher ou não dar seguimento a iniciação adequada juntamento com os sacerdotes do egbe Ifá Ogbe Bara.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

A banda podre.


Em todos os seguimentos da sociedade tem um grupo que não presta nas religiões ao longo da história, esse grupo se evidenciou por suas atitudes, ficaram famosos e muitos viraram lenda, mas a realidade é que entre os animais sempre um se sobressai na natureza por suas atitudes, não muito apreciadas.

O ser humano tem um comportamento muitas vezes deplorável, isso vai depender da sua história de vida, da criação que teve ou da influencia do meio que conviveu, é evidente que tem uma parcela que é doente mental.

A verdade é que no culto a Orunmila esse tipo de gente também é encontrado e facilmente identificado, eles usam inúmeras proteções porque tenho o habito de atacar os outros, eles acreditam que estão sempre sendo atacados e muitas vezes são confundidos com arvores de natal de tantos penduricalhos que carregam no pescoço.

Esse povo precisa fazer magias para ter uma mulher ao seu lado, e depois precisam de outra magia para conseguir manter uma relação sexual com a mesma, é lamentável, mas esse tipo de gente que caracteriza a banda podre do ifá sobrevive de magias, embustes e conchavos.

Esse povo que coleciona receita de ologbohun, abilu e asasi, termina ganhando dinheiro por que prestam serviços aos seus semelhantes, eles se identificam pelo cheiro, traficantes bandidos e todo tipo de mau caráter encontra abrigo entre os supostos magos.

Esse povo que ataca depois da meia noite até às três da manhã tem sigidi como amigo, espíritos negativos como parceiros e o demônio como ídolo, eles são tão perigosos que roubam os sonos de muitas de suas vitimas assustadas.

Em uma cidade grande como São Paulo e Rio de Janeiro, quem quer matar não perde tempo com magias, com algumas notas na mão na periferia esses problemas se resolvem sem o uso de porções magicas. As grandes cidades são muito violentas e acidentes acontecem toda hora, o que não afasta o perigo da banda podre.

Desde Al Capone, os poderosos chefões estão fora de moda, é comum ver um menino franzino com uma automática na mão derrubar homens grandes e fortes, a violência esta institucionalizada e a moda é estar fora da moda, então os homens maus da banda podre correm tanto perigo quanto os cowboys dos cavalos brancos por isso o mais saudável é ficar em casa comendo pipoca com a família, de dentro de uma cartola pode não sair o coelho e sim um leopardo, vai depender do que se reza.

Todo bonzinho conhece um mauzinho que precisa de dinheiro e se predispõe a prestar serviços sendo assim os valentes começaram a desaparecer e os covardes ganharam evidência.

É de se lamentar que a banda podre exista, mas desde que mundo é mundo isso acontece.

Um sacerdote deveria só saber lidar com coisas positivas, mas a sobrevivência ensina a dançar conforme a musica e quem tem a unha maior sobe o muro primeiro.

A grande Iyalorisa mãe Stella de Ososi em seu livro “Meu tempo é agora”, deixa bem claro que é obrigação de um sacerdote manter sua família a qualquer preço, a religião se assemelha a politica se homens bons se afastarem os espaços vão ser ocupados pelos canalhas.

Eu gostaria de ser otimista e imaginar que em um futuro isso não vai existir, mas o desenvolvimento da humanidade prova o contrário ser bom demais faz com que você seja confundido com um tolo, então com marginais e bandidos temos que usar uma linguagem que eles entendam.

Uma ação pode gerar uma reação jamais esperada.
Babalawo Ifagbaiyin Agboola

terça-feira, 29 de abril de 2014

A razão do culto a Egungun.


Homenagem ao Babalorsá José Carlos (Wure baba).

É muito fácil descrever as razões por que cultuar Egungun, o culto aos antepassados é bastante conhecido e divulgado em praticamente todos os seguimentos religiosos.
Sempre que você citar feitos de um antepassado você esta mantendo viva a memoria de pessoas que você admira, a divulgação mantem vivo o personagem citado, e estimula aqueles que concordam a perpetuação dos fatos. O divulgar não deixa de ser uma forma de culto, você cita quem admira e divulga quem o seu respeito merece.

A memoria da humanidade é o maior patrimônio e o mais enriquecedor legado do ser humano, imagine todas as criações de nossos antepassados e o seus usos no dia a dia, seria muito difícil viver sem esse legado.

No grupo familiar e no seguimento religioso isso é naturalmente enfatizado com cantigas e historias que homenageiam os orisas, as cantigas os gestos nas coreografias das danças nada mais são que um culto a antepassados, as pessoas não consegue entender que tudo isso é culto a Egungun.

O patriarca do povo Yoruba Odudua foi o primeiro a ter culto como antepassado em nossa cultura religiosa, esse inicio foi marcado pela necessidade da divulgação dos feitos desse grande guerreiro, um monarca inteligente e corajoso que expandiu o seu império.

Depois de Odudua outros personagens deram seguimento aos feitos dos lideres yorubas imortalizando assim esses grandes lideres, esses fatos enchem de orgulho seus descendentes.

O culto a Egungun e aos antepassados divinizados se é que podemos dizer assim sobreviveu em nosso país graças ao esforço daqueles que foram trazidos para cá como escravos, talvez por esse fato o reconhecimento a essa cultura não tenha sido aquele esperado.

A verdade é translucida se não fosse os feitos dos nossos antepassados, certamente não existiriam descendentes para contar a historia.

Em um isan a representação das nove gerações unidas além de fortalecer o elo de ligação com os antepassados à energia contida aguça a memoria do descendente assumindo o compromisso da perpetuação.

É evidente que uma pessoa de má índole não merece o respeito dos seus descendentes após a sua morte, sendo assim o culto a Egungun é marcado por uma severa seleção de caráter e postura impar daquele a ser cultuado.

O fato de envelhecer não implica em receber respeito, os canalhas também envelhece, é verdade que a idade avançada trás a experiência como testemunha, mas não habilitam o individuo a receber considerações diferenciadas, sendo assim não são somente pessoas que morrem com muita idade que merecem culto após a sua morte.
O respeito deve ser mantido pelos espíritos dos antepassados, mas também pelos espíritos dos descendentes que cedo nos deixaram o culto a Egungun é cheio de segredos e dentro dele existem inúmeras subdivisões.

Quando cultuamos Egungun a energia é a de um culto a uma divindade que tem como razão primeira manter viva a nossa memória estabelecendo ligação entre o passado e o presente, harmonizando os conflitos pessoais e familiares entre gerações, criando assim um resgate por que no culto a orisá nada é imutável e a ultima palavra pertence à Olodumare.

Quando vejo lagrimas de saudades nos olhos dos descendentes que se entristecem pela ausência de seus antepassados examino cuidadosamente o teor dessa emoção e traduzo isso como a agua que alimenta a terra e faz florescer a semente da eternidade. Todo aquele que é amado se torna imortal no coração de quem o ama.

O grande sonho e talvez a mais difícil missão do ser humano é ser lembrado após a sua morte por suas ações. Inspirar os descendentes com seus atos é viver eternamente, é ter a certeza que você estava no caminho certo. A alegria de saber que tudo que você fez é exemplo para aqueles seguem a sua orientação, trás para o espirito do antepassado a certeza que ele esta presente entre os seus descendentes.

Um grande sacerdote nunca vai morrer.

Babalawo Ifagbaiyin Agboola.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

IR E VIR



CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens.

Gostaria de convidar os meus amigos para refletir sobre o artigo 5º da constituição do nosso país, é interessante que alguns líderes religiosos não percebam que é necessário cumprir a lei para desenvolver trabalho apreciável.

Se você não permite que um iniciado em sua casa se afaste ou que ele busque outra casa para consultar algo não esta bem, a pessoa deve ter liberdade para sair pela mesma porta que entrou, não conheço nenhum verso de ifá que obrigue um iniciado a seguir seu iniciador em caso de não haver mais um relacionamento equilibrado.

Se os nossos filhos que acompanhamos desde antes do nascimento não somos proprietários, o que dizer de “filhos” de religião?

Essas pessoas que muitas vezes nos procuram em um momento difícil de suas vidas, tem uma forma própria de ver a vida e a religião, então como vamos controla-las?

É impossível, é inadequado e sem sentido.

Muitas vezes alguém que chegou a sua casa desempregado e que agora esta em uma situação financeira privilegiada muda completamente o foco, a pedida já não é mais a mesma e deixamos de ser útil, a pergunta é temos o direito de impedir essa mudança?

Conheci muitos jovens que entraram na religião porque queriam uma namorada ou ser aprovado no vestibular, hoje são ótimos profissionais e esqueceram os orisás e as pessoas que os iniciaram, será que isso motiva para uma vingança?

Não vejo com bons olhos as pessoas que se afastam das casas que os serviram e saem falando mal de seus sacerdotes, assim como abomino as historias de alguns sacerdotes fazendo alusão a detalhes da vida intima de alguém por ele iniciado.

Se a louça rachou não é necessário quebrar o restante, você pode colar e usar de outra forma bem diferente, porque o amigo íntimo de ontem deve ser o inimigo de amanha?

Coisas da relação humana que de forma desumana presenciamos no dia a dia, o homem virar animal e considerar que se você não esta a favor dele certamente esta contra, esquece ele que o ar que ele respira não tem proprietário e o mesmo sol que o ilumina pode queimar a pela de outra pessoa.

A verdade é que é muito duro você vê que seu filho está adulto e que começa a tomar decisões sem pedir a sua opinião, se isso acontece em nossas casas porque não aconteceria nas casas de religião, temos que saber entender as necessidades das pessoas, elas mudam como muda o vento.

Uma pessoa que tenha um problema afetivo hoje e que todo dia me procurar para se lamentar se iniciada no orisa certo pode viver um grande amor para toda vida, porque ela iria continuar se lamentando se esta feliz, o entender é parte do querer bem, o compreender é irmão gêmeo da aceitação, sem aceitação não existe entendimento.

Há muitos anos, em uma conversa com mãe Edelsuita, comentei com ela que algumas pessoas tinham saído de minha casa, ela calmamente me disse meu filho somos como postos de gasolina as pessoas chegam com o tanque vazio, abastecem e segue a viagem, em um primeiro momento a frase me chocou, hoje tenho certeza que tudo que ela me disse esta certo.

Soube que em alguns lugares as pessoas pedem uma importância em dinheiro para entregar os orisás que elas receberam para assentar, se a pessoa não deve nada, porque ela teria que pagar para ser liberada, será que isso é uma indenização para o ego do sacerdote, será que esse dinheiro consegue afastar a tristeza de quem se vê sozinho?

A solidão é um monstro cruel que quando domesticado serve para fortalecer o pensar, ampliar o querer e apurar o sentir.

Resta aprender a viver com lembranças, mas com esperanças renovadas, quem viver no passado se atrapalha com o presente, mas quem esquece as experiências comete os mesmos erros, viver é se equilibrar, entre o querer e o poder.

Se você apertar muito o pássaro entre as suas mãos nunca sentira a alegria de ver o seu voo.


  “Filho é um ser que Deus nos emprestou para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isso mesmo! Ser mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado.”

José Saramago