domingo, 29 de março de 2015

Conversando com as crianças.


Babalawo Ifagbaiyin Agboola

Para mim a ideia de escrever surge das mais diversas situações, esse texto surgiu após um diálogo que tive com algumas crianças que iniciei em Ifá.

As crianças me perguntaram:

- Como é que é lá no céu?

Isso é uma pergunta muito ampla.

O papai do céu se chama Olodúnmarè e ele tem muitos secretários, um deles é conhecido pelo nome de Àjàlá, ele tem dezesseis amigos que trabalham para confeccionar as nossas cabeças, conhecidos como odus.

As crianças perguntaram então:

-É uma fábrica de cabeças?

Comecei a rir e respondi.

- Isso mesmo, é uma fábrica de cabeças com muitas prateleiras lotadas de cabeças umas diferentes das outras.

-Como assim perguntaram as crianças?

  Respondi:

- Cada um dos amigos do Àjàlá tem um nome o mais conhecido deles é Ogbe meji, cada um tem uma maneira de agir e quando ele fabrica a cabeça fica impresso nela a sua forma de ver, agir e sentir.

Um dos amigos de Àjàlá que trabalha na fábrica é Ofun meji, o mais velho de todos, que é conhecido por se vestir de branco, junto com ele e Ogbe Meji tem vários amigos de Àjàlá.

Ilustrei olhando nos olhos das crianças curiosas.

Um menino nesse momento me perguntou:

- É só esse povo que trabalha lá?

Eu respondi.

 - Não, lá trabalha Òrúnmìlà é ele que anota em um grande livro quem escolheu qual cabeça.

Òrùnmílá é um dos principais amigos de Olódùmarè e de Àjàlá, ele é o responsável por todas as informações, o departamento dele é o arquivo, ele tem muitos armários cheios de livros bem importantes.

Criançada quando consultamos Ifá, Òrùnmílá vai nos livros e procura a informação que precisamos, só ele sabe tudo, ele é a testemunha da nossa escolha.

Uma menina me perguntou:

- Se Òrùnmílá anota e Àjàlá e seus amigos fabricam as cabeças, quem escolhe a cabeça não escolhe um corpo?

Esses pequenos fazem cada pergunta.

Respondi:

- O corpo você escolhe junto com a cabeça e retira em outro departamento, na fábrica de corpos que é dirigida por Òsàálá.

Sendo assim você escolhe sua cabeça conhecida como Ori e juntamente o seu odu, depois você escolhe um corpo e junta tudo, então conversa com Òrùnmílá que dá as indicações.

Mas olhem bem crianças depois da escolha é que aquilo que conhecemos por espirito acompanha o corpo no nascimento.

Como assim perguntaram as crianças:

 - Ele já não tinha escolhido um corpo?

 Respondi então:

 - Meninos e meninas olhem bem tudo é duplo, existe uma cabeça e um corpo espiritual e um outro que é quando somos recém nascidos, um comportamento inicial e um comportamento construído com o passar do tempo.

Essa é a razão porque montamos assentamentos de Ori e Egbé, buscamos a essência inicial.

A cabeça que escolhemos tem as indicações gravadas de quando vamos nascer e qual o comportamento vamos ter, ao nascer se vamos ser gordos ou magros, professores ou jogadores de futebol, calmos ou agitados, tudo é anotado por Òrùnmílá.

A consulta a ifá é para nos orientar, ela serve para mostra o caminho por nós escolhido diante de Àjàlá.

Então um menino um pouco maior me perguntou:

- Somos diferentes mas temos a forma de pensar igual?

- Porque os mesmos amigos de Àjàlá participa da fabricação?

Respondi a ele:

- Os dezesseis amigos de Àjàlá trabalham em um departamento que tem mais duzentos e quarenta funcionários.

É muita gente que trabalha lá? disse o menino!

-Duzentos e cinquenta e seis funcionários conhecidos pelo nome de odus.

-Além disso existe alguma diferença no trabalho de fabricar as cabeças, perguntou o menino:

Respondi a ele:

- Sim, a matéria prima que é usada para a fabricação de nossas cabeças é uma tal essência conhecida como Egbé Orun que indica muitas coisas em nossas vidas.

Uma menina me perguntou:

-  Qual a cor da nossa pele indica essa tal Egbé?

Respondi a ela:

- Na verdade é um pouco mais complicado, Egbé fala muito de como vamos agir e como vamos nos sentir diante da vida.
Ela então me perguntou:

- Crianças diferentes tem comportamentos iguais aos de sua Egbé?

 Respondi:

 - Sim, percebi que todos ficaram calados pensando naquilo que eu tinha explicado.

Para encerrar a conversa com eles disse então:

 - Crianças vocês sabem quem fica na porta de saída do céu?

- Exu, é ele que confere se na retirada não pegamos a cabeça trocada, ele confere tudo e informa Orùnmílá.

Então uma última pergunta me foi feita:

- Uma menina me disse:

- Como é que sabemos a ordem dos fatos de tudo que escolhemos?

 Respondi a ela:

- Imagine uma grande fábrica com muitos departamentos, nessa fábrica existe um departamento de controle, o departamento da Iya mi, ela tem alguns secretários conhecidos pelo nome de ajoguns, são eles que organizam alguns fatos e datas por nós escolhidos.

Exemplo: quando vamos ficar doentes e quando vamos ficar sem dinheiro.

Quando eu me levantei um outro menino me perguntou:
- E os orixás também trabalham nessa fábrica, Ogun, Oxun, Xango e outros, o que eles fazem na fábrica?

Respondi:

- Eles fazem serviço externo, eles acompanham as cabeças para tentar consertar alguns defeitos de fabricação que podem aparecer.

Conversar com as crianças é muito bom.

sábado, 14 de março de 2015

GUERRA SANTA



Em visita recente à Salvador acompanhado de alguns membros de nossa família fui conhecer a feira de São Joaquim, local esse onde os membros dos cultos aos orixás costumam comprar folhas, cerâmicas, roupas e animais para os ritos. Empolgado com o passeio desfrutando das belezas da cidade, cheguei a feira e me assustei com o que eu ouvi, existia lá um serviço de auto falantes, onde um pastor pregava vigorosamente e insistentemente a palavra de cristo.

Para mim não foi surpresa o fato de assistir coisas semelhantes em vários lugares, o que me espantou foi que vários adeptos ao culto dos orixás faziam compra naquele momento e a impressão que tive foi que eles aceitavam com naturalidade.

 Refleti durante algum tempo sobre a questão considerando o fato que alguns sacerdotes de nossa religião ainda levam os iniciados para assistir missa na igreja católica, e a conclusão foi evidente mas difícil de aceitar.

Em um país que os líderes políticos estiveram envolvidos em roubos e assassinatos, sempre que nos defrontamos com alguma irregularidade, o trabalho das autoridades é tão ineficiente que gera uma sensação de vazio desmotivando a denúncia.

Atitudes como a do sujeito que cobra uma exorbitância por um ritual que ele alega ter aprendido com o pai, que aprendeu com o avô, etc., muitas vezes evidenciando a má fé, caracterizando claramente ritos que ele mesmo criou, substituindo o conhecimento pela criatividade, nos dias de hoje são bastante comuns.

  Para responsabilizar as pessoas em questão teríamos que fazer uma sessão espirita para ouvir todos seus antepassados punindo assim em efeito dominó o antepassado ilustre que não detinha o conhecimento mas que delegou ao descendente o mérito de administrar a insegurança sobre os fatos.
Sendo assim de posse de uma informação nada confiável o audaz vende o segredo familiar por um preço fora da realidade construindo assim uma imagem que detém um conhecimento inigualável que somente nesta ocasião será divulgado, originando o crime.

O cenário está pronto e o sacerdote nesse momento em ponto de destaque usa e abusa da oportunidade criando assim uma forma de se beneficiar sem ter responsabilidade com o que está sendo feito, atribuindo a responsabilidade e a origem do então conhecimento a um antepassado que normalmente é descrito como um grande sábio que veio da África.

Quando não é o antepassado responsável pelos atos é os espíritos incorporados que orientam os ritos, gerando assim a impunidade daquele que deveria a ser o único a ser punido.

Perante a lei tudo que o sacerdote aprende com seus antepassados ou na internet ou até mesmo em apostilas é de responsabilidade dele. Ninguém pode ser responsabilizado por algo que não teve participação, os ritos seguem por responsabilidade do oficiante, alegar responsabilidade de terceiros ou coautoria de um espírito é visto pelas autoridades, como um atalho para a impunidade que quase sempre denuncia o autor.

O fato é que um alto preço foi pago, a responsabilidade termina não sendo apurados na maioria dos casos, e na pratica todos perdemos, a não apuração de muitos ilícitos, na fé, é objeto cortante que retalha a nossa imagem.

A imagem do culto aos orixás no Brasil todo dia é prejudicada por alguém que se não é ignorante é desonesto, na grande maioria das vezes pessoas despreparadas dizem ter um conhecimento que não possuem ou terminam agindo com uma postura inadequada, mas a questão é para quem denunciar?

Na igreja católica aconteceu centenas de casos de sacerdotes que abusaram sexualmente de crianças e jovens adolescentes, em nossa religião, será que as denúncias não seguem em frente por não existir a possibilidade de receber uma indenização, ou seria vergonha das vítimas?

Caso como o que eu denunciei de um suposto sacerdote de Iya mi, em Santa Catarina, na cidade de Palhoça, conhecido como Oso, que faz sexo com todas as iniciadas, até hoje não foi apurado.

Em nossa religião esses casos fazem parte da página policial, mas com indícios estranhos, parece que existe uma estratégia para desestabilizar a imagem dos nossos sacerdotes.

A pergunta é quem se beneficia com essas notícias?

Aqueles que querem proibir o sacrifício de animais!

 Aqueles que lavam milhões de reais do crime organizado em suas igrejas!

A multiplicação das igrejas que nos atacam diariamente alimenta a GUERRA SANTA que acontece contra o culto dos orixás, em gabinetes, com um cheiro insuportável de corrupção, bispos evangélicos que tem milhões de dólares depositados no exterior em suas contas bancarias, agora deputados a serviço do crime, agridem Babalorisas e Iyalorisas, que em grande maioria não tem percepção de tudo que está acontecendo.

A falta de lideranças competentes estimula a desunião gerando um andar sem rumo de nossos sacerdotes, a luta contra o poder aquisitivo que mantem emissoras de TV nos atacando violentamente é desigual, os nossos desafetos se alimentam não de passagens bíblicas para nos atacar e sim de nossas próprias falhas.

É chegado o momento de pegar em armas, armas fortes como a verdade e a honestidade, o conhecimento nos fortalece e o conhecimento nos dá segurança, a verdade nos ilumina e a honestidade nos dá liberdade para agir.

Vamos lutar para manter a nossa fé e os nossos costumes, vamos lutar a GUERRA SANTA, mesmo que para isso tenhamos que cortar a própria carne.

Esse texto  é uma homenagem a grande líder religiosa, Maria Stella de Azevedo Santos, (mãe Stella de Oxóssi) do Ile Asé  Òpó Àfonjá, que luta em defesa da nossa fé com sabedoria e dignidade desde 19 de março de 1976.

Babalawo Ifagbaiyin Agboola


terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Aboru aboye

Nos últimos dias estou tendo alguns problemas com o facebook, mas em breve retomaremos o contato com todos os nossos amigos.

Qualquer dúvida entrar em contato pelo celular tim 011-95478 5170.
Ire o

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Aboru aboye



O ano de 2014 do calendário cristão foi muito bom, conheci várias pessoas que direta ou indiretamente contribuíram para um excelente resultado de nosso trabalho.

Nesse ano que está se encerrando entendi que o importante é seguir com o que eu acredito, ameaças e opiniões contrarias ao meu comportamento não alteraram o meu dia a dia, sigo fazendo muitas iniciações e continuo divulgando a minha crença.

O ifá no Brasil é muito jovem e ainda temos muito para aprender com os nossos irmãos yorubanos, mas uma coisa é certa adquirimos o respeito de nossos irmãos da Nigéria hoje somos vistos não pelo que temos e sim pelo que sabemos, daqui para frente não será mais discutido se um brasileiro pode ou não ser um Babalawo pois entre os Babalawos que mais iniciaram em toda história no mundo o projeto Ifá é para todos é conhecido e respeitado.

Em alguns anos o ifá em nosso país será cultuado em todo o território, a divulgação é um compromisso do bom sacerdote, no odu Ogbe Ogunda diz, para formar um bom Babalawo é necessário um longo período de viagens, conhecer as pessoas é importante na formação do sacerdote, sendo assim viajar e divulgar o ifá é uma responsabilidade de todos nós.

No momento em que as famílias se reúnem para festejar um começo de um novo ano, reafirmamos o nosso compromisso em divulgar a palavra de Orunmila, desejo a todos boas festas e que a amizade o respeito e a humildade balizem o relacionamento entre os homens.


Ifá egbe wa o

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

OJUGBONA


Em todas as profissões bons profissionais durante anos se consideraram como aprendizes, a aceitação da condição de despreparado facilita o aprendizado e qualifica a formação com a atitude de humildade.
No Ifá não é diferente sempre divulgamos abertamente a necessidade de um tempo mínimo de estudos antes do awo assumir a posição de sacerdote, a condição por nós aceita como a mínima condição divulgada pelo nosso Araba, que considera um prazo mínimo de preparação em 4 a 5 anos.
É bem verdade algumas pessoas se afastaram da nossa família por não concordarem com esse prazo, o desejo de atender muitas vezes termina atropelando o bom senso como poderia ser considerado o recém iniciado como Oluwo se ainda não tem a formação de Babalawo.
Um Babalawo deve saber um mínimo sobre os odus, deve saber preparar awures, isegun, asetas, entre várias formulas necessárias no dia a dia, além de saber fazer os mais diversos ebós inclusive ebó riru.
Sem o conhecimento o awo enfrentará dificuldade que terminaram prejudicando a imagem de toda a sua família e não só a dele, o despreparo prejudica o sacerdote e o consulente, a má interpretação de um odu pode guiar o awo em direção ao sentindo inverso do desejado, resultando o atendimento em um fracasso.
É responsabilidade exclusiva do Oluwo autorização para o atendimento, o Ojugbona ajuda na preparação do awo mas a liberação é um ato do Oluwo, toda a egbe segue a orientação de um único líder, o Oluwo, sendo assim os elogios e as críticas devem ser dirigidas exclusivamente a ele.
O culto a ifá aceita as pessoas sem esclarecimentos, mas não incentiva que elas sejam iniciadoras se o mesmo não deseja estudar jamais conseguira sair da condição de iniciado, é nesse momento que a postura do ojugbona pode fazer uma enorme diferença.
O ojugbona antes de mais nada é uma figura de total confiança do oluwo, a permanecia dele ou não como instrutor do iniciado é uma decisão exclusiva do oluwo.
Um ojugbona quando escolhido entre Babalawos experientes pode ser responsável por todo o treinamento do awo e isso pode durar alguns anos ou não, considerando a hipótese que na falta de Babalawos experientes jovens Babalawos poderão ser escolhidos para acompanhar o awo exclusivamente no período do itelodu ou itefá.
Para fazer a iniciação de um outro awo a figura do ojugbona pode ser ocupada pelo Babalawo ou pelo oluwo, considerando que existe um mínimo de pessoas para a cerimônia de itefá.
O oluwo no itefá é o responsável por toda a cerimônia, o Babalawo auxilia o oluwo assim como o ojugbona auxilia o oluwo, isso indica um mínimo de participantes do itefá em duas ou três pessoas.
Já presenciamos algumas situações que para não identificar como ridículas usaremos o termo hilário, antes de iniciado o awo já tem sua agenda fixada para iniciar outras pessoas.
Isso tudo representa o retrato de muitos dos supostos awos nos dias de hoje, pessoas com um pouco de conhecimento da cultura afro brasileiro se auto designam os sacerdotes da Religião Tradicional Yoruba prejudicando a imagem do ifá como um todo.
Mesmo que alguns consideram esse período mínimo de treinamento como escravidão ou subserviência, particularmente acredito que awo merece uma formação diferenciada porque alguns conseguem assimilar os ensinamentos em menos tempo, embora o mínimo jamais deva ser inferior ao anunciado pelo Araba de 4 a 5 anos.
Imaginem alguém dirigindo a mais de 200 km por hora sem uma preparação antecipada, o mesmo risco de vida deve ser considerado quando um awo atende sem ter condições. A autorização para o despreparado é equivalente a entrega das chaves de um veículo potente a uma pessoa que não sabe dirigir e um acidente fatal pode acontecer.
O fato do awo ter compromissos com a família e manutenção de sua casa, jamais justificara que o Oluwo o permita atender.
As necessidades de ganho do awo jamais deve ser considerada como pretexto para a eliminação de etapas.
A decisão do Oluwo pode ser antipática, mas é necessária, a não liberação de um awo despreparado para atendimento e iniciações é fundamental para a preservação do nome da egbe.
Esse texto é uma homenagem a meu ojugbona João Assef foi ele quem colocou um opele em minhas mãos pela primeira vez, foi com ele que aprendi os primeiros passos no Ifá, esse homem não foi somente meu ojugbona, foi um exemplo para mim com sua simplicidade e dedicação ao ifá.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014



AYO SALAMI (Ifaloore)




Hoje quando fiquei sabendo da morte do grande escritor Ayo Salami, por algum tempo me deixei tomar por um raciocínio pratico, mas sem sentindo, imaginei porque os bons morrem primeiro?

Durante esse tempo que faço parte da rede social me roubaram o meu perfil, as minhas fotos, os meus textos e até a minha história. Me roubaram as fotos dos meus assentamentos, roubaram os meus projetos e até o houve o caso de um que roubou meu blog inteiro.

O desrespeito é tamanho que outro dia uma pessoa discutiu comigo sobre uma frase que eu postei faz três anos, ela afirmou que a frase era parte de um texto que ela tinha acabado de criar.
A falta de respeito com a propriedade intelectual chama a atenção, e as pessoa que copiam seus textos e simplesmente colocam os nomes dela.

No nosso país a falta de cultura só perde para a falta de respeito, homens e mulheres que se dizem sacerdotes usam da religião para tirar vantagens, falta de pudor e desejos incontidos se complementam com fotos que retratam poucas roubas e muita ousadia.

Muitos desses indivíduos ocupam espaços trabalhados por poucos usando frases e textos bem conhecidos como forma de justificar o seu saber.

Essa pessoas sem escrúpulos se misturam nas páginas das redes sociais e com seus comportamentos, usam propriedades intelectuais, ideias e projetos de outras pessoas com tanta naturalidade que assusta.

Se passando por religiosos ele conseguem iludir um pequeno grupo de desavisados e pagam um alto preço por alguns minutos de sucesso, comprometendo a sua dignidade eles deixam retratado nas mais diversas páginas as suas incapacidades, que são vistas por quem atento está.

Essas pessoas que são vítimas da falta de escrúpulos terminam escrevendo tantas vezes as mesmas mentiras que incorporam a ideia como sendo verdade.

Como entender o que elas sentem em atribuir a elas a autoria de um trabalho que elas não participaram da criação e que desconhecem o teor.

Em conversa com alguns amigos percebi que não sou o primeiro a passar por isso, parece até que comumente pessoas que adquirem alguma projeção terminam vitimados pela mesma situação.
Soube que o consagrado escritor Ayo Salami enfrentou várias vezes durante a sua vida pessoas mal intencionadas que copiaram parte do seu trabalho.

Imagina agora com a sua morte o que vai acontecer, certamente muito do que ele escreveu vai ser adulterado e supostos autores devem aparecer se intitulando proprietários do trabalho desse grande homem.

Nos resta pedir a Olódùmarè que acalme o seu espirito e que conforte sua família, ele nos deixou, mas vários, assim como eu seguirão escrevendo influenciados pelo seu trabalho.

Sun re o

terça-feira, 14 de outubro de 2014

A verdade sobre o orixá



Babalawo Ifagbaiyin Agboola.
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veja o blog: www.babalawoifagbaiyin.com

Ao longo dos anos tenho acompanhado um grande numero de pessoas divulgando a religião tradicional yoruba, algumas delas bem intencionadas fazem ótimos trabalhos outras, no entanto, se limitam a divulgar materiais vindos do exterior como sendo a mais pura verdade, incontestável e irretocável verdade.

O povo de nosso país durante anos foram vitimados com a verdade católica que moldou a forma de pensar de nosso povo, a nossa gente pensa em religião como se o catolicismo fosse à base para tudo.

O planeta tem sete milhões de habitantes, o catolicismo durante longo tempo foi dominante em vários países, hoje isso já não acontece, à manipulação da informação aos poucos deixa de existir sendo assim as pessoas tem acesso a informações referentes às mais diversas religiões.

A necessidade de nossos irmãos na fé do orisá é especifica, não podemos mudar na teologia com filosofia católica ou cristã. Existe uma guerra acontecendo nas entrelinhas em nosso país, evangélicos e católicos disputam com violência os fieis, isso gera desconforto para nossos irmãos, em grande parte dominados por um sistema corrupto que associa a politica a religião e ao poder da mídia.

O povo que cultua orisá esta necessitando de informações, precisamos de canais de tv e emissoras de rádios disponibilizando informações verdadeiras sobre a teologia e a filosofia yoruba.
Na tentativa de criar mais um espaço onde a informação sobre orisá possa ser divulgada criamos vários trabalhos, incluindo os nossos blogs e as nossas paginas na internet.

Não somos os donos da verdade, temos um trabalho que é fruto de dedicação com mais de cinco décadas de fé e amor aos orisás. É bem verdade que os orisás foram generosos conosco, nos possibilitaram um convívio com pessoas capacitadas que auxiliaram na nossa informação.

Vejo constantemente na internet abordagens equivocadas algumas pessoas na falta de conhecimento improvisam e terminam misturando o cristianismo com a religião tradicional de culto ao orisá.
Essa semana recebi de presente de aniversario de um querido amigo um livro do grande escritor Ayo Salami, após a leitura resolvi escrever esse texto desmitificando algumas questões, o livro que fala sobre Egbe Orun me inspirou uma abordagem ampla sobre a filosofia e a religião yoruba.

Buscando torna a didática leve e acessível para pessoas de todas as idades e níveis intelectuais, vamos abordar algumas questões de forma simplificada.


O nascimento


O nascimento de um ser humano dentro da religião yoruba é descrito em varias fases, nos versos de ifá, partindo do principio ativo que é particularmente conhecido como alma.


Alma


A alma que vamos designar dessa forma para fácil identificação tem origem divina, Olodumare “Deus” com a necessidade de criar novos indivíduos encarrega Obatala de criar novos corpos celestiais que após a criação ganhou vida com o sopro divino do criador, “Deus”.
Com a vida insuflada em um principio que se origina em dois corpos simultaneamente a alma agora dos seres idênticos segue a trajetória natural se dirigindo para a escolha de um orí.

Ori


O orí é escolhido pela alma e seu duplo originando aqui após a escolha diante de Àjàlá “aquele que cria o “Ori” um duplo do orí idêntico que tenha a função de acompanhar o duplo da alma no orun”.

Egbe Orun


O culto a Egbe Orun enfatiza a necessidade de atrair o duplo da alma que permanece no Orun depois do nascimento com a finalidade de acessar a ligação divina de Egbe com Olodumare possibilitando uma vida mais confortável.

Abiku


O espirito abiku reproduz a insatisfação e a falta de aceitação com o destino e o afastamento do duplo, sendo assim o encontro da morte é a maneira simplista de reencontrar o duplo no orun.
Embora muitas pessoas com problema de abiku não morram jovens a sua condição de insatisfação e a não aceitação do destino escolhido caracterizam seu comportamento.

Bori


O culto a orí enfatiza a necessidade de atrair do duplo do orí que permanece no Orun depois do nascimento com a finalidade de acessar a ligação divina de orí com Olodumare possibilitando uma vida mais confortável.

Obs: Na filosofia Yoruba o duplo da alma e o duplo do orí por permanecer no Orun tem ligação direta com o divino isso facilita o acesso a uma vida prospera e tranquila dai a razão do culto ao duplo.
Sendo que o orí e a alma que se destinaram para acompanhar o corpo no nascimento em convívio terreno perde muito da sua inocência e distancia o homem do seu criador.

Esse tema já foi abordado por vários pensadores que aproximam a figura infantil e inocente do divino que também descrevem o afastamento de Deus com o passar do tempo e o desenvolvimento do caráter e da personalidade.

Caráter 


O caráter conhecido na filosofia yoruba como IWA esta contido na escolha do individuo aos pés de Àjàlá no momento da escolha d orí, porém com uma definição mais ampla conhecida por nós como odu.

Odu


Odu pode ser designado como o resultado de parte da essência divina introduzido em quatro elementos o orí e o seu duplo assim como a alma e seu duplo, esse conjunto em movimento após o nascimento concentra na parte que vem para terra o Iwa que sofre algumas alterações com o passar do tempo e o convívio com outros indivíduos gerando aqui o que conhecemos como personalidade.
A personalidade

A livre escolha de como viver expressada em uma pequena parte de como conhecemos como destino pode nos aproximar ou nos afastar do divino, pessoas com o mesmo odu que tem a alma como ponto de origem da mesma essência, “Egbe” expressam comportamentos diferentes em razão do caráter “IWA” gerando assim um comportamento identificado como diferente da essência conhecido como personalidade.

Destino


Ori esta ligado ao odu, e existe 256 odus diferentes, a grosso modo, teríamos no mínimo 256 tipos de bori. Mas a verdade é que esse procedimento não segue nenhuma regra e sim, uma orientação de Ifa ocasional.

Obs:O destino pode ser assim compreendido.


AKUNLEYAN é a parte do destino que cada um escolhe por vontade própria, livre arbítrio.

AKUNLEGBA é a parte do destino o qual está adicionada como complemento de AKUNLEYAN.

AYANMO é aquela parte do destino que nunca pode ser mudado.
 Por exemplo: Pais, sexo etc...

 Ìwà Rere quer dizer, bom caráter, um dos principais requisitos para se tornar digno de ser cultuado por seus descendentes após sua morte.

Apari-Inu representa o caráter à natureza humana, Ori Apere representa o destino.

Um indivíduo pode vir para a terra com um bom destino, mas se ele vem com mau caráter, à probabilidade de cumprimento, do seu destino é comprometida.
O pecado

A cultura Yoruba não reconhece o pecado, pessoa que toma a iniciativa de se distanciar de seu destino, é o que popularmente se chama de pobre de espirito.

A filosofia Yoruba é fantástica, existe uma frase que diz, o castigo deve ser adequado ao caráter do culpado.

Isso identifica que o caráter também faz parte da escolha, assim como o odu a escolha é testemunhada por Orunmila.
O Espirito

O espirito é descrito em um conjunto que é formado pelo Ori, a alma e o caráter, o odu de duas pessoas idêntico pode gerar comportamentos diferentes em razão do desenvolvimento do caráter que é alterado gerando o distanciamento do destino comprometendo a alma e distanciando a mesma de seu duplo e da sua essência.

Orunmila


O culto a Òrúnmilà serve para aprimorar o caráter e aproximar o individuo de seu destino, o conhecimento do odu de nascimento serve para nortear o comportamento visando aproximar a alma e o orí de seu duplo contando com o apoio do Orisa.

Orisa


A nossa alma tem a mesma origem que tem o orisa porem a nossa alma pertence a um egbe e o Orisa pertence a outro egbe a origem é a mesma, mas definição se difere porque a alma considerando a parte que vem para a terra pode se distanciar da origem o orisa se mantem em sua essência divina e possibilita o acesso à prosperidade assim como o nosso duplo no orun por razões anteriormente descritas.

O culto a Orisa


O culto a orisa assim como o culto a orí e egbe tem a mesma finalidade que é a aproximação com o divino e a identificação com a nossa origem, considerando que o duplo é parte do Deus e assim se comporta a essência é fundamental no desenvolvimento do espirito.
As pessoas que são iniciadas para determinados Orisás seguem uma orientação de Ifá baseada em um principio da complementação.
Quando um sacerdote de Ifa é iniciado cumpre uma série de rituais e cultua os Orisás indicados nos odus relativos à sua iniciação, já no caso da pessoa não iniciada em Ifá o processo pode seguir uma orientação um pouco diferente.

A incorporação


O transe consciente visa à aproximação do individuo com a essência do divino expressa no Egbe, ela é provocada e se justifica para a evolução do espirito que habita em cada um de nós.

O transe inconsciente que não é reconhecido pela ciência tão pouco se justificaria como forma de evolução, pois se eu não tenho conhecimento que estou alinhado como poderia me beneficiar do alinhamento, tal comportamento é injustificado e inexplicável para a evolução espiritual.

Mesmo que algumas pessoas acreditam quem isso é possível a ciência contesta e o comportamento daqueles que tomam banho e colocam roupas adequadas para os rituais se entregando ao ritmo das cantigas invocatórias de forma consciente o individuo em alinhamento com a essência propositalmente.

A informação da não consciência é usada dos dois lados do oceano por pessoas que se beneficiam e usam a energia do divino em beneficio próprio as aberrações no território yoruba como em outros países chegam ao máximo dos ridículos onde números de magicas tentam justiçar a veracidade do espirito, homens introduzem instrumentos perfurantes em seu corpo tentando provar uma incorporação, mas na verdade uma solução de folhas anestésicas é usada como forma de amenizar a dor criando um palco ilusórias onde inúmeras pessoas contracenam com a mentira.

Egungun


O culto aos antepassados tem a mesma finalidade que o culto de Egbe e Ori com uma diferença o alinhamento é buscado na essência e não no duplo.

O culto a egungun tem a mesma finalidade que o culto a orisá, a aproximação da essência que não sofreu alteração e mantem o principio do divino possibilita o viver mais confortável e o desenvolvimento espiritual próximo do compromisso assumido antes do nascimento.

O culto a Orunmila


O ato de criar o Ifá do individuo através do assentamento de Orunmila possibilita a criação do instrumento que identificara o destino e os compromissos assumidos antes do nascimento essa questão é fundamental que seja compreendida como um mapa que auxiliara a pessoa na caminhada terrena, mas também auxiliara o espirito no alinhamento com o duplo.

Somente Orunmila testemunhou a nossa escolha do nosso destino, a voz de Orunmila só pode ser ouvida no Ifa e o Ifá pessoal reproduz com mais detalhe a nossa escolha.

Isefa


Para algumas famílias o isefa não é uma iniciação, em nossa família consideramos o Itefa uma iniciação completa e o isefa uma pré-iniciação, em nossa família toda a pessoa submetida a um isefa recebe um nome, além das orientações do odu do ritual, se essa pessoa recebe uma indicação de ifá que deve se tornar um babalawo, o ifá é alimentado mais uma vez, em um novo ritual, que não acontece no mesmo dia, e um opele é consagrado para o inicio dos estudos.

Em algumas famílias a pessoa submetida em um isefa é chamada Omo ifá, e uma submetida ao itefa são conhecidas como awo ifá.
Em nossa família consideramos esses dois nomes e usamos a denominação awo kekere, (pequeno segredo), ou awo kekere, para as pessoas com indicação do inicio a preparação para itefa.
O awo kekere, é uma pessoa que normalmente tem o seu Exu arrumado com o odu do isefa ou com um odu indicado por ifá, na segunda cerimonia quando é consagrado o opele de estudo.

O awo kekere pode receber esse opele que muitas vezes é confeccionado com pedaços pequenos de cabaças, semelhante ao que é feito no ifá cubano, com pedaços de coco, ou com um opele padrão, com favas de opele legitimas, a diferença na consagração do opele, para estudo é o porte do sacrifício por razões obvias não vou mencionar como é feito, mas existem inúmeras formas de consagrar um opele, uma pessoa que passa pelo itefa, mesmo tendo odu de babalawo, não tem o seu opele consagrado para atender clientes, a consagração do opele em alguns casos no itefa, é muito simplificada consistindo em que o opele come dentro da vasilha de Orunmila, já para consagrar o opele que vai consultar para clientes a consagração, é fora da vasilha de Orunmila e não necessitam que Orunmila seja alimentado, os rituais para esse caso, estão muito ligados a o culto de Exu.

Itefa.


Uma pessoa submetida a um itefa pode continuar se incorporando com caboclo, esu, preto velho, e seu orisá, se não for um babalawo, essas pessoas que tem cargo de babalorisas ou tem caminho de oloorisa, passam por quase todos os rituais, que um babalawo passa a diferença esta ligada ao culto de Iya odu e Osun (antepassado).
O culto de Osun (antepassado) tem rituais específicos para pessoas que passam por uma iniciação e rituais completamente diferentes para a pessoa que vai iniciar outras pessoas.

As pessoas, iniciadas para se tornarem babalawos começam os seus estudos, não no momento que fazem o itefa, começam seus estudos quando na pré-iniciação (isefa), recebem uma orientação de Orunmila que tem caminho de babalawo.

As pessoas pertencentes ao ifá Cubano, assim como as pessoas acolhidas em nossa família, que por alguma razão, se afastaram da sua família do ifá Nigeriano recebem um tratamento totalmente diferente, condicionado a uma forte demonstração de conhecimento ou baseado em uma orientação determinante de ifá, só assim pode ser considerado o tempo de estudos para uma futura liberação para um atendimento de clientes.

O primeiro caso, diz respeito a um conhecimento não dos versos da família a qual a pessoa fazia parte, mas sim de um conhecimento universal, de tudo que envolve ifá.

Se Orunmila disser que devemos aproveitar os ikins da pessoa que foi iniciado no ifá Cubano, assim o faremos, pois para nós ifá é universal, mesmo tento conhecimento que os ikins usados nas iniciações da tradição do ifá Nigeriano sejam completamente diferentes das sementes de dendê usadas em Cuba.

O mais importante nesses casos é levar em consideração que o iniciado no ifá Cubano, recebe já na sua primeira mão de ifá, o assentamento de Osun (antepassados) e Exu, diferente do isefa tradicional.

Se for aceito o assentamento de ifá, também vai ser aceito o assentamento de Osun (antepassados) e o de Exu, existem alguns casos, no ifá Cubano que a pessoa tem um opele de casca de coco, se ela passar para o ifá Nigeriano esse opele, só poderá ser usado, como um adorno, o sacerdote em sua nova caminhada deve consultar para os seus clientes com o opele tradicional.

Já o assentamento de Osun (antepassado), pode ser mantido em paralelo, assim como o Exu e o ifá, dispensando uma nova iniciação, considerando que não se pode iniciar uma pessoa duas vezes, isso seria um desrespeito com suas raízes anteriores.

Duração das cerimonias.

Um isefa leva até três dias para conclusão da cerimonia, já um itefa leva de três a dezessete dias, a conclusão das cerimonias, isso não quer dizer que não possa seguir outras indicações como é bem comum, sete dias. Sempre a orientação de Orunmila no ifá, é que vai ser seguida.

Ìtélodú


Nessa cerimonia o iniciado s torna um sacerdote conhece pelo nome de um Babalawo os Babalawo NÃO INCORPORAM, e se dedicam ao estudo dos odus por toda a vida cultuando.

A trajetória de estudos do Babalawo pode ser descrita de varias formas, porém a cerimonia onde o mesmo é reconhecido pela divindade conhecida como iya odu é o ápice na religião tradicional yoruba não existe Babalawo que não tenha sido apresentado para iya odu.

Iya odu


Já falamos sobre Egbe, odu destino e a essência divina falar de iya odu é falar da divindade útero gerador de odu sendo assim estamos falando de Egbe no plural, essa divindade abriga vários odus, sendo assim da origem há varias egbe disponibilizando para o criador parte da essência no momento da criação do espirito.

Expectativa


Não espero que esse trabalho mude a historia de ifá no Brasil tenho consciência que com o passar do tempo outras pessoas poderão se sentir motivadas a escrever sobre a nossa religião o importante é que cada um de nós tente auxiliar na divulgação, juntos encontraremos a essência de nossos Egbes, desenvolveremos nossos espíritos e cumpriremos nossos destinos.

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