quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Os generais do Ifá.



Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola.

Desejar estabilidade no emprego e uma carreira confortável que o exército pode proporcionar, assim como alguns benefícios incluindo plano de saúde de ótima qualidade e assistência odontológica, todos gostariam de ter.

Por outro lado acordar cedo e seguir a hierarquia assim como  construir uma carreira ao longo dos anos, ninguém quer.

Como no exército, acontece no ifá, a grande maioria dos aspirantes a sacerdotes pretendem se engajar nas fileiras do culto a Òrúnmìlà já ingressando como generais.

A falta de paciência, de dedicação e de respeito à hierarquia implicam em um sistema que menospreza etapas fundamentais na construção da experiência e do conhecimento de um bom Bàbàláwo.

Esses fatos somados a total falta de critério na distribuição de cargos e títulos ofertados por alguns supostos sacerdotes nigerianos, nos levam a constatação que o conhecido, hábito de improvisar dos brasileiros está desenhando um tipo de culto a ifá no Brasil completamente diferente daquele que existe no território Yoruba.
A rede social em páginas patrocinadas atesta muitas vezes uma experiência que nunca existiu e em um quebra cabeça onde textos são montados com partes descritas por inúmeros autores o teoricamente pesquisador e internauta se disfarça de experiente conhecedor.

Pessoas sem escrúpulos impulsionados pela falta de conhecimento de seus contatos nas redes sociais terminam se passando por sacerdotes que nunca foram.

Eu denomino esses destacados, desconhecidos, como generais do ifá, embora a posturas de alguns se assemelhe a de palhaços em um picadeiro, é claro sem menosprezar aqueles que dominam a arte fazer rir.
Em qualquer profissão para que a pessoa seja reconhecida com credibilidade e prestigio existe uma composição de exigências que se ajusta de uma situação para outra, embora mantenham a essência composta por conhecimento, seriedade, dedicação, experiência e aptidão.

A queima de etapas e o embuste criado com adjetivos nas entrelinhas, somados a velha tática de dizer o que as pessoas querem ouvir seguirão dando destaque a grandes sacerdotes reconhecidos no espelho por eles mesmos.

E com eufemismo eu descrevo que os filhos dos desprovidos serão constituídos da ausência do que outrora fez parte de uma ilusão resguardada fortemente por uma inverdade com um  respaldo do imaginário.



terça-feira, 30 de agosto de 2016

IFÁ É PARA TODOS!


Babalawo Ifagbaiyin Agboola.


Não precisa ser um grande conhecedor de psiquiatria ou de psicologia para entender a versão de alguns opositores do projeto ifá é para todos.

Essas pessoas dizem que o ifá não é para todos para chamar a atenção para elas mesmas, dando a entender, que só elas são as escolhidas.

Ifá é para todos, sim, não poderia deixar de ser, pois que sentindo teria uma religião para somente uma suposta elite.

Ifá é para todos, sim e o nosso projeto está ai para justificar a nossa fé.

Acreditar que somos escolhidos contraria a teologia yoruba, somos nós que escolhemos antes de nascer ser adepto da religião tradicional e cultuar Òrúnmìlà.

Não somos especiais porque ifá teria nos escolhidos, termos escolhidos ifá é que nos torna especiais.
Mas somente Òrúnmìlà pode responder só ele testemunhou só ele sabe a verdade, sendo assim:

 IFÁ É PARA TODOS!

Essa pretensa elite que acredita ser superior por estar no ifá não conhece a verdade de Òrúnmìlà, que esta descrita no verso abaixo.


ÒTÚRÀ ÓGBÈ

Oluko Ifá gbodo ní á mu mò rá
Ati afori ti ole je omodé tabi agba
Yiò gbà tokan tokan
A d` ifá fun òtúrà
Nigba to di Babalawo làì si eya meya
Obirin tabi okunrin
Ifá nipè kó rùbo
Ko tole wole Orunmilá gegebi awo
Okunrin tabi obìnrin Ifá gbe ni
Òtúrà rùbo ebo rè gbà
Won di oju ati ara ó je eni to lokan
Oná rè sì lá ó sÌ di awo Orunmilá
Awo tolokan
Ifá kó bere
Boya omodé tabi agba
Nitorí pè ogbon ori rè ju ojo ori lo
Orunmilá jeri si
Nitorí pè Olorun gbagbo pe
Ogbon ju agbara
A d ifá fún Otura
Ni igba ti odi awo Orunmilá
Làì so pè omode tabi agba
Okunrin tabi obinrin

 TRADUÇÃO:

O aprendiz de ifá estuada com dedicação e sofrimento
Pode ser criança ou velho, o importante é ter vocação
Ele deve ser escolhido no céu.
Fizeram adivinhação de ifá para Otura quando ele aspirou ser sacerdote de ifá
Sem dizer se era homem ou se era mulher
Ifá lhe disse:
Que deveria fazer sacrifico para que  sua aspiração fosse aceita
Para que ele entrasse na casa de Orunmilá, homem ou mulher
As benções do céu não tem preferencia de sexo
Quando Otura fez o sacrifício foi concedida a sua iniciação
Seu rosto e seu corpo ficaram encobertos porque,
 o que se iniciava era a sua alma
Não se iniciava nem seu corpo e nem seu rosto
E assim teve êxito
Otura foi sacerdote de Orunmilá
O awo sem corpo!
O Awo é a alma consagrada
Ifá não perguntou se Otura era jovem ou era velho
Porque a idade a sua alma conhecia e a alma não era velha nem jovem
Porque o que deus cria somente Orunmilá testemunha e só ele sabe a idade da alma.
E só  eles sabem a idade da alma
Só eles sabem a identidade da alma
Foram às palavras de ifá para Otura, quando aspirou ser sacerdote de Orunmilá, sem dizer ser era jovem ou velho.
homem ou mulher




segunda-feira, 25 de julho de 2016

Qualidade de òrìsà não existe II

Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola
Quando escrevi o primeiro texto sobre esse assunto imaginei que seria muito fácil entender o que estava sendo postado.
Mas nesse caso acredito que no tocante a conhecida qualidades dos òrìsàs ainda existem algumas pessoas que não entenderam o que parece obvio.
Em todas as culturas, em todos os tempos, existiram inúmeras designações para uma mesma pessoa, seria o que em nosso país denominamos como apelido.
Jesus Cristo foi chamado de Messias, Nazareno, profeta, filho de Deus e Salvador, se as pessoas conseguem entender isso.
Por que as não conseguem entender quando o assunto é Òrìsà?
Trazendo o dialogo para exemplos que podemos adotar com uma didática de fácil assimilação, porém em hipótese alguma comparando os personagens.
Edson Arantes do Nascimento é conhecido como Pelé, O rei do Futebol e o atleta do século, isso é de muito fácil compreensão.
Em outro exemplo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para os metalúrgicos ele era conhecido como somente Lula. Porém na imprensa internacional a denominação para o mesmo personagem era Luiz Inácio.
Já no cenário politico é chamado de presidente, esse mesmo personagem também foi chamado por Leonel Brizola de “Sapo barbudo,” já os militares o chamavam de comunista e a igreja o denominava como “Líder Sindical”.
Essas tantas denominações pertencem a umas únicas pessoas, Luiz Inácio da Silva, qual a dificuldade em entender isso?
Se todos entendem quem é Luiz Inácio da Silva!
Por que não entendem os Òrìsàs com vários nomes?
Seria o problema do idioma?
Ou seria a acomodação dando sequência a um equivoco histórico?
De qualquer forma os inventores de qualidades de òrìsàs estão desaparecendo, ou porque as pessoas estão ficando mais cultas, ou porque a criatividades esta terminando.
Peço desculpa aos meus leitores por ter que usar esse tipo de linguagem e citando o personagem do ex-presidente e Pelé como exemplo em um texto religioso, mas a grande maioria da população do nosso país precisa desses exemplos para entender que um único òrìsà possa ser citado com vários nomes, em diversos lugares.
Na Religião tradicional Yoruba todo Orixá tem varios nomes, é muito fácil entender.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Oxun a dona do jogo de búzios (Èrìndílógún)


Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola
Dando continuidade á série de postagens denominadas ( textos para iniciantes) postada por nós em nossa página e no nosso blog, reafirmamos o compromisso com a divulgação da religião tradicional yoruba conforme praticada na Nigéria.

O conhecido jogo de búzios foi trazido para o Brasil do da Nigéria, como todos sabem existem alguma variáveis referentes às praticas religiosas no território yoruba, mas o principio é único.

O conhecido com jogo de búzios (ẹẹ́rìndínlógún), é uma entre as varias formas existentes de oraculo na religião yoruba.

O ẹẹ́rìndínlógún é usado na pratica da religião dos òrìsàs em varias localidades na Nigéria, porém para o mesmo sistema de oraculo existem pequenas diferenças nos rituais de um estado para outro.

O que ninguém pode negar é que a origem do jogo de búzios esta descrita nos versos de ifá, no odu Ogbe Sa fica evidente que esse oraculo foi dado para Osun por Orúnmìlà.

Isso não quer dizer que pessoas de outros òrìsàs sejam proibidos de usar esse sistema.

Na verdade quase todos os iniciados em òrìsà deveriam ter a oportunidade de estudar os versos, próprios, para o jogo de búzios.

Para aqueles que não tiveram oportunidades de acessar uma boa literatura sobre o assunto, indico o mais completo de todos os trabalhos escritos até hoje Sixteen Cowries.

Outros autores assim como William Bascon também escreveram sobreo ẹẹ́rìndínlógún, mas o trabalho mais completo e mais respeitado é o livro Sixteen Cowries.

Os rituais de consagração do eèrìndílógún envolvem sacrifício para Èṣù e Osun, embora existam outras formas de consagração, o oraculo também pode ser alimentado com o òrìsà correspondente à iniciação do olóòrìsà.

A variável de rituais é extensa passando por métodos que usam o ibo para identificar se o odu da consulta está negativo ou positivo, até outros métodos que utilizam uma quantidade superior ao conhecido sistema com dezesseis caracóis.

Nenhum desses métodos esta errado, mas para um iniciado em ifá o importante é o que esta descrito em seus versos.

Com respeito ao texto postado por nós sobre o eérìndílógún seguem os seguintes esclarecimentos.
Sobre a Bibliografia consultada:

O maior e mais completo livro sobre o jogo de búzios escrito em toda a história, Sixteen Cowries.
* Ler na página (18).

Sixteen Cowries

According to Yoruba myths, sixteen cowry divination was introduced
by the river goddess, Qshun. She learned it from Qrunrnila (Ifa)...
(De acordo com mitos iorubás , o método de dezesseis búzios para adivinhação foi introduzido
pela deusa do rio, Oxun, ela aprendeu com Orunmilá ( Ifa )
while she was...
living with him, although some Qshun worshipers deny this. In one version,
while she was still learning Ifa, Qshun began divining for Qrunmila's clients
when he was not at home, and when he learned of this he drove her away;
this is why Qshun did not fully learn If a divination (Bascom 1969B: 90). This
incident does not occur in the following myth about how Qrunmila and
Qshun learned divination, as recorded by Salak9. His version also differs from
the widely held belief that it was Olodumare, the Sky God, who assigned the
deities their powers; here this function is attributed to Salakq 's own deity,
identified as Orishala Qshyrygbo, with Apodihqr9 as another of his praise...

William Bascom

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Quem Foi Bascon?
William Russel Bascom (nasceu Princeton, Illinois, 23 de Maio, 1912 - faleceu 11 de Setembro, 1981) foi um folclorista, antropólogo, e diretor de museu dos Estados Unidos.
Bascom completou a sua B.A. na Universidade de Wisconsin-Madison, e obteve seu Ph.D. em antropologia na Universidade Northwestern por Melville J. Herskovits em 1939. Ele ensinou na Northwestern, Universidade de Cambridge, e a Universidade da Califórnia em Berkeley, onde também foi Diretor do Lowie Museum of Anthropology. Durante a Segunda Guerra Mundial, juntou-se ao O.S.S. e, juntamente com Ralph Bunche co-autor de um volume não assinado, A Pocket Guide to West Africa em 1943.

Bascom era um especialista na arte e na cultura da África Ocidental e da diáspora africana, especialmente a Yoruba da Nigéria. Vários de seus artigos sobre Folkloristics (Folkloristics é o estudo acadêmico formal do folclore) servem como textos nos cursos de pós-graduação em folclore.

Em um artigo importante publicado em 1954, Bascom argumentou que o folclore pode servir quatro funções principais em uma cultura:

Folclore permite às pessoas escapar da repressão que lhes são impostas pela sociedade.
Folclore valida cultura, justificando seus rituais e instituições para aqueles que executam e observa-os.
Folclore é um dispositivo pedagógico que reforça a moral e os valores e constrói sagacidade.
Folclore é um meio de aplicação de pressão social e exercendo controle social.
Obras mais importantes[editar | editar código-fonte]

"The Relationship of Yoruba Folklore to Divining," Journal of American Folklore (1943).

The Sociological Role of the Yoruba Cult-Group (1944)

Ponape: A Pacific Economy in Transition (1947)

"Four Functions of Folklore," Journal of American Folklore (1954)

"Urbanization Among the Yoruba," American Journal of Sociology (1955)
A Obra de Bascon:

"Verbal Art," Journal of American Folklore (1955)

co-editor, with Melville J. Herskovits, Continuity and Change in African Culture (1959)

"Folklore Research in Africa," Journal of American Folklore (1964)

"The Forms of Folklore: Prose Narratives," Journal of American Folklore (1965)

The Yoruba of Southwestern Nigeria (1969)

Ifa Divination: Communication Between Gods and Men in West Africa (1969, recipient Pitrè 
International Folklore Prize)

African Art in Cultural Perspective: An Introduction (1973)

"Folklore, Verbal Art, and Culture," Journal of American Folklore (1973)

editor, African Dilemma Tales (1975)

editor, Frontiers of Folklore (1977)

Sixteen Cowries: Yoruba Divination from Africa to the New World (1980).

Sobre a Bibliografia consultada:

Osun across the Waters

(Osun and the Origins of the Ifa´ Divination)
Ler página (141).

Osun across the Waters

Let us begin with the popular view that Osun

was introduced to Ifa´ divination

by Orunmila

Several verses of Ifa´ tell us about this.

For example, a verse of Ogbe Osa
states that 

Orunmıla created the sixteen-cowry divination system and gave it
to ...
(Orunmıla criou o sistema de adivinhação de dezesseis búzios e deu
para Osun como uma recompensa por ter salvado sua vida).

Quem é Wande Abimbola?

Wande Abimbola (nascido em 24 de dezembro de 1932) [1] é um nigeriano acadêmico , professor de língua iorubá e da literatura, e ex-Vice-Chanceler da Universidade de Ifé (agora Obafemi Awolowo University ), e também serviu como o líder da maioria o Senado da República Federal da Nigéria .
Ele foi instalado como aWise Awo Àgbàyé em 1981 pelo Ooni de Ife sobre a recomendação de um conclave de Babalawos de Yorubaland .

Abimbola recebeu seu primeiro diploma em História pela University College, Ibadan , em 1963, quando que a faculdade era filiado à Universidade de Londres . Ele recebeu seu Mestrado em Linguística da Universidade Northwestern , em Evanston, Illinois , em 1966, e seu Doutorado em Filosofia em iorubá Literatura pela Universidade de Lagos em 1971. Abimbola foi o primeiro graduado do PhD da Universidade de Lagos. Ele se tornou um professor catedrático em 1976. [1].

Abimbola ministrado em três universidades nigerianas, nomeadamente a Universidade de Ibadan 1963-5, Universidade de Lagos 1966-72, e da Universidade de Ife 1972-91. [1] Ele também ensinou em diversas universidades norte-americanas, incluindo a Universidade de Indiana , Amherst College , Universidade de Harvard [ carece de fontes? ] , da Universidade de Boston , Universidade de Colgate , e, mais recentemente, a Universidade de Louisville . Abimbola tem escrito livros sobre a cultura Ifá e Yoruba. Em 1977, de Abimbola Ifá Adivinhação Poesia foi publicado pela editora NOK.

A Obra de Abimbola:
Administração da universidade:
1982-1990 Vice-Chanceler da Universidade de Ile-Ife (agora Universidade Obafemi Awolowo).
1977-1979 Dean, Faculdade de Letras da Universidade Obafemi Awolowo, Ile-Ife.
1975-1977; 1979-1980; 1981-1982 Chefe do Departamento de Línguas e Literaturas Africanas, Universidade Obafemi Awolowo, Ile-Ife. (Wande Abimbola foi o fundador deste departamento.)
Experiência acadêmica
2004-2005 Distinguished Visiting Scholar no Departamento de Estudos Liberais, Universidade de Louisville, Louisville, KY.
1999 Professor de Ciências Humanas do Departamento de Inglês da Universidade Colgate, Hamilton, Nova Iorque.
1998-2003 Professor no Departamento de Religião, da Universidade de Boston, Boston, MA.
1997 Professor de Humanidades em Africana e Estudos Latino-Americanos da Universidade Colgate, Hamilton, Nova Iorque.
1996-1997 Fellow, WEB Du Bois Instituto e Departamento de Estudos Afro-Americanos, Universidade de Harvard, Cambridge.
1990-1991 Scholar-in-Residence e professor visitante de Estudos Negros, Amherst College, Amherst, Massachusetts.
1980-1981 Visiting Henry R. Luce Professor of Comparative ética religiosa, Amherst College, Amherst, Massachusetts.
1976-1990 Professor de Línguas e Literaturas Africanas, Universidade Obafemi Awolowo, Ile-Ife, Nigéria.
1973 Professor Associado de Folclore, da Universidade de Indiana, Bloomington, Indiana.
1971 Visiting Professor Assistente de Folclore, da Universidade de Indiana, Bloomington, Indiana.
1966-1972 Docente, Escola de Africano e Estudos Asiáticos da Universidade de Lagos, Lagos, na Nigéria.
1963-1965 Júnior Research Fellow, Instituto de Estudos Africanos da Universidade de Ibadan, Ibadan, Nigéria.
Compromissos de serviço política, cultural e pública
2005-to Director data, UNESCO Proclamação da adjudicação do Património Cultural Imaterial para a Nigéria, Matérias: Ifa.
2003-2005 Conselheiro do Presidente nigeriano em Assuntos Tradicionais e Assuntos Culturais, Gabinete da Presidência,
República Federal da Nigéria, Abuja, Nigéria.
1995-1998 Membro do Conselho de Religiões do Mundo.
1992-1993 Senado Majority Leader, Senado da República Federal da Nigéria, Abuja, Nigéria.
1992 Assessor Especial do Governador do Estado de Oyo, na Nigéria.
1990 to-date Instalado como Asiwaju Awo de Remo, Nigéria.
1988-1989 Membro do Comité Executivo da Associação das Universidades do Commonwealth.
1986 to-date Instalado como Elemoso de Ketu, República do Benin.
1981-até à data Presidente, Congresso Internacional de Orisa Tradição e Cultura.
1981 to-date Instalado como aWise Awo Ni Agbaye (literalmente porta-voz Mundial para Ifa e Yoruba Religião ).
1981-1989 presidente, Conselho de Administração, Oyo State College of Arts and Science, Ile-Ife.
1979-1982 presidente, Comitê Estadual Turístico Oyo.
1978-1984 presidente, conselho de administração, da Universidade de Ife Pensões Limited.
1976-1978 presidente, Oyo State Broadcasting Corporation.
1974-1984 presidente, Conselho de Governadores, Oliver Batista da High School, Oyo.
1974-1976 presidente, Oyo Health Board Zonal e Membro do Conselho Estadual de Saúde.
1971-até à data consagrada como Babalawo (Ifa Priest).
Outra experiência profissional [ editar ]
1972-1979 Editor, Yoruba , Jornal da Associação de Estudos Yoruba da Nigéria.
1970-1972 Editor, Lagos Notas e Registros , Boletim do Instituto de Estudos Africanos e Asiáticos, Universidade de Lagos, Lagos, na Nigéria
.
*Qualquer pessoa que acreditar que tenha um currículo para contestar esses grandes homens deve fazer um trabalho semelhante e tentar provar o contrario!

O ato de ter razão limita a visão dos seres, poucos de fato, se dão ao direito de observar com outro ponto de vista, isso é o imediatismo da razão.

O que é a razão se não, muitas vezes, apenas, a sensação temporária de estar certo.
Mais esclarecimentos:

domingo, 3 de julho de 2016

Babalawo de fato




Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola


Existem várias definições da palavra Babalawo, mas a mais conhecida é pai do segredo, pai do conhecimento das coisas materiais e espirituais.

Seria muito bom se fosse assim, se todo Babalawo fosse o pai ou senhor do segredo, porém a realidade é muito diferente daquilo que imaginamos, assim como nas demais profissões, os sacerdotes de Orunmila precisam estudar e se especializar para que conquistem o respeito de sua comunidade.

No Ifá é exigido muito estudo, muita dedicação, assim como anos de trabalho, mas só isso não é o suficiente.

Não é toda a pessoa que é submetida a um Itelodu que vai ser um Babalawo, o ritual credencia, mas não habilita.

No Itelodu, os rituais possibilitam que o iniciado tenha acesso a informações que o transformarão em um sacerdote, mas a principal mudança é interna, se não houver a melhoria do ser, a transformação não acontece.

O sacerdote de Orunmila deve ser um exemplo para a sociedade, mas isso nem sempre acontece, mesmo no território yoruba o excesso com a bebida, a preguiça e a falta de caráter termina afastando o homem de seu destino.

A falta de ética motivada pela ganancia e pela vaidade corrompe os princípios e enfraquecem o caráter, gerando um afastamento gradual que ocasiona a perda do poder de realização.

Existe uma diferença muito grande entre ser Babalawo e ser iniciado em Ifá, um Babalawo é um sacerdote que vai dedicar sua vida a estudos e a melhoria do seu caráter se capacitando a o atendimento da população.

Um Babalawo não usa drogas, não é alcoólatra, ele não quebra a sua palavra, ele não trai.

Um Babalawo paga as suas dividas.

Um Babalawo é honesto.

ÒTÚRÁ-RETE

Òtúrá-Rete controla você.

Se você nascer, tente se produzir novamente.

Òtúrá-Rete, Amuwon, Amuwon, ele que sabe que a moderação nunca entrará em desgraça.

Eu digo: Quem sabe a moderação?

Orúnmìlà diz: Ele que está trabalhando.

Eu digo: Quem sabe a moderação?

Orúnmìlà diz: Ele que não desperdiçará o dinheiro dele.

Eu digo: Quem sabe a moderação?

Orúnmìlà diz: Ele que não roubará.

Eu digo: Quem sabe a moderação?

Orúnmìlà diz: Ele que não tem dívidas.

Eu digo: Quem sabe a moderação?

Orúnmìlà diz: Aquele que nunca bebe álcool,

Aquele que nunca quebra um juramento com os amigos.

Òtúrá-Rete, aquele que acorda muito cedo e medita dentro dele por causa das atividades!

Entre os espinhos e cardos,

a folha do dendezeiro se projetará para fora.

Jowóro nunca gastará todo o seu dinheiro,

Jokoje nunca será um devedor.

Se Eesan dever muito dinheiro, ele pagará a dívida.

Amuwon é o ameso, (aquele que tem um bom senso do que é certo).





  

terça-feira, 28 de junho de 2016

Projeto ifá é para todos!



O projeto ifá é para todos visa inicialmente divulgar a religião tradicional yoruba, facilitando o acesso para consultas e esclarecimentos sobre a religião dos Òrìșàs.

Em um primeiro estágio estamos fazendo a cerimonia de isefa gratuitamente para crianças com a intenção de identificar futuros Bàbàláwos e iyanifas.

Por uma questão histórica o Brasil não tem o número de sacerdotes de ifá ideal para à orientação e divulgação do culto a Òrúnmìlà, o projeto propõe facilitar as iniciações das crianças com indicação de ifá para itefa buscando a solução para essa questão, na tentativa de que em um futuro tentamos o culto a Òrúnmìlà fortalecido em nosso país.

O isefa é GRATUITO.
O Itefa é GRATUITO.
O itelodu é GRATUITO.
O treinamento no Brasil é GRATUITO.
O treinamento na NIGÉRIA é GRATUITO.

Essas crianças devem ser preparadas e treinadas dentro dos princípios tradicionais yorubas.

A vinda do Araba Awodiran Agboola ao Brasil confirma o apoio de nossa família na Nigéria e no Brasil ao nosso projeto.

Os familiares das crianças submetidas aos isefas serão orientadas para a preparação e o agendamento dos itefas dando continuidade ao processo.

As crianças escolhidas juntamente com seus familiares tem a oportunidade de e escolher ou não dar seguimento a iniciação adequada juntamente com os sacerdotes do egbe Ifá Ogbe Bara.

Babalawo Ifagbaiyin Agboola.



Família Agboola honra e tradição.


 O nome Agboola representa uma das mais conhecidas família de Bàbàláwos da Nigéria, a atuação de um de seus lideres, o Araba Àkànó Fásínà Agboolà, foi muito importante para a divulgação do Ifá no mundo.

Desde muito cedo o Araba tinha uma visão avançada para a época e o seu trabalho até o dia de hoje serve como inspiração para escritores e sacerdotes no mundo todo.

Na década de trinta ele começou a viajar pelo mundo divulgando Ifá, com um sonho, que Ifá poderia ser para todos.

Esse homem valoroso dedicou a sua vida a ensinar e divulgar Ifá.

O Araba Àkànó Fásínà Agboolà, em 1935 consultou ifá e foi orientado a mudar se de Osogbo para a cidade de Lagos dando assim inicio a uma página importante da história de ifá no mundo.

O Araba Àkànó mudou se para o bairro conhecido como Ebute Metta, em Lagos, esse valoroso sacerdote fez centenas de iniciações, tornando se assim o maior Bàbàláwo da história.

O saudoso Araba tinha como odu Ogbe Alara.

 Ele era filho carnal do Oluwo Ifasina, odu Ogbe Di.

 Era neto do Oluwo Ifagbemi do odu Ogbe Meji.

 E bisneto do Oluwo Fatoki do odu Ogbe Sa.

O Araba tinha dez mulheres e mais de trinta filhos. 

Com sua esposa a Iyanifa Mojisola Olasinde Agboola, teve varios filhos todos iniciados em Ifá, entre eles o Araba Awodiran Agboola..

Quando o Araba Àkànó faleceu em 14 de setembro de 1991 deixou muitas propriedades para seus filhos, até hoje é mantida a casa principal da família no bairro Ebute Metta na cidade de Lagos, Nigéria.

Muitos sacerdotes de importantes do ifá na Nigéria aprenderam ifá como Arabá Àkànó.
A família Agboolà hoje atende na Nigéria, Inglaterra, Estados Unidos, Brasil, Venezuela, Mexico, Espanha e Uruguai como outros países, dando continuidade ao trabalho iniciado na cidade de Osogbo, pelo saudoso Arabá.

 Odu Ogbè alárà

No canto da casa olhando discreto,

Fez divinação para Ogbè o pai de Òtúà,

Eu estou procurando o dinheiro que ainda não tenho

Ìrànran possibilite que meu pai me ajude a encontra-lo, ìrànràn.

Eu estou procurando uma boa esposa, mas ainda não encontrei.

Ìrànràn possibilite que meu pai me ajude a encontra-lo, ìrànràn.

Eu estou procurando bons filhos, mas não consigo encontra-los.

Ìrànràn faça com que seja o destino do meu pai me ajudar a tê-los, Ìrànràn.

Estou procurando fazer uma boa casa, mas não consigo erguê-la,

Ìrànràn faça com que seja o destino do meu pai ergue-la, Ìrànràn.

Eu preciso de numerosas bênçãos, mas ainda não tenho,

Ìrànràn faça com que seja o destino do meu pai me ajudar a tê-las, Ìrànràn.

Assim como quando Ogbè gerou Òtúà

Ele lhe deu discípulos

E várias bênçãos

A esposa do Araba, Sra. Mojísólá Ol´sindé Agboolà nasceu em uma família que cultuava Ifá e essa foi à interpretação de seu pai Chefe Abéeréfá Ògunjobí.

 Consulta de Ifá após o nascimento.

Odu Iretekàà

Esse Odù fala que essa menina se casara com um Babalawo.

 Depois de uma investigação, Ifá escolheu o jovem Babaàwo Àkànó Fásinà Agboolà.

O pai da criança, Abéeréfá Ògunjobí escutou as palavras de Olódùmarè que previu que sua filha se casaria com um de seus seguidores.

Odù Iretekàà que chamou a menina de Olasinde

O Surgimento da honra

O pato não flerta

A tumba de uma mulher estéril geralmente é coberta de lixo

Promiscuidade em sua vida causa desunião em sua família

Fez divinação para Oláa-wón-nù-lo (sua honra esta perdida)

A criança virá na hora exata

E a honra perdida será ressuscitada

O surgimento da honra (Olásindé) é um nome apropriado para chamar uma criança de Ìretekàà.

 Depois de muitos anos o Oluwo Abéeréfá Ògunjobí permitiu que a filha casasse com seu aprendiz Bàbàláwo Akano Fásinà Agboolà.

Alguns anos depois a Sra. Mojísólá Ol´sindé Agboolà deu a luz a um filho, chamado Awódiran que significa este Ifá é hereditário.

Baba Awódiran Agboolà o atual Araba da cidade de Lagos, Nigéria, e também é membro do conselho internacional de ifá.

O Araba Awodiran é um sacerdote educado desde a infância por seu pai, bem jovem ele já viajava com o Araba Akano para a Europa como parte de sua preparação.


O Araba Awodiran é escritor e uma das maiores autoridades sobre Ifá no mundo.

 Esse homem honrado e gentil é um orgulho para toda nossa família, em especial para mim, por se tratar do irmão do meu Oluwo, Baba Niyi.


O Babalawo Ifagbaiyin entrou para a família Agboola em 6 de fevereiro de 2011 e foi iniciado pelo Oluwo Oyeniyi Awolola Agboola do odu Osa Obàrà.

 O Oluwo Oyeniyi mora no Brasil á quase vinte anos, e em nosso país constituiu família, atualmente atende em São Paulo e nos Estados Unidos assim como em Lagos e Ibadan Nigéria onde tem residência.

O projeto Ifá é para todos, foi criado pelo Bàbàláwo Ifágbaíyin Agboolà e tem como missão fortalecer a religião tradicional yoruba no Brasil, divulgando o culto do Òrìșà Òrúnmìlà.

O nosso projeto já fez iniciações em vários países e em quase todos os estados do território nacional, tornando assim acessível para pessoas de baixa renda os ensinamentos de ifá.

-Nesse período viajamos 196 mil quilômetros e fizemos 1721 iniciações, para a honra de nosso ancestral, Àkànó Fásínà Agboolà.

O projeto ifá é para todos teve inicio no dia 14 de fevereiro do ano 2012, a ideia do projeto visa baixar os custos das iniciações de adultos e iniciar crianças gratuitamente, garantindo a formação de ótimos sacerdotes de ifá em nosso país.

Minha missão é dar continuidade ao legado de minha família.


Bàbàláwo Ifagbaiyin Agboola.



segunda-feira, 27 de junho de 2016

Iniciação em Òrìsà


Autor: Babalawo Ifagbaiyin Agboola.

A abordagem que vamos fazer nessa oportunidade é partindo do pressuposto que exista a indicação de iniciação a òrìsà.

A orientação:

Os rituais tem como fator determinante o odu que orienta a iniciação e o ebó.


O ebó:

O ebó antecede a preparação da pessoa nos rituais de iniciação em um procedimento que tem inúmeras variáveis dependendo do Òrìsà e da pessoa.

Alguns ebó tem particularidades em razão do òrìsà que vai ser iniciado, mas o mais comum é o ebó orientado por Òrúnmìlà para a ocasião.

Um exemplo que podemos citar é a conhecida ida ao rio que em alguns casos é motivada pela necessidade de ebó para o iniciado, mas que na grande maioria da vezes acontece para que se possa recolher a água para os banhos e as preparações do axés.

Os participantes:

É comum ver nas iniciações pessoas que são responsáveis pela iniciação solicitar que outras pessoas submetam o iniciado ao ebó.

Particularmente não concordamos com essa pratica por acreditar que o sacerdote é o responsável direto por todos os rituais da iniciação, até porque desconheço dentro da cultura de òrìsà funções que se sobreponha as demais inviabilizando que o sacerdote responsável deixe de participar de algum ato da iniciação.

Para mim tais fatos caracterizam preguiça ou desleixo, salvo raras exceções.

A constante observação:

Após os ebós as consultas que envolve a iniciação deve ser retomada para que sejam definidas os elementos complementares nos assentamentos e a sequencia dos rituais. O bom sacerdote não se descuida durante todo o processo, mantendo se fiel às orientações dos òrìsàs.

Folhas:

A ideia que as folhas boas são aquelas colhidas antes que o sol nasça limita a atuação do sacerdote com a dinâmica que a vida exige.

Essa afirmativa me parece antagônica a realidade do dia a dia na terra mãe


O banho:

Os banhos citados acimas tem como finalidade primeiramente eliminar as energias negativas que possam prejudicar o iniciado nos rituais da iniciação, da mesma maneira que alguma folhas também tem propriedades atrair energias positivas, o banho deve ser administrado com cuidado na escolha das folhas.

Tirar o cabelo:

Depois do banho e da troca de roupa inicia raspagem da cabeça do iniciado, o cabelo deverá ser guardado junto com a roupa antiga do iniciado.

O bori:

O bori assim como alguns ebós para Egbe òrún e outros òrìsàs contribuem para o restabelecimento de contato com a essência que identifica o iniciado com o os seus antepassados.

A preparação:

Após o período do bori que pode variar de uma hora a até três dias começa os rituais referentes à Egúngún, quando necessário.

Essa ordem é modificada de acordo com as instruções dos òrìsàs considerando a particularidade que envolve o iniciado e a divindade.

Exemplo:

Os rituais de Egúngún que antecedem os rituais de Èṣù nas iniciações de Oya tem a sua ordem alterada em virtude da necessidade em alguns casos da iniciação a Egúngún anteceder a iniciação a Oya. O mesmo pode acontecer com outros òrìsàs dependendo da necessidade do Iniciado.

Èṣù:

O Esú pode ou não ser assentado dependendo da orientação do òrìsà, particularmente prefiro que todo iniciado tenha o assentamento de Èṣù.

Na religião tradicional pode ser usado eres de madeira para o assentamento de Èṣù, porém o mais comum é que o assentamento seja preparado em Yangui.

O Assentamento:

O assentamento é composto de elementos minerais, animais e vegetais previamente escolhidos e selecionados, os animais assim como as folhas e os objetos que consistem o assentamento devem estar em perfeitas condições dispensando o requinte e valorizando a essência.

O encontro:

O iniciado com a cabeça raspada e a roupa nova após fazer ebós e propiciar o seu Orí esta preparado para o encontro com o Òrìsà. Nem sempre os rituais habilitam o individuo a ser aceito e purificado diante dos òrìsàs.

Engana se quem pensa que o dinheiro compra tudo.

A atitude diante do òrìsà é o elemento que sustenta a relação homem divindade.

 A magia:

Esse ponto do texto que fala superficialmente sobre iniciação deve ser bem compreendido principalmente por quem pretende ser iniciado em òrìsà.

A magia que envolve o momento do assentamento do òrìsà deve ser absorvida pelo iniciado e por todos os participantes.

 É importante que a energia do local e das pessoas esteja em alinhamento com as aspirações do iniciado.

Pessoas que possam criar qualquer desconforto com suas presenças ao sacerdote e ao iniciado devem ser convidadas para que se retirem.


A individualidade:

A ordem dos rituais pode sofrer alteração, a variável é muito grande e o uso de rituais idênticos para pessoas diferentes não é indicado.

É importante ressaltar que o culto ao òrìsà sempre que praticado por pessoas habilitadas trás inúmeros benefícios para o iniciado, independente de qual òrìsà seja venerado.

Os benefícios dos Participantes:

A pessoa que se predispõe a ajudar em uma iniciação deve saber que não existe hora marcada para terminar os rituais.

Os benefícios de participar de uma iniciação são para aqueles que têm a sensibilidade de sentir o òrìsà.


A decisão:

É verdade que o alinhamento correto com a energia da divindade proporciona para cada pessoa um resultado diferente, considerando as variáveis que estão contidas primeiramente no odu de nascimento e no Orí.

Por essa razão a decisão de ser submetido a uma iniciação em Òrìsà deve considerar inúmeras implicações, sobretudo as familiares e a econômica.

O assentamento do òrìsà não é uma exigência do iniciado, é a orientação que implica no restabelecimento da ligação do mesmo e o seu òrìsà, não implicando em incorporação ou sacerdócio.


A festa:

A iniciação seguida de festa é uma exigência que atende a vaidade do homem, a iniciação não depende de publico e aplausos, assim como não depende de roupas bonitas. Os rituais que aproximam o homem da divindade dispensam luxos e exageros.

O terceiro dia:

No terceiro dia é feita a apresentação do iniciado ao egbe, e a consulta ao orisá que indica o odu de orientação.


O sétimo dia:

No sétimo dia após a iniciação é dada a continuidade aos rituais que compõem o processo que habilita o iniciado ao sagrado.


O decimo sétimo dia:

Quase sempre no decimo sétimo dia termina o primeiro ciclo de preparação do iniciado a vida de olóòrìsà.

É muito raro que o òrìsà oriente que os rituais se estendam por mais tempo, além do decimo sétimo dia.

No passado a pratica de estender o tempo de reclusão de um iniciado servia par suprir a falta de mão de obra nas cozinhas dos egbe orisá.

A iniciação em òrìsà tem que ser positiva na vida do iniciado e jamais deve ser caracterizada por tristezas e privações.


O segredo:

Não vamos abordar aqui as iniciações em todos os òrìsàs por uma questão obvia, já que a nossa intenção não é ensinar a iniciar, mais sim provocar o debate entre as pessoas que querem saber um pouco mais sobre a religião tradicional yoruba.

A necessidade de alimentar a terra como parte da preparação para iniciação, pode existir, porém é importante deixar claro que não existe uma regra, para orìsàs variados, existem rituais diferentes que preparam o iniciado.

O Sagrado:

Abstraindo a imagem folclórica que envolve ritmos e cores, a iniciação a òrìsà é a construção de uma ponte que liga o passado ao presente e ao futuro, onde o homem tem a oportunidade de dignificar seus antepassados, buscando a evolução espiritual como forma de constituir um exemplo para seus descendentes.

Desmistificando:

A ideia de que quem conhece tem a obrigação de ensinar tudo àquilo que aprendeu é falsa, quem quer aprender se dedica e quem merece recebe.


Eternamente:

O iniciado agora denominado Olóòrìsà deve respeitar o seu Òrìsà e os membros de sua família eternamente, a iniciação não caracteriza a capacitação e os bons gestos de hoje não contribuíram para amenizar os erros do futuro.


A Consciência:

É evidente que quase tudo que envolve uma iniciação não deve ser divulgado, os rituais pertencem a aqueles que foram submetidos e a curiosidade jamais deve inspirar aqueles que desconhecem o verdadeiro valor do sagrado.

Todo iniciado deve manter em segredo os rituais de iniciação, a falta de cuidado nesse sentido não torna a religião vulnerável e sim o iniciado.

Texto para iniciantes
















Orí



Autor: Bàbàláwo Ifagbaiyin Agboola

Durante centenas de anos algumas religiões fundamentaram seus princípios em filosofias positivistas que induziram a humanidade a acreditar que o homem vitorioso é feliz, isso ocasionou decepções, frustrações e tristezas.

Os pais incorporaram o discurso dos religiosos e criaram seus filhos sonhando com mentiras, sendo assim grande parte dessas crianças se tornaram adolescentes frustrados, que não aceitando as derrotas naturais da vida.

 Essa sequencia de fatos implicou na formação de adultos problemáticos, que em uma tentativa errada de corrigir seus equívocos, criaram filhos com liberdades excessivas dando inicio a um círculo vicioso.

Criar filhos sem que eles percebam as dificuldades da vida alimenta as frustações que terminam sendo o fantasma da felicidade, afastando o prazer do viver.

A necessidade de ter mais informações sobre o bem viver, vem provocando uma corrida na busca de explicações para os insucessos de grande parte da humanidade, essas questões deveriam ser vistos com naturalidade.

A família fundamentada em religiões coerentes tem obrigação de reescrever a historia da humanidade, pois se não for assim, pessoas frustradas por não ter encontrado a verdade continuaram acreditando em uma mentira.

Um sacerdote sorridente que concorda com tudo não é mais visto com bons olhos, existe uma carência de orientações realistas, sérias e confiáveis, diante dessa situação, a boa formação dos Bàbàláwos é imprescindível para estabelecer uma relação confiável entre o iniciado e o iniciador.

Os sacerdotes modernos necessitam fazer com que aflore em seus seguidores a sensibilidade que ilustre o viver sem que o desânimo em relação ao futuro bloquei as ambições naturais.

O desejo de vitória fundamentado no conhecimento que existe a possiblidade da derrota ameniza a dor do insucesso, reduzindo o tempo das lamentações e do desanimo, implicando em uma reformulação dos planos com a dinâmica que a vida moderna exige.

Considerando que a inveja alimenta a frustração, a pessoa frustrada deixa de cumprir o seu destino para se preocupar com a vida das outras pessoas.

A iniciação em Ifá e o conhecimento sobre o odu pessoal gera segurança, enquanto o culto a Orí fortalece o otimismo realista, afastando o fantasma da inveja e da frustração.

Pessoas frustradas tem um comportamento depressivo que influenciam o seu humor criando assim um constante clima de antagonismo e disputa.

A capacidade de lidar com os problemas deve ser trabalhada pelos sacerdotes em seus iniciados incentivando o conhecimento e fortalecendo a dinâmica de forma que superada as dificuldades iniciais o mesmo tenha capacidade de solucionar seus problemas.

Viver com prazer e alegria depende da visão real que a derrota e a vitória, assim como a tristeza e a felicidade, fazem parte da existência.

Estar feliz está diretamente relacionado ao tempo de reflexão sobre o abandono do desanimo e da tristeza, as pessoas que perdem muito tempo lamentando a derrota tem menos tempo para buscar a vitória.

A realidade do que representa o culto ao òrìsàs por questões históricas confundiu os iniciados do novo mundo, sincretizando òrìsàs com as forças da natureza.

 A nossa religião é fundamentada na ancestralidade, é evidente que um iniciado para Osun não descente de um rio. Somos descendentes de homens e mulheres que dignificaram os seus destinos com atitudes honradas, mas que também cometeram erros.

A certeza que qualquer um de nós pode se tornar um òrìsàs não deve ser mantida como uma obsessiva perseguição à perfeição, essa certeza deve estar em nossa mente como instrumento que indica a proximidade do òrísà e não à distância.

A certeza que todos os problemas podem ser enfrentados mesmo que muitas vezes possamos ser derrotados não deve tirar o prazer de viver, bem pelo contrario, deve aumentar a expectativa da vitória.